{"id":22706,"date":"2007-02-06T11:44:14","date_gmt":"2007-02-06T11:44:14","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/02\/06\/para-um-desenvolvimento-integral\/"},"modified":"2007-02-06T11:44:14","modified_gmt":"2007-02-06T11:44:14","slug":"para-um-desenvolvimento-integral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/para-um-desenvolvimento-integral\/","title":{"rendered":"Para um desenvolvimento integral"},"content":{"rendered":"<p>Inten\u00e7\u00e3o Geral doPapa para o m\u00eas de Fevereiro <!--more--> 1.\tDoutrina social da Igreja. O princ\u00edpio fundamental subjacente a toda a doutrina social da Igreja sobre o recto uso dos bens materiais \u00e9 o do destino universal dos bens da terra: dados por Deus a toda a humanidade, os bens da terra pertencem a todos por igual \u2013 logo, ningu\u00e9m se pode arrogar um direito absoluto de propriedade sobre uma parcela da cria\u00e7\u00e3o. Este princ\u00edpio tem uma clara fundamenta\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica: \u00e9 o facto de os bens da terra serem dom de Deus que justifica o direito de todos a dispor deles, pois todos s\u00e3o filhos do mesmo Deus e, portanto, iguais em dignidade e direitos. Fruto da revela\u00e7\u00e3o b\u00edblica, este princ\u00edpio foi claramente explicitado por v\u00e1rios Padres da Igreja, nos primeiros s\u00e9culos do cristianismo. E, mesmo se culturalmente obscurecido, n\u00e3o deixou de agir como fermento nas sociedades crist\u00e3s, ac\u00e7\u00e3o testemunhada, de modo particular, pela imensa obra caritativa levada a cabo pela Igreja ao longo da sua hist\u00f3ria. Os documentos papais sobre a quest\u00e3o social, desde a Rerum novarum de Le\u00e3o XIII, reafirmaram este princ\u00edpio fundamental, opondo-se ao colectivismo marxista e ao liberalismo extremo, que recusa qualquer fun\u00e7\u00e3o social \u00e0 propriedade privada e, logo, qualquer responsabilidade social dos seus detentores.  2.\tUsar com sabedoria os bens da terra. O princ\u00edpio do destino universal dos bens da terra tem hoje, se tal \u00e9 poss\u00edvel, ainda maior actualidade, face aos dilemas ecol\u00f3gicos e \u00e0s exig\u00eancias de desenvolvimento de grande parte da humanidade. Compreende-se, por isso, que o Papa Bento XVI, na sua Mensagem para o Dia Mundial da Paz (1 de Janeiro de 2007), saliente a import\u00e2ncia de uma rela\u00e7\u00e3o s\u00e1bia com a natureza. Uma verdadeira \u00abecologia\u00bb, segundo o Papa, ter\u00e1 em considera\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas o cuidado da natureza, mas tamb\u00e9m o cuidado da pessoa humana, sem o qual o cuidado da natureza perde o seu sentido. E acrescenta: \u00abA destrui\u00e7\u00e3o do ambiente, um uso impr\u00f3prio ou ego\u00edsta do mesmo e a apropria\u00e7\u00e3o violenta dos recursos da terra geram lacera\u00e7\u00f5es, conflitos e guerras, precisamente porque s\u00e3o fruto de um conceito desumano de desenvolvimento. Com efeito, um desenvolvimento que se limitasse ao aspecto t\u00e9cnico-econ\u00f3mico, descurando a dimens\u00e3o moral-religiosa, n\u00e3o seria um desenvolvimento humano integral e terminaria, ao ser unilateral, por incentivar as capacidades destruidoras do homem\u00bb. O uso s\u00e1bio dos bens da terra exige, pois, a aten\u00e7\u00e3o a todas as dimens\u00f5es do ser humano e recusa fundamentalismos ecol\u00f3gicos que, em nome de protec\u00e7\u00e3o da natureza, ignoram os seres humanos concretos e as suas necessidades. Recusa, tamb\u00e9m, um olhar materialista sobre a natureza, vista apenas como objecto a ser manipulado segundo interesses imediatos e, muitas vezes, destruidores.  3.\tJusti\u00e7a e solidariedade. Na mesma Mensagem, Bento XVI lembra a necessidade da justi\u00e7a no uso dos bens da terra, sobretudo num tempo em que surge no horizonte a amea\u00e7a da escassez de recursos. Escreve o Papa: \u00abNestes anos, novas Na\u00e7\u00f5es entraram decididamente no sector da produ\u00e7\u00e3o industrial, aumentando as necessidades energ\u00e9ticas. Isto est\u00e1 a provocar uma corrida sem precedentes aos recursos dispon\u00edveis. Entretanto, persistem ainda em algumas regi\u00f5es do planeta situa\u00e7\u00f5es de grande atraso, onde o desenvolvimento est\u00e1 praticamente bloqueado devido tamb\u00e9m ao aumento dos pre\u00e7os da energia. Que acontecer\u00e1 \u00e0quelas popula\u00e7\u00f5es? Que tipo de desenvolvimento ou de n\u00e3o-desenvolvimento lhes ser\u00e1 imposto pela escassez de reabastecimento energ\u00e9tico? Que injusti\u00e7as e antagonismos provocar\u00e1 a corrida \u00e0s fontes de energia? E como reagir\u00e3o os exclu\u00eddos desta corrida?\u00bb O destino universal dos bens da terra traz consigo a exig\u00eancia de justi\u00e7a e solidariedade, sobretudo com os mais pobres \u2013 justi\u00e7a que, nas rela\u00e7\u00f5es entre os povos, \u00e9 essencial para a edifica\u00e7\u00e3o da paz.  4.\tCompromisso dos crist\u00e3os. Tendo como modelo o exemplo de Jesus, os crist\u00e3os n\u00e3o se podem alhear das exig\u00eancias do presente. No que diz respeito ao uso dos bens da terra, estas exig\u00eancias s\u00e3o claras: cuidar com sabedoria da cria\u00e7\u00e3o de Deus, para que todos possam usufruir dos seus dons; promover rela\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas e sociais marcadas por uma verdadeira solidariedade com os mais pobres; praticar a virtude da justi\u00e7a, procurando que todos vejam reconhecido o direito a dispor dos bens necess\u00e1rios a uma vida humanamente digna. Como? Cuidando daquilo e daqueles que nos s\u00e3o pr\u00f3ximos e exigindo aos detentores do poder pol\u00edtico e econ\u00f3mico uma aten\u00e7\u00e3o particular \u00e0 justi\u00e7a social, no respeito incondicional pela dignidade de cada pessoa humana. <i>Elias Couto<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inten\u00e7\u00e3o Geral doPapa para o m\u00eas de Fevereiro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[120,165,314],"class_list":["post-22706","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-vaticano","tag-bento-xvi","tag-dia-mundial-da-paz","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22706","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22706"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22706\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22706"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22706"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22706"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}