{"id":22899,"date":"2007-02-14T13:10:55","date_gmt":"2007-02-14T13:10:55","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/02\/14\/compromisso-global-por-uma-morte-natural-digna\/"},"modified":"2007-02-14T13:10:55","modified_gmt":"2007-02-14T13:10:55","slug":"compromisso-global-por-uma-morte-natural-digna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/compromisso-global-por-uma-morte-natural-digna\/","title":{"rendered":"Compromisso global por uma morte natural digna"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;\u00c9 preciso um compromisso, em todos as dimens\u00f5es, para favorecer e sustentar centros e unidades de cuidados paliativos que, fora das l\u00f3gicas da obstina\u00e7\u00e3o terap\u00eautica e contra toda a tenta\u00e7\u00e3o da eutan\u00e1sia, garantam uma assist\u00eancia ao doente e ao direito a uma morte natural digna&#8221;, adverte o Conselho Pontif\u00edcio para a Pastoral da Sa\u00fade.  Esta advert\u00eancia \u00e9 apontada no documento resultante da investiga\u00e7\u00e3o realizada sobre cuidados paliativos, cuidados que pretendem melhorar a qualidade de vida do paciente, mas que n\u00e3o actuam no controle do processo evolutivo da doen\u00e7a.  O documento foi apresentado em Seul, capital da Coreia do Sul, que acolheu o XV Dia Mundial do Doente, este ano sob o tema &#8220;Assist\u00eancia Pastoral e Espiritual aos Doentes com Patologias Incur\u00e1veis&#8221;. Os resultados da investiga\u00e7\u00e3o pretendem &#8220;ampliar o horizonte de conhecimento do trabalho da Igreja no mundo do sofrimento, e em particular dos doentes incur\u00e1veis&#8221;, sublinha o presidente do Conselho Pontif\u00edcio para a Pastoral da Sa\u00fade, Cardeal Javier Lozano Barrag\u00e1n. O documento \u00e9 resultado de um estudo iniciado em 2004, realizado em 121 pa\u00edses dos cinco continentes, em centros de sa\u00fade cat\u00f3licos especializados em cuidados paliativos indicados por mais de 100 bispos respons\u00e1veis pela pastoral da sa\u00fade em v\u00e1rios pa\u00edses. &#8220;Sem a pretens\u00e3o de representar toda a obra da Igreja no campo dos cuidados paliativos, este resultado permite conhecer os contextos nos quais as realidades de sa\u00fade cat\u00f3licas devem trabalhar, os problemas com os quais se enfrentam&#8221;, sugere o Cardeal Javier Barrag\u00e1n.   <b>Trabalho cat\u00f3lico em cuidados paliativos<\/b> Os centros onde o estudo incidiu manifestam diferentes realidades. Os de menor dimens\u00e3o centram-se na assist\u00eancia domiciliar que prestam a cerca de uma dezena de pacientes por dia. Os de maior dimens\u00e3o conseguem prestar cuidados paliativos hospitalares a duzentos pacientes diariamente, entre visitas ambulat\u00f3rias e domiciliares.    O estudo aponta, no entanto, a escassez de estruturas de sa\u00fade. Os tempos de espera para ter acesso aos cuidados paliativos n\u00e3o s\u00e3o excessivamente longos, seja para internamento ou para visitas ambulat\u00f3rias. As equipas s\u00e3o compostas por m\u00e9dicos, enfermeiros e auxiliares. &#8220;Mas a presen\u00e7a de volunt\u00e1rios e do assistente espiritual cat\u00f3lico ou de outras religi\u00f5es tamb\u00e9m \u00e9 importante&#8221;, ainda que a maior parte dos centros entrevistados evidencie que seu n\u00famero \u00e9 apenas suficiente para responder \u00e0s necessidades imediatas.   Um outro alerta \u00e9 apontado no estudo. &#8220;A escassez de fontes de financiamento proveniente do sector p\u00fablico&#8221; e a necessidade de sustenta\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de donativos privados &#8220;torna dif\u00edcil a administra\u00e7\u00e3o dos recursos humanos e materiais&#8221;.  Estes centros n\u00e3o se limitam a um trabalho m\u00e9dico-assistencial, mas tamb\u00e9m um apoio \u00e0 fam\u00edlia e \u00e0 f\u00e9 do paciente. &#8220;Tudo isto se traduz n\u00e3o s\u00f3 na redu\u00e7\u00e3o da dor f\u00edsica, mas tamb\u00e9m na recupera\u00e7\u00e3o de sua vida afectiva&#8221;, aponta o Cardeal Javier Lozano.   Apesar do esfor\u00e7o muitos centros d\u00e3o conta que os seus doentes morrem com sofrimentos f\u00edsicos, de forma que, para melhorar a qualidade de vida dos pacientes, na maioria dos centros entrevistados, se desenvolvem terapias inovadoras, como a fisioterapia associada \u00e0 musicoterapia. Ainda que faltem assistentes espirituais, a administra\u00e7\u00e3o dos sacramentos nos centros, \u00e9 um esfor\u00e7o e uma realidade. Por isso o estudo aponta para &#8220;a necessidade de promover os programas pastorais da Igreja local dedicados especificamente aos cuidados paliativos e a dar impulso a uma catequese apropriada&#8221;.    Os objectivos principais dos programas pastorais referem-se ao acompanhamento integral do paciente, &#8220;com particular aten\u00e7\u00e3o ao cuidado da dimens\u00e3o espiritual&#8221;, salienta. Ainda que &#8220;a maior parte dos centros entrevistados lamente a inexist\u00eancia de um \u00f3rg\u00e3o de coordena\u00e7\u00e3o pastoral que se ocupe de cuidados paliativos, quando est\u00e1 presente sua obra&#8221;, existe a preocupa\u00e7\u00e3o de organizar &#8220;encontros peri\u00f3dicos com as realidades no terreno, com os capel\u00e3es, com os volunt\u00e1rios e com os pacientes&#8221;.    A aten\u00e7\u00e3o ao doente cr\u00f3nico ou terminal \u00e9 uma responsabilidade de todos. Para o Conselho Pontif\u00edcio para a Pastoral da Sa\u00fade, as realidades expostas &#8220;mostram que o caminho empreendido \u00e9 o adequado, mas fica muito por percorrer&#8221;. Por isso insiste na necessidade de um compromisso em todos as dimens\u00f5es para favorecer os centros de cuidados paliativos que garantam ao doente uma assist\u00eancia integral e o direito a uma morte natural digna, longe da obstina\u00e7\u00e3o terap\u00eautica ou da tenta\u00e7\u00e3o da eutan\u00e1sia.    &#8220;O direito \u00e0 vida concretiza-se no doente terminal, como o direito a morrer com serenidade, com dignidade humana e crist\u00e3&#8221;, aponta o Cardeal Lozano Barrag\u00e1n. Com os cuidados paliativos, a medicina p\u00f5e-se ao servi\u00e7o da vida pois, se n\u00e3o pode curar uma doen\u00e7a grave, &#8220;dedica as pr\u00f3prias capacidades a aliviar os sofrimentos do doente terminal&#8221;.    <i>Redac\u00e7\u00e3o\/Zenit<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;\u00c9 preciso um compromisso, em todos as dimens\u00f5es, para favorecer e sustentar centros e unidades de cuidados paliativos que, fora das l\u00f3gicas da obstina\u00e7\u00e3o terap\u00eautica e contra toda a tenta\u00e7\u00e3o da eutan\u00e1sia, garantam uma assist\u00eancia ao doente e ao direito a uma morte natural digna&#8221;, adverte o Conselho Pontif\u00edcio para a Pastoral da Sa\u00fade. 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