{"id":230627,"date":"2022-03-02T16:25:23","date_gmt":"2022-03-02T16:25:23","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=230627"},"modified":"2022-03-02T16:25:23","modified_gmt":"2022-03-02T16:25:23","slug":"algarve-mensagem-quaresmal-2022","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/algarve-mensagem-quaresmal-2022\/","title":{"rendered":"Algarve: Mensagem Quaresmal 2022"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Felizes os construtores da paz <\/em><\/strong>(<em>Mt<\/em> 5,9)<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>1. Iniciamos a Quaresma, este ano marcada pela guerra que o governo da R\u00fassia moveu contra a Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>Uma guerra que viola os princ\u00edpios mais elementares reguladores das rela\u00e7\u00f5es internacionais de povos e na\u00e7\u00f5es e de defesa da dignidade da pessoa humana.<\/p>\n<p>Uma guerra que provoca em todos n\u00f3s sentimentos de perplexidade, consterna\u00e7\u00e3o e desconforto. Perplexidade pelo fato de acontecer no continente europeu, em pleno s\u00e9culo XXI; consterna\u00e7\u00e3o pelo sofrimento e morte infringidos aos povos envolvidos, particularmente ao povo ucraniano agredido; desconforto pela incapacidade, daqueles que se lhe op\u00f5em, em silenciar as armas e impor o seu fim imediato.<\/p>\n<p>Uma guerra que confirma a \u201cloucura\u201d e a \u201cinsensatez\u201d de todas as guerras e que constitui um verdadeiro retrocesso civilizacional pela destrui\u00e7\u00e3o e morte que provoca, com consequ\u00eancias, neste momento, ainda imprevis\u00edveis.<\/p>\n<p>2. A Quaresma que estamos a iniciar, com o convite habitual \u00e0 convers\u00e3o pessoal e comunit\u00e1ria, rumo \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa de Cristo, surge como uma oportunidade para revermos o modo como nos situamos, face a todas as formas de agressividade e viol\u00eancia e, simultaneamente, como um incentivo a <em>nos assumirmos como construtores da paz<\/em> atrav\u00e9s de um compromisso pessoal permanente.<\/p>\n<p>A paz \u00e9 efetivamente um bem inestim\u00e1vel, a aspira\u00e7\u00e3o mais profunda da pessoa, condi\u00e7\u00e3o essencial para o progresso e o bem-estar, fonte de seguran\u00e7a e de esperan\u00e7a no futuro. Nunca \u00e9 demais recordar os quatro pilares indicados pelo Papa S. Jo\u00e3o XXXIII, na sempre atual enc\u00edclica Pacen in terris, como condi\u00e7\u00e3o concreta e essencial para construir a paz e um oportuno instrumento de revis\u00e3o de vida em tempo quaresmal: a<em> verdade<\/em>, a <em>justi\u00e7a<\/em>, o<em> amor <\/em>e a<em> liberdade. <\/em>A palavra <em>paz<\/em> permanecer\u00e1 uma palavra vazia de sentido se n\u00e3o encontra o seu fundamento na verdade constru\u00edda segundo a justi\u00e7a, alimentada e consumada na caridade e realizada sob os ausp\u00edcios da liberdade (cf. <em>PT<\/em> 166).<\/p>\n<p>Mais recentemente o Papa Francisco, na enc\u00edclica Fratelli Tutti, recorda-nos que \u201ca <em>verdade<\/em> \u00e9 uma companheira insepar\u00e1vel da <em>justi\u00e7a<\/em> e da <em>miseric\u00f3rdia<\/em>. Se, por um lado, s\u00e3o essenciais as tr\u00eas todas juntas para construir a paz, por outro, cada uma delas impede que as restantes sejam adulteradas (&#8230;). De facto, a verdade n\u00e3o deve levar \u00e0 vingan\u00e7a, mas antes \u00e0 reconcilia\u00e7\u00e3o e ao perd\u00e3o. A verdade \u00e9 contar \u00e0s fam\u00edlias dilaceradas pela dor o que aconteceu aos seus parentes desaparecidos. A verdade \u00e9 confessar o que aconteceu aos menores recrutados pelos agentes de viol\u00eancia. A verdade \u00e9 reconhecer o sofrimento das mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia e de abusos. (&#8230;) Cada ato de viol\u00eancia cometido contra um ser humano \u00e9 uma ferida na carne da humanidade; cada morte violenta diminui-nos como pessoas. (&#8230;) A viol\u00eancia gera mais viol\u00eancia, o \u00f3dio gera mais \u00f3dio, e a morte mais morte. Temos de quebrar esta corrente que aparece como inevit\u00e1vel\u201d (<em>FT<\/em> 227).<\/p>\n<p>Este prop\u00f3sito \u00e9 t\u00e3o nobre mas simultaneamente t\u00e3o exigente que, apesar de toda a boa vontade, as for\u00e7as humanas revelam-se fr\u00e1geis para o conseguir. Precisamos do aux\u00edlio d\u2019Aquele que \u201c\u00e9 a nossa paz \u2026 Veio e anunciou a paz aos que estavam longe e aos que estavam perto\u201d (<em>Ef<\/em> 2,14-17).<\/p>\n<p>3. Unimo-nos, como Diocese do Algarve, com toda a Igreja e toda a humanidade, \u00e0s inten\u00e7\u00f5es e inquieta\u00e7\u00f5es do Papa Francisco, neste tempo que a todos perturba e afeta, sobretudo ao povo ucraniano, que se v\u00ea atingido na sua pr\u00f3pria casa, n\u00e3o lhe sendo reconhecidos e respeitados os seus direitos mais elementares, a sua identidade, a sua l\u00edngua, a sua hist\u00f3ria, a sua cultura, os seus limites geogr\u00e1ficos.<\/p>\n<p>Vamos aderir ao apelo do Papa Francisco e fazer do pr\u00f3ximo dia 2 de Mar\u00e7o, Quarta-Feira de Cinzas, um dia de jejum e de ora\u00e7\u00e3o pela restaura\u00e7\u00e3o da paz na Ucr\u00e2nia e em todas as regi\u00f5es da terra.<\/p>\n<p>Que este gesto de compromisso pela paz caraterize todo o nosso caminho quaresmal, como um tempo de reflex\u00e3o sobre a nossa condi\u00e7\u00e3o humana, de modo a nos deixarmos <em>transformar pelo Esp\u00edrito,<\/em> como nos pede o nosso Programa Pastoral para este tri\u00e9nio, despindo-nos do <em>homem velho <\/em>e revestindo-nos do <em>homem novo<\/em> (cf Ef 4,22-24), \u00e0 luz do Mist\u00e9rio Pascal, que nos preparamos para celebrar.<\/p>\n<p>O Esp\u00edrito Santo, <em>Aquele que d\u00e1 a vida, <\/em>dom de Cristo ressuscitado, \u00e9 verdadeiramente o obreiro de toda a convers\u00e3o. Da\u00ed o pedido insistente de Paulo: n<em>\u00e3o extingais o Esp\u00edrito<\/em> (1 <em>Tes<\/em> 5, 19), <em>n\u00e3o vos acomodeis a este mundo. Deixai-vos transformar, adquirindo uma nova mentalidade, para poderdes discernir qual \u00e9 a vontade de Deus <\/em>(cf. <em>Rom <\/em>12,2).<\/p>\n<p>A transforma\u00e7\u00e3o operada pelo Esp\u00edrito consiste em deixar as \u201cobras da carne\u201d: inimizades, disc\u00f3rdias, ci\u00fames, disputas, divis\u00f5es, facciosismos, invejas\u2026 e assumir o \u201cfruto do Esp\u00edrito\u201d que \u00e9 amor, alegria, paz, paci\u00eancia, benevol\u00eancia, bondade, fidelidade, mansid\u00e3o e temperan\u00e7a (cf <em>Gl<\/em> 5,19-24). Passar do \u201chomem velho\u201d ao \u201chomem novo\u201d, apoiados no encontro pessoal com Cristo ressuscitado e assumindo, com uma consci\u00eancia renovada, a nossa condi\u00e7\u00e3o de batizados, filhos do mesmo Pai e irm\u00e3os em Cristo.<\/p>\n<p>4. A partilha fraterna, fruto da \u201cren\u00fancia quaresmal\u201d e sinal desta \u201ctransforma\u00e7\u00e3o\u201d do cora\u00e7\u00e3o, une-nos anualmente como express\u00e3o solid\u00e1ria com os mais necessitados. Nas duas \u00faltimas Quaresmas, limitados pela Pandemia, n\u00e3o nos foi poss\u00edvel realizar como gostar\u00edamos esta partilha. Este ano, felizmente j\u00e1 mais aliviados, apelo \u00e0 generosidade dos crist\u00e3os algarvios e de todos os homens de \u201cboa vontade\u201d, para respondermos aos pedidos que nos t\u00eam chegado: a Diocese de S. Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe, a Diocese de Baucau (Timor) e o apoio ao povo ucraniano acolhendo as propostas da C\u00e1ritas Diocesana:<\/p>\n<p>&#8211; A Diocese de S. Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe, segundo carta do seu Bispo, encontra-se numa situa\u00e7\u00e3o de grande necessidade econ\u00f3mica, sem recur sos suficientes mesmo para a vida ordin\u00e1ria e quotidiana, pedindo \u201cuma parte da nossa ren\u00fancia quaresmal\u201d. O fato de acolhermos seminaristas desta Diocese no nosso Semin\u00e1rio no ano proped\u00eautico, est\u00e1 a permitir-nos estabelecer la\u00e7os fraternos mais profundos que, inclusive, podem conduzir a acolher um dos seus sacerdotes na nossa Diocese, j\u00e1 num futuro pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>&#8211; A Diocese de Baucau tamb\u00e9m solicitou o nosso apoio para a forma\u00e7\u00e3o do seu clero\u2026<\/p>\n<p>&#8211; A C\u00e1ritas diocesana, a par duma campanha lan\u00e7ada pela C\u00e1ritas Portuguesa \u2013 C\u00e1ritas ajuda Ucr\u00e2nia \u2013 disp\u00f5e-se a apoiar as fam\u00edlias ucranianas no Algarve, que acolham familiares em suas casas, participando nas despesas de bens de primeira necessidade, tais como medicamentos, \u00e1gua, luz, g\u00e1s\u2026 Tenhamos presente este ano o nosso apoio \u00e0 C\u00e1ritas diocesana, sobretudo na semana que lhe \u00e9 dedicada (14 a 21 mar\u00e7o), como express\u00e3o da nossa proximidade e solidariedade com o povo ucraniano.<\/p>\n<p>Possa este tempo quaresmal unir-nos no caminho da convers\u00e3o pessoal, presente no compromisso quotidiano da constru\u00e7\u00e3o duma paz duradoira, atrav\u00e9s do jejum, da ora\u00e7\u00e3o e de gestos de miseric\u00f3rdia e de caridade para com todos. Como nos pede o Papa Francisco na sua Mensagem quaresmal: <em>N\u00e3o nos cansemos de rezar. N\u00e3o nos cansemos de extirpar o mal da nossa vida. N\u00e3o nos cansemos de fazer o bem, atrav\u00e9s duma operosa caridade para com o pr\u00f3ximo. Enquanto temos tempo<\/em>, <em>pratiquemos o bem para com todos<\/em> (cf. <em>Gal<\/em> 6, 9-10a).<\/p>\n<p>Que o Esp\u00edrito Santo, dom de Cristo ressuscitado, nos ilumine e fortale\u00e7a neste caminho, tornando-nos mensageiros do amor e da miseric\u00f3rdia do Pai. E que Maria, Rainha da paz, obtenha do seu Filho Jesus, o dom da paz para os povos da R\u00fassia e da Ucr\u00e2nia e para toda a humanidade.<\/p>\n<p><em>Manuel Quintas, Bispo do Algarve<\/em><\/p>\n<p>28.02.2022<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Felizes os construtores da paz (Mt 5,9)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":199715,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[91],"class_list":["post-230627","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-quaresma"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/230627","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=230627"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/230627\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/199715"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=230627"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=230627"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=230627"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}