{"id":22776,"date":"2007-02-08T17:56:05","date_gmt":"2007-02-08T17:56:05","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/02\/08\/150-milhoes-de-exemplares\/"},"modified":"2007-02-08T17:56:05","modified_gmt":"2007-02-08T17:56:05","slug":"150-milhoes-de-exemplares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/150-milhoes-de-exemplares\/","title":{"rendered":"150 milh\u00f5es de exemplares"},"content":{"rendered":"<p>A B\u00edblia de Jo\u00e3o Ferreira Annes d\u2019Almeida \u00e9 objecto de uma tese de doutoramento  <!--more--> A B\u00edblia de Jo\u00e3o Ferreira Annes d\u2019Almeida, a obra mais editada at\u00e9 hoje em l\u00edngua portuguesa,  foi objecto da tese de doutoramento de Frei Herculano Alves, franciscano capuchinho, lan\u00e7ada ontem (7 de Fevereiro) na Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa (UCP). Em declara\u00e7\u00f5es ao Programa ECCLESIA, Frei Herculano Alves, referiu que &#8211; atrav\u00e9s das edi\u00e7\u00f5es consultadas &#8211; a obra tem \u201c150 milh\u00f5es de exemplares\u201d.  Jo\u00e3o Ferreira Annes d\u2019Almeida foi o primeiro tradutor da B\u00edblia em portugu\u00eas e, como esta foi escrita no Extremo Oriente, &#8220;apaixona&#8221;.  Realizada no s\u00e9culo XVII, a sua obra foi &#8220;escrita para os portugueses&#8221;. Para ele, os portugueses &#8220;eram aqueles que falavam a l\u00edngua portuguesa&#8221; &#8211; real\u00e7a o autor.   Almeida, um calvinista portugu\u00eas do s\u00e9c. XVII, nasceu em Mangualde em 1628 e faleceu em Bat\u00e1via em 1691. O labor da sua tradu\u00e7\u00e3o para a l\u00edngua portuguesa foi enorme; atrav\u00e9s das suas investiga\u00e7\u00f5es, Frei Herculano salienta que &#8220;esta B\u00edblia teve imensos problemas em ser publicada&#8221; porque &#8220;o tradutor vivia numa ambiente hostil&#8221;. &#8220;Era padre protestante e portugu\u00eas&#8221; \u2013 disse.  Frei Herculano Alves, um franciscano capuchinho e Professor de Sagrada Escritura na Universidade Cat\u00f3lica do Porto, optou pela vida e obra de um protestante para tema da sua tese por tr\u00eas motivos: &#8220;os Franciscanos Capuchinhos em Portugal, desde 1955, dedicam-se ao apostolado b\u00edblico atrav\u00e9s da Difusora B\u00edblica e da revista B\u00edblica, em Cursos e Retiros e nas Semanas B\u00edblicas Nacionais; t\u00eam trabalhado ecumenicamente com a Sociedade B\u00edblica, que em Portugal sempre editou a B\u00edblia de Almeida; e porque a B\u00edblia de Almeida \u00e9 \u00abo primeiro projecto organizado para uma tradu\u00e7\u00e3o da B\u00edblia em l\u00edngua portuguesa\u00bb.\u201d  900 p\u00e1ginas de reflex\u00e3o  Ao longo de 900 p\u00e1ginas, densas em dados hist\u00f3ricos, an\u00e1lise cr\u00edtica e reflex\u00e3o teol\u00f3gica, o autor desenvolve o seu estudo em 5 cap\u00edtulos: I. Recens\u00e3o Cr\u00edtica das \u201cFontes\u201d da B\u00edblia de Jo\u00e3o Ferreira d\u2019Almeida (pp. 17-74); II. Notas para uma Biografia de Jo\u00e3o Ferreira d\u2019Almeida (pp.75-170); III. Contexto Hist\u00f3rico, Cultural e Religioso da B\u00edblia de Jo\u00e3o Ferreira d\u2019Almeida (pp. 171-256); IV. Jo\u00e3o Ferreira de Almeida, Tradutor da B\u00edblia (pp. 257-448); V. Fontes do Texto Portugu\u00eas da B\u00edblia de Almeida (pp. 449-534). Depois de um Ap\u00eandice com as Datas Importantes da Vida e Obra de Almeida (519-526), de uma Conclus\u00e3o Geral (pp. 527-534) e da Bibliografia Fundamental (535-552), a obra inclui ainda dois Ap\u00eandices importantes: Fontes Holandesas (pp. 555-672) e Cat\u00e1logo das Obras B\u00edblicas de Jo\u00e3o Ferreira Annes d\u2019Almeida (pp. 675-889). O autor contabiliza 1.796 edi\u00e7\u00f5es e mais de 11 milh\u00f5es de exemplares editados da obra b\u00edblica de Almeida, concretizando assim o n\u00famero das edi\u00e7\u00f5es e dos respectivos exemplares de cada obra: B\u00edblia Completa, 8.69 e 43.524.547; Antigo Testamento, 130 e 1.193.000; Novo Testamento, 369 e 15.835.900; Evangelhos (Mt, Mc, Lc e Jo), 321 e 44.599.000; Evangelhos e Actos, 38 e 2.380.194; Cartas de Paulo, 27 e 2.700.000; Cartas Cat\u00f3licas e Apocalipse, 24 e 585.000; Outras edi\u00e7\u00f5es, 18 e 900.000. E acrescenta: \u00ab\u00c9 certo que foram editados muitos mais exemplares, como propalam sobretudo as editoras brasileiras de Almeida. Estes foram aqueles a que tivemos acesso directo ou indirecto. [\u2026] Se tiv\u00e9ssemos em conta os n\u00fameros que as editoras referem na generalidade \u2013 sem nos apresentarem a que edi\u00e7\u00e3o se referem \u2013 o n\u00famero seria, pelo menos, de 2.000 edi\u00e7\u00f5es e de 150.000.000 de exemplares impressos. E confesso que, pelos c\u00e1lculos feitos, este n\u00famero n\u00e3o deve ser nada exagerado\u00bb (pp.890-891).  Para fazer este trabalho, Herculano Alves deslocou-se \u00e0s principais Bibliotecas da Europa, do Brasil e dos Estados Unidos: Bibliotecas Nacionais de Lisboa, Madrid, Copenhaga, Haia e Paris; Biblioteca de Leiden, British Library, Bodleian de Oxford, Biblioteca da Universidade de Cambridge e Biblioteca de Salamanca; v\u00e1rias do Rio de Janeiro e S. Paulo, e as de Nova Iorque, Washington e Boston.   Das suas investiga\u00e7\u00f5es, Frei Herculano Alves conclui que &#8220;n\u00e3o sabemos o que este homem escreveu&#8221; e &#8220;como escreveu&#8221;. Todos os seus escritos &#8220;tinham de passar pelo crivo e supervis\u00e3o dos holandeses&#8221; &#8211; afirmou ao ECCLESIA. Este trabalho deixou &#8220;admirados muitos protestantes&#8221; e &#8220;deixou-me apaixonado pela densidade&#8221;. O orientador da tese de doutoramento, S\u00e1nchez Caro, sublinhou que esta tradu\u00e7\u00e3o foi &#8220;um acontecimento para a cultura portuguesa e para as igrejas de Portugal&#8221;. E concluiu: &#8220;um factor muito importante da mem\u00f3ria crist\u00e3 de Portugal&#8221;.   Observa\u00e7\u00f5es   Diga-se, entretanto, que \u00abfaltam \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o de Almeida o \u00faltimos vers\u00edculos do cap\u00edtulo 48 de Ezequiel, o Profeta Daniel e os Profetas Menores, para alem dos D\u00eautero-can\u00f3nicos, que n\u00e3o s\u00e3o admitidos como inspirados pelos Reformadores\u00bb (p. 12-nota).  Al\u00e9m disso, a sua tradu\u00e7\u00e3o foi adulterada, desde os primeiros revisores at\u00e9 hoje.  Da\u00ed a 11\u00aa das Conclus\u00f5es gerais do autor: \u00abObserva\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria a uma B\u00edblia traduzida h\u00e1 mais de tr\u00eas s\u00e9culos, e que continua a ser publicada aos milh\u00f5es sobretudo no Brasil \u00e9 o facto, normal, ali\u00e1s, de ter sido de tal modo transformada, que o original de Almeida quase n\u00e3o se identifica com as edi\u00e7\u00f5es actuais, todas elas atribu\u00eddas a ele. Al\u00e9m dos avatares normais de uma obra como esta, que sofreu necess\u00e1rias revis\u00f5es e correc\u00e7\u00f5es ao longo de todo este tempo, sabemos tamb\u00e9m que esta B\u00edblia, ainda durante a vida de Almeida, foi v\u00edtima de \u201cmaus-tratos\u201d, por parte dos revisores holandeses.  Depois de todas as revis\u00f5es e correc\u00e7\u00f5es e, na falta de encontrar o seu manuscrito, ficamos sem saber onde encontrar o texto leg\u00edtimo de Almeida, pois possu\u00edmos apenas o \u201cAlmeida corrigido\u201d muitas vezes. Este facto ineg\u00e1vel leva-nos a questionar, se n\u00e3o a legitimidade, pelo menos a oportunidade de continuar a editar um texto que tem uma hist\u00f3ria inigual\u00e1vel, mas que julgamos ter chegado ao fim. Explicamos: Se n\u00e3o sabemos, hoje, o que resta do texto leg\u00edtimo de Almeida \u2013 depois de tantas revis\u00f5es e adapta\u00e7\u00f5es \u2013 n\u00e3o ser\u00e1 altura de as editoras que tradicionalmente o editam procurarem outro texto? Isto n\u00e3o desdiz nada da import\u00e2ncia que teve a sua tradu\u00e7\u00e3o e a sua pessoa\u00bb (pp. 532-533).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A B\u00edblia de Jo\u00e3o Ferreira Annes d\u2019Almeida \u00e9 objecto de uma tese de doutoramento<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[295,122,124,187,203,213,321],"class_list":["post-22776","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-biblia","tag-brasil","tag-capuchinhos","tag-diocese-do-porto","tag-europa","tag-franciscanos","tag-ucp"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22776","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22776"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22776\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22776"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22776"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22776"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}