{"id":227220,"date":"2022-01-26T09:00:13","date_gmt":"2022-01-26T09:00:13","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=227220"},"modified":"2022-01-25T13:22:56","modified_gmt":"2022-01-25T13:22:56","slug":"lusofonias-nas-periferias-de-s-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-nas-periferias-de-s-paulo\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Nas periferias de S. Paulo"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, nas periferias de S. Paulo<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Lusofonias-PeriferiasS-Paulo28-1-2022.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-227224\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Lusofonias-PeriferiasS-Paulo28-1-2022.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Lusofonias-PeriferiasS-Paulo28-1-2022.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Lusofonias-PeriferiasS-Paulo28-1-2022-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Lusofonias-PeriferiasS-Paulo28-1-2022-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Lusofonias-PeriferiasS-Paulo28-1-2022-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Lusofonias-PeriferiasS-Paulo28-1-2022-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Lusofonias-PeriferiasS-Paulo28-1-2022-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Lusofonias-PeriferiasS-Paulo28-1-2022-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Lusofonias-PeriferiasS-Paulo28-1-2022-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Favela \u00e9 uma palavra que assusta. Estamos habituamos a lugares comuns, simplificando os termos que ouvimos e utilizamos. Favela costuma rimar sempre com viol\u00eancia, pobreza extrema, inseguran\u00e7a. Mas fique claro que quem l\u00e1 mora s\u00e3o pessoas. \u00c9 verdade que sofrem pela pobreza e abandono sociais a que s\u00e3o votadas. Mas, sempre que por l\u00e1 passo (digo \u2018passo\u2019 porque n\u00e3o vivo l\u00e1, ao contr\u00e1rio de muitos mission\u00e1rios), fico fascinado com o compromisso social e crist\u00e3o de muitas das pessoas com quem me cruzo, que visito nas suas casas, celebro a Eucaristia ou troco apenas dois dedos de conversa.<\/p>\n<p>S. Paulo \u00e9 uma das maiores cidades do mundo. Com todas as periferias e cidades sat\u00e9lites, andar\u00e1 por mais de 20 milh\u00f5es de habitantes. Como todas as grandes cidades, tem bairros muito ricos e modernos, tem quarteir\u00f5es de classe m\u00e9dia e tem dezenas de bairros muito pobres, alguns deles com o estatuto de \u00e1rea favelada. Enganem-se os que pensam que a pobreza est\u00e1 a diminuir e que as favelas t\u00eam os dias contados. Antes pelo contr\u00e1rio. A constru\u00e7\u00e3o de habita\u00e7\u00f5es nos morros ainda dispon\u00edveis est\u00e1 a acontecer todos os dias em ritmo acelerado. Visitei algumas dessas \u00e1reas e fiquei impressionado com o que vi e ouvi. O esquema repete-se desde h\u00e1 muitos anos. As pessoas que estavam na cidade e ficaram sem habita\u00e7\u00e3o, deslocam-se para as periferias e tentam construir um abrigo. O povo do interior que foge para a cidade tamb\u00e9m \u00e9 por l\u00e1 que come\u00e7a a sua vida, tentando juntar dinheiro e condi\u00e7\u00f5es para um dia alugar um espa\u00e7o em S. Paulo.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Lusofonias-PeriferiasS-Paulo28-1-2022a.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-227225 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Lusofonias-PeriferiasS-Paulo28-1-2022a-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Lusofonias-PeriferiasS-Paulo28-1-2022a-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Lusofonias-PeriferiasS-Paulo28-1-2022a-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Lusofonias-PeriferiasS-Paulo28-1-2022a-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Lusofonias-PeriferiasS-Paulo28-1-2022a-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Lusofonias-PeriferiasS-Paulo28-1-2022a-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Lusofonias-PeriferiasS-Paulo28-1-2022a-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Lusofonias-PeriferiasS-Paulo28-1-2022a-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Lusofonias-PeriferiasS-Paulo28-1-2022a.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>As favelas s\u00e3o todas diferentes, assim como as pessoas que as constroem e habitam. H\u00e1 muita gente acumulada em pouco espa\u00e7o o que, por si s\u00f3 gera enormes problemas. Na maioria dos casos, o governo aceita levar eletricidade e \u00e1gua para a regi\u00e3o, mas os problemas sociais e de sa\u00fade p\u00fablica s\u00e3o imensos. A pobreza cria din\u00e2micas de viol\u00eancia e de adi\u00e7\u00e3o que tornam estes espa\u00e7os dif\u00edceis, sendo tamb\u00e9m um desafio para a Igreja.<\/p>\n<p>Desde h\u00e1 muitos anos que a Igreja est\u00e1 nas favelas. N\u00e3o vai, est\u00e1 l\u00e1. Tem espa\u00e7os que se transformaram em Igrejas e centros sociais onde tudo acontece, desde as celebra\u00e7\u00f5es e catequeses at\u00e9 iniciativas nas \u00e1reas da sa\u00fade, forma\u00e7\u00e3o profissional e apoio assistencial. S\u00e3o muitas as fam\u00edlias que recebem a cesta b\u00e1sica, que tem alimentos de primeira necessidade. H\u00e1 din\u00e2micas de cidadania que n\u00e3o encontro em muitas outras comunidades crist\u00e3s como, por exemplo, construir a sua Igreja ou espa\u00e7os para a pastoral social. A palavra \u2018mutir\u00e3o\u2019 \u00e9 repetida no fim de cada Missa e encontro para convocar as pessoas para mais uma etapa da constru\u00e7\u00e3o da Igreja, da cozinha comunit\u00e1ria ou do sal\u00e3o que ser\u00e1 multi-usos. Ou ent\u00e3o para compor o caminho que d\u00e1 a uma bairro e que as chuvas destru\u00edram, ou ent\u00e3o para reconstruir algumas das casas que as derrocadas frequentes levaram\u2026<\/p>\n<p>Falei de ideias gen\u00e9ricas, vou agora descer \u00e0 pr\u00e1tica. No s\u00e1bado estive na grande favela do Jardim Planalto onde os Espiritanos chegaram a animar 11 comunidades e agora animam 4, tal foi o seu crescimento. Est\u00e3o morar numa casa da favela que j\u00e1 foi semin\u00e1rio inserido neste contexto pobre e perif\u00e9rico. A pandemia veio agravar a j\u00e1 dif\u00edcil vida das popula\u00e7\u00f5es ali amontoadas em pouco espa\u00e7o. As pessoas vivem, na sua maioria, de rendimentos vindos da economia informal que, com a covid, foi muito afectada. Anunciar o Evangelho nestes contextos torna-se desafiante porque \u00e9 preciso ajudar as pessoas a resolver os seus problemas e n\u00e3o s\u00f3 leva-las \u00e0 missa e \u00e0 catequese.<\/p>\n<p>O domingo foi passado com o P. Elson Lopes, jovem Espiritano caboverdiano, p\u00e1roco da r\u00e9cem criada par\u00f3quia de S. Teresa de Calcut\u00e1. O nome da padroeira n\u00e3o podia ter sido melhor escolhido. S\u00e3o sete comunidades, cada qual j\u00e1 com a sua capela. Quem l\u00e1 chega n\u00e3o percebe que est\u00e1 em S. Paulo, pois passa o tempo a subir e descer a pique os morros onde o povo pobre vai construindo as suas habita\u00e7\u00f5es. O trabalho do mission\u00e1rio \u00e9 enorme, mas sempre partilhado com o povo que se re\u00fane e organiza para tornar a comunidade crist\u00e3 mais comprometida e o bairro mais humano e mais fraterno. Presidi a uma das Eucaristias, com uma participa\u00e7\u00e3o muito jovem e muito animada. Visitei as diferentes comunidades, morro acima e morro abaixo, e fui almo\u00e7ar com uma das fam\u00edlias. \u00c9 sempre uma experi\u00eancia de acolhimento extraordin\u00e1ria\u2026<\/p>\n<p>Esta semana \u00e9 de Assembleia Anual para todos os Espiritanos que pertencem<\/p>\n<p>\u00e0 Prov\u00edncia do Brasil. L\u00e1 voltarei\u2026<\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-227220-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/lusofonias.periferiasSaoPaulo28-1-2022.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/lusofonias.periferiasSaoPaulo28-1-2022.mp3\">https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/lusofonias.periferiasSaoPaulo28-1-2022.mp3<\/a><\/audio>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves, nas periferias de S. 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