{"id":2309,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/homilia-da-peregrinacao-nacional-do-movimento-dos-convivios-fraternos\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"homilia-da-peregrinacao-nacional-do-movimento-dos-convivios-fraternos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-da-peregrinacao-nacional-do-movimento-dos-convivios-fraternos\/","title":{"rendered":"Homilia da Peregrina\u00e7\u00e3o Nacional do Movimento dos Conv\u00edvios Fraternos"},"content":{"rendered":"<p>14 de Setembro de 2003   Leituras: N\u00fam. 21, 4-9: A serpente erguida, sinal de morte e de vida. Sl 77 (78): N\u00e3o esque\u00e7ais as obras do Senhor. Fil. 2, 6-11: Cristo obediente at\u00e9 \u00e0 morte de Cruz. Jo 3, 13-17: Deus amou de tal modo o mundo que lhe enviou Seu Filho, n\u00e3o para o condenar, mas para o salvar.  \u201cDeus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unig\u00e9nito, para que todo o homem que acredita n\u2019Ele n\u00e3o pere\u00e7a, mas tenha a vida eterna\u201d. (Jo 3, 16)  1.\tAmados peregrinos do Santu\u00e1rio de N.\u00aa S.\u00aa de F\u00e1tima, neste momento, estamos a celebrar a Eucaristia, acontecimento central da nossa f\u00e9, que \u00e9 mem\u00f3ria e actualiza\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o, Morte e Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus para nossa salva\u00e7\u00e3o. \u00c9 estranho e incr\u00edvel que os crist\u00e3os celebrem a morte de um condenado na cruz como acontecimento nuclear de salva\u00e7\u00e3o! E que hoje at\u00e9 se celebre uma festa com o t\u00edtulo de exalta\u00e7\u00e3o do instrumento dessa morte, a cruz, cuja liturgia se sobrep\u00f4s \u00e0 do 24.\u00ba domingo do tempo comum! Mas, afinal, que Deus \u00e9 este que n\u00f3s adoramos e seguimos, que se deixa morrer numa cruz?! Que for\u00e7a simb\u00f3lica tem essa cruz, a ponto de tantos a quererem ter nas suas casas, nas ermidas, nas igrejas, nas encruzilhadas dos caminhos, nos cemit\u00e9rios e muitas pessoas, mesmo n\u00e3o se confessando crist\u00e3s, a trazerem ao peito?!  2.\tDetenhamo-nos, por breves momentos, a reflectir sobre o mist\u00e9rio do sofrimento, da morte na cruz e a nossa f\u00e9, que nos leva a acreditar na vida e no poder de Deus expresso no aniquilamento da morte na cruz. Trata-se de interroga\u00e7\u00f5es a que n\u00e3o podemos fugir e para as quais n\u00e3o podemos deixar de procurar explica\u00e7\u00f5es, para entendermos o significado da vida de Jesus e tamb\u00e9m da nossa vida crist\u00e3. N\u00e3o podemos fazer de conta que o sofrimento e a morte n\u00e3o existem, que Cristo n\u00e3o precisava de sofrer, que a cruz foi um acidente evit\u00e1vel. Se n\u00e3o compreendemos o significado da paix\u00e3o e Morte de Jesus, ou, pelo menos, aceitarmos esta manifesta\u00e7\u00e3o do amor de Deus, tamb\u00e9m n\u00e3o escutaremos o desafio feito por Jesus: Quem quiser ser meu disc\u00edpulo negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.  3.\tEscutemos algumas perspectivas de resposta dadas pela Liturgia da festa que estamos a celebrar.  a)\tEm primeiro lugar, o evangelho de S. Jo\u00e3o relaciona a vida e morte de Cristo na cruz com a serpente levantada por Mois\u00e9s no deserto. A mesma serpente que era instrumento de morte tornou-se instrumento de salva\u00e7\u00e3o para quem n\u00e3o hesitasse em encar\u00e1-la. Assim Jesus \u00e9 entregue aos homens e levantado na crus para sua salva\u00e7\u00e3o. O Filho de Deus identifica-se com a humanidade, fr\u00e1gil e pecadora, assume o seu sofrimento e d\u00e1 perspectivas de vida eterna a quem olhar para o Crucificado e n\u2019Ele acreditar. b)\tS. Paulo, na carta aos Filipenses, escreve um hino ao desenrolar da vida de Cristo, entendida como dinamismo do amor, que desde o mist\u00e9rio de Deus baixa at\u00e9 ao homem e consigo arrasta toda a cria\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o da gl\u00f3ria final, para alegria e salva\u00e7\u00e3o de todos os que se deixam amar.  4.\tQuase dois mil anos depois destes acontecimentos hist\u00f3ricos, somos convidados tamb\u00e9m a olhar para Jesus, para a Sua Paix\u00e3o e Morte, para Jesus suspenso na Cruz. Somos desafiados a aceitar a Cruz como bendita, salvadora e a cantar-lhe hinos de louvor. Somos interpelados para fazer da l\u00f3gica da semente, do gr\u00e3o de trigo lan\u00e7ado \u00e0 terra, que tem de morrer para dar fruto, tamb\u00e9m a l\u00f3gica da nossa vida crist\u00e3. Viemos at\u00e9 F\u00e1tima pedir ao Senhor por interm\u00e9dio de sua M\u00e3e, Maria, a for\u00e7a para completarmos em n\u00f3s o que falta \u00e0 Paix\u00e3o e Morte de Jesus, para tamb\u00e9m n\u00f3s carregarmos a cruz nossos limites e incapacidades, a cruz das v\u00edtimas do pecado dos homens, a cruz tantas vezes imposta ao seu semelhante pelos homens de cora\u00e7\u00e3o duro, ego\u00edsta e insens\u00edvel, sem capacidade para o amor misericordioso, que perdoa e procura construir a paz, a comunh\u00e3o.  5.\tVivemos numa civiliza\u00e7\u00e3o que tem dificuldade em integrar e aceitar o sofrimento e a morte como parte da vida e condi\u00e7\u00e3o do amor sem condi\u00e7\u00f5es ou restri\u00e7\u00f5es. Tentamos eliminar tudo o que pode fazer sofrer ou lembrar a dor e a morte. Relegamos os deficientes, os doentes, os idosos e os mortos para dentro das paredes dos asilos, dos lares, dos hospitais, das casas mortu\u00e1rias. Alimentamos a ilus\u00e3o da vida sem dor e sem cruz. Por isso desanimamos e quase enlouquecemos quando ela nos bate \u00e0 porta. Estamos cegos pela nossa vis\u00e3o materialista, que n\u00e3o v\u00ea para al\u00e9m das fronteiras da mat\u00e9ria perec\u00edvel. Esperamos tudo da ci\u00eancia e pouco do Senhor da vida. J\u00e1 S. Paulo se queixava que muitos repudiavam a Cruz de Cristo, uns como loucura, outros como esc\u00e2ndalo. No entanto, afirma o mesmo S. Paulo, sabedoria de Deus e vida de Cristo e dos seus disc\u00edpulos (1 Cor 1, 23 ss).  6.\tEstimados peregrinos de Nossa Senhora de F\u00e1tima, est\u00e3o hoje connosco muitos jovens, a maioria ligados ao Movimento dos Conv\u00edvios Fraternos, lan\u00e7ado na nossa igreja portuguesa h\u00e1 35 anos por um sacerdote de Avanca, aqui presente, o Pe. Ant\u00f3nio Valente de Matos. Este ap\u00f3stolo da juventude compreendeu cedo e bem que a Igreja \u00e9 mist\u00e9rio de comunh\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o, convocada para a miss\u00e3o de, em Cristo e por Cristo, reconciliar as pessoas com Deus e entre si, tornando-se cada vez mais sinal e testemunha cred\u00edvel do Reino de Deus. Este sacerdote compreendeu tamb\u00e9m que todos somos chamados a participar nesta miss\u00e3o, que os jovens n\u00e3o podem ser exclu\u00eddos, antes pelo contr\u00e1rio, que os jovens s\u00e3o as melhores testemunhas de Cristo e dos valores do seu Reino para os outros jovens. Como diz repetidamente o Papa Jo\u00e3o Paulo II, os jovens s\u00e3o um laborat\u00f3rio da f\u00e9, esperan\u00e7a de uma nova aurora, construtores duma nova sociedade. Jesus Cristo, o Papa e eu, unido a ele, contamos com a resposta dada pelo movimento dos conv\u00edvios fraternos \u00e0s aspira\u00e7\u00f5es profundas dos jovens.  7.\tOxal\u00e1 esta peregrina\u00e7\u00e3o a F\u00e1tima, neste dia da festa da Exalta\u00e7\u00e3o da Santa Cruz, contribua para compreendermos melhor o mist\u00e9rio do amor de Deus expresso no dom da vida na cruz. Sabemos que h\u00e1 dois mil anos s\u00f3 alguns n\u00e3o fugiram diante de Jesus de Nazar\u00e9, suspenso na cruz. Sabem quem ficou de p\u00e9, junto \u00e0 cruz, no Calv\u00e1rio? Maria, M\u00e3e de Jesus, onde a lan\u00e7a tamb\u00e9m atravessou o seu cora\u00e7\u00e3o, mais um ap\u00f3stolo de entre doze e algumas mulheres. Foi l\u00e1 que essa mulher forte nos foi dada tamb\u00e9m como nossa m\u00e3e. Foi ela que nos trouxe aqui, confiando no seu testemunho de mulher santa e corajosa, na sua protec\u00e7\u00e3o como nossa m\u00e3e. A ela confiamos as cruzes da nossa vida, apresentamos-lhe as inten\u00e7\u00f5es do Santo Padre, em miss\u00e3o apost\u00f3lica na Eslov\u00e1quia e encomendamos ao seu amor materno os jovens e todos os que nos s\u00e3o queridos e cujos sofrimentos conhecemos e sentimos, para que tamb\u00e9m nos mantenhamos firmes junto de todos os que sofrem, sobretudo daqueles com quem vivemos, familiares e vizinhos.  8.\tMas hoje \u00e9 domingo, dia da Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor, vencedor da morte e do pecado. Isto d\u00e1-nos \u00e2nimo, coragem e alegria, pois temos a certeza que, unidos a Cristo, n\u00e3o estamos condenados \u00e0 injusti\u00e7a, ao sofrimento e \u00e0 morte sem sentido, mas \u00e0 plenitude de vida em Deus, \u00e0 semelhan\u00e7a de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, modelo perfeito da voca\u00e7\u00e3o humana. Por isso, sofremos com paci\u00eancia e alegria as contradi\u00e7\u00f5es deste mundo e aqui as viemos confiar a Maria, neste Ano do Ros\u00e1rio. Com ela, queremos deixar ecoar nos nossos cora\u00e7\u00f5es e nos nossos lares as suas palavras: Eis aqui a serva do Senhor! Fa\u00e7a-se em mim segundo a vossa vontade. Com toda a tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, olhando para a imagem que nos recorda as apari\u00e7\u00f5es de 1917, aqui em F\u00e1tima, com a simplicidade e a confian\u00e7a dos pastorinhos, rezamos: Santa Maria, M\u00e3e de Deus, rogai por n\u00f3s, pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amen!  + Ant\u00f3nio Vitalino, Bispo de Beja <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>14 de Setembro de 2003 Leituras: N\u00fam. 21, 4-9: A serpente erguida, sinal de morte e de vida. Sl 77 (78): N\u00e3o esque\u00e7ais as obras do Senhor. Fil. 2, 6-11: Cristo obediente at\u00e9 \u00e0 morte de Cruz. 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