{"id":22972,"date":"2007-02-19T12:18:23","date_gmt":"2007-02-19T12:18:23","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/02\/19\/fazei-isto-em-memoria-de-mim-2\/"},"modified":"2007-02-19T12:18:23","modified_gmt":"2007-02-19T12:18:23","slug":"fazei-isto-em-memoria-de-mim-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/fazei-isto-em-memoria-de-mim-2\/","title":{"rendered":"Fazei isto em Mem\u00f3ria de Mim!"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Administrador Apost\u00f3lico, D. Jo\u00e3o Miranda Teixeira, na Celebra\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica de Abertura das Quarenta Horas Par\u00f3quia do Sant\u00edssimo Sacramento, Porto <!--more--> Na sua Mensagem para a Quaresma de 2007, Bento XVI convida os crist\u00e3os a contemplarem o rosto de Cristo crucificado: H\u00e3o-de olhar para Aquele que trespassaram (Jo\u00e3o 19,37). E diz que \u00e9 no mist\u00e9rio da cruz que se revela plenamente o poder da miseric\u00f3rdia de Deus.  Convida-nos, depois, a viver a Quaresma como um tempo \u201ceucar\u00edstico\u201d, ou seja, acolhendo o amor de Jesus e aprendendo a difundi-lo \u00e0 nossa volta com gestos e palavras.  H\u00e1 aqui um desafio importante: contemplar o mist\u00e9rio da CRUZ, como experi\u00eancia renovada do Amor de Deus e como fonte de renovado amor fraterno; e viver a Quaresma como um tempo eucar\u00edstico, porque a Eucaristia nos atrai para a oferta de Jesus ao Pai e nos convida a ser h\u00f3stias de obla\u00e7\u00e3o a Deus e em favor dos irm\u00e3os.  A Eucaristia \u00e9 o mist\u00e9rio, a mem\u00f3ria e a presen\u00e7a real desse acontecimento de f\u00e9 que foi a Paix\u00e3o, morte e Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, que deve encher as nossas almas de alegria, reconhecimento e ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as.  Iniciando hoje as Quarenta Horas, como de costume, nesta Igreja do Sant\u00edssimo Sacramento, teremos todos ocasi\u00e3o para demoradamente contemplar Aquele que trespassaram, morreu e ressuscitou e agora permanece vivo mas escondido sob as esp\u00e9cies do P\u00e3o consagrado.  Do lado aberto de Jesus trespassado brotaram sangue e \u00e1gua, como nos diz S. Jo\u00e3o. Os Padres da Igreja consideraram estes elementos como s\u00edmbolos dos sacramentos do Baptismo e da Eucaristia, gra\u00e7as \u00e0 ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo (ibidem).  A Palavra de Deus desta celebra\u00e7\u00e3o vem exactamente no sentido do MEMORIAL do Antigo Testamento e da MEM\u00d3RIA que \u00e9 a Eucaristia:   Recorda-te do caminho que o Senhor Deus te fez percorrer, recorda-te das tribula\u00e7\u00f5es que te fez passar; mas recorda-te tamb\u00e9m do MAN\u00c1 que te deu a comer e da \u00c1GUA que fez brotar da rocha, para te dar de beber\u2026  Trata-se da MEM\u00d3RIA que \u00e9 preciso reter da hist\u00f3ria do passado e, em primeiro lugar, de um passado de salva\u00e7\u00e3o bem entendido pelo autor do Livro do Deuteron\u00f3mio que reescreveu a Hist\u00f3ria do Povo de Deus, \u00e0 luz da f\u00e9.  Esta mem\u00f3ria era todos os anos solenemente celebrada pelos Hebreus, na P\u00e1scoa: era a \u201cmem\u00f3ria\u201d da liberta\u00e7\u00e3o e peregrina\u00e7\u00e3o no deserto, onde passaram fome, sede, ardores do sol e priva\u00e7\u00f5es, at\u00e9 chegarem \u00e0 Terra prometida. Era tamb\u00e9m a \u201cmem\u00f3ria\u201d da Alian\u00e7a do monte Sinai entre Deus e o seu povo, por interm\u00e9dio de Mois\u00e9s.  Esta mem\u00f3ria foi celebrada por Jesus, em Quinta-Feira Santa, na sala do Cen\u00e1culo, em Jerusal\u00e9m. Mas deu-lhe um significado totalmente outro, pois fez dessa celebra\u00e7\u00e3o judaica a P\u00e1scoa da Nova Alian\u00e7a. Assim cumpriu a promessa que tinha anunciado no seu discurso do P\u00e3o da Vida, que hoje voltamos a ouvir ler no evangelho:  Eu sou o P\u00e3o da Vida. Vossos pais, no deserto, comeram o Man\u00e1 e morreram. Mas aquele que comer o P\u00e3o que Eu lhe der viver\u00e1 eternamente. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e Eu o ressuscitarei no \u00faltimo dia.  O man\u00e1 do deserto \u00e9 sinal de outro P\u00e3o. O p\u00e3o e o vinho, consagrados por Jesus em quinta-feira santa, s\u00e3o a EUCARISTIA dada \u00e0 Igreja com esta recomenda\u00e7\u00e3o: Fazei isto em mem\u00f3ria de Mim.  A Eucaristia \u00e9 uma mem\u00f3ria viva de Cristo morto e ressuscitado. \u00c9 uma PRESEN\u00c7A real que guardamos no Tabern\u00e1culo das Igrejas e precisa de ser visitada, n\u00e3o por causa de Cristo, mas por nossa causa. \u00c9 uma Presen\u00e7a real e n\u00e3o apenas simb\u00f3lica, que transportamos nas prociss\u00f5es e veneramos em muitas formas de piedade eucar\u00edstica.  As for\u00e7as laicas, em Fran\u00e7a, j\u00e1 eliminaram o velho feriado do Pentecostes. Entre n\u00f3s, h\u00e1 tentativas para fazer sair os s\u00edmbolos crist\u00e3os, e nomeadamente a cruz, dos espa\u00e7os p\u00fablicos. N\u00e3o queremos impor o Evangelho e a nossa f\u00e9 a ningu\u00e9m, mas, tendo em conta a longa tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 do nosso povo e baseados na lei da liberdade religiosa, estamos no pleno direito de manifestar a nossa f\u00e9 e anunci\u00e1-la por palavras e mesmo com ac\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de prociss\u00e3o e adora\u00e7\u00e3o solene do SS. Sacramento  Mas temos de fazer mais: \u00e9 preciso insistir numa renovada catequese das crian\u00e7as, dos jovens e dos adultos, sobre a liturgia eucar\u00edstica e o significado de cada gesto, sobre os fundamentos da f\u00e9 crist\u00e3, progressivamente posta em causa por uma sociedade n\u00e3o apenas laica, mas \u201claicista\u201d.  As crian\u00e7as v\u00e3o-se desafectando da Missa. Os jovens t\u00eam cada vez menos tempo \u00fatil, nas manh\u00e3s de domingo para a presen\u00e7a na eucaristia. E muitos adultos n\u00e3o acompanham os filhos no crescimento espiritual e na experi\u00eancia de f\u00e9. Depois, \u00e9 claro que eles se desencaminham por outras veredas perigosas\u2026  A Eucaristia \u00e9 um TESOURO da Igreja. Precisamos de redescobrir esse tesouro. O homem do evangelho encontrou um tesouro num campo, foi e vendeu tudo o que tinha para o comprar.   Nas linguagens humanas, os tesouros s\u00e3o para esconder no escaninho da caixa ou no banco; na linguagem do Evangelho, o tesouro do Reino de Deus e o tesouro da Eucaristia s\u00e3o para descobrir, apreciar, venerar e repartir pela multid\u00e3o.  A eucaristia \u00e9 o mist\u00e9rio da f\u00e9: nunca o entenderemos completamente. Os olhos do corpo v\u00eaem uma coisa mas l\u00e1 est\u00e1 outra por debaixo das apar\u00eancias. Os olhos f\u00edsicos v\u00eaem p\u00e3o e vinho mas os olhos da f\u00e9 descobrem uma PRESEN\u00c7A real de Cristo ressuscitado.  O c\u00e1lice que aben\u00e7oamos \u00e9 comunh\u00e3o do Sangue de Cristo e o p\u00e3o que partimos \u00e9 comunh\u00e3o do Corpo de Cristo \u2013 diz S. Paulo.  A eucaristia foi-nos dada numa ceia, em forma de alimento. A ceia \u00e9 o lugar de conv\u00edvio dos humanos. O p\u00e3o e o vinho s\u00e3o os alimentos essenciais da vida humana. E s\u00e3o imprescind\u00edveis para o sustento da vida corporal. Tamb\u00e9m a eucaristia \u00e9 imprescind\u00edvel para o sustento da vida espiritual dos baptizados e para fomento da fraternidade e da unidade entre os crist\u00e3os.  A eucaristia \u00e9 o p\u00e3o partido ou \u201cFrac\u00e7\u00e3o do P\u00e3o\u201d, como foi chamada nos primeiros tempos, a significar que da dispers\u00e3o se h\u00e1-de construir a unidade do corpo m\u00edstico de Cristo. Num velho livro do s\u00e9culo primeiro, h\u00e1 uma bela ora\u00e7\u00e3o de uma liturgia eucar\u00edstica que diz assim:   Pai nosso\u2026, assim como este p\u00e3o partido, antes semeado sobre colinas, uma vez recolhido se tornou um, assim a tua Igreja seja reunida das extremidades da terra no teu Reino (Didach\u00e9 IX, 3-4))  A eucaristia \u00e9 \u201cp\u00e3o partido\u201d e depois distribu\u00eddo \u00e0 multid\u00e3o, tal como aconteceu na multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es realizada por Jesus.   S. Paulo fala do p\u00e3o que n\u00f3s partimos. Os disc\u00edpulos de Ema\u00fas reconheceram o Senhor no partir do p\u00e3o. E os primeiros crist\u00e3os, diz S. Lucas, permaneceram ass\u00edduos \u00e0 frac\u00e7\u00e3o do p\u00e3o. O p\u00e3o \u00e9 primeiro semeado, colhido em gr\u00e3os, amassado, cozido no forno e, depois, feito um s\u00f3, \u00e9 distribu\u00eddo em alimento.   O que pedimos na ora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica \u00e9 que este p\u00e3o consagrado fa\u00e7a de n\u00f3s um s\u00f3, na variedade dos membros do Corpo de Cristo que \u00e9 a Igreja. Foi por essa unidade que Cristo rezou na sua Ora\u00e7\u00e3o Sacerdotal feita na \u00faltima Ceia.   \u00c9 dif\u00edcil a unidade, \u00e9 dif\u00edcil a comunh\u00e3o fraterna, \u00e9 dif\u00edcil o amor do pr\u00f3ximo, sobretudo quando se trata de pessoas com quem n\u00e3o simpatizamos ou que nos hostilizam. Mas \u00e9 poss\u00edvel. E \u00e9 poss\u00edvel gra\u00e7as ao milagre do p\u00e3o que Cristo nos d\u00e1, que \u00e9 fonte de Vida e de comunh\u00e3o. N\u00e3o foi o mesmo Senhor que nos disse: Amai os vossos inimigos?  H\u00e3o-de olhar para Aquele que trespassaram (Jo\u00e3o 19,37).  A promessa de Jesus realiza-se hoje, quando, expondo o SS. Sacramento, nos dispomos a fixar Aquele que esteve na cruz. Aproveitamos, por isso, este in\u00edcio do tempo da Quaresma como tempo prop\u00edcio para a contempla\u00e7\u00e3o e a ora\u00e7\u00e3o mais intensa. Tentemos penetrar profundamente no mist\u00e9rio de Cristo que se nos entregou na cruz e se disp\u00f4s a permanecer no P\u00e3o e no Vinho consagrados, para alimento e para adora\u00e7\u00e3o dos seus disc\u00edpulos.  Esta contempla\u00e7\u00e3o h\u00e1-de ajudar-nos a descobrir nesta atitude de Cristo o sinal quase evidente do Amor de Deus por n\u00f3s.   Mas essa descoberta \u00e9 fruto n\u00e3o da nossa intelig\u00eancia ou capacidades naturais. \u00c9 fruto da gra\u00e7a divina que o Esp\u00edrito distribui abundantemente \u00e0queles que se disp\u00f5em a uma caminhada de f\u00e9 e convers\u00e3o, de ora\u00e7\u00e3o e penit\u00eancia, quem sabe se de contempla\u00e7\u00e3o m\u00edstica. O nosso Deus est\u00e1, por agora, por detr\u00e1s duma nuvem:   Tentemos captar a sua presen\u00e7a e deixar-nos levar nos bra\u00e7os do AMOR\u2026 em sil\u00eancio\u2026em ora\u00e7\u00e3o\u2026 em contempla\u00e7\u00e3o!&#8230;  Porto e Igreja do Sant\u00edssimo Sacramento, 18 de Fevereiro de 2007 <i>D. Jo\u00e3o Miranda Teixeira, Administrador Apost\u00f3lico<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Administrador Apost\u00f3lico, D. 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