{"id":228508,"date":"2022-02-07T17:30:12","date_gmt":"2022-02-07T17:30:12","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=228508"},"modified":"2022-02-07T17:30:41","modified_gmt":"2022-02-07T17:30:41","slug":"a-cruz-escondida-173","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-173\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p><em>As estradas do Mal\u00e1ui s\u00e3o um obst\u00e1culo para o trabalho do Pe. Chikwiri<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ACN-20211118-119800.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-228509\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ACN-20211118-119800.jpg\" alt=\"\" width=\"444\" height=\"296\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ACN-20211118-119800.jpg 900w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ACN-20211118-119800-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ACN-20211118-119800-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ACN-20211118-119800-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/ACN-20211118-119800-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 444px) 100vw, 444px\" \/><\/a>Miss\u00e3o [quase] imposs\u00edvel<\/h4>\n<p>Muita pobreza, muitas pessoas desenraizadas, muitos refugiados. No sul do Mal\u00e1ui, h\u00e1 muita gente que veio de Mo\u00e7ambique fugindo ainda da viol\u00eancia da guerra civil. Todos precisam de ajuda, mas, para o Pe. Ephraim Chikwiri, h\u00e1 ainda outras urg\u00eancias, outras almas para acudir. Ele \u00e9 capel\u00e3o em cinco pris\u00f5es e n\u00e3o sabe como chegar a todas elas na sua velha motorizada, em estradas que nunca viram a cor do alcatr\u00e3o\u2026<\/p>\n<p>A regi\u00e3o sul do Mal\u00e1ui parece um enclave no meio de Mo\u00e7ambique. Entre os dois pa\u00edses h\u00e1, ali\u00e1s, muitas hist\u00f3rias partilhadas, em especial de pessoas que se viram for\u00e7adas a fugir quando o pa\u00eds viveu os duros anos da guerra civil, entre 1985 e 1995. Nessa d\u00e9cada, calcula-se que mais de um milh\u00e3o de mo\u00e7ambicanos tenham passado as porosas fronteiras em busca de alguma paz e tranquilidade. Curiosamente, as autoridades voltaram a identificar agora, j\u00e1 nos \u00faltimos meses, novos grupos de refugiados oriundos de Mo\u00e7ambique. Desta vez, s\u00e3o pessoas que fogem do terrorismo que assola a prov\u00edncia de Cabo Delgado. O Pe. Ephraim Chikwiri sabe bem como estes refugiados representam um desafio para a Igreja. S\u00e3o pessoas sem nada que precisam de quase tudo para sobreviver no dia-a-dia. Mas para o Pe. Chikwiri, h\u00e1 outras urg\u00eancias, outros dramas a resolver. Na Diocese de Zomba, no sul do pa\u00eds, h\u00e1 cinco estabelecimentos prisionais. O Pe. Chikwiri \u00e9 capel\u00e3o em todos eles. N\u00e3o h\u00e1 dia em que n\u00e3o pe\u00e7am a sua presen\u00e7a. Na verdade, ele \u00e9 mais do que um simples capel\u00e3o. Para muitos dos presos, \u00e9 atrav\u00e9s dele que conseguem sonhar a vida depois das grades, depois da reclus\u00e3o. As pris\u00f5es em Zomba n\u00e3o s\u00e3o lugares f\u00e1ceis. As pessoas endurecem na \u00e2nsia de sobreviver. Tornam-se rudes, agrestes, violentas. \u00c9 sobre isso que o Pe. Chikwiri trabalha todos os dias. Ele quer transformar aquelas pessoas. Para isso, precisa de amolecer desconfian\u00e7as, de criar la\u00e7os, de os aproximar uns dos outros. Caso contr\u00e1rio, nunca saber\u00e3o respirar o ar da liberdade. \u00c9 dif\u00edcil o trabalho do Pe. Chikwiri, mas ele n\u00e3o se queixa do n\u00famero de pessoas que tem de atender, n\u00e3o se queixa de estar praticamente sozinho nesta miss\u00e3o t\u00e3o especial que a Diocese lhe pediu.<\/p>\n<h4>Uma velha motorizada<\/h4>\n<p>As estradas no Mal\u00e1ui s\u00e3o dif\u00edceis, muito dif\u00edceis em especial na \u00e9poca das chuvas quando a \u00e1gua torrencial transforma a terra vermelha em lama e cava buracos que parecem querer engolir os pr\u00f3prios autom\u00f3veis. Mas o Pe. Chikwiri nem tem carro. Desloca-se com uma velha motorizada que j\u00e1 se esfalfou em milhares de viagens, em urg\u00eancias para atender, em pessoas aflitas a visitar, em quil\u00f3metros que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel contabilizar.\u00a0 A falta de um carro preocupa-o de verdade. Ele sabe que, no dia em que n\u00e3o conseguir visitar todos os presos, por a velha motorizada se recusar a fazer mais quil\u00f3metros, dezenas de pessoas deixar\u00e3o de ter visita, deixar\u00e3o de ter algu\u00e9m com quem conversar, deixar\u00e3o de ter um amigo que lhes encha o dia com palavras que fa\u00e7am sonhar. \u201cA Igreja deve trazer a cura para uma sociedade destro\u00e7ada e restaurar as almas humanas\u201d, diz o Pe. Ephraim Chikwiri. Os dias do Pe. Chikwiri s\u00e3o intensos. Por vezes, as horas n\u00e3o chegam para tudo o que tem de fazer, para todas as pessoas que tem de visitar, para todas as tarefas que gostaria de planear. \u00c9 que, al\u00e9m de celebrar Missa nas cinco cadeias, o padre ainda organiza encontros mensais com os reclusos, cursos de estudo b\u00edblico, d\u00e1 aulas de catequese e, \u00e0s vezes, at\u00e9 faz de psic\u00f3logo junto dos que est\u00e3o numa situa\u00e7\u00e3o mais dif\u00edcil, mais complicada. Mas n\u00e3o s\u00e3o apenas os reclusos que beneficiam da sua presen\u00e7a. Os pr\u00f3prios guardas prisionais j\u00e1 se habituaram a v\u00ea-lo por ali, \u00e0 sua voz amiga, aos seus conselhos, \u00e0 sua disponibilidade total. Para cumprir com a sua miss\u00e3o, o Pe. Ephraim Chikwiri pede-nos ajuda apenas para um carro robusto. Apenas isso. Ele precisa de n\u00f3s para continuar a \u201crestaurar almas\u201d. Vamos ajud\u00e1-lo?<\/p>\n<p>Paulo Aido | <a href=\"http:\/\/www.fundacao-ais.pt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.fundacao-ais.pt<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As estradas do Mal\u00e1ui s\u00e3o um obst\u00e1culo para o trabalho do Pe. 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