{"id":22778,"date":"2007-02-08T18:54:52","date_gmt":"2007-02-08T18:54:52","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/02\/08\/neste-ponto-a-vida-tem-respostas\/"},"modified":"2007-02-08T18:54:52","modified_gmt":"2007-02-08T18:54:52","slug":"neste-ponto-a-vida-tem-respostas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/neste-ponto-a-vida-tem-respostas\/","title":{"rendered":"Neste ponto a vida tem respostas"},"content":{"rendered":"<p>\u00abPonto de Apoio \u00e0 Vida\u00bb ajuda mulheres gr\u00e1vidas em dificuldades e seus filhos <!--more--> Maria tem dois filhos e 21 anos. Tinha 15 anos quando descobriu que estava gr\u00e1vida pela primeira vez. Nessa fase da vida contou com o apoio do namorado de ent\u00e3o e pai da crian\u00e7a, e da fam\u00edlia da parte do namorado. Durante cinco anos criou a sua fam\u00edlia \u201conde tudo corria bem\u201d, mas depois separou-se do namorado. No Alentejo, de onde \u00e9 natural, passou a trabalhar no campo, \u201conde o trabalho n\u00e3o \u00e9 constante\u201d.  A viver sozinha com a filha, conheceu uma pessoa \u201ccom quem namorei e de quem engravidei\u201d, na altura com 20 anos, recorda Maria. Foi aqui que desesperou porque \u201cn\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es para criar outro filho\u201d, e encontrava-se na altura sem emprego. Sozinha com apoio da av\u00f3 e da irm\u00e3, que trabalhavam tamb\u00e9m para se sustentar, escondeu a gravidez at\u00e9 aos sete meses e come\u00e7ou a entrar em depress\u00e3o.   Com a ajuda da irm\u00e3 acabou por ser consultada no hospital e a assistente social falou-lhe de uma institui\u00e7\u00e3o, em Lisboa, que ajudava mulheres gr\u00e1vidas. H\u00e1 dois anos que vive na Casa de Santa Isabel, do Ponto de Apoio \u00e0 Vida, onde est\u00e1 actualmente com o filho de 16 meses. A filha de seis anos est\u00e1 com o pai \u201cque eu acompanho e com quem contacto quando vou ao Alentejo\u201d, afirma Maria.   O Jo\u00e3o \u00e9 um dos beb\u00e9s que conseguiu um lugar na creche mas, nem todos t\u00eam. Durante o dia, Maria trabalha em casa de duas senhoras, a fazer servi\u00e7o dom\u00e9stico. Quando chega a casa, \u00e9 hora de tratar do banho e de dar aten\u00e7\u00e3oao Jo\u00e3o.   Agora com a vida encaminhada recorda que \u201cn\u00e3o sabia que havia institui\u00e7\u00f5es que ajudavam mulheres gr\u00e1vidas, sempre pensei que ajudavam apenas crian\u00e7as desprotegidas\u201d, afirma Maria.   Maria, nome fict\u00edcio, \u00e9 uma das 32 mulheres que esta Institui\u00e7\u00e3o Particular de Solidariedade Social j\u00e1 ajudou na sua curta hist\u00f3ria. Jo\u00e3o, nome fict\u00edcio, \u00e9 uma das 27 crian\u00e7as que nasceram porque algu\u00e9m ajudou as suas m\u00e3es, numa altura de desespero. Nomes fict\u00edcios com rostos e hist\u00f3rias reais.   <b>Uma casa para nove mulheres<\/b>  Mara Mota \u00e9 directora t\u00e9cnica e assistente social no Ponto de Apoio \u00e0 Vida, precisamente na Casa de Santa Isabel, o local que acolhe actualmente nove mulheres, quer isto dizer que est\u00e1 na sua capacidade m\u00e1xima. Para al\u00e9m desta habita\u00e7\u00e3o, na baixa de Lisboa, onde se juntam para al\u00e9m das mulheres, sete crian\u00e7as, disp\u00f5em de dois centros de atendimento, em Cascais e no Lumiar. \u201cA equipa que temos tem capacidade para acompanhar mais mulheres\u201d, mas a casa n\u00e3o acompanha essa capacidade.   Uma equipa onde se incluem assistentes sociais, psic\u00f3loga, t\u00e9cnica de inser\u00e7\u00e3o profissional, seis monitoras na casa que, por turnos, acompanham 24 horas por dia as mulheres e asseguram o funcionamento da casa. Ainda se juntam \u201ccerca de 50 a 70 volunt\u00e1rios\u201d nas mais variadas \u00e1reas, entre m\u00e9dicos, juristas, enfermeiros, ou \u201cde outras \u00e1reas que, independentemente da sua vida se disponibilizam para ajudar\u201d, explica a directora t\u00e9cnica.   Na baixa lisboeta, ocupam tr\u00eas dos cinco pisos de um pr\u00e9dio que pertence \u00e0 autarquia. Por tr\u00eas pisos se t\u00eam de dividir quartos, sala de estar (que simultaneamente funciona para refei\u00e7\u00f5es, ver televis\u00e3o e brincadeiras das crian\u00e7as &#8211; porque a sala dos brinquedos \u00e9 tamb\u00e9m muito pequena), cozinha, casas de banho, salas para brinquedos, sala de arruma\u00e7\u00f5es, sala de forma\u00e7\u00e3o, escrit\u00f3rios. \u201cO nosso desejo e sonho \u00e9 ter uma casa onde possamos ter mais espa\u00e7o e um local para as crian\u00e7as brincarem ao ar livre\u201d, mas n\u00e3o passa ainda de um desejo, explica Mara Mota.   <b>Luta pela Vida<\/b> Esta IPSS nasceu em 1998, no p\u00f3s referendo, por iniciativa de particulares, \u201cna altura muito ligados \u00e0 campanha pelo N\u00e3o\u201d, que decidiram fazer algo de concreto para ajudar as mulheres. Em 2003 concretizaram o projecto de ter uma casa de acolhimento tempor\u00e1rio. Mas h\u00e1 todo um trabalho de atendimento e acompanhamento que realizam, nos centros de Cascais e Lumiar. At\u00e9 \u00e0 data foram atendidas 900 mulheres.   As solicita\u00e7\u00f5es s\u00e3o muitas, a vontade de ajudar tamb\u00e9m. Durante a reportagem, novos pedidos de ajuda apareceram. As respostas v\u00e3o surgindo conforme a disponibilidade da casa mas tamb\u00e9m das outras institui\u00e7\u00f5es com quem trabalham em parceria. Por iniciativa pr\u00f3pria ou atrav\u00e9s de contactos, as solicita\u00e7\u00f5es acontecem numa altura \u201cgeralmente de grande risco e de sos para as mulheres\u201d, regista Mara Mota. A escassez de respostas para mulheres gr\u00e1vidas \u00e9 diminuta. O Ponto de Apoio \u00e0 Vida \u00e9 uma dessas poucas respostas.  As situa\u00e7\u00f5es s\u00e3o diversas, e os factores conjugam-se. Mulheres gr\u00e1vidas, que n\u00e3o planearam a sua gravidez, que \u201cse v\u00eaem numa conjectura dif\u00edcil\u201d, onde se insere o fragilidade emocional, situa\u00e7\u00e3o ilegal no pa\u00eds, desemprego, \u201ce daqui adv\u00e9m outras consequ\u00eancias a n\u00edvel alimentar, habitacional\u201d, abandono do pai da crian\u00e7a e da fam\u00edlia tamb\u00e9m.   Aqui a mulher \u00e9 recebida \u201ccom toda a sua dignidade e trabalhamos pelo seu desenvolvimento integral\u201d, sublinha Mara Mota. A viv\u00eancia que as mulheres t\u00eam \u00e9 igual ao dia a dia de quem n\u00e3o vive numa institui\u00e7\u00e3o, de acordo com as idades das m\u00e3es e da sua forma\u00e7\u00e3o, porque se algumas j\u00e1 trabalham, outras est\u00e3o ainda em idade de estudar, e \u00e9 isso que acontece. \u201cA mais nova que aqui vive tem 16 anos e est\u00e1 precisamente a estudar\u201d, explica. A grande aposta nas que s\u00e3o maiores \u201c\u00e9 a sua forma\u00e7\u00e3o profissional\u201d.   H\u00e1 hor\u00e1rios e tamb\u00e9m responsabilidades, \u201cporque se vive em conjunto e tem de haver algumas regras\u201d, aponta a directora t\u00e9cnica. As tarefas s\u00e3o todas partilhadas. Na Casa de Santa Isabel h\u00e1 tamb\u00e9m lugar para a forma\u00e7\u00e3o, na \u00e1rea humana, \u201ccentrada no conhecimento do corpo da mulher, da sexualidade para a auto valoriza\u00e7\u00e3o\u201d, cuidados maternais, prepara\u00e7\u00e3o para o parto e cuidados a ter com as crian\u00e7as, e tamb\u00e9m na \u00e1rea da Seguran\u00e7a Social e do Servi\u00e7o de Estrangeiros e Fronteiras.   A estadia na Casa \u00e9 muito vari\u00e1vel \u201catendendo \u00e0 situa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica de cada uma delas\u201d. Normalmente ficam at\u00e9 dois anos ap\u00f3s o nascimento da crian\u00e7a, mas nunca se v\u00e3o embora sem terem a sua vida encaminhada. \u201cH\u00e1 um trabalho simult\u00e2neo com as fam\u00edlias, que s\u00e3o a base, e que lhes devem dar apoio. Quando isso n\u00e3o acontece, s\u00f3 saem quando est\u00e3o reunidas as condi\u00e7\u00f5es para que se possam autonomizarem\u201d, aponta Mara Mota. Algumas mulheres recebem visitas de familiares. \u201cSempre que poss\u00edvel tentamos reatar os la\u00e7os familiares\u201d, mas s\u00e3o poucos.  <b>Das dificuldades surgem os desafios<\/b> Uma grande dificuldade \u00e9 ao n\u00edvel de obter emprego. \u201cAs respostas da nossa rede s\u00e3o muito escassas\u201d. Se inicialmente surgem empregos, h\u00e1 dificuldade para dar continuidade a esse encaminhamento, ou porque as creches est\u00e3o lotadas, ou a entidade patronal n\u00e3o tem capacidade para as acolher \u201cporque est\u00e3o ilegais, ou t\u00eam filhos ou est\u00e3o gr\u00e1vidas\u201d, situa\u00e7\u00f5es que constituem alguns entraves e impedimentos no sucesso que pretendem.   Financeiramente tamb\u00e9m \u00e9 complicado. A seguran\u00e7a social contribuiu com menos de 50% do or\u00e7amento necess\u00e1rio, mas ningu\u00e9m come pela metade. \u201cO resto chega-nos atrav\u00e9s de donativos, uns espor\u00e1dicos outros mais constantes\u201d, explica. Quando as as mulheres t\u00eam emprego \u201ctentamos que elas possam gerir o seu pr\u00f3prio dinheiro\u201d, suportem a creche do filho ou outras despesas pessoais, \u201cmas que s\u00e3o sempre valores simb\u00f3licos\u201d. O objectivo \u00e9 sensibilizar para que ganhem consci\u00eancia de que \u201cprecisam de fazer contas para se sustentarem quando tiverem casa pr\u00f3pria\u201d e ali n\u00e3o deve ser diferente, explica Mara Mota.  <b>Rostos que d\u00e3o sentido \u00e0 vida<\/b>  Sete crian\u00e7as d\u00e3o alegria \u00e0 Casa de Santa Isabel presentemente. O mais velho tem cinco anos, o mais novo tem cerca de 20 dias. As tarefas habituais exigem a aus\u00eancia de muitas mulheres durante a tarde. Mas \u00e0 hora do almo\u00e7o todos se juntam num ambiente familiar. Ao final da tarde quando todas as crian\u00e7as regressam \u201c\u00e9 uma alegria com banhos e brincadeiras pelo meio\u201d. Situa\u00e7\u00f5es que inevitavelmente v\u00e3o criando la\u00e7os, \u201chavendo uma entre ajuda entre todas e entre as crian\u00e7as\u201d, d\u00e1 conta Mara Mota.   \u00c0 frente da institui\u00e7\u00e3o desde 2003, este \u00e9 um projecto de vida para Mara Mota, que sempre quis trabalhar nesta \u00e1rea. \u201c\u00c9 muito gratificante e um grande desafio di\u00e1rio\u201d, porque problema resolvido, novo problema surge. Mas perceber que as mulheres se sentem apoiadas e conseguir respostas para a sua vida \u201c\u00e9 muito gratificante\u201d.   Pela casa encontram-se muitas fotografias espalhadas. Rostos de crian\u00e7as no banho, a brincar, a comer. Fotografias de crian\u00e7as que nasceram e cresceram na Casa de Santa Isabel e s\u00e3o testemunho da realidade que ali encontram. O la\u00e7o nunca se quebra. \u201cVamos acompanhando a situa\u00e7\u00e3o das que saem atrav\u00e9s de not\u00edcias, telefonemas e visitas\u201d, explica Mara Mota.   A Maria vai voltar para o Alentejo. A equipa do Ponto de Apoio \u00e0 Vida desenvolve esfor\u00e7os para que a Maria tenha um emprego e uma casa, e para que possa regressar para junto da sua fam\u00edlia e da sua filha. Esta \u00e9 mais uma vida que contou com apoio e \u00e9 sinal de que os casos de sucesso existem e s\u00e3o muito gratificantes. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abPonto de Apoio \u00e0 Vida\u00bb ajuda mulheres gr\u00e1vidas em dificuldades e seus filhos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[154,206,314],"class_list":["post-22778","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-crianca","tag-familia","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22778","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22778"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22778\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22778"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22778"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22778"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}