{"id":22715,"date":"2007-02-06T12:43:21","date_gmt":"2007-02-06T12:43:21","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/02\/06\/ouvir-limpidamente-a-consciencia\/"},"modified":"2007-02-06T12:43:21","modified_gmt":"2007-02-06T12:43:21","slug":"ouvir-limpidamente-a-consciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ouvir-limpidamente-a-consciencia\/","title":{"rendered":"Ouvir limpidamente a consci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Ningu\u00e9m gosta de perder. E \u00e9 poss\u00edvel que quem se empenhou emotivamente numa campanha pelo sim ou pelo n\u00e3o ao aborto, se sinta dependente da escolha inicial e n\u00e3o queira, por nada, dar o dito por n\u00e3o dito \u00e0 \u00faltima hora: a hora de marcar, na intimidade plena da consci\u00eancia e no reduto secreto da mesa de voto, a senten\u00e7a do sim ou do n\u00e3o. Ao aborto. A campanha tem os defeitos e as virtudes de qualquer campanha. Acende \u00e2nimos, suscita paix\u00f5es, constr\u00f3i e cega argumentos. E tem muitos efeitos colaterais. Com tudo o que se diz de certo e errado: sobre a mulher, o filho, a ci\u00eancia, o momento da vida, o embri\u00e3o, a sua organiza\u00e7\u00e3o como ser, como corpo e pessoa, a perplexidade e raz\u00f5es de aceitar ou rejeitar uma nova vida, a consci\u00eancia confrontada com os valores que a guiam, o debate entre o marcado pela natureza e o mascarado pela ideologia &#8211; tudo isso vem ao de cima num debate onde, por vezes, parece simples um ou outro extremo da resposta \u00e0 pergunta lan\u00e7ada no referendo. E custa perceber que h\u00e1 tantos amigos, com quem compartilhamos ideais, que dizem exactamente o contr\u00e1rio de n\u00f3s. H\u00e1 elementos extremamente positivos neste todo, vindos de ambos os lados, numa discuss\u00e3o politicamente livre, mas socialmente dependente. Interessa perceber que os crist\u00e3os quando dizem n\u00e3o ao aborto se referem essencialmente \u00e0 intangibilidade da vida humana. Aqui n\u00e3o h\u00e1 subtileza. N\u00e3o h\u00e1 meia medida. H\u00e1 consci\u00eancia. Os contributos cient\u00edficos ou jur\u00eddicos s\u00e3o importantes para o debate, aprendizagem e esclarecimento. Mas n\u00e3o inspiram a decis\u00e3o final porque essa s\u00f3 por ilus\u00e3o se esconde ou esquece. E as mulheres \u2013 que aparentemente todos pretendem defender &#8211; s\u00e3o os seres que, na sua \u00edntima voz, recusam, antes da palavra, qualquer modalidade de aborto. Seja qual for a sua religi\u00e3o, posicionamento de esquerda ou direita, com ou sem radicalidade. Antes do discurso de qualquer pol\u00edtico ou entidade religiosa. Est\u00e1 no \u00e2mago de todo o ser. \u00c9 duma evid\u00eancia entranhada que dispensa demonstra\u00e7\u00e3o moralista de esquerda ou de direita. Neste caminho, torna-se complexo envolver o todo num manto pol\u00edtico ou ideol\u00f3gico. Est\u00e1 em causa um valor n\u00e3o pass\u00edvel de c\u00e1lculos, que ultrapassa todos os artif\u00edcios que se exibem noutras campanhas pol\u00edticas. Por isso, mais forte que tudo \u00e9 a consci\u00eancia, como voz \u00faltima, \u00edntima e soberana, que sobrepassa todos os simulacros. Ouvir limpidamente a consci\u00eancia \u00e9 escutar o melhor conselheiro da vida.  <i>Ant\u00f3nio Rego<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ningu\u00e9m gosta de perder. 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