{"id":228685,"date":"2022-02-09T10:56:19","date_gmt":"2022-02-09T10:56:19","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=228685"},"modified":"2022-02-09T10:56:37","modified_gmt":"2022-02-09T10:56:37","slug":"celebrar-e-viver-melhor-a-eucaristia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/celebrar-e-viver-melhor-a-eucaristia\/","title":{"rendered":"Celebrar e viver melhor a Eucaristia"},"content":{"rendered":"<p><em>Nota Pastoral do Conselho Permanente da CEP<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>1. A terceira edi\u00e7\u00e3o portuguesa do Missal Romano, aprovada pela Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa no dia 14 de novembro de 2019, foi validada pelo Papa Francisco em audi\u00eancia concedida \u00e0 presid\u00eancia da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa no dia 8 de janeiro de 2021, em especial no respeitante aos di\u00e1logos do Ordin\u00e1rio da Missa e \u00e0s f\u00f3rmulas sacramentais. Recebeu o Decreto da <em>Confirmatio<\/em> e<em> Recognitio<\/em> da Congrega\u00e7\u00e3o para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos de 13 de outubro de 2021 (Prot. n. 117\/20).<\/p>\n<p>2. A presente edi\u00e7\u00e3o foi preparada segundo as indica\u00e7\u00f5es da Carta apost\u00f3lica em forma de Motu Proprio <em>Magnum principium<\/em>, as orienta\u00e7\u00f5es dos competentes organismos da S\u00e9 Apost\u00f3lica e a partir da experi\u00eancia pastoral consolidada nas nossas Igrejas locais.<\/p>\n<p>Esta edi\u00e7\u00e3o para as celebra\u00e7\u00f5es da Missa em l\u00edngua portuguesa deve ser considerada \u00abt\u00edpica\u00bb para a Igreja peregrina em Portugal, oficial para o uso lit\u00fargico, e poder\u00e1 usar-se ap\u00f3s a sua publica\u00e7\u00e3o, entrando em vigor a partir do dia 14 de abril de 2022, Quinta-Feira da Semana Santa.<\/p>\n<p>3. Os novos textos do <em>Missal Romano<\/em> em l\u00edngua portuguesa s\u00e3o oferecidos ao Povo de Deus num tempo de aprofundamento da reforma lit\u00fargica que brotou do Conc\u00edlio Vaticano II. Passados estes anos, \u00e9 necess\u00e1rio continuar este trabalho de aprofundamento, como afirmou o Papa Francisco: \u00ab<em>particularmente redescobrindo os motivos das decis\u00f5es tomadas com a reforma lit\u00fargica, superando leituras infundadas e superficiais, recep\u00e7\u00f5es parciais e pr\u00e1ticas que a desfiguram. N\u00e3o se trata de repensar a reforma revendo as suas escolhas, quanto de conhecer melhor as raz\u00f5es que lhe est\u00e3o subjacentes, inclusive mediante a documenta\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, bem como de interiorizar os seus princ\u00edpios inspiradores e de observar a disciplina que a regula. Depois deste magist\u00e9rio, ap\u00f3s este longo caminho, podemos afirmar com seguran\u00e7a e com autoridade magisterial que a reforma lit\u00fargica \u00e9 irrevers\u00edvel<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p>A renova\u00e7\u00e3o conciliar da Liturgia realizou-se na publica\u00e7\u00e3o dos livros lit\u00fargicos. Tal atualiza\u00e7\u00e3o demandou um aprofundamento das riquezas das fontes lit\u00fargicas em plena fidelidade \u00e0 Sagrada Escritura e \u00e0 Tradi\u00e7\u00e3o. Por isso, \u00e0 pastoral e \u00e0 espiritualidade lit\u00fargicas exige-se n\u00e3o s\u00f3 esta dupla fidelidade, mas um renovado empenhamento pela palavra de Deus na participa\u00e7\u00e3o lit\u00fargica dos fi\u00e9is.<\/p>\n<p>4. Essa linha de enriquecimento, a partir das fontes, continua nesta nova edi\u00e7\u00e3o t\u00edpica. As primeiras duas edi\u00e7\u00f5es do <em>Missal <\/em>de S\u00e3o Paulo VI j\u00e1 tinham mais que duplicado as ora\u00e7\u00f5es oferecidas pelo Missal precedente, de S\u00e3o Pio V. A nova edi\u00e7\u00e3o t\u00edpica, de S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, oferece novos formul\u00e1rios no <em>Pr\u00f3prio<\/em> do Tempo (vig\u00edlias da Epifania e da Ascens\u00e3o), no <em>Santoral<\/em> (celebra\u00e7\u00f5es entretanto introduzidas no Calend\u00e1rio) e nas Missas para diversas necessidades e votivas. No tempo da Quaresma, cada dia passa a dispor de uma espec\u00edfica <em>Ora\u00e7\u00e3o sobre o Povo<\/em>. Os formul\u00e1rios do Tempo Pascal ganham variedade com novas ora\u00e7\u00f5es tomadas dos antigos Sacrament\u00e1rios. Um novo pref\u00e1cio dos santos m\u00e1rtires vem enriquecer a a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as da Igreja\u2026 No <em>Ordin\u00e1rio da Missa<\/em> dispomos agora de maior variedade nas sauda\u00e7\u00f5es, no ato penitencial, no convite \u00e0 ora\u00e7\u00e3o sobre as oblatas, na introdu\u00e7\u00e3o ao Pai nosso, nas f\u00f3rmulas de despedida da assembleia no final da celebra\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m se procurou melhorar o acesso a formul\u00e1rios e preces que agora t\u00eam uso mais facilitado, como o rito para a b\u00ean\u00e7\u00e3o e aspers\u00e3o (agora nos ritos iniciais) e as v\u00e1rias Ora\u00e7\u00f5es eucar\u00edsticas que passam a figurar no final do <em>Ordin\u00e1rio da Missa<\/em>, bem no centro do <em>Missal<\/em>. O conhecimento de todas essas possibilidades, por parte dos que t\u00eam a miss\u00e3o de presidir \u00e0 mais santa das assembleias do povo de Deus, deve quebrar rotinas. A novidade deve introduzir variedade e sentido de adapta\u00e7\u00e3o, em ordem a uma prece mais viva.<\/p>\n<p>5. Mais do que uma tens\u00e3o entre \u201cTradi\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cprogresso\u201d, a reforma lit\u00fargica quer ser uma renova\u00e7\u00e3o na linha de uma Tradi\u00e7\u00e3o sempre viva, que consinta um desenvolvimento org\u00e2nico. Neste percurso, os livros lit\u00fargicos s\u00e3o o primeiro e o essencial instrumento para a digna celebra\u00e7\u00e3o dos mist\u00e9rios, al\u00e9m de serem o fundamento mais s\u00f3lido para uma eficaz catequese lit\u00fargica. Isto \u00e9 verdade para cada livro lit\u00fargico, mas muito mais para o <em>Missal <\/em>que, juntamente com os outros livros em uso na celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, est\u00e1 ao servi\u00e7o do mist\u00e9rio que constitui a fonte e o cume de toda a vida crist\u00e3.<\/p>\n<p>6. A nova edi\u00e7\u00e3o do Missal Romano para Portugal integra o nobre servi\u00e7o das artes numa superior arte de celebra\u00e7\u00e3o, que \u00e9 urgente cultivar e incentivar. Disso s\u00e3o exemplo, as novas gravuras de um artista do nosso tempo que pretendem abrir a ora\u00e7\u00e3o da Igreja \u00e0 beleza da contempla\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m por isso se inclui a m\u00fasica nos lugares pr\u00f3prios, onde o canto a reclama, para que na celebra\u00e7\u00e3o \u2013 que deve ser modelar no dia do Senhor e nas festas da comunidade crist\u00e3 \u2013 o canto seja mais a regra do que a exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O <em>Missal <\/em>n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um livro, mas uma \u2018cole\u00e7\u00e3o\u2019 de livros que inclui, al\u00e9m do <em>Antifon\u00e1rio<\/em>, <em>o Sacrament\u00e1rio, o Ordin\u00e1rio da Missa e os<\/em> <em>Lecion\u00e1rios<\/em>, que na nossa edi\u00e7\u00e3o em l\u00edngua portuguesa s\u00e3o oito livros.<\/p>\n<p>7. \u00c9 urgente uma pastoral lit\u00fargica alicer\u00e7ada numa mistagogia que acompanhe a comunidade crist\u00e3 at\u00e9 ao centro do mist\u00e9rio pascal de Cristo, para que a celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, de modo especial ao Domingo, seja nobre na sua simplicidade, s\u00e9ria e bela. A celebra\u00e7\u00e3o dos mist\u00e9rios \u00e9, em si mesma, inicia\u00e7\u00e3o aos mist\u00e9rios, isto \u00e9, a Liturgia inicia no mist\u00e9rio, celebrando o pr\u00f3prio mist\u00e9rio, e, ao celebr\u00e1-lo, revela o pr\u00f3prio mist\u00e9rio e d\u00e1-o a conhecer.<\/p>\n<p>8. Um exemplo desta mistagogia da ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e9 o retomar da tradicional conclus\u00e3o plena da Ora\u00e7\u00e3o coleta: \u00ab<em>Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que \u00e9 Deus e convosco vive e reina, na unidade do Esp\u00edrito Santo, por todos os s\u00e9culos dos s\u00e9culos<\/em>\u00bb. Para as restantes ora\u00e7\u00f5es introduz-se a cl\u00e1usula mais breve, tornando-as mais fluentes: \u00ab<em>Por Cristo, nosso Senhor<\/em>\u00bb. Estas conclus\u00f5es, s\u00edntese feliz e doxol\u00f3gica da f\u00e9 da Igreja, laboriosamente formulada nos quatro primeiros Conc\u00edlios Ecum\u00e9nicos, s\u00e3o escola da ora\u00e7\u00e3o. Nelas se modela a regra e din\u00e2mica trinit\u00e1ria, cristol\u00f3gica e pneumatol\u00f3gica: ao Pai, por Cristo, no Esp\u00edrito Santo. A express\u00e3o final \u2013 \u00abpelos s\u00e9culos dos s\u00e9culos\u00bb \u2013, de sabor b\u00edblico, reaparece no Missal, nas coletas e na doxologia final da Ora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica, a reclamar o \u00abAmen\u00bb da ades\u00e3o e profiss\u00e3o de f\u00e9 da comunidade crente e orante.<\/p>\n<p>9. A centralidade do mist\u00e9rio de Cristo na sua encarna\u00e7\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o traduz-se por \u201c<em>ritos e preces<\/em>\u201d cuidadosamente predispostos e usados de modo respeitoso e comprometido. Trata-se, na realidade, do cumprimento do mandato de Cristo e, ao mesmo tempo, da atualiza\u00e7\u00e3o perene do mist\u00e9rio pascal, a partir do modelo da \u00faltima Ceia: \u00ab<em>Fazei isto em mem\u00f3ria de Mim\u00bb <\/em>(Lc 22, 19; 1Cor 11, 24-25).<\/p>\n<p>\u00c9 em fidelidade a este modelo que a nova edi\u00e7\u00e3o introduz uma mudan\u00e7a pequena, mas muito significativa no cora\u00e7\u00e3o palpitante da Ora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica, a Narra\u00e7\u00e3o da Institui\u00e7\u00e3o. O verbo <em>benedicere<\/em> passa a ser traduzido por <em>bendizer<\/em> em vez de <em>aben\u00e7oar<\/em>. Efetivamente, na Ceia em que nos deixou o memorial do seu sacrif\u00edcio redentor, Jesus n\u00e3o <em>aben\u00e7oou<\/em> nem benzeu o p\u00e3o ou o c\u00e1lice, mas dirigiu ao Pai uma ora\u00e7\u00e3o a bendiz\u00ea-l\u2019O: <em>bendisse-O<\/em>. Isso mesmo continuamos a evocar em ora\u00e7\u00e3o ao Pai na prece central e culminante com que obedecemos ao mandato do Senhor Jesus de celebrar o seu memorial como Ele o instituiu: \u00ab<em>O Senhor tomou o p\u00e3o\u2026 e dando gra\u00e7as Vos bendisse. \u2026 tomou este sagrado c\u00e1lice \u2026, dando gra\u00e7as Vos bendisse\u2026<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p>10. Aos secretariados diocesanos de Liturgia e Espiritualidade propomos que colaborem com os outros lugares educativos da f\u00e9 da Igreja (fam\u00edlias, par\u00f3quias, santu\u00e1rios, institutos de vida consagrada, associa\u00e7\u00f5es, movimentos, grupos eclesiais&#8230;) para que a vida segundo o Esp\u00edrito possa constantemente dessedentar-se na fonte da Eucaristia.<\/p>\n<p>Uma intelig\u00eancia sempre mais aprofundada do <em>Missal <\/em>nos lugares da forma\u00e7\u00e3o ministerial (Semin\u00e1rios, Faculdades de teologia, Institutos superiores\u2026), juntamente com uma difus\u00e3o sempre mais cuidada e destinada a todos os fi\u00e9is, contribuir\u00e1 para uma cultura eucar\u00edstica: \u00ab<em>capaz de inspirar os homens e as mulheres de boa vontade nos dom\u00ednios da caridade, da solidariedade, da paz, da fam\u00edlia, do cuidado da cria\u00e7\u00e3o<\/em>\u00bb (Papa Francisco). A ora\u00e7\u00e3o e o compromisso quotidiano da Igreja peregrina sejam vividos \u00e0 luz do encontro vital com a Palavra de Deus e com a Fra\u00e7\u00e3o do P\u00e3o na celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica.<\/p>\n<p>A nova edi\u00e7\u00e3o do Missal Romano seja um excelente est\u00edmulo para todo o povo de Deus celebrar e viver melhor a Eucaristia.<\/p>\n<p>Lisboa, 2 de fevereiro de 2022, Festa da Apresenta\u00e7\u00e3o do Senhor<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.conferenciaepiscopal.pt\/v1\/wp-content\/uploads\/CEP_NotaPastoral_MissalRomano-.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">CEP Nota Pastoral Missal Romano (PDF)<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nota Pastoral do Conselho Permanente da 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