{"id":22716,"date":"2007-02-06T12:44:52","date_gmt":"2007-02-06T12:44:52","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/02\/06\/leis-ao-servico-da-vida\/"},"modified":"2007-02-06T12:44:52","modified_gmt":"2007-02-06T12:44:52","slug":"leis-ao-servico-da-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/leis-ao-servico-da-vida\/","title":{"rendered":"Leis ao servi\u00e7o da vida"},"content":{"rendered":"<p>1. H\u00e1 hoje unanimidade num grande conjunto de princ\u00edpios, indispens\u00e1veis \u00e0 an\u00e1lise constitucional, segundo os quais:  2. Ningu\u00e9m discute cientificamente que existe &#8220;vida humana&#8221; desde a concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 ao nascimento, e deste at\u00e9 \u00e0 morte apenas se assiste a uma evolu\u00e7\u00e3o permanente da &#8220;vida humana&#8221;;  3. A identidade n\u00e3o surge com o nascimento, mas em momento anterior.  4. O art\u00ba 24\u00ba-1 CRP consagra que: &#8220;A vida humana \u00e9 inviol\u00e1vel&#8221;, sendo este princ\u00edpio, o desenvolvimento do artigo 1\u00ba, que baseia a Constitui\u00e7\u00e3o na dignidade humana.  5. Logo, na &#8220;vida humana&#8221; de que fala o artigo n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel objectivamente distinguir entre vida intra-uterina e extra-uterina.  6. Ainda assim, em caso de d\u00favida, for\u00e7oso seria o uso do princ\u00edpio (jur\u00eddico e \u00e9tico) &#8220;in dubio pro libertate&#8221;, ou seja, o de que, em caso de d\u00favida, deve em mat\u00e9ria de direitos fundamentais optar-se sempre pela interpreta\u00e7\u00e3o que atribua ao direito em causa a maior latitude.  7. Perante o conflito entre dois direitos fundamentais tem de recorrer-se ao princ\u00edpio da concord\u00e2ncia pr\u00e1tica, que aponta para uma optimiza\u00e7\u00e3o dos direitos em conflito, n\u00e3o consentindo, por\u00e9m, a aniquila\u00e7\u00e3o de qualquer deles em abstracto. E isto com maioria de raz\u00e3o no caso do direito \u00e0 vida, uma vez que existindo hierarquiza\u00e7\u00e3o constitucional dos direitos fundamentais, \u00e9 este o direito de que derivam todos os demais.  8. Afirmar-se que &#8220;a vida humana \u00e9 inviol\u00e1vel \u00e9 &#8220;mais&#8221; do que haver um direito \u00e0 vida. A vida humana s\u00f3 \u00e9 defendida, desde que reconhecida cientificamente, se for garantido o direito de nascer &#8211; sem este, todos os demais direitos ligados \u00e0 vida, desde os do nascituro, s\u00e3o puras fic\u00e7\u00f5es. 9. A protec\u00e7\u00e3o constitucional da vida humana implica para o Estado, e para terceiros, tamb\u00e9m o dever de abster-se de condutas que a agridam;  10. A Constitui\u00e7\u00e3o \u00e9, antes, o horizonte que h\u00e1-de inspirar e por onde h\u00e1-de pautar-se qualquer programa de pol\u00edtica criminal;  11.Logo, decorre deste princ\u00edpio, uma obriga\u00e7\u00e3o positiva de protec\u00e7\u00e3o da vida humana, e a consequente criminaliza\u00e7\u00e3o de todo o atentado \u00e0 vida, como \u00e9 o caso do aborto. Pelo racioc\u00ednio oposto, o aborto nunca seria penalizado at\u00e9 ao fim da gravidez, o que ningu\u00e9m defende;  12. O que n\u00e3o quer dizer que o crime de aborto, atentas as suas especiais caracter\u00edsticas, n\u00e3o deva ter um tratamento e uma penaliza\u00e7\u00e3o diferente, como sempre teve. E o que n\u00e3o quer dizer, tamb\u00e9m, que n\u00e3o possa, e n\u00e3o deva, haver meios complementares, a n\u00edvel educativo, etc. (tal como acontece com todos os bens penalmente protegidos &#8230; e n\u00e3o s\u00f3 com o aborto!);  13. Fazer ao contr\u00e1rio, \u00e9 esquecer o car\u00e1cter preventivo e pedag\u00f3gico da lei penal (&#8220;avisador de consci\u00eancias&#8221;). De outra forma, o cidad\u00e3o vai considerar l\u00edcito o aborto, desvirtuando a ess\u00eancia do embri\u00e3o, o seu car\u00e1cter \u00e9tico-social.  <i>Marta Lopes Cardoso Advogada<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. H\u00e1 hoje unanimidade num grande conjunto de princ\u00edpios, indispens\u00e1veis \u00e0 an\u00e1lise constitucional, segundo os quais: 2. Ningu\u00e9m discute cientificamente que existe &#8220;vida humana&#8221; desde a concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 ao nascimento, e deste at\u00e9 \u00e0 morte apenas se assiste a uma evolu\u00e7\u00e3o permanente da &#8220;vida humana&#8221;; 3. 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