{"id":22711,"date":"2007-02-06T12:01:04","date_gmt":"2007-02-06T12:01:04","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/02\/06\/cuidados-paliativos-tempo-espaco-e-fe-crista\/"},"modified":"2007-02-06T12:01:04","modified_gmt":"2007-02-06T12:01:04","slug":"cuidados-paliativos-tempo-espaco-e-fe-crista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cuidados-paliativos-tempo-espaco-e-fe-crista\/","title":{"rendered":"Cuidados paliativos: tempo, espa\u00e7o e f\u00e9 crist\u00e3"},"content":{"rendered":"<p>A prop\u00f3sito da celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial de Doente, uma reflex\u00e3o sobre o tema central da mensagem de Bento XVI <!--more--> Se \u00e9 verdade o que diz Teixeira de Pascoais \u2013 que ao animal pertence o espa\u00e7o, e que \u00e9 ao homem que cabe o espa\u00e7o e o tempo \u2013 ao falar dos cuidados paliativos a partir da f\u00e9 crist\u00e3, \u2018dar tempo\u2019 acaba por ser o segredo de uma vida que quer ser vivida como vida entregue, como vida dada ao jeito de Jesus.  \t Podemos exprimi-lo com palavras pr\u00f3ximas de B. Cador\u00e9 (2001): Ao permitir ao doente atrav\u00e9s do controlo dos sintomas re-habitar o seu corpo, re-haver a sua dignidade, olhar e ver o outro, fazer frente \u00e0 morte, re-apropriar-se da sua finitude, descobre-se como \u00e9 misterioso o Rosto e divina a Palavra; e como \u00e9 dif\u00edcil, e raro, e cr\u00edtico o dom do nosso ser.  Os cuidados paliativos procuram controlar os sintomas (em particular a dor) aliviando o sofrimento \u2013 e n\u00e3o prolongando o morrer e o sofrimento que ele comporta \u2013 ajudando o doente a resolver as obriga\u00e7\u00f5es pendentes, e preparando aquele \u00faltimo momento atrav\u00e9s do refor\u00e7o das liga\u00e7\u00f5es emocionais. Procuram que o sentido da vida possa ser reencontrado, ou at\u00e9 descoberto, permitindo que a exist\u00eancia chegue verdadeiramente \u00e0 completude de uma vida cumprida, com a sua dignidade e integridade (Steinhauser, Ann. Int. Med., 132, 10, 2000). Um estudo realizado em perto de mil doentes \u2013 oncol\u00f3gicos ou com insufici\u00eancia card\u00edaca ou respirat\u00f3ria \u2013 repetido a mais de metade deles (sobreviventes) seis meses depois (Emmanuel, J. Pal. Med., 3, 419, 2000), apontava como mais importante para o quotidiano do doente, as dimens\u00f5es espirituais e religiosas, que permitiam a compreens\u00e3o do sentido quanto seu ao des\u00edgnio pessoal. A \u2018aceita\u00e7\u00e3o\u2019 e a \u2018boa comunica\u00e7\u00e3o\u2019 numa rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-doente v\u00eaem tamb\u00e9m referidas; mas a seguir.  A Medicina \u2013 e particularmente a Cl\u00ednica (\u201cinclinar-se\u201d \u00e0 cabeceira do doente) \u2013 corresponde a uma atitude de curar aquele que tem cura e cuidar de todos os doentes, aliviando o seu sofrimento. Na tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3, a actividade m\u00e9dica e, particularmente, a figura do cl\u00ednico, \u00e9 interpretada com refer\u00eancia \u00e0 par\u00e1bola do bom samaritano (Lc 10,29-37). Esta par\u00e1bola insere-se num di\u00e1logo de Jesus com um doutor da Lei que mostrava compreender bem o centro das tradi\u00e7\u00f5es \u00e9ticas pr\u00f3prias da experi\u00eancia de f\u00e9 de Israel, unindo dois momentos sint\u00e9ticos fundamentais: o amor a Deus (com refer\u00eancia a Dt 6,5) e o amor ao pr\u00f3ximo (com refer\u00eancia a Lv 19,18). Mas qual \u00e9 a extens\u00e3o do mandamento de amar o pr\u00f3ximo? \u00c9 a esta pergunta do doutor da Lei que responde a par\u00e1bola de Jesus. A par\u00e1bola, por\u00e9m, inverte a pergunta inicial: n\u00e3o se trata de saber quem tem direito \u00e0 tua ajuda ou ao teu amor; trata-se de compreender como e a quem tu est\u00e1s em condi\u00e7\u00f5es de fazer algum bem. O amor, que \u00e9 o cumprimento da Lei, n\u00e3o est\u00e1 delimitado por pr\u00e9vios limites de proximidade. \u00c9 mesmo ele, esse amor, que nos pede que sejamos criadores de proximidade.  Nesta reflex\u00e3o teol\u00f3gica, podemos afirmar que amar o pr\u00f3ximo, no concreto da exist\u00eancia, \u00e9 fazer sua, de forma livre e respons\u00e1vel, a pr\u00f3pria intencionalidade amante e salvadora de Deus tornada pr\u00f3xima, revelada plenamente na humanidade de Jesus.  Tornar-se pr\u00f3ximo de que tem necessidade, de quem sofre, e cuidar dessa pessoa exactamente e s\u00f3 porque precisa, porque sofre: n\u00e3o est\u00e1 aqui o fundamental de toda a Medicina, e, em particular, dos Cuidados Paliativos?  <B>Dossier AE<\/B> <a href=noticia.asp?noticiaid=42440> XV Dia Mundial do Doente &#8211; a mensagem do Papa<\/a> <a href=noticia.asp?noticiaid=42441> Declara\u00e7\u00e3o da Rede Europeia de Capelanias Hospitalares sobre Cuidados Paliativos<\/a> <a href=noticia.asp?noticiaid=42443> \u201cImposs\u00edvel curar\u2026 que fazer?\u201d<\/a> <a href=noticia.asp?noticiaid=42446> Bons cuidados paliativos para respeitar os doentes<\/a>  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A prop\u00f3sito da celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial de Doente, uma reflex\u00e3o sobre o tema central da mensagem de Bento 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