{"id":22859,"date":"2007-02-13T10:43:09","date_gmt":"2007-02-13T10:43:09","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/02\/13\/depois-do-referendo-continuar-o-debate\/"},"modified":"2007-02-13T10:43:09","modified_gmt":"2007-02-13T10:43:09","slug":"depois-do-referendo-continuar-o-debate","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/depois-do-referendo-continuar-o-debate\/","title":{"rendered":"Depois do referendo, continuar o debate"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00e3o do aborto n\u00e3o ficou encerrada, defende Francisco Sarsfield Cabral <!--more--> A vit\u00f3ria do &#8220;sim&#8221; no referendo vai alterar a actual lei do aborto. Embora sem atingir os 50 % da vota\u00e7\u00e3o que o tornariam vinculativo, este resultado torna politicamente leg\u00edtimo que o PS mude a lei no sentido anunciado. O referendo de 1998 tamb\u00e9m n\u00e3o foi vinculativo. Mas os princ\u00edpios \u00e9ticos mant\u00e9m-se, como \u00e9 \u00f3bvio. H\u00e1 coisas permitidas por lei que n\u00e3o s\u00e3o aceit\u00e1veis do ponto de vista moral.  A futura lei aumentar\u00e1 o n\u00famero e a import\u00e2ncia das disposi\u00e7\u00f5es eticamente conden\u00e1veis que j\u00e1 existem na lei vigente.  Ali\u00e1s, numerosos defensores do &#8220;sim&#8221; n\u00e3o se v\u00e3o contentar com esta vit\u00f3ria. N\u00e3o faltar\u00e1 muito tempo at\u00e9 se darem conta de que, afinal, mulheres ir\u00e3o a julgamento e ser\u00e3o eventualmente presas. Porque abortaram depois das dez semanas ou porque o aborto n\u00e3o foi realizado em estabelecimento de sa\u00fade autorizado. Nessa altura vir\u00e3o reclamar que as dez semanas passem para doze ou mais.  <b>A batalha dos valores<\/b> A quest\u00e3o do aborto n\u00e3o ficou encerrada. Importa ter presente que, em democracia, as leis emergem de consensos maiorit\u00e1rios, onde assenta a sua legitimidade. Mas as maiorias mudam. N\u00e3o confundo direito e moral nem pe\u00e7o ao Estado que seja o guardi\u00e3o da moral. Apenas noto que as leis decorrem da vontade de maiorias. Quem delas discorda tem o direito e o dever de, intervindo no espa\u00e7o p\u00fablico democr\u00e1tico, procurar alterar a opini\u00e3o dessas maiorias.  Se e quando a maioria dos portugueses se convencer de que \u00e9 intoler\u00e1vel p\u00f4r fim a uma vida humana distinta da vida da m\u00e3e, ent\u00e3o a lei recuar\u00e1 na liberaliza\u00e7\u00e3o do aborto. Com ou sem referendo. Creio que se caminhar\u00e1 nesse sentido. N\u00e3o estou a arranjar consola\u00e7\u00f5es para a derrota do &#8220;n\u00e3o&#8221;, agora. Trata-se, sim, de verificar como o avan\u00e7o das t\u00e9cnicas m\u00e9dicas (ecografias, etc.) est\u00e1 lentamente a mudar a maneira como as pessoas encaram o feto. Da\u00ed que nesta campanha se tenha ouvido, muito menos do que em 1998, afirmar que &#8220;na minha barriga mando eu&#8221;.  A batalha contra o aborto ganha-se ou perde-se no plano cultural, dos valores. Por isso \u00e9 necess\u00e1rio continuar a discutir o assunto, agora j\u00e1 fora de um ambiente de campanha, logo com maior serenidade. Com respeito pelas leis de que discordamos, naturalmente. Mas procurando que a consci\u00eancia da maioria dos portugueses acabe por entender o que est\u00e1 em jogo.  O debate que se travou na perspectiva do referendo teve muito mais subst\u00e2ncia do que as campanhas eleitorais, onde sobretudo se repetem &#8220;slogans&#8221; e se promete tudo e mais alguma coisa. Como se compreende, um debate complexo como este n\u00e3o \u00e9 muito popular &#8211; por isso a absten\u00e7\u00e3o, embora diminuindo em rela\u00e7\u00e3o a 1998, foi elevada. As ideias demoram a germinar na sociedade. Mas muitas sementes foram lan\u00e7adas.   <b>Interven\u00e7\u00e3o c\u00edvica<\/b> Claro que est\u00e3o em causa quest\u00f5es \u00edntimas, de consci\u00eancia pessoal. Mas aten\u00e7\u00e3o: est\u00e3o tamb\u00e9m em causa leis. No caso de aborto fica envolvido um terceiro indefeso, o feto. E \u00e9 imperioso dar-lhe protec\u00e7\u00e3o jur\u00eddica adequada.  Da\u00ed que o gosto pela participa\u00e7\u00e3o c\u00edvica no debate p\u00fablico, manifestado por tantos grupos da sociedade civil que surgiram contra a liberaliza\u00e7\u00e3o do aborto, n\u00e3o se deva extinguir com o referendo.  E porque as atitudes convencem quase sempre mais do que os argumentos de palavras, importa que as iniciativas de ajuda \u00e0s mulheres gr\u00e1vidas em dificuldades, aos seus filhos, etc., que surgiram na sequ\u00eancia do referendo de 1998, continuem a sua obra magn\u00edfica e se multipliquem. Nada acabou com o referendo de domingo e muita coisa pode ter come\u00e7ado.  <i>Francisco Sarsfield Cabral<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00e3o do aborto n\u00e3o ficou encerrada, defende Francisco Sarsfield Cabral<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[93],"class_list":["post-22859","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-aborto"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22859","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22859"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22859\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22859"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22859"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22859"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}