{"id":227618,"date":"2022-01-30T09:30:59","date_gmt":"2022-01-30T09:30:59","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=227618"},"modified":"2022-01-31T11:51:04","modified_gmt":"2022-01-31T11:51:04","slug":"autoridade-moral-do-papa-nao-deve-ser-ignorada-antonio-de-almeida-lima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/autoridade-moral-do-papa-nao-deve-ser-ignorada-antonio-de-almeida-lima\/","title":{"rendered":"Autoridade moral do Papa \u00abn\u00e3o deve ser ignorada\u00bb &#8211; Ant\u00f3nio de Almeida Lima"},"content":{"rendered":"<p><em>O embaixador de Portugal junto da Santa S\u00e9 esteve com Francisco, em visita de despedida, ap\u00f3s a exonera\u00e7\u00e3o do diplomata e nomea\u00e7\u00e3o como representante de Portugal na Haia, Pa\u00edses Baixos<\/em><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/doc.20171125.23316013.06350061-1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-227611 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/doc.20171125.23316013.06350061-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1225\" height=\"816\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/doc.20171125.23316013.06350061-1.jpg 1225w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/doc.20171125.23316013.06350061-1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/doc.20171125.23316013.06350061-1-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/doc.20171125.23316013.06350061-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/doc.20171125.23316013.06350061-1-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/doc.20171125.23316013.06350061-1-1080x719.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/doc.20171125.23316013.06350061-1-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/doc.20171125.23316013.06350061-1-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1225px) 100vw, 1225px\" \/><\/a>Que balan\u00e7o faz deste percurso de quatro anos e meio como representante de Portugal junto da Santa S\u00e9? Como foi a proximidade com o Papa Francisco?<\/em><\/p>\n<p>O balan\u00e7o que eu fa\u00e7o tem duas componentes. Aquela que interessa mais certamente ao p\u00fablico em geral \u00e9 o balan\u00e7o oficial, pol\u00edtico, diplom\u00e1tico. Depois \u00e9, evidentemente, o balan\u00e7o pessoal, humano. Tratando-se da representa\u00e7\u00e3o junto do chefe da Igreja Cat\u00f3lica, naturalmente que estas duas componentes, por vezes, se misturam, e bem.<\/p>\n<p>Posso dizer que agradeci ao Santo Padre, quando me fui despedir, pelo facto de ele durante o meu mandato ter tomado decis\u00f5es que refor\u00e7am a presen\u00e7a de Portugal na sua rela\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica com a Santa S\u00e9, e que exaltam de alguma maneira a nossa voca\u00e7\u00e3o e o nosso contributo como Na\u00e7\u00e3o e como indiv\u00edduos que fazem essa Na\u00e7\u00e3o. Falo, nomeadamente, da designa\u00e7\u00e3o, a elei\u00e7\u00e3o de dois cardeais: o senhor D. Ant\u00f3nio Marto, bispo de Leiria-F\u00e1tima, e o senhor D. Jos\u00e9 Tolentino de Mendon\u00e7a, para o col\u00e9gio pontif\u00edcio.<\/p>\n<p>Isso de facto, creio eu, \u00e9 a primeira vez na hist\u00f3ria que Portugal tem cinco cardeais no col\u00e9gio cardinal\u00edcio e que muito admira muitos dos meus colegas que ficam impressionados com isso. Isso naturalmente \u00e9 um facto que eu agradeci ao Santo Padre.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Soma-se a esse facto a escolha de Lisboa para sede da pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o da Jornada Mundial da Juventude. Isto \u00e9 um sinal da aten\u00e7\u00e3o especial por Portugal? Sentiu esse carinho do Papa? <\/em><\/p>\n<p>Desde o primeiro dia que me encontrei, quando apresentei credencias em novembro de 2017, e disse isso ao Santo Padre, que era uma grande honra poder ser o continuador de uma longa hist\u00f3ria de rela\u00e7\u00f5es entre Portugal e a Santa S\u00e9 que tem 900 anos. E o Papa disse-me que tinha uma grande admira\u00e7\u00e3o por Portugal e pelos portugueses, at\u00e9 porque os conhecia pessoalmente na sua vida familiar em Buenos Aires, onde tinha contactado com colaboradores do seu pr\u00f3prio Pai que eram portugueses. E tinha ficado com grande respeito, com grande admira\u00e7\u00e3o pelo sentido de fam\u00edlia, pela seriedade, pela entrega ao trabalho dos portugueses. E isso desde o in\u00edcio me marcou. Essa admira\u00e7\u00e3o do Santo Padre por Portugal e pelos portugueses. E como disse essa escolha de Lisboa para sede das pr\u00f3ximas Jornadas Mundiais da Juventude, significa tamb\u00e9m isso. Temos de ler isso nesse sentido.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Houve muitos contactos, nos \u00faltimos meses, sobre os preparativos desta JMJ em Lisboa? A anunciada presen\u00e7a do Papa pode ser um est\u00edmulo para o pa\u00eds, no p\u00f3s-pandemia? <\/em><\/p>\n<p>Acho que sim. Eu tenho acompanhado ao longo destes anos a prepara\u00e7\u00e3o, quer junto aqui dos dicast\u00e9rios, quer junto do Patriarcado de Lisboa. Naturalmente que a pandemia veio aqui introduzir uma perturba\u00e7\u00e3o na organiza\u00e7\u00e3o. Esperamos que as coisas evoluam no sentido mais tranquilo e que nos permitam agora apressar mais essa prepara\u00e7\u00e3o que \u00e9 fundamental. E eu diria que vejo aqui um desejo imenso de retomar a normalidade e poder realizar as Jornadas Mundiais da Juventude &#8211; esse reencontro dos jovens com o Papa em grande massa &#8211; poder realizar-se efetivamente, e ser um bom sinal de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas estamos perante atrasos recuper\u00e1veis?<\/em><\/p>\n<p>Sim, claramente. Esta \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o que n\u00e3o depende s\u00f3 do dicast\u00e9rio de Roma e do Patriarcado de Lisboa e das autoridades civis nacionais, nomeadamente municipais. Depende tamb\u00e9m das organiza\u00e7\u00f5es que cada diocese no mundo vai fazendo em prepara\u00e7\u00e3o para estas jornadas, porque o desejo \u00e9 que venham o maior n\u00famero de jovens poss\u00edveis do mundo inteiro. Naturalmente que as dificuldades, os efeitos que a pandemia tem provocado, e pode continuar a provocar em v\u00e1rios n\u00edveis, na vida das pessoas pode condicionar isso. E por isso, \u00e9 que \u00e9 preciso apressar a prepara\u00e7\u00e3o para n\u00e3o perdermos mais tempo, mas isso cada diocese ter\u00e1 que o fazer na medida das suas circunst\u00e2ncias, das suas capacidades e possibilidades. Vamos todos desejar que isso aconte\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 aqui um fator incontorn\u00e1vel nesta equa\u00e7\u00e3o que \u00e9 a figura do Papa Francisco. Que mensagens fortes guarda das interven\u00e7\u00f5es do Papa, em particular neste momento de v\u00e1rias crises?<\/em><\/p>\n<p>Bem, eu diria que as interven\u00e7\u00f5es de Sua Santidade s\u00e3o sempre pautadas por uma enorme experi\u00eancia, uma enorme pondera\u00e7\u00e3o e uma enorme preocupa\u00e7\u00e3o pelas grandes quest\u00f5es e os grandes problemas e grandes crises que a humanidade enfrenta. Repito muitas vezes em respostas a quem me faz perguntas sobre essas mat\u00e9rias que Paulo VI, quando foi \u00e0 Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas em Nova Iorque nos anos 60, disse exatamente que a Igreja Cat\u00f3lica \u00e9 perita em humanidade. E \u00e9 de facto essa preocupa\u00e7\u00e3o, e essa experi\u00eancia que o Papa Francisco transmite em todas as suas comunica\u00e7\u00f5es. A sua preocupa\u00e7\u00e3o com as pessoas em concreto. A Igreja Cat\u00f3lica e o Papa Francisco n\u00e3o t\u00eam, evidentemente, preferidos, n\u00e3o t\u00eam interesses investidos. A Igreja Cat\u00f3lica, o seu interesse \u00e9 tratar, n\u00e3o em conceitos abstratos, mas no concreto. A Humanidade s\u00e3o pessoas concretas, e, portanto, quando h\u00e1 um problema num pa\u00eds, numa regi\u00e3o, uma pandemia, quest\u00f5es desse g\u00e9nero; o Papa Francisco est\u00e1 ali para dizer palavras de justi\u00e7a, palavras de respeito pela dignidade humana. Veja-se o que tem sido todo o discurso do Papa Francisco no que diz respeito \u00e0s quest\u00f5es dos refugiados e emigrantes. \u00c9 uma preocupa\u00e7\u00e3o concreta e que vai contra muitos interesses instalados, de ambos os lados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>As preocupa\u00e7\u00f5es apresentadas pelo Papa Francisco relativamente a cen\u00e1rios de guerra, fome, migra\u00e7\u00f5es for\u00e7adas, s\u00e3o acompanhadas por Portugal? Deveriam ser mais ouvidas pelos respons\u00e1veis internacionais?<\/em><\/p>\n<p>Absolutamente. Eu percebo que cada pa\u00eds tem um conjunto de interesses a defender e nem todos est\u00e3o nas mesmas circunst\u00e2ncias; agora o apelo de uma voz com a autoridade moral que o Papa Francisco tem ao mundo em geral para as preocupa\u00e7\u00f5es concretas das pessoas n\u00e3o devem ser ignoradas pelos respons\u00e1veis pol\u00edticos, se querem cuidar do bem-estar das suas popula\u00e7\u00f5es e do desenvolvimento do seu pr\u00f3prio pais.<\/p>\n<p>H\u00e1 um coment\u00e1rio extraordin\u00e1rio que eu ouvi h\u00e1 uns meses atr\u00e1s do Dr. Ant\u00f3nio Vitorino, diretor-geral da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial das Migra\u00e7\u00f5es numa conferencia para a qual o convidei, na Universidade Antoniana, Universidade dos Franciscanos, a prop\u00f3sito exatamente dos 800 anos do encontro entre Santo Ant\u00f3nio e S\u00e3o Francisco. O tema escolhido foi a migra\u00e7\u00e3o e o acolhimento das migra\u00e7\u00f5es; palavra muito cara ao Papa Francisco. E nessa confer\u00eancia o Dr. Ant\u00f3nio Vitorino diz uma coisa extraordin\u00e1ria. Durante a pandemia se houve sector afetado foram evidentemente os migrantes e os refugiados porque\u00a0muitos deles perderam empregos e rendimentos. Mas o que \u00e9 certo \u00e9 que a remessa de dinheiro que os emigrantes fizeram para os seus pr\u00f3prios pa\u00edses, e para sustentar as suas fam\u00edlias permaneceram ao mesmo n\u00edvel, n\u00e3o reduziram. Portanto, este sentido da solidariedade humana que os pr\u00f3prios migrantes t\u00eam, e n\u00f3s portugueses sabemos o que isso \u00e9; \u00e9 de facto comovente, porque mesmo em grandes dificuldades a ess\u00eancia b\u00e1sica das necessidades das suas popula\u00e7\u00f5es de origem puderam ser de alguma maneira ajudadas com essas remessas dos emigrantes que n\u00e3o baixaram. E isso \u00e9 um sentido de solidariedade extraordin\u00e1rio que o Papa Francisco tem falado muito.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Uma das situa\u00e7\u00f5es para a qual o Papa chamou a aten\u00e7\u00e3o, numa das suas mensagens \u2018Urbi et Orbi\u2019 foi a crise humana em Cabo Delgado, norte de Mo\u00e7ambique, provocada pelo autoproclamado \u2018estado isl\u00e2mico\u2019. N\u00e3o chegou tarde \u00e0 aten\u00e7\u00e3o da comunidade internacional?<\/em><\/p>\n<p>Provavelmente, tamb\u00e9m houve preocupa\u00e7\u00f5es imediatas, do pr\u00f3prio Governo portugu\u00eas junto da Uni\u00e3o Europeia, pressionando para isso. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito delicada, at\u00e9 para Portugal, como ex-pot\u00eancia colonial, era sempre dif\u00edcil estar a intrometer-se excessivamente nessa quest\u00e3o, mas manifestando as suas preocupa\u00e7\u00f5es. \u00c9 evidente que estivemos em absoluta sintonia com o Santo Padre, nessa altura, e estamos sempre. Ali\u00e1s, faz parte dos primeiros artigos da Concordata esse entendimento comum entre a Rep\u00fablica Portuguesa e a Santa S\u00e9, no que diz respeito \u00e0 defesa da justi\u00e7a, da paz, da dignidade humana. Temos estado em muita conson\u00e2ncia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas essa interven\u00e7\u00e3o do Papa Francisco, em rela\u00e7\u00e3o a Cabo Delgado, foi decisiva, do seu ponto de vista, na proje\u00e7\u00e3o que o assunto veio a ter perante a comunidade internacional?<\/em><\/p>\n<p>As vozes autorizadas que falam sobre o assunto ajudam e a voz do Santo Padre, neste assunto, ajuda. Ele e a Santa S\u00e9 est\u00e3o sempre atentos, porque est\u00e3o preocupados. Todos sabemos que a capilaridade da Igreja f\u00e1-la chegar mais cedo e mais perto das popula\u00e7\u00f5es do que a maior parte, sen\u00e3o qualquer um dos outros Estados.<\/p>\n<p>Nesse aspeto h\u00e1 uma mais-valia da Igreja, neste caso da Santa S\u00e9, em termos de conhecimento atual da realidade que a comunidade internacional deve aproveitar e tem aproveitado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>No seu \u00faltimo discurso ao corpo diplom\u00e1tico, a 10 de janeiro, o Papa lamentava a \u201ccrise de confian\u00e7a\u201d na diplomacia, pedindo uma aposta da comunidade internacional no multilateralismo. \u00c9 um alerta cada vez mais v\u00e1lido\u2026<\/em><\/p>\n<p>Sim, ali\u00e1s, tamb\u00e9m de novo em grande conson\u00e2ncia com a nossa pr\u00f3pria posi\u00e7\u00e3o como pa\u00eds. Para n\u00f3s, Portugal, \u00e9 de todo o interesse apostar no multilateralismo, e nesse aspeto a advocacia papal em rela\u00e7\u00e3o a essa mat\u00e9ria \u00e9 fundamental. \u00c9 um elemento essencial que mantenhamos vivas as institui\u00e7\u00f5es internacionais que promovem o entendimento entre as na\u00e7\u00f5es, a concerta\u00e7\u00e3o, a coopera\u00e7\u00e3o internacional, \u00e9 fundamental. Quando h\u00e1 todas estas tend\u00eancias nacionalistas e populistas que afastam da centralidade da coopera\u00e7\u00e3o, \u00e9 isso que nos preocupa. O Papa pode ajudar-nos bastante, nessa medida, e os seus discursos s\u00e3o ouvidos, com certeza. Por alguma raz\u00e3o a Santa S\u00e9 tem rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas com cerca de 200 pa\u00edses, praticamente a totalidade da comunidade internacional. E nesses, cerca de 90 t\u00eam representa\u00e7\u00e3o efetiva, permanente, e n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 os cat\u00f3licos nem os crist\u00e3os\u2026 H\u00e1 um auscultar internacional muito vivo, muito atento \u00e0quilo que Santa S\u00e9 diz, sabe, conhece e promove.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 essa falta de diplomacia e de aposta no di\u00e1logo a principal respons\u00e1vel pelo acentuar da tens\u00e3o entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o me vou referir em concreto a nenhum conflito no mundo, isso n\u00e3o \u00e9 da minha compet\u00eancia, mas sei que o Papa se preocupa imediatamente com todos as erup\u00e7\u00f5es de conflito que acontecem no mundo e as cat\u00e1strofes. Como sabem, n\u00e3o h\u00e1 ora\u00e7\u00e3o do \u00e2ngelus ou \u2018Urbi et Orbi\u2019 em que esses temas concretos da atualidade deixem de ser referidos\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Na quarta-feira o Papa convocou um dia de ora\u00e7\u00e3o pela paz, lembrando a Ucr\u00e2nia. As televis\u00f5es repetiram a mensagem, voltaram ao tema ao longo da semana. Esta chamada de aten\u00e7\u00e3o pode despertar consci\u00eancias para conflitos que s\u00e3o esquecidos?<\/em><\/p>\n<p>Absolutamente, por isso \u00e9 que o Papa o faz: sente uma press\u00e3o para o fazer, da consci\u00eancia e do conhecimento que tem diretamente, das popula\u00e7\u00f5es. Obviamente, n\u00e3o olha por cima desses temas, vai diretamente a eles, fala e pede ora\u00e7\u00f5es. Na audi\u00eancia geral de quarta-feira f\u00ea-lo com mais \u00eanfase, rezou em conjunto o Pai-Nosso pela paz na regi\u00e3o, h\u00e1 efetivamente uma preocupa\u00e7\u00e3o atenta do Santo Padre em rela\u00e7\u00f5es \u00e0s crises que est\u00e3o a rebentar, a surgir, e que podem ser devastadoras para as popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Como classifica as rela\u00e7\u00f5es entre Portugal e a Santa S\u00e9? H\u00e1 algum tema que mere\u00e7a uma aten\u00e7\u00e3o particular, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o da Concordata, por exemplo?<\/em><\/p>\n<p>Felizmente, as rela\u00e7\u00f5es est\u00e3o estupendas. N\u00e3o sou s\u00f3 eu a achar, a pr\u00f3pria Secretaria de Estado do Vaticano menciona isso. O monsenhor Gallagher [D. Paul Richard Gallagher], o \u201cministro dos Neg\u00f3cios Estrangeiros\u201d de sua santidade, se assim se pode comparar, esteve em Lisboa no \u00faltimo m\u00eas de novembro, a convite do senhor ministro Augusto Santos Silva. Era um desejo que tinha, que foi sendo adiado mas que, finalmente, foi realizado, e ele ficou muito contente com essa visita. Houve um grande entendimento de posi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O presidente Marcelo Rebelo de Sousa esteve aqui em mar\u00e7o de 2021. Em fevereiro, o substituto da Secretaria de Estado do Vaticano [D. Edgar Pe\u00f1a Parra] ir\u00e1 ao Porto e em maio vai presidir \u00e0s celebra\u00e7\u00f5es em F\u00e1tima: ser\u00e1 uma \u00f3tima ocasi\u00e3o, dadas as suas responsabilidades pol\u00edticas e administrativas, dentro da Santa S\u00e9, de falar com as autoridades portuguesas, com a Igreja em Portugal, sobre temas que nos interessam, nomeadamente a organiza\u00e7\u00e3o das Jornadas, obviamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Viterbo_1-1.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-227621\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Viterbo_1-1-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Viterbo_1-1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Viterbo_1-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Viterbo_1-1-768x513.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Viterbo_1-1-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Viterbo_1-1-1080x721.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Viterbo_1-1-1280x854.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Viterbo_1-1-980x654.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Viterbo_1-1-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Viterbo_1-1.jpg 1533w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Na sess\u00e3o de cumprimentos de Ano Novo, com o corpo diplom\u00e1tico, Marcelo Rebelo de Sousa elogiou o \u201cexemplo inspirador\u201d do Papa Francisco, no seu combate pela dignidade das pessoas, a sua vida, liberdade e igualdade\u2026. S\u00e3o caracter\u00edsticas que destacaria na personalidade do Papa?<\/em><\/p>\n<p>Claramente, at\u00e9 pela sua origem e forma\u00e7\u00e3o como religioso latino-americano e jesu\u00edta. No fundo, creio que \u00e9 um sacerdote com voca\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria, desde o in\u00edcio, o que faz dele uma pessoa atenta aos outros, atenta aos pobres, atenta aos marginalizados, o que tem sido a orienta\u00e7\u00e3o das suas viagens pastorais, indo \u00e0s margens do mundo, da Cristandade, visitando pa\u00edses onde h\u00e1 pequenas comunidades cat\u00f3licas. E tamb\u00e9m enfrentando as dificuldades de uma visita ao Iraque, contra a opini\u00e3o de toda a estrutura da C\u00faria e de muita gente, mas na qual insistiu, pessoalmente, porque faz parte da sua voca\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria ir ao encontro das pessoas e preocupar-se com os que mais sofrem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Houve contactos com outros embaixadores lus\u00f3fonos para procurar valorizar a l\u00edngua portuguesa na Santa S\u00e9? Que pode ser feito para que isso aconte\u00e7a?<\/em><\/p>\n<p>Procurei sempre manter com os meus colegas de l\u00edngua portuguesa uma articula\u00e7\u00e3o sobre essa mat\u00e9ria, como os meus antecessores fizeram. Houve, inclusivamente, dilig\u00eancias concretas junto de dicast\u00e9rios para que a l\u00edngua portuguesa n\u00e3o deixe de ser uma l\u00edngua de trabalho, que felizmente ainda \u00e9, em v\u00e1rias componentes da divulga\u00e7\u00e3o oficial das interven\u00e7\u00f5es de sua santidade. Ainda h\u00e1 um caminho longo a percorrer.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos estar sempre \u00e0 espera que seja a pr\u00f3pria C\u00faria [Romana] a faz\u00ea-lo, temos de contribuir para isso, porque \u00e0 C\u00faria, no fundo, \u00e9 formado pelo contributo das pr\u00f3prias Igrejas, no mundo inteiro. Temos de estar dispon\u00edveis, tamb\u00e9m, para dar o nosso pr\u00f3prio contributo \u00e0 Santa S\u00e9, para que a l\u00edngua portuguesa n\u00e3o seja tratada a um n\u00edvel menos consent\u00e2neo com a sua dimens\u00e3o. Nesse aspeto, compete aos diplomatas, religiosos, comunica\u00e7\u00e3o social poder chamar a aten\u00e7\u00e3o para isso, que tamb\u00e9m somos Igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O embaixador de Portugal junto da Santa S\u00e9 esteve com Francisco, em visita de despedida, ap\u00f3s a exonera\u00e7\u00e3o do diplomata e nomea\u00e7\u00e3o como representante de Portugal na Haia, Pa\u00edses Baixos<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":227611,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[],"class_list":["post-227618","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/227618","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=227618"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/227618\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/227611"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=227618"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=227618"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=227618"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}