{"id":23070,"date":"2007-02-22T16:34:13","date_gmt":"2007-02-22T16:34:13","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/02\/22\/sacerdocio-vocacao-e-servico-ao-amor\/"},"modified":"2007-02-22T16:34:13","modified_gmt":"2007-02-22T16:34:13","slug":"sacerdocio-vocacao-e-servico-ao-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/sacerdocio-vocacao-e-servico-ao-amor\/","title":{"rendered":"Sacerd\u00f3cio, voca\u00e7\u00e3o e servi\u00e7o ao Amor"},"content":{"rendered":"<p>D. Il\u00eddio Leandro, Bispo de Viseu, escreve ao Clero da Diocese <!--more--> \u00abN\u00e3o vim para ser servido\u2026 (Mt 20, 25-28)\u00bb A vida de Jesus poder\u00e1 ver-se em tr\u00eas grandes momentos. Cada um tem uma unidade essencial entre si mas, tamb\u00e9m, est\u00e1 em fun\u00e7\u00e3o dos outros dois: do nascimento aos 30 anos; a vida p\u00fablica e os 3 \u00faltimos dias. Cada um destes momentos come\u00e7a com um acto no qual, Jesus \u201cSe esvaziou a Si mesmo, tomando a condi\u00e7\u00e3o de servo\u201d, inserindo-se totalmente na Sua miss\u00e3o, \u201ctornando-se semelhante aos homens e sendo, ao manifestar-se, identificado como homem, rebaixou-se a Si mesmo, tornando-se obediente at\u00e9 \u00e0 morte e morte de cruz\u201d (cf Filp 2, 7-8), explicando-a depois com a mensagem, com as atitudes e com a vida. \tO primeiro momento inicia-se com o Nascimento \u2013 que acto de \u201cservi\u00e7o\u201d na identifica\u00e7\u00e3o e na \u201cmorte\u201d!&#8230;; o segundo, com o Baptismo \u2013 avan\u00e7a mais ainda, assumindo-se \u201cpecado\u201d!&#8230;; o terceiro com o lava-p\u00e9s \u2013 aqui assume os gestos de escravo (portanto, abaixo de \u201chomem\u201d)!&#8230; As explica\u00e7\u00f5es: N\u00e3o sab\u00edeis que Eu devo ocupar-me das coisas do Meu Pai?; Eu sou o Bom Pastor e dou a minha vida pelas Minhas ovelhas \u2013 vou \u00e0 procura da \u201cperdida\u201d!&#8230;; Eu estou no meio de v\u00f3s como Aquele que serve. Para o terceiro momento, ainda: Fazei isto em mem\u00f3ria de Mim; N\u00e3o sois v\u00f3s a tirar-me a vida\u2026 Eu a dou por Mim pr\u00f3prio\u2026 Pai, nas Tuas m\u00e3os, entrego o Meu esp\u00edrito\u2026 \tTudo isto \u00e9 proposto a todos n\u00f3s no convite que Jesus faz a quem O queira seguir: \u201cSe algu\u00e9m quer seguir-me\u2026  \t\u00c9 a s\u00edntese da miss\u00e3o de Jesus que aparece de outras formas: Lc 4, 18-19; \u201cvenho, \u00f3 Pai, para fazer a Tua vontade\u201d\u2026; \u201cO Meu alimento \u00e9 fazer a vontade de Meu Pai\u201d&#8230;; \u201cSe o gr\u00e3o de trigo, ca\u00eddo \u00e0 terra, n\u00e3o morre, n\u00e3o d\u00e1 fruto\u201d\u2026 Esta \u00e9, tamb\u00e9m, a s\u00edntese da miss\u00e3o de Maria (cf Lc 1, 38). N\u00e3o pode deixar de ser, tamb\u00e9m, a s\u00edntese da miss\u00e3o da Igreja, pois, o seu caminho e a sua finalidade \u00e9 o homem. \u00c9 a afirma\u00e7\u00e3o correcta e perfeita da vontade de Deus a nosso respeito \u2013 \u201ca gl\u00f3ria de Deus \u00e9 o homem vivente\u201d. Ele vem para ser nosso Caminho, nossa Verdade e nossa Vida. Em Cristo, n\u00e3o \u00e9 o homem quem procura encontrar Deus, mas \u00e9 Deus Quem vai ao encontro do homem. \tToda a ac\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo foi viver esta atitude de servi\u00e7o. Por\u00e9m, \u201cantes da festa da P\u00e1scoa, Jesus, sabendo bem que tinha chegado a Sua hora da passagem deste mundo para o Pai, Ele, que amara os Seus que estavam no mundo, levou o Seu amor por eles at\u00e9 ao extremo\u201d (Jo 13, 1-2). \tImport\u00e2ncia do \u201clava-p\u00e9s\u201d para se entender a Eucaristia\u2026 Jo\u00e3o n\u00e3o descreveu a institui\u00e7\u00e3o da Eucaristia, mas o que a prepara e realiza\u2026 N\u00e3o podemos celebrar o culto e somos, mesmo, contra a Igreja ou a pastoral da manuten\u00e7\u00e3o, das missas\u2026 da multiplica\u00e7\u00e3o das celebra\u00e7\u00f5es\u2026 De facto, elas n\u00e3o traduzem nada se n\u00e3o passam pela atitude de servi\u00e7o. O culto sem servi\u00e7o \u00e9 hipocrisia (rico e publicano) \u2026 \tEnt\u00e3o\u2026 \u00e9 o nosso Plano Pastoral \u2013 Voca\u00e7\u00e3o ao Amor \u2013 vivido na nossa pr\u00f3pria dimens\u00e3o, voca\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o de padres e de respons\u00e1veis pela Pastoral da Diocese\u2026 Sim, da Diocese, pois somos Presbit\u00e9rio e n\u00e3o h\u00e1 padres sem esta comunh\u00e3o no Presbit\u00e9rio\u2026 Temos que tomar consci\u00eancia que a Pastoral da Diocese nos diversos \u00e2mbitos \u2013 voca\u00e7\u00f5es, catequese, fam\u00edlia, juventude, cultura\u2026 depende de cada um na medida em que cada um est\u00e1 unido \u00e0 cepa \u2013 alegoria da videira!&#8230; \t&#8211; O que \u00e9 viver a voca\u00e7\u00e3o ao Amor? Viver a voca\u00e7\u00e3o ao Amor, ao jeito de Deus e de Deus encarnado em Jesus Cristo, \u00e9 procurar a rela\u00e7\u00e3o com o outro para o fazer viver, crescer e ser feliz. Se a voca\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 entendida como Amor, numa entrega e doa\u00e7\u00e3o totais a algu\u00e9m, essa voca\u00e7\u00e3o n\u00e3o realiza a pessoa, mas, depois de a entusiasmar por algum tempo, deixa-a vazia, frustrada, est\u00e9ril e infeliz. Muito mais se \u00e9 uma voca\u00e7\u00e3o consagrada. \t&#8211; O que \u00e9 lavar os p\u00e9s aos irm\u00e3os? \t&#8211; O que \u00e9 \u201cservir\u201d para Jesus Cristo? \u2013 \u00c9, certamente, servir as grandes causas dos homens ou, melhor ainda: servir os homens nas suas grandes causas\u2026 \t&#8211; Quais s\u00e3o as grandes causas dos homens? \t&#8211; Em primeiro lugar e com a causa da dignidade da pessoa, coloco a causa da comunh\u00e3o \u2013 Sentir que ser pessoa \u00e9 viver uma rela\u00e7\u00e3o dependente (de depend\u00eancia)\u2026 Em primeiro lugar entre n\u00f3s, no Presbit\u00e9rio. \t&#8211; Coloco, depois, a causa da Verdade. Tamb\u00e9m a da Esperan\u00e7a. Ainda, a da Reconcilia\u00e7\u00e3o&#8230; Important\u00edssima a causa do Acolhimento (essencial para todas as outras). Talvez as causas da Verdade e da Esperan\u00e7a se integrem na causa da Comunh\u00e3o\u2026 Ficariam, ent\u00e3o, as 3 (Comunh\u00e3o \u2013 Reconcilia\u00e7\u00e3o \u2013 Acolhimento). \tVoca\u00e7\u00e3o ao Amor = Voca\u00e7\u00e3o ao Servi\u00e7o nas causas da Comunh\u00e3o, da Reconcilia\u00e7\u00e3o e do Acolhimento. Voca\u00e7\u00e3o ao Amor \u00e9 aprender a amar at\u00e9 dar a vida. Voca\u00e7\u00e3o ao Amor \u00e9, pois, voca\u00e7\u00e3o \u00e0 doa\u00e7\u00e3o a fundo perdido, gratuitamente, como Jesus\u2026 \tUrg\u00eancia da necessidade de um testemunho prof\u00e9tico \u201cdiferente\u201d, ao mundo e aos homens do nosso tempo, com a necessidade de: \t&#8211; Dar primazia a Deus; valorizar os bens futuros; imitar Jesus Cristo, casto e pobre; viver a voca\u00e7\u00e3o \u00e0 santidade na obedi\u00eancia; amar os irm\u00e3os. \tTudo isto e cada um destes aspectos na minha vida pessoal de padre, na minha vida pessoal de pastor, na minha vida pessoal de crist\u00e3o e de seguidor de Jesus Cristo\u2026 \tApesar da seculariza\u00e7\u00e3o e, precisamente, por causa dela \u2013 exig\u00eancia de espiritualidade e permanente car\u00eancia de ora\u00e7\u00e3o. Quanto maior \u00e9 a dificuldade de evangelizar, de viver e de testemunhar a f\u00e9 e o amor\u2026 mais urgente \u00e9 a necessidade de recuperar a miss\u00e3o essencial de levedura, de fermento, de sinal e de profecia\u2026 Quanto maior se apresentar a massa a levedar, tanto mais rico em qualidade dever\u00e1 ser o fermento evang\u00e9lico e tanto mais refinados o testemunho de vida e o servi\u00e7o carism\u00e1tico das pessoas consagradas. \tImporta fazer vir fora, hoje mais que nunca, o carisma espec\u00edfico \u2013 o carisma apost\u00f3lico, a implementar nesta Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o. Quais as caracter\u00edsticas pr\u00f3prias do servi\u00e7o do padre diocesano? Qual \u00e9 o nosso servi\u00e7o espec\u00edfico? N\u00e3o ser\u00e1 a pr\u00e1tica de Lc 4, 18-19 \u2013 a cura integral das pessoas? N\u00e3o ser\u00e1 ser um \u201cm\u00e9dico de fam\u00edlia\u201d em cada Comunidade? Que significa e como se traduz e concretiza? \tTemos que actuar na procura da forma\u00e7\u00e3o das consci\u00eancias e da renova\u00e7\u00e3o das mentalidades \u2013 Rom 12, 2\u2026 Atrav\u00e9s de pequenos grupos, do recurso \u00e0 direc\u00e7\u00e3o espiritual e da reconcilia\u00e7\u00e3o. \tTudo isto se consegue, somente, com um ambiente de comunh\u00e3o, de inter-ajuda, de alegria, de partilha de actividades\u2026 \tSERVIR!&#8230; Quem?&#8230; O Qu\u00ea?&#8230; Como?&#8230; \tSe o modelo do Servi\u00e7o no Amor \u00e9 o Bom Pastor, o acolhimento \u2013 abertura \u2013 compaix\u00e3o \u2013 ir ao encontro\u2026 tem que ser a metodologia, pois, hoje, muitas pessoas continuam a andar sozinhas e sem Pastor. \tH\u00e1 necessidade de montar \u201cconsult\u00f3rios\u201d abertos, com liberdade na agenda, no cora\u00e7\u00e3o e no rel\u00f3gio. \tTemos absoluta necessidade de reflectirmos sobre o que \u00e9 o essencial da miss\u00e3o do p\u00e1roco e do padre e, concretamente, na Quaresma\u2026 \tAs pessoas t\u00eam o direito de saber os hor\u00e1rios de atendimento e de presen\u00e7a do seu p\u00e1roco, em lugares acess\u00edveis e dispon\u00edveis para a marca\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, para um di\u00e1logo informal, para uma direc\u00e7\u00e3o espiritual, para a reconcilia\u00e7\u00e3o fora dos dias e datas previstas e para outros eventuais contactos. Queria fazer apelo a que todos n\u00f3s us\u00e1ssemos, tamb\u00e9m para nosso pr\u00f3prio benef\u00edcio, destes meios de espiritualidade. Ser-nos-\u00e1 dif\u00edcil compreender as necessidades dos leigos e ser-nos-\u00e1 dif\u00edcil marcar na agenda e no cora\u00e7\u00e3o tempos para estas actividades se n\u00f3s, pessoalmente, n\u00e3o as usamos para a nossa vida pessoal, crist\u00e3 e sacerdotal. \tIsto \u00e9 Servi\u00e7o no Amor que sup\u00f5e uma resposta positiva \u00e0 Voca\u00e7\u00e3o ao Amor. Sem esta Voca\u00e7\u00e3o e sem este Servi\u00e7o, nem dignos \u201cfuncion\u00e1rios\u201d somos e o sacerd\u00f3cio vai muito al\u00e9m de um servi\u00e7o digno de funcion\u00e1rio\u2026 \tSem esta Voca\u00e7\u00e3o e sem este esp\u00edrito de Servi\u00e7o, n\u00e3o h\u00e1 Padres Felizes e n\u00e3o h\u00e1 Presbit\u00e9rio em Comunh\u00e3o, o objectivo e ideal fundamentais para o Secretariado do Clero no presente Ano Pastoral. \tQueria que a nossa Quaresma fosse vivida a partir destas reflex\u00f5es e orienta\u00e7\u00f5es. Fa\u00e7o votos para que, na Quinta-feira Santa, todos nos sintamos felizes a renovar as Promessas Sacerdotais, como um verdadeiro Presbit\u00e9rio em Comunh\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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