{"id":228894,"date":"2022-02-13T09:30:17","date_gmt":"2022-02-13T09:30:17","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=228894"},"modified":"2022-02-11T12:47:36","modified_gmt":"2022-02-11T12:47:36","slug":"a-agua-e-um-bem-precioso-que-temos-de-consumir-o-menos-possivel-filipe-duarte-santos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-agua-e-um-bem-precioso-que-temos-de-consumir-o-menos-possivel-filipe-duarte-santos\/","title":{"rendered":"\u00abA \u00e1gua \u00e9 um bem precioso, que temos de consumir o menos poss\u00edvel\u00bb &#8211; Filipe Duarte Santos"},"content":{"rendered":"<p><em>Geof\u00edsico, professor jubilado da Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de Lisboa, \u00e9 investigador na \u00e1rea das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e presidente do Conselho Nacional do Ambiente e do desenvolvimento sustent\u00e1vel<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_228897\" aria-describedby=\"caption-attachment-228897\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/RR-ECCLESIA2.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-228897 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/RR-ECCLESIA2.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/RR-ECCLESIA2.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/RR-ECCLESIA2-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/RR-ECCLESIA2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/RR-ECCLESIA2-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/RR-ECCLESIA2-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/RR-ECCLESIA2-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/RR-ECCLESIA2-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/RR-ECCLESIA2-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/RR-ECCLESIA2-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/RR-ECCLESIA2-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-228897\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Joana Gon\u00e7alves\/RR<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Nos \u00faltimos anos as secas tornaram-se mais frequentes e prolongadas em Portugal. Este ano estamos em fevereiro e os sinais de alerta chegam de todo o pa\u00eds. n\u00e3o s\u00f3 do Sul. Devemos ficar moderada ou gravemente preocupados, tendo em conta at\u00e9 os nossos h\u00e1bitos de consumo?<\/em><\/p>\n<p>Bom,\u00a0este \u00e9 um problema anunciado, que \u00e9 conhecido com algum detalhe desde finais do s\u00e9culo passado. Eu coordenei um estudo e houve at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o de um livro em 2002, sobre os cen\u00e1rios e os impactos das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas em Portugal. Ali\u00e1s foi o primeiro estudo que fez uma avalia\u00e7\u00e3o Integrada desses impactos com base em cen\u00e1rios clim\u00e1ticos, e foi o primeiro estudo na Europa do Sul. E a\u00ed, de facto, j\u00e1 se alertava que ia diminuir a precipita\u00e7\u00e3o m\u00e9dia anual no nosso pa\u00eds ou, outra maneira de dizer, as secas iam-se tornar mais frequentes e os anos h\u00famidos mais raros. \u00c9 algo que se tem vindo a agravar, e que infelizmente &#8211; n\u00e3o posso deixar de dizer &#8211; se ir\u00e1 continuar a agravar at\u00e9 que este problema das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas seja resolvido, o que implica diminuir as emiss\u00f5es globais de gases com efeito de estufa.<\/p>\n<p>\u00c9 um problema muito dif\u00edcil. H\u00e1 esfor\u00e7os grandes no sentido de o resolver, mas \u00e9 esta a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00e3o estamos a falar de uma situa\u00e7\u00e3o que se resolva com pensos r\u00e1pidos?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o, de modo de nenhum.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Pode obrigar a medidas dr\u00e1sticas em termos de racionamento do consumo de \u00e1gua, e implica aprender uma sobriedade do uso da \u00e1gua? H\u00e1\u00a0todo um caminho que podemos fazer em conjunto?<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 todo um caminho que podemos fazer em conjunto, e tamb\u00e9m n\u00e3o posso deixar de dizer que Portugal podia ter come\u00e7ado esse caminho h\u00e1 mais tempo.<\/p>\n<p>Uma das respostas a este problema das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es globais de gases com efeito de estufa &#8211; e a\u00ed Portugal tem feito um percurso muito merit\u00f3rio, na minha opini\u00e3o, realizando uma transi\u00e7\u00e3o dos combust\u00edveis f\u00f3sseis para as energias renov\u00e1veis.\u00a0\u00c9, ali\u00e1s, l\u00edder no sul da Europa em termos de gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica de fontes renov\u00e1veis. Mas, na adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas temos de certo modo pensado &#8216;bom, este ano temos uma seca, mas o pr\u00f3ximo ano ser\u00e1 de bastante chuva, portanto vamos aguentado&#8217;, e realmente\u00a0n\u00e3o h\u00e1 muitas medidas estruturais para enfrentar este problema.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Portugal podia ter ido j\u00e1 mais longe ou mais r\u00e1pido nas medidas que j\u00e1 tomou?<\/em><\/p>\n<p>Podiam ser tomadas, e est\u00e3o a ser tomadas algumas medidas, mas para ser concreto: o consumo de \u00e1gua a n\u00edvel urbano, \u00e1gua para os utilizadores nas suas casas, n\u00e3o \u00e9 o maior, o maior \u00e9 para a agricultura, cerca de 70%, depois temos para o consumo urbano e para a ind\u00fastria. No que respeita ao consumo urbano, na distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua a n\u00edvel das autarquias h\u00e1 perdas e essas perdas s\u00e3o conhecidas. H\u00e1 c\u00e2maras que t\u00eam aumentando muito a efici\u00eancia do uso da \u00e1gua. Repare, h\u00e1 perdas f\u00edsicas na canaliza\u00e7\u00e3o, mas depois tamb\u00e9m h\u00e1 usos da \u00e1gua que n\u00e3o s\u00e3o contabilizados, e essa \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 desej\u00e1vel, mas tem-se mantido. Este \u00e9 um aspeto.\u00a0O outro aspeto \u00e9 na agricultura de regadio, que \u00e9 muito importante e \u00e9 competitiva, e temos de pensar que estamos num mundo que \u00e9 competitivo, temos uma economia mundial&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola n\u00e3o \u00e9 mundial, \u00e9 local. N\u00e3o seria necess\u00e1rio adaptar a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola em Portugal \u00e0s condi\u00e7\u00f5es ambientais que est\u00e3o em profunda muta\u00e7\u00e3o no pa\u00eds?<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s temos sobretudo que ter uma agricultura que seja vi\u00e1vel do ponto de vista econ\u00f3mico. Isto n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o tenhamos tamb\u00e9m um outro tipo de agricultura, mais ecol\u00f3gica, isso \u00e9 tudo muito importante. Mas, por exemplo, temos condi\u00e7\u00f5es ideais para produzir azeite, somos o maior produtor do mundo de corti\u00e7a, tamb\u00e9m temos agora a quest\u00e3o das amendoeiras, tudo isso \u00e9 bastante competitivo. Penso que\u00a0temos de compatibilizar o aspeto econ\u00f3mico com o aspeto ambiental, e isto \u00e9 que \u00e9 desenvolvimento sustent\u00e1vel. \u00c9 dif\u00edcil, mas \u00e9 um equil\u00edbrio.<\/p>\n<p>No que respeita \u00e0 agricultura de regadio, existem bons exemplos de empres\u00e1rios e agricultores que utilizam as metodologias mais modernas de efici\u00eancia do uso da \u00e1gua, a chamada agricultura de precis\u00e3o. Mas h\u00e1 tamb\u00e9m no pa\u00eds muita agricultura que \u00e9 feita com uma irriga\u00e7\u00e3o por gravidade, sem usar bombas para elevar, quer dizer, sem press\u00e3o no transporte da \u00e1gua. A\u00ed perde-se muita \u00e1gua. Por exemplo, o rio Mira \u00e9 uma bacia hidrogr\u00e1fica que neste momento tem uma escassez de \u00e1gua extrema num estudo recente que foi publicado &#8211; um estudo muito interessante, que est\u00e1 para discuss\u00e3o p\u00fablica, sobre as disponibilidades da \u00e1gua em Portugal no presente e no futuro. E a\u00ed a irriga\u00e7\u00e3o \u00e9 feita por gravidade: \u00e9 a partir da barragem que a \u00e1gua \u00e9 conduzida e chega onde chegar, mas se n\u00e3o for distribu\u00edda por todos os s\u00edtios, h\u00e1 alguma que se perde, ao passo que se for por press\u00e3o, atrav\u00e9s de bombas, gasta energia e \u00e9 mais caro.<\/p>\n<p>Mas, esta \u00e9 a realidade em que todos os pa\u00edses est\u00e3o concentrados,\u00a0n\u00e3o \u00e9 um problema s\u00f3 de Portugal \u00e9 um\u00a0problema tamb\u00e9m de Espanha,\u00a0de todo o sul da Europa, de toda a regi\u00e3o mediterr\u00e2nica. Estamos todos com os mesmos problemas e estamos todos a tentar resolv\u00ea-los.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Portugal e Espanha deviam coordenar-se melhor na gest\u00e3o da \u00e1gua?<\/em><\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma quest\u00e3o dif\u00edcil. Os espanh\u00f3is t\u00eam um pouco a impress\u00e3o &#8211; e estou a falar por experi\u00eancia pr\u00f3pria &#8211; de que n\u00f3s n\u00e3o estamos t\u00e3o preocupados com a \u00e1gua como eles est\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso lembrar que\u00a0Espanha tem regi\u00f5es que s\u00e3o muito mais \u00e1ridas do que as nossas, no Sul. Mas o que \u00e9 que eles fizeram nessas regi\u00f5es muito \u00e1ridas que se est\u00e3o a tornar hiper-\u00e1ridas, como a regi\u00e3o de M\u00farcia e Alicante? T\u00eam um transvase de \u00e1gua que vem do Tejo, e \u00e9 esse transvase que permite uma horticultura extremamente importante do ponto de vista social, porque tem 250 mil &#8216;regantes&#8217;, como dizem em Espanha, que vivem dessa horticultura com a \u00e1gua que vem do Tejo. O que est\u00e1 a acontecer agora \u00e9 que o Tejo come\u00e7a a n\u00e3o ter \u00e1gua para isso, e o que o governo espanhol tem feito \u00e9 dizer &#8216;temos de diminuir o caudal\u2019 que vai para o\u00a0transvase\u00a0Tejo-Segura, esse aqueduto\u00a0gigante, com 300 e tal quil\u00f3metros. E as autonomias do Sul dizem &#8216;n\u00e3o, isso \u00e9 imposs\u00edvel, como \u00e9 que n\u00f3s vivemos?&#8217;. Ent\u00e3o, a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 utilizar mais as \u00e1guas residuais urbanas, porque h\u00e1 popula\u00e7\u00e3o, e havendo popula\u00e7\u00e3o h\u00e1 \u00e1guas residuais urbanas&#8230; est\u00e3o a ver a rela\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_228898\" aria-describedby=\"caption-attachment-228898\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/RR-ECCLESIA3.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-228898\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/RR-ECCLESIA3-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/RR-ECCLESIA3-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/RR-ECCLESIA3-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/RR-ECCLESIA3-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/RR-ECCLESIA3-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/RR-ECCLESIA3-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/RR-ECCLESIA3-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/RR-ECCLESIA3-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/RR-ECCLESIA3-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/RR-ECCLESIA3-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/RR-ECCLESIA3.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-228898\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Joana Gon\u00e7alves\/RR<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Temos estado a falar de Portugal, e agora um pouco de Espanha, mas conhece projetos ambientais em todo o mundo. H\u00e1 bons exemplos de aproveitamento de outras fontes h\u00eddricas que \u00e9 poss\u00edvel copiar para Portugal?<\/em><\/p>\n<p>Sim, sem d\u00favida. N\u00e3o\u00a0estou a dizer que isto \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o.\u00a0A solu\u00e7\u00e3o mais importante \u00e9, de facto, perceber que a \u00e1gua \u00e9 um bem precioso e que temos de consumir o menos poss\u00edvel, sem prejudicar a que \u00e9 utilizada para coisas essenciais, mas consumindo o menos \u00e1gua poss\u00edvel. Mesmo nas nossas casas, na possibilidade de reciclar.<\/p>\n<p>Dito isto,\u00a0se pretendemos que a nossa atividade econ\u00f3mica que n\u00e3o sofra com essas quest\u00f5es, temos de encontrar outras disponibilidades de \u00e1gua, e isso faz-se atrav\u00e9s da utiliza\u00e7\u00e3o do conceito de economia circular, ou seja, reciclar as \u00e1guas residuais urbanas fazendo um tratamento terci\u00e1rio, que permite que se possa beber. \u00c9 o extremo, mas \u00e9 o que se faz em Singapura e noutros s\u00edtios, os paradigmas est\u00e3o a mudar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E a\u00a0dessaliniza\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 cara e\u00a0tem problemas ambientais, mas tamb\u00e9m se podem tentar resolver, e resolvem-se alguns deles.\u00a0A dessaliniza\u00e7\u00e3o\u00a0faz sentido \u00e9 quando se est\u00e1 pr\u00f3ximo do mar, mas tamb\u00e9m se pode fazer a\u00a0dessaliniza\u00e7\u00e3o\u00a0das \u00e1guas salobras, n\u00e3o s\u00f3 das \u00e1guas do mar. Por outro lado, tem um custo, porque utiliza bastante energia el\u00e9trica, mas que pode ser gerada atrav\u00e9s de fontes renov\u00e1veis, e Portugal tem quantidades fabulosas de fontes renov\u00e1veis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que nos leva ao in\u00edcio, ao dizer que este problema n\u00e3o est\u00e1 desligado da grande quest\u00e3o que s\u00e3o as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas?<\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o est\u00e1.\u00a0H\u00e1 um nexo entre as quest\u00f5es da energia, que s\u00e3o cruciais, as quest\u00f5es do clima e as quest\u00f5es da \u00e1gua. E a agricultura tamb\u00e9m, e a biodiversidade, h\u00e1 aqui um nexo neste conjunto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Falamos h\u00e1 pouco da agricultura. Relativamente \u00e0 floresta, aprendemos alguma coisa com os inc\u00eandios 2017, at\u00e9 em termos de planta\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o da mancha verde que temos no pa\u00eds?<\/em><\/p>\n<p>Acho que sim,\u00a0tem-se feito um esfor\u00e7o muito merit\u00f3rio no sentido de uma melhor ordena\u00e7\u00e3o da floresta em Portugal e de uma diversifica\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies. Uma ideia extremamente importante \u00e9 o pagamento dos servi\u00e7os do ecossistema florestal, porque a floresta \u00e9 o mais importante para reter a \u00e1gua no solo.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a entre um deserto e uma zona que n\u00e3o \u00e9 des\u00e9rtica \u00e9 o solo, o ter mat\u00e9ria org\u00e2nica, microrganismos, e se tivermos uma floresta, esses microrganismos e o carbono que est\u00e1 retido no solo, tudo isso \u00e9 fundamental para reter a \u00e1gua.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Talvez o facto de muita gente viver hoje em centros urbanos fa\u00e7a esquecer que grande parte do territ\u00f3rio \u00e9 florestal.<\/em><\/p>\n<p>Sim, sem d\u00favida. Isso \u00e9 tamb\u00e9m importante, tem uma conex\u00e3o com o clima: a floresta quando cresce, sequestra o di\u00f3xido de carbono da atmosfera, atrav\u00e9s da fotoss\u00edntese, um processo natural, \u00e9 um sumidouro de CO2 e contribui para que as nossas emiss\u00f5es n\u00e3o sejam t\u00e3o elevadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O Papa Francisco tem sido uma das vozes mais ativas na quest\u00e3o do clima, sobretudo depois da sua enc\u00edclica \u2018Laudato Si\u2019, que lan\u00e7ou o conceito de \u2018ecologia integral\u2019. Como \u00e9 que avalia o papel do Papa nesta \u00e1rea, as suas interven\u00e7\u00f5es, e esta enc\u00edclica em particular?<\/em><\/p>\n<p>Eu admiro muito o Papa Francisco. N\u00e3o sou praticante, mas tenho um grande respeito pela religi\u00e3o crist\u00e3, a cat\u00f3lica em particular.\u00a0O Papa tem feito um esfor\u00e7o not\u00e1vel, em v\u00e1rios aspetos.<\/p>\n<p>S\u00f3 a escolha do nome Francisco tem um significado muito especial, com a refer\u00eancia a S\u00e3o Francisco de Assis, que tem uma rela\u00e7\u00e3o muito especial com o ambiente. A \u2018Laudato Si\u2019 foi uma enc\u00edclica em que ele se rodeou de cientistas, conhe\u00e7o alguns deles, e aceitou o contributo da ci\u00eancia.\u00a0Essa enc\u00edclica incomodou todos os interesses dos combust\u00edveis f\u00f3sseis, no mundo, e os defensores mais ac\u00e9rrimos de uma economia neocl\u00e1ssica, ortodoxa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o da \u00e1gua, especificamente, o Papa tem repetido que esta \u00e9 um direito de todos e n\u00e3o uma mercadoria. H\u00e1 o risco de deixar os recursos h\u00eddricos \u00e0 merc\u00ea de interesses privados?<\/em><\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma pergunta dif\u00edcil, porque temos no mundo exemplos em que os servi\u00e7os de \u00e1gua funcionam bem, sendo p\u00fablicos e privados, como temos servi\u00e7os que funcionam muito mal, sendo p\u00fablicos e privados. N\u00e3o se pode generalizar, tem muito a ver com a cultura de cada pa\u00eds, com as inclina\u00e7\u00f5es sociol\u00f3gicas e pol\u00edticas de cada pa\u00eds.<\/p>\n<p>Tenho a opini\u00e3o de que\u00a0o Estado n\u00e3o pode fazer tudo,\u00a0tem de haver o concurso da iniciativa privada, das pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O Estado funciona mais como salvaguarda de que ningu\u00e9m seja privado desse direito?<\/em><\/p>\n<p>Exatamente,\u00a0no aspeto regulat\u00f3rio o Estado tem um papel fundamental, que tem de ser refor\u00e7ado, em muitos casos. Mas tamb\u00e9m h\u00e1 outros bons exemplos: em Portugal, neste momento, h\u00e1 duas \u00e1reas protegidas, privadas. E a pessoa pensa: mas qual \u00e9 o ganho que os privados t\u00eam sobre isso? O \u00faltimo \u00e9 o Vale das Amoreiras, em Aljezur, uma floresta com biodiversidade.\u00a0Temos de ter o concurso da iniciativa individual e coletiva das organiza\u00e7\u00f5es, que est\u00e3o sens\u00edveis \u00e0s quest\u00f5es ambientais, conscientes dos problemas, e querem intervir. Devem ter espa\u00e7o para o fazer.<\/p>\n<p>As empresas desempenham um papel muito importante, neste processo, e s\u00e3o o ve\u00edculo para a cria\u00e7\u00e3o de riqueza num pa\u00eds, n\u00e3o temos outros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_228896\" aria-describedby=\"caption-attachment-228896\" style=\"width: 347px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/RR-ECCLESIA.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-228896\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/RR-ECCLESIA-347x260.jpg\" alt=\"\" width=\"347\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/RR-ECCLESIA-347x260.jpg 347w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/RR-ECCLESIA-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/RR-ECCLESIA-768x576.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/RR-ECCLESIA-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/RR-ECCLESIA-510x382.jpg 510w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/RR-ECCLESIA-1080x810.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/RR-ECCLESIA-1280x960.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/RR-ECCLESIA-980x735.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/RR-ECCLESIA-480x360.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/RR-ECCLESIA.jpg 1890w\" sizes=\"(max-width: 347px) 100vw, 347px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-228896\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Joana Gon\u00e7alves\/RR<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>No final de 2020 aconteceu a COP 26, Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Altera\u00e7\u00f5es Clim\u00e1ticas. Foi um fracasso? Teria sido poss\u00edvel ir mais longe?<\/em><\/p>\n<p>Acho que n\u00e3o foi um fracasso. Tem sido um processo muito arrastado, muito dif\u00edcil, mas tamb\u00e9m tem aspetos positivos, porque tudo depende do patamar em que pomos as coisas. Que haja 193 pa\u00edses que tomam decis\u00f5es por consenso \u00e9 extraordin\u00e1rio. Hoje em dia, estamos a assistir na Europa a um confronto latente; a n\u00edvel mundial, com muito maior dimens\u00e3o e implica\u00e7\u00f5es futuras, temos outro, entre os Estados Unidos e a China.<\/p>\n<p>Que mais de 190 pa\u00edses se re\u00fanam e tomem decis\u00f5es, durante 26 anos, \u00e9 not\u00e1vel. Claro que houve coisas em que se ficou aqu\u00e9m do que seria de esperar, mas das coisas que ilustram bem as dificuldades neste processo \u00e9 a quest\u00e3o do carv\u00e3o e da \u00cdndia, que tem um n\u00edvel social e de desenvolvimento econ\u00f3mico muito mais baixo do que a China, a Uni\u00e3o Europeia, os Estados Unidos, que s\u00e3o os principais emissores de gases com efeito de estufa no mundo.<\/p>\n<p>A \u00cdndia tem uma agenda de desenvolvimento, para gerar maior bem-estar, prosperidade econ\u00f3mica. A energia acess\u00edvel que t\u00eam \u00e9 o carv\u00e3o, tem sido essencial para essa agenda de desenvolvimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E n\u00e3o podem mudar as coisas de forma mais r\u00e1pida\u2026<\/em><\/p>\n<p>Exatamente. Eles compreendem o problema, s\u00e3o afetados pelas altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, este \u00e9 o dilema. Os pa\u00edses com economias avan\u00e7adas, com diferentes grada\u00e7\u00f5es, estamos bem instalados, relativamente a grande parte do mundo.<\/p>\n<p>Na COP n\u00e3o foi decidido acabar com o uso do carv\u00e3o, mas sim ir diminuindo o seu uso.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Em novembro, Portugal deixou de usar carv\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o de eletricidade. Elogiou, ali\u00e1s, o recurso a energias renov\u00e1veis no nosso pa\u00eds. Devemos recorrer \u00e0 energia nuclear, \u00e9 um passo que tem de ser estudado ou dispomos de recursos suficientes?<\/em><\/p>\n<p>Eu penso que, em Portugal, n\u00e3o se justifica a energia nuclear. Na Espanha, por exemplo, a energia nuclear serve de backup, porque as energias renov\u00e1veis t\u00eam o problema da intermit\u00eancia. E repara-se que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o problema das intermit\u00eancias di\u00e1rias, mas \u00e9 sazonal.\u00a0A eletricidade est\u00e1 mais cara na Europa, este ano, e um dos problemas foi que no ver\u00e3o e no outono, em toda a fachada Atl\u00e2ntica, houve menos vento, inclusive em Portugal. E aqui h\u00e1 o problema de que n\u00e3o temos tanta \u00e1gua e n\u00e3o podemos turbinar para gerar energia el\u00e9trica. Mas penso que n\u00e3o se justifica a energia nuclear,\u00a0cada pa\u00eds tem a sua cultura, a nossa \u00e9 de rejei\u00e7\u00e3o. H\u00e1 pa\u00edses que t\u00eam apostado nisso e temos o exemplo da Fran\u00e7a, sem nada a apontar, em termos de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Existe uma forma de energia que continua em fase de investiga\u00e7\u00e3o e de constru\u00e7\u00e3o de prot\u00f3tipo, que \u00e9 a fus\u00e3o nuclear, n\u00e3o a fiss\u00e3o. H\u00e1 um grande projeto europeu, em que Portugal participa, que \u00e9 o ITER, o qual pretende que se consiga produzir energia a partir da fus\u00e3o nuclear, que \u00e9 no fundo o que se passa no sol. Temos de ter presente que a vida existe porque o sol e todas as outras estrelas s\u00e3o reatores nucleares de fus\u00e3o, mas imitar o sol na terra \u00e9 uma coisa que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Os jovens t\u00eam liderado a luta contra as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. \u00c9 poss\u00edvel dizer-lhes que podem ter esperan\u00e7a?<\/em><\/p>\n<p>Eu penso que sim. N\u00e3o gosto de otimismo, pessimismo, \u00e9 uma quest\u00e3o de ser realista e todas as gera\u00e7\u00f5es t\u00eam um projeto, algo novo a dizer. Isso repete-se, cada gera\u00e7\u00e3o tem uma vis\u00e3o diferente e est\u00e1 convencida de que ela pode frutificar. Acho que podem ter esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Geof\u00edsico, professor jubilado da Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de Lisboa, \u00e9 investigador na \u00e1rea das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e presidente do Conselho Nacional do Ambiente e do desenvolvimento sustent\u00e1vel<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":228897,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[102,414,195],"class_list":["post-228894","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-agua","tag-ecologia","tag-enciclica-laudato-si"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/228894","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=228894"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/228894\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/228897"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=228894"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=228894"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=228894"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}