{"id":229752,"date":"2022-02-23T12:32:14","date_gmt":"2022-02-23T12:32:14","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=229752"},"modified":"2022-02-23T12:32:14","modified_gmt":"2022-02-23T12:32:14","slug":"saber-aprender-a-desenvolver-a-literacia-evangelizadora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saber-aprender-a-desenvolver-a-literacia-evangelizadora\/","title":{"rendered":"SABER APRENDER &#8211; A desenvolver a literacia evangelizadora"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Um dos temas que poderia fazer parte da reflex\u00e3o que estamos a fazer no caminho sinodal \u00e9 o que chamo de <em>Literacia Evangelizadora<\/em>. Todos est\u00e3o cientes de que o mais importante \u00e9 viver o Evangelho, fazendo com que as pessoas pudessem olhar para a nossa vida e serem capazes de escrever algumas das suas frases sem nunca as ter lido. Mas quando tocamos no assunto da Evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil escapar ao estigma e risco de sermos pros\u00e9litos. Isto \u00e9, de acharmos que a vida em Deus (no seio do catolicismo) \u00e9 t\u00e3o boa que todos as deviam viver. Ainda que tiv\u00e9ssemos raz\u00e3o, estaremos a pensar mais em n\u00f3s ou nos outros?<\/p>\n<figure id=\"attachment_229753\" aria-describedby=\"caption-attachment-229753\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/LiteraciaEvangelizadora.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-229753\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/LiteraciaEvangelizadora.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"981\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/LiteraciaEvangelizadora.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/LiteraciaEvangelizadora-398x260.jpg 398w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/LiteraciaEvangelizadora-1024x670.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/LiteraciaEvangelizadora-768x502.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/LiteraciaEvangelizadora-1080x706.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/LiteraciaEvangelizadora-1280x837.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/LiteraciaEvangelizadora-980x641.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/LiteraciaEvangelizadora-480x314.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-229753\" class=\"wp-caption-text\">Foto de Ashkan Forouzani em Unsplash<\/figcaption><\/figure>\n<figure><\/figure>\n<p>A Literacia Evangelizadora n\u00e3o \u00e9 uma erudi\u00e7\u00e3o em anunciar a Boa Nova aos outros, mas engloba tudo: o que conhecemos; o modo como falamos; e, sobretudo, o nosso estilo de viver o Evangelho. N\u00e3o \u00e9 preciso saber teologia, mas quando nos damos conta que o estudo abre-nos ao que o outro realmente \u00e9, talvez d\u00e9ssemos mais valor ao impacte que a teologia poderia ter para desenvolver a literacia evangelizadora. O dominicano belga Dominique Pire OP diz que \u2014 <em>\u00ab\u00e9 necess\u00e1rio que nos tornemos um s\u00f3 com os outros. Isso exige, pois, colocar o si mesmo, aquele que somos e o que pensamos, numa esp\u00e9cie de par\u00eantesis, apreciar o outro de forma positiva, sem necessariamente partilharmos o seu ponto de vista. H\u00e1 nisto um profundo sacrif\u00edcio de si pr\u00f3prio.\u00bb<\/em> Ou seja, o letrado evangelizador sabe colocar-se na pele do outro. Algo, creio, que se revela essencial neste caminho sinodal.<\/p>\n<p>O papa Francisco tem referido desde o in\u00edcio do seu pontificado a import\u00e2ncia de n\u00e3o termos medo de ir para as periferias e nos aproximarmos daqueles que est\u00e3o longe. Mas a fase inicial deste percurso sinodal colocar\u00e1 muitos crentes a dialogar entre si e n\u00e3o ficaria admirado se houvesse opini\u00f5es divergentes por haverem experi\u00eancias que divergem tamb\u00e9m entre membros da mesma comunidade. E o que importa a um, pouco pode importar a outro. Viver o <em>\u201dprofundo sacrif\u00edcio de si pr\u00f3prio\u201d<\/em> significa acolher aquilo que o outro diz com profundo interesse e desejo de saber. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. H\u00e1 quem saiba falar e expressar o que sente, e h\u00e1 quem tenha dificuldade em faz\u00ea-lo. As tens\u00f5es nos nossos di\u00e1logos surgir\u00e3o porque uns consideram que o que temos \u00e9 bom e suficiente, e outros sentem que as coisas devem mudar e, nalguns casos, radicalmente. E se o amor ao outro n\u00e3o for o primeiro e \u00faltimo pensamento subjacente a cada palavra, os riscos de cairmos em fundamentalismos \u00e9 elevado. Mas como diz Timothy Radcliffe no seu livro <em>\u201dA arte de viver em Deus\u201d<\/em> \u2014 <em>\u00abdiante do fundamentalismo est\u00fapido e da sua inevit\u00e1vel viol\u00eancia, a melhor resposta \u00e9 pensar.\u00bb<\/em> Por isso, a literacia evangelizadora exige estudo.<\/p>\n<p>Radcliffe diz que <em>\u00abo estudo \u00e9 ainda mais santo do que a ora\u00e7\u00e3o, porque na ora\u00e7\u00e3o falamos a Deus, mas no estudo ouvimo-Lo.\u00bb<\/em> \u2014 confesso ter ficado surpreendido com esta ideia arrojada. \u00c9 seguro que sem ora\u00e7\u00e3o ser\u00e1 imposs\u00edvel assentar a vida sinodal na uni\u00e3o com Deus. Sem ora\u00e7\u00e3o, dificilmente estaremos sens\u00edveis ao que Ele nos quer dizer atrav\u00e9s dos sinais dos tempos. Mas o estudo do ponto de vista de Radcliffe vai muito para al\u00e9m de um acto intelectual. Encarnar o estudo como o momento de escutar Deus faz da literacia evangelizadora uma experi\u00eancia de escuta profunda, mais do que falar com erudi\u00e7\u00e3o sobre o Evangelho.<\/p>\n<p>Timothy Radcliffe esteve uma vez com o papa Jo\u00e3o Paulo II, e depois de pronunciar uma frase em polaco que havia memorizado disse esperar que a sua pron\u00fancia polaca fosse melhor que a italiana (ele \u00e9 ingl\u00eas), ao que Jo\u00e3o Paulo II respondeu \u2014 <em>\u00abse o cora\u00e7\u00e3o estiver aberto, a mente compreende.\u00bb<\/em> N\u00e3o h\u00e1 mal em reconhecer que, frequentemente, o nosso pensar gravita em torno daquilo que achamos ser a verdade, e o caminho a seguir, mas um estudo que nos faz crescer em literacia evangelizadora abre o nosso cora\u00e7\u00e3o \u00e0 possibilidade de deixarmos Deus nos tocar e transformar atrav\u00e9s daquilo que o outro \u00e9, incluindo o que pens\u00e1vamos compreender. Mas se o outro n\u00e3o \u00e9 perfeito, como pode Deus agir por ele?<\/p>\n<p>Cada um de n\u00f3s \u00e9 uma ferida para o outro porque os nossos limites impedem-nos de comunicar do modo como o outro entende perfeitamente. Mas isso faz de n\u00f3s irm\u00e3os na batalha da compreens\u00e3o. E num pelot\u00e3o verdadeiro, ningu\u00e9m fica para tr\u00e1s. Ser\u00e3o os nossos limites que nos sensibilizam para a fragilidade que todos partilhamos. Por isso, se algo acontece de positivo, apesar das feridas que somos uns para os outros, encontraremos a\u00ed o sinal claro de uma literacia evangelizadora que coloca toda a sua forma de ser e estar em Deus.<\/p>\n<p>A sensa\u00e7\u00e3o que paira no ar no caminho sinodal \u00e9, ainda, de alguma incerteza em rela\u00e7\u00e3o ao modo de caminhar. Os espa\u00e7os que se abrem s\u00e3o ainda reservados a quem est\u00e1 empenhado e conhece-se. Temos medo de escancarar as portas para deixarmos qualquer pessoa manifestar a experi\u00eancia de vida na Igreja. Temos medo de ter falhado e ningu\u00e9m gosta de ser julgado por neglig\u00eancia. Mas por muito que nos custe ouvir os outros, quando o que dizem \u00e9 pronunciado com amor, s\u00f3 pode ser acolhido por amor.<\/p>\n<p>Todo o espa\u00e7o relacional \u00e9 um espa\u00e7o de caminho sinodal. N\u00e3o vale a pena esperar que nos convidem a participar num grupo espec\u00edfico para isso. Basta que dois ou tr\u00eas se juntem, e se amem, para que Deus esteja presente no meio deles. Assim, falar\u00e3o do modo que todos conseguem entender-se, e escutar\u00e3o do modo que n\u00e3o julga, mas acolhe. Pode ser num simples caf\u00e9 com um amigo. Pode ser num intervalo com um colega de trabalho. O importante ser\u00e1 guardar mem\u00f3ria, escrevendo, o que surgiu nesses momentos para podermos partilhar quando for oportuno. Se o viver da Igreja que Deus nos inspira neste tempo \u00e9 sinodal, estejamos cientes de que ser\u00e1 um caminho que exige n\u00e3o s\u00f3 a parr\u00e9sia (coragem de dizer o que pensamos) como a hipomon\u00e9 (paci\u00eancia e resili\u00eancia em permanecer a caminhar).<\/p>\n<hr \/>\n<p>Para acompanhar o que escrevo pode subscrever a Newsletter <em>Escritos<\/em> em <a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":166774,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-229752","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/229752","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=229752"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/229752\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=229752"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=229752"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=229752"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}