{"id":228708,"date":"2022-02-09T12:21:45","date_gmt":"2022-02-09T12:21:45","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=228708"},"modified":"2022-02-09T18:06:39","modified_gmt":"2022-02-09T18:06:39","slug":"saber-aprender-a-sermos-corpo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saber-aprender-a-sermos-corpo\/","title":{"rendered":"SABER APRENDER &#8211; A sermos corpo"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Caminhavam juntos para Ema\u00fas e partilhavam o seu sentir sobre os eventos em torno de Jesus. Estavam desanimados, mas um estranho colocou-se no seu meio e caminharam juntos. Aqueles disc\u00edpulos de Ema\u00fas tiveram um momento de sinodalidade com Jesus. Da comunh\u00e3o entre si, da participa\u00e7\u00e3o na vida quotidiana, depois de um momento essencial desta experi\u00eancia, momento esse em que reconheceram Jesus, compreenderam a sua miss\u00e3o: partir. O paralelo entre este epis\u00f3dio do Evangelho e aquilo que estamos a viver na Igreja \u2014 a busca daquilo que significa um novo estilo de ser Igreja \u2014 encontra um ponto de contacto comum na Eucaristia. Mas existe uma diferen\u00e7a demarcada entre esse epis\u00f3dio e o que estamos a viver: os disc\u00edpulos de Ema\u00fas sabiam por onde ir.<\/p>\n<figure id=\"attachment_228710\" aria-describedby=\"caption-attachment-228710\" style=\"width: 1296px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/emmaus-road.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-228710\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/emmaus-road.jpeg\" alt=\"\" width=\"1296\" height=\"921\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/emmaus-road.jpeg 1296w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/emmaus-road-366x260.jpeg 366w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/emmaus-road-1024x728.jpeg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/emmaus-road-768x546.jpeg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/emmaus-road-400x284.jpeg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/emmaus-road-1080x768.jpeg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/emmaus-road-1280x910.jpeg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/emmaus-road-980x696.jpeg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/emmaus-road-480x341.jpeg 480w\" sizes=\"(max-width: 1296px) 100vw, 1296px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-228710\" class=\"wp-caption-text\">Pintura &#8220;A Estrada de Ema\u00fas&#8221;<\/figcaption><\/figure>\n<p>Parece-me que um dos maiores desafios em todo este processo da Igreja Sinodal \u00e9 saber por onde ir e como. A palavra \u201csinodal\u201d que significa \u201ccaminharmos juntos\u201d \u00e9 clara, mas quando nos juntamos para falar sobre alguma coisa em Igreja, o que vamos falar mesmo? Sobre o que est\u00e1 mal na Igreja? E deixamos de parte o que est\u00e1 bem? Como est\u00e1 o mundo e que resposta a nossa vida espiritual com o teor cat\u00f3lico pode oferecer? Talvez seja de falarmos mais sobre os aspectos organizativos, nos problemas das \u201ccapelinhas\u201d e daquela alma bondosa a quem temos de nos vergar porque \u00e9 a manda-chuva daquela institui\u00e7\u00e3o? Isto \u00e9, caminhamos dialogando sobre o sentido de servi\u00e7o na Igreja hoje? Ou nem sequer dever\u00edamos definir sobre que coisa dialogar e come\u00e7armos, simplesmente, por viver o sentir de cada um sobre a vida espiritual na Igreja? Quando s\u00e3o muitos os caminhos por onde podemos ir existe o risco de ficarmos parados no mesmo s\u00edtio ou de entrar em conflito entre vis\u00f5es progressistas e conservadoristas do ser da Igreja. \u00c9 como ir a um supermercado comprar cereais e o muito que h\u00e1 por onde escolher acaba por resultar em escolha nenhuma. Precisamos de um sentido e penso em Viktor Frankl.<\/p>\n<p>No \u201cHomem em busca de um sentido\u201d, Viktor Frankl refere o <em>sentido de responsabilidade<\/em> como parte da ess\u00eancia da exist\u00eancia. Esse sentido \u2014 <em>\u00abconvida a imaginar primeiro que o presente \u00e9 passado e, depois, que o passado ainda pode ser mudado e corrigido. Um tal preceito confronta-o com a <\/em>finitude<em> da vida, bem como com a <\/em>finalidade<em> daquilo que faz, tanto com a vida como consigo mesmo.\u00bb<\/em> (p. 111, Lua de Papel, 2012). Por muito que nos debrucemos sobre o passado, tudo o que veio a p\u00fablico sobre o \u201clado negro\u201d da vida da Igreja Cat\u00f3lica \u00e9 raz\u00e3o suficiente para percebermos que algo n\u00e3o est\u00e1 bem e deve ser corrigido. No passado, dizer aquilo que pens\u00e1vamos seria um tormento porque tem\u00edamos o que poderiam dizer de n\u00f3s. Hoje, essa \u00e9 uma atitude vil que, infelizmente, ainda est\u00e1 presente nos corredores dos claustros. Mas dizer o que pensamos sem sentido de responsabilidade e respeito pelo outro, onde a verdade dita sem amor fere, tamb\u00e9m se revela uma atitude vil. Se n\u00e3o sentirmos como nosso o sentido de responsabilidade por aqueles que n\u00e3o souberam dar testemunho de Jesus, dificilmente compreenderemos o modo como caminhar no esp\u00edrito da sinodalidade.<\/p>\n<p>Numa confer\u00eancia com o D. Armando Domingues, bispo auxiliar do Porto, sobre a Igreja Sinodal que ocorreu em Coimbra para a comunidade acad\u00e9mica da Universidade, a um dado momento, ele perguntava se nos sent\u00edamos incomodados com todas as not\u00edcias que t\u00eam vindo a p\u00fablico sobre o tal \u201clado negro\u201d da Igreja. Houve quem manifestasse que n\u00e3o por estar certo de que a miseric\u00f3rdia de Deus \u00e9 maior do que a nossa maior mis\u00e9ria, mas o D. Armando tocou-nos no cora\u00e7\u00e3o ao expressar com parr\u00e9sia que se n\u00e3o nos sentirmos incomodados \u00e9 porque n\u00e3o somos o corpo que dev\u00edamos ser e nos meus l\u00e1bios esbo\u00e7ou-se um sorriso. Sermos um s\u00f3 em Deus implica que o pecado do outro \u00e9 meu, assim como os seus momentos de gra\u00e7a. A sua dor \u00e9 a minha, assim como a sua alegria. Se o mundo volta o dedo da culpa contra a Igreja aponta tamb\u00e9m para mim. E s\u00f3 num sentir profundo de sermos um s\u00f3 corpo em Jesus encontramos o pr\u00f3ximo passo a dar no caminho sinodal e da\u00ed a pe\u00e7a essencial para compreender este puzzle que \u00e9 a Eucaristia.<\/p>\n<p>A Eucaristia \u00e9 o sinal vis\u00edvel da realidade invis\u00edvel de sermos um s\u00f3 corpo. Todos os que comungamos do corpo ressuscitado, ou do corpo abandonado (no caso dos que n\u00e3o comungam a h\u00f3stia), n\u00e3o comungamos uma parte de Deus, mas Deus por inteiro. E, por essa raz\u00e3o, n\u2019Ele somos um s\u00f3 se nos amarmos at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias. N\u00e3o foi por acaso que, na frac\u00e7\u00e3o do p\u00e3o, os disc\u00edpulos de Ema\u00fas reconhecem Jesus, mas porque na Eucaristia nos reconhecemos Jesus. Penso que este aspecto unitivo e profundo da Eucaristia \u00e9 fundamental no caminho sinodal.<\/p>\n<p>Na peregrina\u00e7\u00e3o que intuo ser longa para vivermos bem esta sinodalidade, muitos receiam qual ser\u00e1 o resultado de toda esta abertura e convite ao di\u00e1logo porque est\u00e3o habituados a fazer o que o bispo manda. Eu percebo essa atitude porque o leigo reconhece no bispo uma gra\u00e7a especial dada por Deus, mas a realidade crua \u00e9 que este modo de ser Igreja d\u00e1 calafrios aos bispos, tanto quanto pude perceber. E quem diz os bispos diz, tamb\u00e9m, os sacerdotes ou leigos respons\u00e1veis por algo na Igreja.<\/p>\n<p>Nas caminhadas onde n\u00e3o sabemos muito bem por onde ir \u00e9 preciso estar atento aos sinais que encontramos na leitura de fazemos da paisagem cultural que nos circunda. Cada experi\u00eancia partilhada desenha uma curva de n\u00edvel no mapa da realidade por onde queremos caminhar com Jesus. Um caminhar onde cada um reconhece Jesus que habita dentro de si e do outro, logo, todos os relacionamentos s\u00e3o de Jesus para Jesus. E se o outro est\u00e1 a dizer um disparate, s\u00f3 me alivia pelos disparates que certamente direi tamb\u00e9m. \u00c9 isto que significa saber aprender a sermos corpo, onde n\u00e3o posso ferir-te sem me ferir \u2014 como diz Gandhi \u2014 nem amar-te, sem ser como amo a mim mesmo. Se nos amarmos profundamente, Deus est\u00e1 em n\u00f3s. E mesmo que demore tempo at\u00e9 perceber o que Deus quer de uma Igreja Sinodal, penso que o sinal desse passo ser\u00e1 quando nos olharmos como Corpo e nos reconhecermos como uma s\u00f3 Alma.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Para acompanhar o que escrevo pode subscrever a Newsletter <em>Escritos<\/em> em <a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\">https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao<\/a><\/p>\n<p>;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":166774,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-228708","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/228708","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=228708"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/228708\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=228708"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=228708"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=228708"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}