{"id":2303,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/nova-carta-da-conferencia-episcopal-apresenta-solucoes-para-crise-espiritual-e-moral\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"nova-carta-da-conferencia-episcopal-apresenta-solucoes-para-crise-espiritual-e-moral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/nova-carta-da-conferencia-episcopal-apresenta-solucoes-para-crise-espiritual-e-moral\/","title":{"rendered":"Nova carta da Confer\u00eancia Episcopal apresenta solu\u00e7\u00f5es para &#8220;crise espiritual e moral&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>O consumismo, a corrup\u00e7\u00e3o, a desarmonia do sistema fiscal, a irresponsabilidade na estrada, a exagerada comercializa\u00e7\u00e3o do fen\u00f3meno desportivo e a exclus\u00e3o social na mira dos Bispos Portugueses <!--more--> A nova Carta Pastoral da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, \u201cResponsabilidade solid\u00e1ria pelo bem comum\u201d pretende ser, segundo os bispos portugueses, \u201cum apelo \u00e0 responsabiliza\u00e7\u00e3o de todos na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais justa, mais fraterna e mais solid\u00e1ria.\u201d Come\u00e7ando por apresentar o nosso pa\u00eds como atingido por uma crise n\u00e3o s\u00f3 econ\u00f3mica, \u201cmas tamb\u00e9m, e sobretudo, uma crise espiritual e moral\u201d, o texto enuncia uma s\u00e9rie de \u201cpecados sociais\u201d frutos dessa crise: os ego\u00edsmos, o consumismo, a corrup\u00e7\u00e3o, a desarmonia do sistema fiscal, a irresponsabilidade na estrada, a exagerada comercializa\u00e7\u00e3o do fen\u00f3meno desportivo e a exclus\u00e3o social. As solu\u00e7\u00f5es para estes problemas, passam, segundo a CEP, pela aplica\u00e7\u00e3o efectiva dos grandes princ\u00edpios da Doutrina Social da Igreja (DSI), destacando-se o primado da pessoa humana e o conceito fundamental de Bem Comum &#8211; \u201co conjunto de condi\u00e7\u00f5es da vida social que permitem, quer aos grupos, quer a cada um dos seus membros, atingir a sua pr\u00f3pria perfei\u00e7\u00e3o de um modo mais total e mais f\u00e1cil\u201d \u2013 traduzido por cada pessoa na solidariedade e pelas institui\u00e7\u00f5es no princ\u00edpio da subsidiariedade \u2013 n\u00e3o subtrair aos indiv\u00edduos o que eles podem efectuar com a pr\u00f3pria iniciativa e trabalho para o confiar \u00e0 comunidade, nem passar para uma sociedade maior e mais elevada o que as comunidades mais pequenas e inferiores podem realizar. O texto apresenta assim, nesta parte, \u201cos tr\u00eas crit\u00e9rios fundamentais que \u00e9 necess\u00e1rio atender quando se considera a pessoa humana na sua rela\u00e7\u00e3o com a sociedade: a prioridade da pessoa humana; a exig\u00eancia \u00e9tica dessa rela\u00e7\u00e3o como base de realiza\u00e7\u00e3o pessoal; o papel dos corpos interm\u00e9dios\u201d.  VIDA P\u00daBLICA PORTUGUESA MARCADA POR INJUSTI\u00c7AS SOCIAIS Do conceito orientador de Bem Comum, assente na igualdade, na justi\u00e7a e na solidariedade, partem os bispos portugueses para a an\u00e1lise de diversas \u00e1reas da vida p\u00fablica como a pol\u00edtica, o trabalho, o mercado, os meios de comunica\u00e7\u00e3o social e a defesa do ambiente, onde se faz um apelo claro ao papel moderador do Estado para sanar uma s\u00e9rie de injusti\u00e7as e falhas que os Bispos portugueses enumeram. As cr\u00edticas mais duras t\u00eam a ver com a explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, podendo ler-se que, para a CEP, \u201cn\u00e3o \u00e9 aceit\u00e1vel que haja sal\u00e1rios injustos e inadequados, que n\u00e3o sejam respeitadas as condi\u00e7\u00f5es desej\u00e1veis de higiene e seguran\u00e7a nos locais de trabalho, que se imponham hor\u00e1rios de trabalho que n\u00e3o respeitam as necessidades de descanso, designadamente ao Domingo, forma\u00e7\u00e3o e cultura e satisfa\u00e7\u00e3o de compromissos familiares dos trabalhadores, que se abuse da precariedade do v\u00ednculo laboral e se explore o trabalho indocumentado e irregular, que se fuja aos impostos e \u00e0s contribui\u00e7\u00f5es para a seguran\u00e7a social\u201d. O dedo acusador da CEP \u00e9 estendido tamb\u00e9m na direc\u00e7\u00e3o da fuga aos impostos, das \u201cdissimula\u00e7\u00f5es e fraudes fiscais por parte dos cidad\u00e3os e grupos econ\u00f3micos, fruto dos seus ego\u00edsmos individualistas e contr\u00e1rias \u00e0 solidariedade social indispens\u00e1vel ao bem comum.\u201d Nesse sentido, a reflex\u00e3o dos Bispos portugueses dirige-se \u00e0 \u201ccrise do Estado-Previd\u00eancia, reflectida no sistema da seguran\u00e7a social, sem capacidade de resposta aos reais problemas da sa\u00fade na sua globalidade.\u201d Al\u00e9m da sa\u00fade, a \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o \u00e9 apresentada como um dos campos onde \u201ca participa\u00e7\u00e3o na vida da comunidade e a coopera\u00e7\u00e3o nas iniciativas comunit\u00e1rias\u201d \u00e9 essencial.  SINISTRALIDADE RODOVI\u00c1RIA CHOCANTE Os Bispos portugueses, apesar de terem em conta o deficiente tra\u00e7ado e o mau estado de muitas vias rodovi\u00e1rias e ve\u00edculos ou a falta de sinaliza\u00e7\u00e3o correcta, n\u00e3o t\u00eam d\u00favidas em apontar o dedo aos condutores como grandes respons\u00e1veis pelo \u201co elevado e cada vez maior \u00edndice de sinistralidade rodovi\u00e1ria no nosso pa\u00eds\u201d.  Velocidade excessiva, ultrapassagens e outras manobras perigosas, condu\u00e7\u00e3o sob o efeito do \u00e1lcool e outras subst\u00e2ncias psicotr\u00f3pricas, uso de telem\u00f3veis e audi\u00e7\u00e3o de m\u00fasica em volume elevado, desrespeito pelas regras da ced\u00eancia de passagem e desrespeito pelos direitos dos pe\u00f5es s\u00e3o algumas das causas enunciadas pela CEP.  SINAIS DE ESPERAN\u00c7A NA NOSSA SOCIEDADE Ap\u00f3s esta an\u00e1lise cr\u00edtica, a CEP aponta uma s\u00e9rie de \u201csinais positivos, imbu\u00eddos de esperan\u00e7a e de responsabilidade dos cidad\u00e3os\u201d, entre os quais se incluem a tomada de consci\u00eancia da sociedade como comunidade cultural; a promo\u00e7\u00e3o de todas as formas de educa\u00e7\u00e3o para o bem comum; o incremento de voluntariado; a responsabilidade participativa de todos; a busca da nova identidade portuguesa e a constru\u00e7\u00e3o de uma Europa baseada nos valores culturais e espirituais. Defendida que foi a necessidade de uma mudan\u00e7a de atitude, marcada pelo dinamismo da solidariedade e da esperan\u00e7a, os bispos portugueses apresentam as prioridades pastorais para a Igreja Cat\u00f3lica em Portugal. O caminho apontado passa, em primeiro lugar, pela \u201cinvers\u00e3o da prioridade da tecnologia sobre a \u00e9tica, das coisas sobre as pessoas e da mat\u00e9ria sobre o esp\u00edrito\u201d e pela defesa incondicional da vida humana \u201cdesde o seu in\u00edcio\u201d e da paz. As prioridades da CEP incluem uma maior aten\u00e7\u00e3o \u201csobre a fam\u00edlia e a sua miss\u00e3o na Igreja e na sociedade\u201d al\u00e9m da promo\u00e7\u00e3o de gestos de solidariedade. Uma nota final vai, nesta parte do documento, para a necessidade de Portugal construir uma identidade pr\u00f3pria, nascida da \u201ccapacidade de construir pontes entre as culturas, de p\u00f4r os homens em di\u00e1logo, de contribuir para o progresso da humanidade concebida como uma \u00fanica fam\u00edlia humana\u201d. A Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa conclui a sua Carta Pastoral com um apelo \u201ca todos os cidad\u00e3os, aos cat\u00f3licos e a todos os que partilham os princ\u00edpios \u00e9ticos da doutrina social da Igreja que sublinh\u00e1mos, a que promovam com solidariedade respons\u00e1vel a vida p\u00fablica da sociedade e o bem comum da comunidade\u201d. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O consumismo, a corrup\u00e7\u00e3o, a desarmonia do sistema fiscal, a irresponsabilidade na estrada, a exagerada comercializa\u00e7\u00e3o do fen\u00f3meno desportivo e a exclus\u00e3o social na mira dos Bispos Portugueses<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[147,193,203,206,314,329],"class_list":["post-2303","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-conferencia-episcopal-portuguesa","tag-educacao","tag-europa","tag-familia","tag-solidariedade","tag-voluntariado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2303","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2303"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2303\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2303"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2303"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2303"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}