{"id":22756,"date":"2007-02-08T11:34:53","date_gmt":"2007-02-08T11:34:53","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/02\/08\/manual-para-a-inquisicao-portuguesa\/"},"modified":"2007-02-08T11:34:53","modified_gmt":"2007-02-08T11:34:53","slug":"manual-para-a-inquisicao-portuguesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/manual-para-a-inquisicao-portuguesa\/","title":{"rendered":"Manual para a Inquisi\u00e7\u00e3o Portuguesa"},"content":{"rendered":"<p>Para combater preconceitos e clich\u00e9s sobre a Inquisi\u00e7\u00e3o no nosso pa\u00eds foi ontem lan\u00e7ada em Lisboa a publica\u00e7\u00e3o &#8220;Inquisi\u00e7\u00e3o Portuguesa &#8211; Tempo, Raz\u00e3o e Circunst\u00e2ncia\u201d, que compila as interven\u00e7\u00f5es proferidas no maior congresso internacional de sempre sobre este tema em Portugal, que decorreu em Outubro de 2004. A obra lembra, atrav\u00e9s das v\u00e1rias perspectivas de abordagem, por vezes contradit\u00f3rias, que a Inquisi\u00e7\u00e3o \u00e9 um campo aberto, onde os investigadores ainda t\u00eam muito por descobrir e aprofundar. Organizado pela Prov\u00edncia Portuguesa da Ordem dos Dominicanos e pela Faculdade de Letras de Lisboa, o Congresso de 2004, que agora passa a livro, abordou esta institui\u00e7\u00e3o nas suas mais variadas vertentes, em diferentes \u00e9pocas e pa\u00edses, com Portugal em destaque.  Na apresenta\u00e7\u00e3o das Actas, acompanhada pela Ag\u00eancia ECCLESIA, o historiador Ant\u00f3nio Borges Coelho referiu-se ao material apresentado como &#8220;um momento fundamental para avan\u00e7ar na hist\u00f3ria da Inquisi\u00e7\u00e3o Portuguesa&#8221;. Frisando que esta realidade n\u00e3o \u00e9 &#8220;um todo homog\u00e9neo&#8221;, Borges Coelho lembrou que as pr\u00f3prias acusa\u00e7\u00f5es se foram alterando, com o passar dos s\u00e9culos. Em jeito de alerta, disse ainda que &#8220;n\u00e3o se pode levar \u00e0 letra tudo o que est\u00e1 nos autos&#8221;.  A publica\u00e7\u00e3o recolhe contribui\u00e7\u00f5es de mais de 50 especialistas e historiadores portugueses e estrangeiros, bem como centenas de outros participantes. Mais de 40 comunica\u00e7\u00f5es foram dedicadas \u00e0 Inquisi\u00e7\u00e3o, agrupadas em v\u00e1rios pain\u00e9is tem\u00e1ticos (Inquisi\u00e7\u00e3o e Poderes, Inquisi\u00e7\u00e3o e Juda\u00edsmo, Inquisi\u00e7\u00e3o e o Mundo Extra-Europeu, Inquisi\u00e7\u00e3o e Cultura e Universos da Inquisi\u00e7\u00e3o).  <b>N\u00e3o aos \u00abbodes expiat\u00f3rios\u00bb<\/b> Jos\u00e9 Augusto Mour\u00e3o, membro da Comiss\u00e3o Cient\u00edfica do Congresso e presidente do Instituto S. Tom\u00e1s de Aquino, fez quest\u00e3o de frisar que \u00e9 preciso evitar a tenta\u00e7\u00e3o de reduzir esta realidade a clich\u00e9s, procurando a &#8220;designa\u00e7\u00e3o de bodes expiat\u00f3rios&#8221;. Este Dominicano assumiu que a sua Ordem &#8220;se implicou totalmente na reorganiza\u00e7\u00e3o do mundo cultural levada a cabo pela Igreja no s\u00e9culo XVI&#8221;, mas defendeu que &#8220;\u00e9 preciso partilhar responsabilidades&#8221;. Lu\u00eds Filipe Barreto, professor do Departamento de Hist\u00f3ria da Faculdade de Letras de Lisboa e um dos coordenadores da publica\u00e7\u00e3o, destacou a articula\u00e7\u00e3o entre o poder pol\u00edtico e o religioso, bem como entre a Inquisi\u00e7\u00e3o Portuguesa e a dos espa\u00e7os europeus e fora da Europa. O facto \u00e9 que, sobre a Inquisi\u00e7\u00e3o, h\u00e1 in\u00fameros documentos e processos que ainda est\u00e3o por analisar. A necessidade de alargar as fronteiras da problem\u00e1tica na an\u00e1lise da massa documental deixa ficar claro a urg\u00eancia de se desenvolverem novos estudos e de constitu\u00edrem n\u00facleos documentais relevantes.  As categorias habitualmente utilizadas para abordar esta tem\u00e1tica tamb\u00e9m foram questionadas. Os limites das dicotomias religioso e pol\u00edtico, espiritual e temporal ou laico e clerical estiveram em destaque ao longo dos trabalhos, questionando-se at\u00e9 que ponto elas s\u00e3o operativas e verdadeiras.   Em Portugal existiu uma Inquisi\u00e7\u00e3o de Estado. Tinha tanto o objectivo de defesa da f\u00e9 como a defesa da unidade pol\u00edtica e da estabilidade interior. O Inquisidor-mor era um s\u00fabdito do rei e os confiscos impostos aos condenados eram em proveito da coroa. O Papa Clemente VII op\u00f4s-se \u00e0 instala\u00e7\u00e3o da Inquisi\u00e7\u00e3o em Portugal com o argumento de que os crist\u00e3os novos portugueses eram convertidos \u00e0 for\u00e7a e tamb\u00e9m por suspeitar que o objectivo dessa instala\u00e7\u00e3o era mais pol\u00edtico e econ\u00f3mico do que religioso.   Apesar disto, eleito em 1535, o Papa Paulo III autoriza em Maio do mesmo ano a instala\u00e7\u00e3o da Inquisi\u00e7\u00e3o e a Bula \u00e9 publicada em \u00c9vora, onde residia a Corte, num Domingo, 22 de Outubro de 1536.  Particularmente activa nos s\u00e9culos XIII e XIV a Inquisi\u00e7\u00e3o destinava-se a combater os movimentos her\u00e9ticos medievais e, mais tarde, nos s\u00e9culos XVI e XVII, viria a assumir maior poder, sobretudo, na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica, com a funda\u00e7\u00e3o de novos tribunais. Foi tamb\u00e9m nessa \u00e9poca que foi constitu\u00edda a Sagrada Congrega\u00e7\u00e3o do Santo Of\u00edcio, inicialmente concebida como instrumento de luta contra a difus\u00e3o do protestantismo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para combater preconceitos e clich\u00e9s sobre a Inquisi\u00e7\u00e3o no nosso pa\u00eds foi ontem lan\u00e7ada em Lisboa a publica\u00e7\u00e3o &#8220;Inquisi\u00e7\u00e3o Portuguesa &#8211; Tempo, Raz\u00e3o e Circunst\u00e2ncia\u201d, que compila as interven\u00e7\u00f5es proferidas no maior congresso internacional de sempre sobre este tema em Portugal, que decorreu em Outubro de 2004. 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