{"id":23037,"date":"2007-02-22T10:17:17","date_gmt":"2007-02-22T10:17:17","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/02\/22\/o-encanto-do-crucifixo\/"},"modified":"2007-02-22T10:17:17","modified_gmt":"2007-02-22T10:17:17","slug":"o-encanto-do-crucifixo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-encanto-do-crucifixo\/","title":{"rendered":"O encanto do Crucifixo"},"content":{"rendered":"<p>Mensagem do Bispo de Vila Real para a Quaresma <!--more--> 1- A Quaresma \u00e9 um tempo profundamente crist\u00e3o, um tempo cat\u00f3lico, no sentido de especificamente nascido do dinamismo da Igreja, sem intuitos de cristianizar qualquer festa pag\u00e3 anterior como acontece em muitos casos. A Quaresma enche o ritmo da Liturgia oficial da Igreja e est\u00e1 na alma do povo piedoso, quer em fam\u00edlia quer individualmente.  A Quaresma n\u00e3o se presta a neg\u00f3cios, e algumas coisas que o mundo inventou n\u00e3o a afectaram profundamente, sejam velhas tradi\u00e7\u00f5es de cr\u00edtica social, j\u00e1 em desuso, seja o aproveitamento tur\u00edstico dos primeiros dias da Primavera.  Pela sua profundidade eclesial, a Quaresma merece todo o nosso empenho de pastores da Igreja, das fam\u00edlias e dos educadores. Eduquemo-nos na viv\u00eancia da Quaresma como um dom extraordin\u00e1rio do amor de Deus, um retiro aberto, uma primavera da Igreja. A Quaresma deve ser vivida em \u00edntima comunh\u00e3o com a P\u00e1scoa, e nunca fechada em si, \u00e0 maneira est\u00f3ica de ascese de autodom\u00ednio, nem sequer ao modo isl\u00e2mico como tempo de mera purifica\u00e7\u00e3o. \u00c9 um tempo de exercitar o amor a Deus e aos outros de maneira mais intensa. Neste ano, o Santo Padre recomenda que fixemos o Crucifixo: h\u00e3o-de olhar para Aquele que trespassaram.   2- O Crucifixo pode ser visto do nosso lado de pecadores, de baixo para cima, e pode ser visto do outro lado, do lado de Deus, de cima para baixo. Fomos educados a ler a crucifix\u00e3o de Jesus do lado humano, confessando que Jesus morreu por nossa causa, v\u00edtima dos nossos pecados. O Papa recomenda que neste ano a vejamos do outro lado, do lado de Deus, reconhecendo o amor que Deus nos tem, maior que os nossos pecados. O Papa retoma aqui o tema da sua enc\u00edclica sobre \u00abo Amor de Deus\u00bb, \u00abDeus caritas est\u00bb. No Crucifixo encontramos o Amor de Deus, amor \u00c1gape e amor Eros. \u00c1gape \u00e9 o amor gratuito, amor de pura generosidade que nada busca para si; Eros \u00e9 amor paix\u00e3o, amor de quem procura no outro algo que lhe falta. O amor de Deus \u00e9 sempre \u00c1gape, mas tamb\u00e9m se pode dizer Eros na medida em que Deus ama apaixonadamente, como quem n\u00e3o pode passar sem n\u00f3s, que sente falta de n\u00f3s, e por isso nos busca, uma certa loucura de amor.  A tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 sempre viu no sangue e \u00e1gua que brotaram do lado trespassado de Jesus na Cruz os sinais da Eucaristia e do Baptismo, sacramentos daquele amor intenso. \u00abCom a \u00e1gua do Baptismo, gra\u00e7as \u00e0 ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, abre-se para n\u00f3s a intimidade do amor trinit\u00e1rio, sendo exortados a sair de n\u00f3s pr\u00f3prios e a abrir-nos ao abra\u00e7o misericordioso do Pai. A Eucaristia atrai-nos para o amor oblativo de Jesus, convidados para a din\u00e2mica da sua doa\u00e7\u00e3o\u00bb.  Acerca destes sacramentos a Igreja estabeleceu normas disciplinares precisas que requerem obedi\u00eancia, mas antes delas est\u00e1 o seu mist\u00e9rio profundo e \u00e9 a consci\u00eancia dessa \u00abpaix\u00e3o que \u00e9 indispens\u00e1vel aprofundar e viver. \u00c9 a chamada mistagogia dos sacramentos. A Quaresma \u00e9 um tempo preciso para o desenvolvendo dos la\u00e7os de intimidade com a Trindade e la\u00e7os de comunh\u00e3o afectiva com os outros, nascidos do baptismo, rezando mais e melhor e privando-nos de alguns bens para ajudar.  Tamb\u00e9m faz bem pensar que o amor do Crucificado ilumina o amor humano e torna-o grande, o amor \u00ab\u00e1gape\u00bb, mormente na m\u00e3e que vence todos os c\u00e1lculos do mundo, nos mission\u00e1rios de povos distantes, e mesmo na dedica\u00e7\u00e3o constante de muita gente aos doentes e trabalhos paroquiais, gestos tocados de alguma loucura. Na sociedade actual, vem a crescer uma busca excessiva de conforto e de bem estar que faz esmorecer esta sensibilidade de dedica\u00e7\u00e3o e de disponibilidade. \u00abA Quaresma ser\u00e1, sobretudo, um impulso a combater qualquer forma de desprezo da vida e da explora\u00e7\u00e3o de tantas pessoas\u00bb.  3- Nesta Quaresma, pe\u00e7o aos p\u00e1rocos que coloquem em relevo na igreja um Crucifixo estimado pelo povo, adornem-no de modo conveniente, afectivamente. Os pais fa\u00e7am o mesmo em suas casas. Haja um esfor\u00e7o de aten\u00e7\u00e3o ao fazer o Sinal da Cruz cujas palavras unem o mist\u00e9rio da Cruz \u00e0 Trindade, tornando assim claro que no amor de Jesus Crucificado se reflecte o amor do Pai e do Esp\u00edrito santo. Na Missa dominical, depois da comunh\u00e3o, recitem-se em voz alta os hinos \u00abDivinas m\u00e3os e p\u00e9s, peito rasgado\u00bb e \u00abA V\u00f3s, correndo vou, bra\u00e7os sagrados\u00bb (Of\u00edcio das Horas de 7 de Fevereiro). Visitem os Doentes como sinais de Jesus Crucificado, e os ministros extraordin\u00e1rios da Comunh\u00e3o e os Vicentinos sejam especialmente atentos a esta dimens\u00e3o do seu trabalho pastoral. Fa\u00e7am durante a Quaresma, mormente \u00e0s sextas-feiras e tardes de Domingo no interior das igrejas o exerc\u00edcio da Via-sacra, como um acto de piedade que depressa conduz as almas ao centro da f\u00e9 cat\u00f3lica. O Contributo penitencial, obrigat\u00f3rio em todas as par\u00f3quias, seja entendido nesse esp\u00edrito de amor \u00e0 Igreja. As ren\u00fancias quaresmais s\u00e3o diferentes do contributo, s\u00e3o fruto de actos pessoais de amor crist\u00e3o: ren\u00fancia a refei\u00e7\u00f5es mais ricas, a guloseimas, a divertimentos, a passeios, ao tabaco e ao \u00e1lcool. Os p\u00e1rocos eduquem os fi\u00e9is para o esp\u00edrito desta dupla partilha de bens, sem medo de escandalizar ou de ser exagerado. Os fi\u00e9is \u2013 adultos, jovens e crian\u00e7as \u2013 entendem perfeitamente este dinamismo e sentem a sua utilidade pedag\u00f3gica e asc\u00e9tica. O fruto da ren\u00fancia destina-se \u00e0 Diocese de Malaca, na \u00c1sia, outrora diocese portuguesa. Proporcionem aos fi\u00e9is ocasi\u00f5es individuais e comunit\u00e1rias para o sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o. Finalmente, a tempo e horas preparem grupos de fi\u00e9is para a celebra\u00e7\u00e3o da Semana Santa pelo menos numa das par\u00f3quias, incluindo o Domingo de P\u00e1scoa. Sabendo que a Igreja vem a insistir que a pastoral do Domingo n\u00e3o deve restringir-se \u00e0 Eucaristia mas encher todo o Domingo, seria muito errado deixar vazio o maior Domingo do ano. Dos muitos actos poss\u00edveis (uns pertencentes \u00e0 piedade popular como visita \u00e0s fam\u00edlias, cortejos pascais desde o cruzeiro paroquial para a igreja matriz, e outros \u00e0 piedade lit\u00fargica como a Ora\u00e7\u00e3o de V\u00e9speras e visita \u00e0 fonte baptismal), os p\u00e1rocos escolher\u00e3o com o Conselho de Pastoral Paroquial o mais oportuno. O modo como uma comunidade vive a Quaresma e a P\u00e1scoa define bem o esp\u00edrito que a anima.   <i>D. Joaquim Gon\u00e7alves, Bispo de Vila Real  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagem do Bispo de Vila Real para a Quaresma<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[154,183,206,246,275,91,294,308,325],"class_list":["post-23037","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-crianca","tag-diocese-de-vila-real","tag-familia","tag-liturgia","tag-pascoa","tag-quaresma","tag-sacramentos","tag-semana-santa","tag-vicentinos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23037","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23037"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23037\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23037"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23037"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23037"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}