{"id":230101,"date":"2022-02-27T09:30:41","date_gmt":"2022-02-27T09:30:41","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=230101"},"modified":"2022-02-25T15:57:15","modified_gmt":"2022-02-25T15:57:15","slug":"os-padres-devem-usar-sem-medo-as-redes-sociais-padre-guilherme-peixoto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/os-padres-devem-usar-sem-medo-as-redes-sociais-padre-guilherme-peixoto\/","title":{"rendered":"\u00abOs padres devem usar sem medo as redes sociais\u00bb &#8211; Padre Guilherme Peixoto"},"content":{"rendered":"<p><em>P\u00e1roco, DJ e capel\u00e3o militar, tem milhares de seguidores no Facebook e Instagram, e acha que a Igreja n\u00e3o pode deixar de estar nestes novos meios de comunica\u00e7\u00e3o, desde que o saiba fazer. <\/em><em>Nesta entrevista, em que fala da \u2019alegria\u2019 como marca do seu sacerd\u00f3cio, relaciona Carnaval e Quaresma, e olha ainda para a situa\u00e7\u00e3o na Ucr\u00e2nia com base na experi\u00eancia que j\u00e1 o levou a servir no Kosovo e no Afeganist\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_230036\" aria-describedby=\"caption-attachment-230036\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-guilherme-peixoto1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-230036 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-guilherme-peixoto1.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-guilherme-peixoto1.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-guilherme-peixoto1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-guilherme-peixoto1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-guilherme-peixoto1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-guilherme-peixoto1-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-guilherme-peixoto1-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-guilherme-peixoto1-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-guilherme-peixoto1-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-guilherme-peixoto1-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-230036\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>Para al\u00e9m de ser o p\u00e1roco de Amorim e La\u00fandos, na Arquidiocese de Braga, \u00e9 tamb\u00e9m capel\u00e3o militar, DJ e presen\u00e7a habitual nas redes sociais, em programas de televis\u00e3o e at\u00e9 em spots publicit\u00e1rios, onde se apresenta sempre com humor.\u00a0Podemos dizer que a alegria \u00e9 uma das marcas do seu sacerd\u00f3cio?<\/em><\/p>\n<p>Sim, sempre foi, mas n\u00e3o t\u00e3o vis\u00edvel como agora, as redes sociais t\u00eam destas coisas. Mas, quem me conhece j\u00e1 desde o semin\u00e1rio sabe que a alegria, o bom humor esteve sempre presente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>D\u00e1 muito trabalho a linguagem espec\u00edfica das redes sociais, onde tem uma presen\u00e7a muito diversificada?<\/em><\/p>\n<p>Quem est\u00e1 nas redes sociais tem de trabalhar,\u00a0as redes sociais d\u00e3o muito trabalho, porque \u00e9 preciso produzir conte\u00fado. Estar por estar, mais vale n\u00e3o fazer nada. Tem de se olhar para as redes sociais precisamente como mais um trabalho, que eu acho que \u00e9 fant\u00e1stico, faz-nos chegar a tanta gente que de outra forma n\u00e3o conseguir\u00edamos, mas \u00e9 um trabalho, e d\u00e1 trabalho.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>\u00c9 tamb\u00e9m conhecido como o \u2018padre DJ\u2019, pela anima\u00e7\u00e3o musical que faz no \u2018Ar de Rock La\u00fandos\u201d, um espa\u00e7o que criou ao lado da capela do monte de S. F\u00e9lix, na sua par\u00f3quia, para dinamizar a comunidade local. Como\u00a0\u00e9 que os paroquianos reagiram a isso?<\/em><\/p>\n<p>Se eu fosse para uma par\u00f3quia e criasse tudo isto l\u00e1, ia ser muito estranho para todos. O certo \u00e9 que isto nasceu na par\u00f3quia e com a par\u00f3quia, com os paroquianos. Acabava a catequese no m\u00eas de junho e no in\u00edcio de julho abr\u00edamos este espa\u00e7o, que geralmente terminava no primeiro fim de semana de setembro. Quem l\u00e1 trabalha s\u00e3o membros dos grupos corais das duas par\u00f3quias, Amorim e La\u00fandos, ministros da comunh\u00e3o, do conselho econ\u00f3mico, e outras pessoas que se juntaram \u00e0s equipas que l\u00e1 est\u00e3o, todos eles volunt\u00e1rios. Isto come\u00e7ou com um pequeno espa\u00e7o que depois foi aumentando, as pessoas foram trabalhando, e quem chega l\u00e1 hoje e v\u00ea a dimens\u00e3o daquele espa\u00e7o acha tudo isto quase inacredit\u00e1vel. Para a comunidade \u00e9 algo normal, porque nasceu com eles, acompanharam e j\u00e1 dizem &#8216;senhor padre, este ano vai abrir?&#8217;, e eu &#8216;calma, vamos ver como \u00e9 que corre isto da pandemia&#8217;&#8230;<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Tem estado interrompido, por causa da pandemia?<\/em><\/p>\n<p>Mal chegou a pandemia encerr\u00e1mos. S\u00e3o todos volunt\u00e1rios e tamb\u00e9m temos esta responsabilidade para com as pessoas que l\u00e1 trabalham de n\u00e3o proporcionar nada que possa ser um perigo para a sua sa\u00fade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Isto come\u00e7ou h\u00e1 quanto tempo?<\/em><\/p>\n<p>Come\u00e7ou em 2005.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Portanto, j\u00e1 apanhou v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es de jovens?<\/em><\/p>\n<p>J\u00e1 apanhou v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es, e nas equipas de trabalho h\u00e1 alguns que v\u00eam desde o in\u00edcio, chegaram l\u00e1 como jovens, hoje s\u00e3o menos jovens, mas continuam dedicados a este projeto.<\/p>\n<p>Com este &#8216;Ar de Rock La\u00fandos&#8217; cheg\u00e1mos tamb\u00e9m ao &#8216;La\u00fandos em movimento&#8217;, outro evento que cri\u00e1mos com o apoio destas equipas. T\u00eam-nos feito alguns convites para aqueles dias especiais da cidade da P\u00f3voa de Varzim, atrav\u00e9s da c\u00e2mara municipal, neste caso, os &#8216;Dias no Parque&#8217;, que \u00e9 uma esp\u00e9cie de uma feira local das associa\u00e7\u00f5es, e convidam-nos a estar presentes, e a mim, como DJ, para animar uma das noites.<\/p>\n<p>No S. Pedro, que \u00e9 a grande festa da cidade, ao longo dos \u00faltimos anos tamb\u00e9m nos t\u00eam convidado para animar l\u00e1 uma pra\u00e7a, com as nossas barraquinhas e o palco, \u00e9 mais uma das fontes de receita da par\u00f3quia, e tem sido assim nos \u00faltimos anos. A brincar, a brincar, e no meio desta alegria toda, pag\u00e1mos a d\u00edvida, restaur\u00e1mos a igreja matriz e agora estamos a trabalhar para a sede dos escuteiros.<\/p>\n<p>Infelizmente tivemos de parar estes dois anos. Vamos ver se agora, ao retomar, vamos encher o peito, cheios de for\u00e7a.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Durante o confinamento teve de recorrer \u00e0 internet e \u00e0s redes sociais\u00a0para ir partilhando m\u00fasica, como DJ. Continua a faz\u00ea-lo?<\/em><\/p>\n<p>Sim, sim. Foi curioso que a primeira comunica\u00e7\u00e3o que eu fiz foi um PDF, que partilhei no Facebook da par\u00f3quia e no Facebook pessoal. Envi\u00e1mos esse PDF para os colaboradores principais da par\u00f3quia, com avisos sobre como \u00e9 que ia ser com a pandemia, com o encerramento das igrejas, como \u00e9 que pod\u00edamos fazer a catequese em casa, n\u00e3o presencial. Um documento extenso, com os cuidados sanit\u00e1rios a ter. Foi algo que deu trabalho e at\u00e9 tive alguns amigos m\u00e9dicos que me ajudaram, um deles ligado ao Instituto Ricardo Jorge. E quando envio o documento a pensar &#8216;temos aqui uma obra de arte de comunica\u00e7\u00e3o&#8217;, muitos dos que receberam o documento ligavam a perguntar &#8216;como \u00e9 que vai ser isto e aquilo?&#8217;. E eu: &#8216;n\u00e3o leram? Est\u00e1 l\u00e1&#8217;. Foi a\u00ed que comecei a pensar que tinha de se facilitar a comunica\u00e7\u00e3o, ou ia correr mal&#8230;<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Os tempos de aten\u00e7\u00e3o s\u00e3o cada vez menores&#8230;<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 isso. E foi ent\u00e3o que, junto com o texto, comecei a fazer uns v\u00eddeos com algum humor. Foi a\u00ed que apareceu a veia humor\u00edstica nas redes sociais, foi a necessidade de fazer um clique que prendesse as pessoas, para que elas depois lessem o texto. Come\u00e7\u00e1mos com uma s\u00e9rie &#8216;A vida de um padre em confinamento&#8217;, ia partilhando com humor alguns momentos do meu dia a dia em casa, com a minha cadela, a celebrar a missa sozinho, as minhas ora\u00e7\u00f5es. Come\u00e7\u00e1mos tamb\u00e9m com os &#8216;lives&#8217; nas redes sociais, com m\u00fasica. Mas este clique veio desse\u00a0PDF, que eu tive tanto empenho em fazer e que algumas das pessoas que o receberam ligavam a perguntar sobre coisas que estavam l\u00e1 escritas e tudo explicado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 pouco, quando nos dirig\u00edamos ao est\u00fadio para esta entrevista, falou sobre a import\u00e2ncia de se criarem conte\u00fados espec\u00edficos para cada rede social, e que para poder ter alcance com aquilo que diz sobre a Igreja e vida cat\u00f3lica precisou de produzir muitos conte\u00fados que n\u00e3o tivessem nada a ver&#8230;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Uma coisa \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o, outra coisa \u00e9 a t\u00edtulo pessoal.\u00a0A partir do momento em que comecei a produzir conte\u00fados que n\u00e3o tinham nada a ver com a Igreja, isto \u00e9, que iam para al\u00e9m do ter\u00e7o e da missa\u00a0&#8211; claro que a igreja nas par\u00f3quias n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso, mas as pessoas percebem -,\u00a0conte\u00fados com humor, ligados \u00e0s mais diversas situa\u00e7\u00f5es do meu dia a dia, as pessoas come\u00e7aram a partilh\u00e1-los, a seguir, e reparei que\u00a0depois, quando publicava alguma coisa mais espec\u00edfico da Igreja, as pessoas comentavam e interagiam, quem tinha f\u00e9 e quem n\u00e3o tinha.\u00a0E ainda hoje \u00e9 assim,\u00a0as pessoas v\u00e3o seguindo pelo humor, e quando aparece algum conte\u00fado mais alegre partilham e andam por ali.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>Portanto, isto tamb\u00e9m tem ajudado a\u00a0sua miss\u00e3o de\u00a0sacerdote, chegar \u00e0s pessoas?<\/em><\/p>\n<p>Ajudou muito nos confinamentos, na pandemia. Ajudou-me tamb\u00e9m muito a passar algum tempo em casa. Hoje podia dizer &#8216;ser\u00e1 que ainda fazem assim tanta falta as redes sociais, com tanto trabalho que j\u00e1 temos nas par\u00f3quias, est\u00e1 tudo a mexer?&#8217;. Mas, agora vou parar tudo isto que come\u00e7ou? Ser\u00e1 que faz sentido parar?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_230035\" aria-describedby=\"caption-attachment-230035\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-guilherme-peixoto2.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-230035\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-guilherme-peixoto2-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-guilherme-peixoto2-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-guilherme-peixoto2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-guilherme-peixoto2-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-guilherme-peixoto2-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-guilherme-peixoto2-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-guilherme-peixoto2-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-guilherme-peixoto2-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-guilherme-peixoto2-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-guilherme-peixoto2.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-230035\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>J\u00e1 \u00e9 muito popular, no bom sentido, e tem muitos seguidores. A f\u00e9 tamb\u00e9m se alimenta assim, nas plataformas digitais, estando onde as pessoas est\u00e3o e falando a sua linguagem?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 uma coisa curiosa que consegui, com o apoio da Ecclesia, criar um link direto em que quando a Ecclesia transmite uma s\u00e9rie de cerim\u00f3nias religiosas &#8211; o ter\u00e7o \u00e9 uma delas &#8211; entra em direto na minha p\u00e1gina de FB, e \u00e0quela hora j\u00e1 est\u00e3o as pessoas \u00e0 espera para rezar o ter\u00e7o e comentar, \u00e0 noite.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>S\u00e3o as boas sinergias que se v\u00e3o criando&#8230;<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 uma altura do ano, em agosto, em que os profissionais est\u00e3o de f\u00e9rias e a transmiss\u00e3o \u00e9 suspensa, por algumas semanas, e na rua, por duas ou tr\u00eas vezes, encontrei pessoas que perguntavam como podiam fazer para rezar o ter\u00e7o.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>Como \u00e9 que \u00e9 visto pelos seus pares,\u00a0por outros padres da diocese, por exercer o seu minist\u00e9rio desta forma, sempre com alegria e bom humor, e com a m\u00fasica a ter um lugar importante?\u00a0Isto n\u00e3o contrasta com o resto da Igreja, que para muitos ainda d\u00e1 uma imagem\u00a0\u201ctriste\u201d e \u201csisuda\u201d?<\/em><\/p>\n<p>Eu, sinceramente,\u00a0o que os outros padres pensam n\u00e3o me interessa. Interessa-me o que \u00e9 que o meu bispo pensa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E o que \u00e9 que o seu bispo pensa?<\/em><\/p>\n<p>Ele (o arcebispo em\u00e9rito, D. Jorge Ortiga) dizia muitas vezes &#8216;\u00f3 rapaz, tem ju\u00edzo, mas continua&#8217;.\u00a0Tamb\u00e9m j\u00e1 falei com o D. Jos\u00e9 Cordeiro sobre todo este trabalho, mas naturalmente, o D. Jos\u00e9 entrou h\u00e1 dias na diocese de Braga, n\u00e3o tenho ainda \u00e0 vontade. O D. Jorge j\u00e1 o conhecia, era bispo auxiliar andava eu no semin\u00e1rio. Sou padre desde 1999, praticamente desde que o D. Jorge era arcebispo de Braga, s\u00e3o 20 e tal anos, j\u00e1 me conhece desse tempo.\u00a0Quando comecei a fazer estes v\u00eddeos, enviava-lhos por WhatsApp, ele ia vendo, \u00e0s vezes respondia e ria-se, sempre esteve dentro de todo este processo.<\/p>\n<p>O importante na vida do padre \u00e9 a comunh\u00e3o com o seu bispo. Claro que alguns padres v\u00e3o gostar, outros n\u00e3o v\u00e3o achar piada nenhuma, porque \u00e9 um estilo que n\u00e3o lhes diz nada, mas o importante \u00e9 que cada um veja como \u00e9 que pode levar a mensagem.<\/p>\n<p>Hoje as pessoas andam com o telem\u00f3vel na m\u00e3o o dia todo, antigamente a bateria chegava a durar quase uma semana, hoje s\u00e3o muito poucos os que a bateria dura um dia, quando isso acontece ficamos todos contentes, quem usa as redes sociais. A Igreja se est\u00e1 l\u00e1 tem de jogar as regras do jogo. Isto \u00e9,\u00a0a Igreja n\u00e3o pode querer estar nas redes sociais da mesma forma que est\u00e1 no jornal diocesano ou na internet, no site, no formato de p\u00falpito.<\/p>\n<p>Claro que, num site, a Igreja publica os conte\u00fados, e as pessoas leem, partilha quem quiser; num jornal publicam-se os conte\u00fados; nas redes sociais, \u00e9 uma rede,\u00a0se a Igreja est\u00e1 l\u00e1 s\u00f3 a publicar conte\u00fados,\u00a0est\u00e1 a fazer delas um boletim paroquial,\u00a0n\u00e3o cria rela\u00e7\u00e3o com quem a segue.\u00a0As redes sociais s\u00e3o rela\u00e7\u00e3o, \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o que se cria ali, tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Falou do recurso ao humor para apresentar uma figura que \u00e9 diferente. Um padre alegre ainda \u00e9 algo estranho, para muita gente?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 estranho. Comecei a ver isso quando cheguei ao Tik Tok, a quantidade de pessoas que me perguntava: \u201cmas voc\u00ea \u00e9 mesmo padre?\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Olhando para a representa\u00e7\u00e3o dos padres em novelas, sketches humor\u00edsticos, etc., n\u00e3o se est\u00e1 a repetir sempre os mesmos clich\u00e9s e a passar uma imagem que n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o atual?<\/em><\/p>\n<p>A maior parte das pessoas n\u00e3o conhece o padre fora do altar.\u00a0As pessoas dizem-me muito: \u201csenhor padre, temos de ir \u00e0s suas Missas, devem ser um espet\u00e1culo\u201d. E eu digo-lhes: \u201ccuidado, que pode ter uma desilus\u00e3o\u201d. Sou muito tradicionalista no respeito e no amor \u00e0 Tradi\u00e7\u00e3o, na Igreja. Fora da igreja, naturalmente no respeito pelos princ\u00edpios que me norteiam e no que \u00e9 ser padre, posso rir \u00e0 vontade, ser alegre, contar uma anedota, embora nem tenha muito jeito.<\/p>\n<p>As pessoas habituam-se a ver o padre s\u00e9rio, na igreja, sisudo, concentrado na hom\u00edlia, na reflex\u00e3o. At\u00e9 porque muitas poder\u00e3o ir \u00e0 igreja numa cerim\u00f3nia, num batismo, num funeral\u2026 Tirando aquelas pessoas que v\u00e3o \u00e0 Missa aos domingos, a maioria tem com o padre um contacto pontual, muito formal. \u00c9 a imagem que acabam por ter.<\/p>\n<p>Os padres devem usar sem medo as redes sociais\u00a0\u2013 e \u00e9 preciso usar sem medo, com a no\u00e7\u00e3o de que vamos fazer muita coisa que n\u00e3o resultar\u00e1, ou at\u00e9 ficar mal. Mas temos de ter a capacidade de ser os primeiros a analisar o que fizemos para corrigir, evoluir.<\/p>\n<p>Numa altura, a falar com D. Jorge Ortiga, dizia-lhe: \u201cD. Jorge, diga-me, quer que esteja nas redes sociais?\u201d. E ele disse que sim, que queria, mas que visse bem o que ia fazer. \u201cD. Jorge, diga-me um padre que esteja nas redes sociais ou arranje-me um manual para seguir\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E n\u00e3o h\u00e1 manuais para isso\u2026<\/em><\/p>\n<p>Nem h\u00e1 manuais nem h\u00e1 muitos padres, de uma forma mais exposta, nas redes sociais. \u00c9 um caminho que cada um tem de fazer e, nesse caminho que vou fazendo, h\u00e1 coisas que resultam melhor e outras que n\u00e3o resultam t\u00e3o bem. Mas se n\u00e3o fizermos o caminho, nunca vamos saber.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_230034\" aria-describedby=\"caption-attachment-230034\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-guilherme-peixoto3.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-230034\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-guilherme-peixoto3-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-guilherme-peixoto3-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-guilherme-peixoto3-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-guilherme-peixoto3-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-guilherme-peixoto3-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-guilherme-peixoto3-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-guilherme-peixoto3-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-guilherme-peixoto3-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-guilherme-peixoto3-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-guilherme-peixoto3.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-230034\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Estamos no domingo que antecede o Carnaval. S\u00e3o dias associados ao excesso, habitualmente, mas est\u00e3o ligados ao in\u00edcio da Quaresma, o tempo de prepara\u00e7\u00e3o para a P\u00e1scoa. Ali\u00e1s, \u00e9 por isso que a data \u00e9 m\u00f3vel. No imediatismo em que vivemos hoje, deixou de haver esta consci\u00eancia da liga\u00e7\u00e3o entre as duas viv\u00eancias?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 curioso que, mesmo no meu trabalho como capel\u00e3o militar no Ex\u00e9rcito, uma das coisas que fazia eram palestras de \u00e2mbito cultural, e nesta altura falava sobre o Carnaval.\u00a0Muitos ficavam admirados como \u00e9 que o Carnaval tinha tanto a ver com a Igreja\u00a0\u2013 pode-se comer carne porque depois entramos na Quaresma; o entrudo \u00e9 o \u201cintroitus\u201d, a entrada na Quaresma.<\/p>\n<p>Das palavras que n\u00f3s usamos para dizer Carnaval, at\u00e9 \u00e0s m\u00e1scaras &#8211; na Idade M\u00e9dia era feita uma grande festa nos adros das igrejas, onde o povo se mascarava, com medo de repres\u00e1lias, e tinha a liberdade de poder criticar tudo e todos, foi quando surgiram as s\u00e1tiras. O certo \u00e9 que a m\u00e1scara aparece quase como uma prote\u00e7\u00e3o, para que houvesse alegria, s\u00e1tira. A Igreja permitia que isso acontecesse. Depois entrava no tempo da Quaresma, mais de recolhimento, de penit\u00eancia &#8211; que na altura era maior do que hoje &#8211; o jejum, a abstin\u00eancia. Por isso, mais import\u00e2ncia tinha esta festa, o Carnaval, para as pessoas se libertarem, porque\u00a0na nossa vida h\u00e1 espa\u00e7o para tudo, a alegria, a ora\u00e7\u00e3o e uma coisa n\u00e3o impede a outra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00e3o podemos deixar de falar da sua vertente militar, porque para al\u00e9m de padre \u00e9 major do Servi\u00e7o de Assist\u00eancia Religiosa do Ex\u00e9rcito, e chegou a ser Capel\u00e3o militar no Kosovo, junto das for\u00e7as portuguesas da NATO. Como \u00e9 que v\u00ea a escalada de tens\u00e3o entre a R\u00fassia e a Ucr\u00e2nia?<\/em><\/p>\n<p>Fui capel\u00e3o no Kosovo e no Afeganist\u00e3o, com os Comandos. No Kosovo o pa\u00eds estava praticamente em paz e, pouco tempo depois, a for\u00e7a (de manuten\u00e7\u00e3o de paz) deixou de estar no terreno, era a reta final do apoio que Portugal estava l\u00e1 a prestar.<\/p>\n<p>No Afeganist\u00e3o, o que mais me impressionou era haver uma esp\u00e9cie de desfile de moda militar: cada pa\u00eds colocava l\u00e1 o melhor que tinha. Claro que n\u00f3s n\u00e3o entr\u00e1vamos nesta equa\u00e7\u00e3o, mas o certo \u00e9 que dos EUA \u00e0 Alemanha, a Fran\u00e7a\u2026 v\u00edamos l\u00e1 carros de combate que nem imagin\u00e1vamos que existissem!<\/p>\n<p>Uma das formas muito concretas de atacar os carros era com as minas, que rebentavam \u2013 as viaturas eram blindadas, mas muitas vezes os militares n\u00e3o morriam pela for\u00e7a da explos\u00e3o, mas pelo impacto. Ent\u00e3o, come\u00e7aram a aparecer carros em forma de barco, com o fundo em \u2018V\u2019. V\u00edamos todo esse tipo de viaturas. A pr\u00f3pria ind\u00fastria se ia adaptando.<\/p>\n<p>Agora,\u00a0era importante que o mundo chegasse ao ponto de n\u00e3o permitir que a ind\u00fastria do armamento fique nas m\u00e3os de civis, porque as empresas precisam de \u201cpasserelles\u201d para mostrar o material.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E costuma dizer-se que os militares querem a paz, nunca a guerra\u2026<\/em><\/p>\n<p>Sim, disso n\u00e3o tenho qualquer d\u00favida.\u00a0\u00c0s vezes as pessoas esquecem-se de que os militares tamb\u00e9m t\u00eam fam\u00edlia, t\u00eam filhos, o que querem \u00e9 estar preparados para defender o seu pa\u00eds, preparados para o pior, mas que n\u00e3o aconte\u00e7a. Isso \u00e9 sagrado na vida de um militar.<\/p>\n<p>Espero que os interesses econ\u00f3micos n\u00e3o se sobreponham \u00e0 guerra. O Papa Francisco dizia que os pr\u00e9mios Nobel da Paz est\u00e3o \u00a0muito associados \u00e0 guerra, e a\u00a0paz deveria ser uma cultura de um pa\u00eds, que vai para al\u00e9m das pr\u00f3prias armas: viver em paz connosco, sem conflitos, sem guerras, seja nas redes sociais ou no nosso dia a dia. Quando falamos em paz, ainda nos esquecemos de tantos pormenores da nossa vida que s\u00e3o conflito permanente. Ainda se cultiva muito a guerra, mesmo fora das armas.<\/p>\n<p>Este conflito na Ucr\u00e2nia\u2026 Espero que a ind\u00fastria da guerra n\u00e3o fale mais alto do que a import\u00e2ncia da paz e da dignidade humana, com toda a mis\u00e9ria que pode resultar de um conflito.<\/p>\n<p>\u00c9 importante que n\u00f3s olhemos para as not\u00edcias\u2026 \u00c0s vezes d\u00e1-se mais aten\u00e7\u00e3o a programas de entretenimento do que a isto, que est\u00e1 a acontecer t\u00e3o perto de n\u00f3s.\u00a0Devia tirar-nos o sono pensar que, de um momento para o outro, milh\u00f5es de pessoas podem n\u00e3o apenas morrer, mas ficar deslocadas, refugiadas. Temos um drama terr\u00edvel \u00e0s nossas portas, e n\u00e3o podemos olhar para estas not\u00edcias como se fosse um reality show. \u00c9 grave demais.<\/p>\n<p>Se h\u00e1 uma explos\u00e3o na S\u00edria, por exemplo, t\u00e3o depressa se partilha isso nas redes sociais como depois nunca mais se quer saber\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>\u00c9 a quest\u00e3o do tempo e do consumo, nas pr\u00f3prias redes sociais que precisam de ser alimentadas constantemente\u2026<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Temos de ter muito cuidado com esta cultura, em que vivemos, do imediato, do descarte.\u00a0H\u00e1 dramas a acontecer no mundo que n\u00e3o podem ser descartados.<\/p>\n<p>\u00c9 importante, como crist\u00e3os, que n\u00e3o deixemos de rezar, e rezar muito pela paz, porque estes tempos que vivemos s\u00e3o tremendos e muito duros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>*Entrevista gravada antes de a R\u00fassia ter lan\u00e7ado a ofensiva militar em territ\u00f3rio da Ucr\u00e2nia, na madrugada de 24 de fevereiro<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00e1roco, DJ e capel\u00e3o militar, tem milhares de seguidores no Facebook e Instagram, e acha que a Igreja n\u00e3o pode deixar de estar nestes novos meios de comunica\u00e7\u00e3o, desde que o saiba fazer. Nesta entrevista, em que fala da \u2019alegria\u2019 como marca do seu sacerd\u00f3cio, relaciona Carnaval e Quaresma, e olha ainda para a situa\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":230036,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[],"class_list":["post-230101","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/230101","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=230101"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/230101\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/230036"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=230101"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=230101"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=230101"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}