{"id":229542,"date":"2022-02-20T09:30:44","date_gmt":"2022-02-20T09:30:44","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=229542"},"modified":"2022-02-19T20:07:57","modified_gmt":"2022-02-19T20:07:57","slug":"solidariedade-instituicoes-prestam-um-servico-que-e-da-responsabilidade-do-estado-luis-rodrigues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/solidariedade-instituicoes-prestam-um-servico-que-e-da-responsabilidade-do-estado-luis-rodrigues\/","title":{"rendered":"Solidariedade: \u00abInstitui\u00e7\u00f5es prestam um servi\u00e7o que \u00e9 da responsabilidade do Estado\u00bb &#8211; Luis Rodrigues"},"content":{"rendered":"<p><em>Presidente da C\u00e1ritas de \u00c9vora lamenta afastamento do poder pol\u00edtico das necessidades das popula\u00e7\u00f5es do \u00abAlentejo profundo\u00bb e defende refor\u00e7o da capacidade de resposta de quem est\u00e1 no terreno<\/em><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/IMG_2466.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-229543 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/IMG_2466.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/IMG_2466.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/IMG_2466-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/IMG_2466-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/IMG_2466-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/IMG_2466-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/IMG_2466-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/IMG_2466-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/IMG_2466-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/IMG_2466-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/IMG_2466-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Em janeiro, antes das elei\u00e7\u00f5es legislativas, o setor social da arquidiocese de \u00c9vora lan\u00e7ou um alerta para o \u201cestado de agonia\u201d em que muitas institui\u00e7\u00f5es se encontram, por falta de apoio do Estado.\u00a0Calculo que a situa\u00e7\u00e3o de \u201csufoco financeiro\u201d se mantenha. \u00c0\u00a0espera do novo governo, o que \u00e9 que esperam que mude?<\/em><\/p>\n<p>Posso dizer que continuamos com esperan\u00e7a de que o novo governo tome atitudes concretas e reais de forma a ajudar as institui\u00e7\u00f5es, que est\u00e3o exatamente nessa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O que \u00e9 que tem faltado da parte do\u00a0Estado no apoio \u00e0s\u00a0 institui\u00e7\u00f5es? Quais s\u00e3o as falhas que sente mais no terreno?<\/em><\/p>\n<p>Vamos ver: o Estado celebra acordos de coopera\u00e7\u00e3o com as institui\u00e7\u00f5es para desenvolverem as suas respostas sociais de apoio aos idosos ou \u00e0 inf\u00e2ncia, s\u00e3o muitas e variadas.\u00a0 S\u00f3\u00a0que essas comparticipa\u00e7\u00f5es que decorrem dos acordos s\u00e3o insuficientes para cobrir as despesas que as institui\u00e7\u00f5es t\u00eam com a manuten\u00e7\u00e3o dessas respostas.\u00a0De uma forma geral s\u00e3o todas insuficientes as comparticipa\u00e7\u00f5es que a seguran\u00e7a social ou a sa\u00fade, em alguns casos, prestam \u00e0s institui\u00e7\u00f5es. O agravamento dos custos tem-se verificado sobretudo por causa do Covid, porque as institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o obrigadas a despender verbas importantes na compra dos equipamentos necess\u00e1rios \u00e0 sua presta\u00e7\u00e3o, e \u00e9 mais grave ainda quando h\u00e1 no seio delas surtos de Covid, como estou neste momento a viver numa das institui\u00e7\u00f5es em que estou na dire\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ainda estamos com esse problema, n\u00e3o \u00e9?<\/em><\/p>\n<p>Sim, h\u00e1 uma semana tive um surto numa institui\u00e7\u00e3o aqui\u00a0em \u00c9vora, que obrigou a deslocar 12 pessoas, e n\u00e3o sei se n\u00e3o ser\u00e3o mais, porque ainda n\u00e3o terminou, ainda ontem foi mais uma. Tudo isto movimenta pessoal, que n\u00e3o temos, porque tamb\u00e9m \u00e9 escasso, e exige um esfor\u00e7o enorme nos equipamentos de prote\u00e7\u00e3o, na recolha dos lixos biol\u00f3gicos contaminados, que t\u00eam procedimentos muito rigorosos e que custam imenso dinheiro &#8211; temos de contratualizar empresas da especialidade para fazerem essa recolha. Tudo isto s\u00e3o despesas n\u00e3o previstas que agravam a situa\u00e7\u00e3o financeira das institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Portanto, o problema \u00e9 sobretudo financeiro, das despesas, mas tamb\u00e9m t\u00eam outras dificuldades,\u00a0 por exemplo, no recrutamento de pessoal?<\/em><\/p>\n<p>Sim, uma situa\u00e7\u00e3o cada vez mais grave que se verifica nas institui\u00e7\u00f5es \u00e9 exatamente o recrutamento de pessoal com o m\u00ednimo de qualifica\u00e7\u00e3o, porque n\u00e3o aparecem.\u00a0Todas as que conhe\u00e7o, e aquelas onde estou &#8211; e estou na dire\u00e7\u00e3o de sete institui\u00e7\u00f5es &#8211; t\u00eam dificuldades de recrutamento. \u00c9 um problema muito grave que, a continuar assim, n\u00e3o sei como vamos resolver.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Como disseram na confer\u00eancia de imprensa de janeiro, muitas vezes o problema nem sequer \u00e9 o ordenado, embora as institui\u00e7\u00f5es tenham dificuldades em pagar sal\u00e1rios maiores. Mas, isto j\u00e1 \u00e9 uma consequ\u00eancia da falta de popula\u00e7\u00e3o em muitos s\u00edtios?<\/em><\/p>\n<p>Tem a ver com os baixos vencimentos que estas pessoas auferem. \u00c9 um servi\u00e7o melindroso para prestar,\u00a0nem toda a gente est\u00e1 preparada e se disp\u00f5e a tratar de idosos, e o vencimento \u00e9 o ordenado m\u00ednimo. Isto \u00e9 desmotivador, e\u00a0n\u00e3o \u00e9 justo para quem faz este trabalho, que \u00e9 muito exigente.<\/p>\n<p>As institui\u00e7\u00f5es est\u00e3o neste &#8220;espartilho&#8221;, porque n\u00e3o t\u00eam disponibilidade para pagar mais, porque se tivessem poderiam eventualmente subir um pouco os vencimentos, mas a verdade \u00e9 que est\u00e3o com imensas dificuldades, at\u00e9 para pagar o sal\u00e1rio m\u00ednimo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>J\u00e1\u00a0manifestou reservas\u00a0relativamente ao\u00a0\u2018Pacto de Coopera\u00e7\u00e3o\u2019 para a solidariedade social, que foi assinado em dezembro entre o governo e as institui\u00e7\u00f5es do chamado \u201cterceiro setor\u201d. O que\u00a0\u00e9 que falha, em sua opini\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Falha a informa\u00e7\u00e3o mais concreta. Aquilo que saiu eu chamei-lhe um &#8216;Pacto de inten\u00e7\u00f5es&#8217;, porque n\u00e3o conhe\u00e7o mais nada al\u00e9m disso. Com a queda do governo as coisas complicaram-se , com certeza, e vamos ter de esperar pelo novo governo para clarificar essa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>J\u00e1 no tempo em que Ant\u00f3nio Guterres era primeiro-ministro se falava na\u00a0l\u00f3gica da comparticipa\u00e7\u00e3o em 50 por cento, ou seja, que o Estado assumisse pelo menos metade das despesas que as institui\u00e7\u00f5es sociais t\u00eam. Tem-se demorado muito a chegar a esse patamar?<\/em><\/p>\n<p>Sim, continuamos longe desses valores.\u00a0O Estado nunca assumiu verdadeiramente que as institui\u00e7\u00f5es prestam um servi\u00e7o que \u00e9 da responsabilidade do Estado, e isto se fosse entendido nesta dimens\u00e3o, certamente os resultados seriam outros. Tenho esperan\u00e7a que o novo governo, ou outros que venham, pensem neste assunto e tenham uma atitude mais positiva relativamente ao trabalho que \u00e9 prestado pelas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Mas, n\u00e3o houve recentemente uma revis\u00e3o das comparticipa\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>S\u00e3o valores muito pequenos. Houve o ano passado, para vigorar durante o ano 2021, e continua em vigor. Mas s\u00e3o aumentos na ordem dos 3%, 3,5%. \u00c9 absolutamente insuficiente para as necessidades.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Um estudo da CNIS destacava o impacto econ\u00f3mico das institui\u00e7\u00f5es, sobretudo em localidades mais isoladas, onde s\u00e3o muitas vezes o principal empregador. Demora a perceber que as institui\u00e7\u00f5es sociais e solid\u00e1rias s\u00e3o agentes econ\u00f3micos das regi\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 outra dificuldade, em que os nossos governantes t\u00eam tido muitas reservas. Mas isso \u00e9 real: eu\u00a0tenho uma institui\u00e7\u00e3o aqui muito perto de \u00c9vora que tem 26 funcion\u00e1rios, e \u00e9 de longe o maior empregador local, porque \u00e9 uma aldeia, e ali \u00e0 volta s\u00e3o sobretudo agricultores, que empregam pouca gente. E este exemplo repete-se em imensas localidades por esse Alentejo, e por esse pa\u00eds, certamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Temos falado muito das responsabilidades do governo, mas a sociedade civil tamb\u00e9m tem tardado em assumir responsabilidades nesta mat\u00e9ria, valorizar o papel das institui\u00e7\u00f5es sociais e perceber que, de certa maneira, mesmo que indiretamente, acabam por beneficiar da sua a\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 alguns bons exemplos, mas de uma forma geral a sociedade civil e as empresas est\u00e3o alheadas desta problem\u00e1tica. Certamente a crise que grassa no seio do tecido empresarial tamb\u00e9m n\u00e3o ajuda, porque houve tempos em que havia mais empresas que estavam despertas para este problema e contribu\u00edam de alguma forma. Hoje n\u00e3o \u00e9 assim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Falando da atividade concreta da C\u00e1ritas de \u00c9vora, nesta fase de pandemia aumentaram os pedidos de ajuda?\u00a0Quais s\u00e3o as principais dificuldades\u00a0a que est\u00e3o a dar resposta?<\/em><\/p>\n<p>Tivemos um aumento significativo em 2020, em 2021 n\u00e3o foi assim t\u00e3o expressivo, talvez porque n\u00f3s, tamb\u00e9m por via da situa\u00e7\u00e3o que estivemos a viver, n\u00e3o tivemos uma presen\u00e7a t\u00e3o ativa junto das popula\u00e7\u00f5es. Fizemos muitos atendimentos por videoconfer\u00eancia, e nem todas as pessoas est\u00e3o preparadas para isso, e at\u00e9 houve um pequeno decr\u00e9scimo de atendimentos. Mas continuamos a ter n\u00fameros altos e a perceber as problem\u00e1ticas dominantes que tendem a agravar-se junto da popula\u00e7\u00e3o mais d\u00e9bil, nomeadamente\u00a0as situa\u00e7\u00f5es de doen\u00e7a cr\u00f3nica, desemprego e sobretudo o baixo n\u00edvel de rendimentos. \u00c9 isso que leva as pessoas a procurar a C\u00e1ritas, e a que procuramos dar resposta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Quantas\u00a0fam\u00edlias est\u00e3o a ajudar?<\/em><\/p>\n<p>Estamos a ajudar na diocese de \u00c9vora mais de 1.500 fam\u00edlias, o que \u00e9 muito. \u00c9 uma popula\u00e7\u00e3o que se aproxima das 4 mil pessoas individuais.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>A situa\u00e7\u00e3o agravou-se com o in\u00edcio da pandemia, como ouvimos. Al\u00e9m das dificuldades econ\u00f3micas, o sentimento de isolamento e at\u00e9 de abandono, nas popula\u00e7\u00f5es, \u00e9 maior, neste momento?<\/em><\/p>\n<p>Sim, seguramente.\u00a0As pessoas est\u00e3o isoladas, ainda com medo, muitas delas. N\u00f3s, inclusivamente, temos alguma dificuldade a chegar a todas, embora tenhamos uma rede que cobre toda a diocese, at\u00e9 ao n\u00edvel da par\u00f3quia, com o apoio dos volunt\u00e1rios locais, mas tudo isto, com a pandemia, se retraiu um pouco. Sabemos que h\u00e1 muitas situa\u00e7\u00f5es, como referiu, isoladas e em situa\u00e7\u00e3o de grande fragilidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 cidades mais distantes de Lisboa do que a cidade de \u00c9vora, mas, nesta regi\u00e3o tamb\u00e9m sentem e sofrem os problemas da interioridade?<\/em><\/p>\n<p>Seguramente.\u00a0O Alentejo profundo, como se costuma dizer,\u00a0est\u00e1 muito longe dos centros urbanos e vive l\u00e1 gente que tem necessidades, muitas das quais nem sequer est\u00e3o inventariadas. As pessoas n\u00e3o saem de l\u00e1, temos de ir \u00e0 procura delas \u2013 h\u00e1 algu\u00e9m que nos diz que aqui ou ali h\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o, mas haver\u00e1 muitas que n\u00e3o estar\u00e3o sequer identificadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2018-04-16.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-229545\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2018-04-16-222x260.jpg\" alt=\"\" width=\"222\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2018-04-16-222x260.jpg 222w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2018-04-16.jpg 389w\" sizes=\"(max-width: 222px) 100vw, 222px\" \/><\/a>Sentem dist\u00e2ncia do poder pol\u00edtico, no sentido de as decis\u00f5es n\u00e3o darem resposta aos problemas concretos da regi\u00e3o<\/em>?<\/p>\n<p>Eu\u00a0sinto isso, esse distanciamento, por isso temos falado, tentado sensibilizar a opini\u00e3o p\u00fablica e os governantes para a situa\u00e7\u00e3o que est\u00e3o a viver as institui\u00e7\u00f5es e as popula\u00e7\u00f5es, sobretudo, que \u00e9 para elas que nos dirigimos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Para quem est\u00e1 mais pr\u00f3ximo do terreno, o que \u00e9 que seria priorit\u00e1rio para a regi\u00e3o, para dar respostas aos problemas sociais<\/em>?<\/p>\n<p>Potenciar o funcionamento das institui\u00e7\u00f5es, conhecedoras do terreno, das situa\u00e7\u00f5es, para que possam exercer o seu trabalho com maior profundidade, dar maior resposta \u00e0s car\u00eancias das pessoas que necessitam desses apoios, sejam eles quais forem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A quest\u00e3o da demografia e da desertifica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m s\u00e3o uma preocupa\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o, ou apesar de tudo, sendo \u00c9vora tamb\u00e9m um centro universit\u00e1rio, n\u00e3o sente ainda o desequil\u00edbrio que existe noutras regi\u00f5es<\/em>?<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m se sente. Os jovens estudantes s\u00e3o, na sua maioria, de fora de \u00c9vora, est\u00e3o c\u00e1 durante a semana e v\u00e3o para casa \u00e0 sexta-feira ou \u00e0 quinta. De qualquer modo, tamb\u00e9m h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es a que temos de dar respostas, no meio estudantil, e eles procuraram-nos, sobretudo os estudantes dos pa\u00edses de l\u00edngua portuguesa, que est\u00e3o c\u00e1, bastantes. Temos dado alguma resposta a essas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Que tipo de apoio \u00e9 que procuram?<\/em><\/p>\n<p>Apoio monet\u00e1rio, para pagamento de resid\u00eancias, de rendas, e alimentos, tamb\u00e9m. Eles comem nas cantinas, de dia, mas \u00e0 noite e ao fim de semana n\u00e3o, procuram-nos nessa dimens\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Voltando ao tema do distanciamento dos centros de decis\u00e3o: \u00e9 favor\u00e1vel \u00e0\u00a0regionaliza\u00e7\u00e3o? Devia ser uma prioridade<\/em>?<\/p>\n<p>Eu acho que vai andar muito lentamente.\u00a0Tinha esperan\u00e7a que pudesse ser uma forma de termos o poder pol\u00edtico mais pr\u00f3ximo das popula\u00e7\u00f5es, mas o que estou a ver, com a transfer\u00eancia de compet\u00eancias para as autarquias\u2026 Os servi\u00e7os de atendimento deveriam passar em mar\u00e7o para as autarquias, j\u00e1 veio um despacho a adiar, penso que \u2018sine die\u2019 essa transfer\u00eancia, algumas n\u00e3o estar\u00e3o preparadas, n\u00e3o estar\u00e3o recetivas a assumir essa responsabilidade, portanto,\u00a0vejo com alguma reserva a implementa\u00e7\u00e3o de qualquer forma de regionaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Essa descentraliza\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias para as autarquias n\u00e3o est\u00e1 a ser aplicada de forma eficaz\u2026<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o est\u00e1 mesmo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Que outras medias seriam necess\u00e1rias e urgentes?<\/em><\/p>\n<p>Como disse, qualquer forma de ajuda \u00e0s institui\u00e7\u00f5es que est\u00e3o no terreno repercute-se na qualidade do seu servi\u00e7o, na forma como prestam apoio \u00e0s popula\u00e7\u00f5es carenciadas, \u00e9 por a\u00ed que as coisas t\u00eam de ir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E para as popula\u00e7\u00f5es que n\u00e3o s\u00e3o carenciadas, o que fazer para que se possam manter no seu territ\u00f3rio? Descentralizar servi\u00e7os, apoiar a natalidade, a fixa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o no Interior para inverter esta tend\u00eancia de desertifica\u00e7\u00e3o e de abandono?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida. A fixa\u00e7\u00e3o de ind\u00fastrias, de empresas ligadas \u00e0 agricultura ou servi\u00e7os, proporcionaria o aumento do emprego e a fixa\u00e7\u00e3o das pessoas. Isso seria muito vantajoso, haja esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Em \u00c9vora tamb\u00e9m tem sido o setor social e solid\u00e1rio, sobretudo ligado \u00e0 Igreja, que tem estado na linha da frente na resposta \u00e0s necessidades<\/em>?<\/p>\n<p>Sim,\u00a0estas preocupa\u00e7\u00f5es t\u00eam motivado a Igreja a levar ajudas, a identificar situa\u00e7\u00f5es de car\u00eancia, porque \u00e0s vezes as pessoas vivem uma pobreza dita envergonhada\u00a0e \u00e9 preciso algu\u00e9m que as identifique. A Igreja tem feito esse trabalho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O governo anterior aprovou uma Estrat\u00e9gia Nacional de Combate \u00e0 Pobreza \u00e9 urgente que entre em vigor<\/em>?<\/p>\n<p>Sim, \u00e9 preciso que ela seja implementada de forma a dar resultados pr\u00e1ticos, que n\u00e3o fique s\u00f3 no papel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O que seria priorit\u00e1rio, neste combate?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9\u00a0perceber os problemas das pessoas e encontrar formas de as ajudar. N\u00e3o falo de uma forma meramente assistencialista, essa \u00e9 tamb\u00e9m uma preocupa\u00e7\u00e3o nossa, na forma como ajudamos as pessoas, procurando tir\u00e1-las do seu canto, da desmotiva\u00e7\u00e3o, de depend\u00eancia, para que levantem a cabe\u00e7a, procurem sonhar e fazer pela vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Estamos na fase de elabora\u00e7\u00e3o do IRS. Que peso tem para as institui\u00e7\u00f5es a consigna\u00e7\u00e3o que os contribuintes podem fazer na sua declara\u00e7\u00e3o de impostos? \u00c9 importante que o fa\u00e7am<\/em>?<\/p>\n<p>\u00c9 uma ajuda. N\u00e3o atinge valores muito significativos, sobretudo aqui na nossa regi\u00e3o, porque h\u00e1 poucas empresas, as pessoas de uma forma geral t\u00eam baixos rendimentos. Tudo o que for feito neste campo \u00e9 favor\u00e1vel e ben\u00e9fico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Presidente da C\u00e1ritas de \u00c9vora lamenta afastamento do poder pol\u00edtico das necessidades das popula\u00e7\u00f5es do \u00abAlentejo profundo\u00bb e defende refor\u00e7o da capacidade de resposta de quem est\u00e1 no terreno<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":229543,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[175],"class_list":["post-229542","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-diocese-de-evora"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/229542","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=229542"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/229542\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/229543"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=229542"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=229542"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=229542"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}