{"id":227037,"date":"2022-01-23T09:30:33","date_gmt":"2022-01-23T09:30:33","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=227037"},"modified":"2022-01-22T21:05:24","modified_gmt":"2022-01-22T21:05:24","slug":"de-castelo-branco-a-braganca-sao-10-horas-de-autocarro-henrique-ferreira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/de-castelo-branco-a-braganca-sao-10-horas-de-autocarro-henrique-ferreira\/","title":{"rendered":"De Castelo Branco a Bragan\u00e7a \u00abs\u00e3o 10 horas de autocarro\u00bb &#8211; Henrique Ferreira"},"content":{"rendered":"<p><em>Presidente da Comiss\u00e3o Justi\u00e7a e Paz de Bragan\u00e7a diz que a prova do desinteresse pol\u00edtico pelos problemas do Interior se v\u00ea na rede de transportes, que n\u00e3o serve quem ali vive ou trabalha<\/em><!--more--><\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Henrique-Ferreira-02-11-2021-10h00-2.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-227038 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Henrique-Ferreira-02-11-2021-10h00-2-208x260.jpg\" alt=\"\" width=\"208\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Henrique-Ferreira-02-11-2021-10h00-2-208x260.jpg 208w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Henrique-Ferreira-02-11-2021-10h00-2-818x1024.jpg 818w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Henrique-Ferreira-02-11-2021-10h00-2-768x962.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Henrique-Ferreira-02-11-2021-10h00-2-1226x1536.jpg 1226w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Henrique-Ferreira-02-11-2021-10h00-2-1080x1353.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Henrique-Ferreira-02-11-2021-10h00-2-1280x1603.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Henrique-Ferreira-02-11-2021-10h00-2-980x1227.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Henrique-Ferreira-02-11-2021-10h00-2-480x601.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Henrique-Ferreira-02-11-2021-10h00-2.jpg 1533w\" sizes=\"(max-width: 208px) 100vw, 208px\" \/><\/a>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Tem manifestado em v\u00e1rios artigos a sua preocupa\u00e7\u00e3o com o ponto a que Portugal chegou me termos de demografia e desertifica\u00e7\u00e3o. Pelo que tem observado, nesta campanha os partidos est\u00e3o atentos e conscientes desta realidade? Ou o &#8216;pa\u00eds real&#8217; est\u00e1 a ser ignorado?<\/strong><\/p>\n<p>S\u00f3 na \u00faltima semana o assunto foi ventilado em campanha, mas n\u00e3o houve qualquer refer\u00eancia espec\u00edfica em termos de apresentar solu\u00e7\u00f5es, e estamos quase como se o assunto n\u00e3o tivesse sido falado. No entanto,\u00a0em termos de futuro, \u00e9 talvez o problema mais grave que pa\u00eds vai enfrentar,\u00a0tal como a Su\u00e9cia o enfrentou nas d\u00e9cadas de 30 e 40.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quem vive numa regi\u00e3o que tamb\u00e9m est\u00e1 demograficamente em crise, como Bragan\u00e7a, sente preocupa\u00e7\u00e3o por parte da classe pol\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o a estes problemas concretos?<\/strong><\/p>\n<p>A\u00ed sim, no interior fala-se muito do problema demogr\u00e1fico, atiram-se muito as culpas para os governos como forma de propaganda pol\u00edtica, mas de concreto, o \u00fanico programa que tem sido lan\u00e7ado \u00e9 o apoio aos nascimentos, a quem tem filhos. No caso de Vimioso, por exemplo, \u00e9 com 500 euros por nascimento, que curiosamente deu algum resultado, porque o concelho de Vimioso, na transi\u00e7\u00e3o da d\u00e9cada de 10 para a d\u00e9cada de 20 deste s\u00e9culo, diminuiu menos a sua quebra demogr\u00e1fica. Manteve os \u00edndices de envelhecimento, \u00e9 evidente, mas diminuiu bastante a sua quebra demogr\u00e1fica. Isso indica que um simples programa de apoio pode fazer alguma diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Mas estes problemas est\u00e3o identificados h\u00e1 muito. Porque \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 uma maior a\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Sabe, no interior pensa-se muito em atirar as culpas para os outros. Em vez de se agir proactivamente, reclama-se, mas as entidades externas n\u00e3o podem fazer tudo, as entidades internas, pr\u00f3prias do interior podem fazer alguma coisa.\u00a0Tem de haver maior investimento dos munic\u00edpios e dos governos. Tem de haver programas por regi\u00f5es, porque elas n\u00e3o s\u00e3o todas iguais, e enquanto isto n\u00e3o for feito, n\u00e3o chegamos a bom porto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A que \u00e9 que atribui esta situa\u00e7\u00e3o a que chegou de inverno e deserto demogr\u00e1fico? \u00c0s\u00a0sucessivas crises, \u00e0 falta de vis\u00e3o estrat\u00e9gica de longo prazo, \u00e0s mais op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que foram sendo tomadas?<\/strong><\/p>\n<p>Se pegarmos em alguns n\u00fameros, temos a dimens\u00e3o do problema:\u00a0em 1960 nasciam em m\u00e9dia 5000 crian\u00e7as no distrito de Bragan\u00e7a, hoje nascem 470 ou 480. O inverno vem da\u00ed, da aus\u00eancia de nascimentos. O deserto deriva do inverno, da emigra\u00e7\u00e3o. E emigra\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 de pessoas desqualificadas, como era na d\u00e9cada de 60 e 70, \u00e9 de\u00a0 pessoas extremamente qualificadas e que deixam o pa\u00eds numa situa\u00e7\u00e3o de desastre. Eu uso muito a palavra &#8216;desastre&#8217;, porque a nossa melhor intelig\u00eancia est\u00e1 a ir embora, e os pol\u00edticos ainda n\u00e3o se deram conta disto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Falamos da emigra\u00e7\u00e3o, dos portugueses que partem para fora, e que s\u00e3o gente qualificada, como sublinha. E a imigra\u00e7\u00e3o, os que v\u00eam? J\u00e1 nem os imigrantes nos salvam, em termos demogr\u00e1ficos?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. N\u00e3o quero ser pessimista, mas n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, porque Portugal n\u00e3o \u00e9 atrativo em termos de sal\u00e1rios. Se Portugal fosse atrativo em termos de sal\u00e1rios e de apoios sociais, ent\u00e3o sim, ser\u00edamos mais procurados. Mesmo assim, \u00e9 de notar que desde 1970 &#8211; ano em que se nota uma diferen\u00e7a de pessoas de nacionalidade estrangeira em Portugal &#8211; at\u00e9 hoje, a popula\u00e7\u00e3o portuguesa j\u00e1 tem origem em 660 mil pessoas que vieram do estrangeiro e j\u00e1 est\u00e3o nacionalizadas, e isso \u00e9 indicador de que apesar de tudo somos procurados, mas n\u00e3o suficientemente procurados como s\u00e3o a Alemanha, a Fran\u00e7a, o Reino Unido,\u00a0porque a\u00ed h\u00e1 poder econ\u00f3mico e apoios avultados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Estamos perante um problema s\u00e9rio. Os estudos mostram que na \u00faltima d\u00e9cada houve uma queda abrupta na popula\u00e7\u00e3o. Como \u00e9 que se invertem 60 anos de estagna\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica em tr\u00eas quartos do territ\u00f3rio nacional? Ainda vamos a tempo?<\/strong><\/p>\n<p>Antes de mais penso que os programas de apoio t\u00eam que come\u00e7ar pelo que se come\u00e7ou a Su\u00e9cia, nas d\u00e9cadas de 30 e 40: num Estado Social que d\u00ea grandes apoios e privil\u00e9gios \u00e0s m\u00e3es para ficar em casa tratar dos filhos. Depois tem de haver programas de incentivo econ\u00f3mico \u00e0 participa\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es locais com grande orienta\u00e7\u00e3o, porque na rentabiliza\u00e7\u00e3o dos programas econ\u00f3micos o mais importante \u00e9 fazer a gest\u00e3o da orienta\u00e7\u00e3o dos investimentos, do acompanhamento e supervis\u00e3o, para que os dinheiros n\u00e3o sejam mal utilizados. Ali\u00e1s, penso que\u00a0grande parte dos problemas do interior s\u00e3o problemas de orienta\u00e7\u00e3o do investimento. Muito dinheiro tem vindo\u2026 n\u00e3o direi &#8216;muito&#8217;, comparativamente com as regi\u00f5es mais desenvolvidas, mas bastante dinheiro tem vindo e esse dinheiro n\u00e3o tem ainda sido suficientemente rentabilizado, e tem de o ser, porque de outra forma estamos a atirar dinheiro e a perd\u00ea-lo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fala da falta de orienta\u00e7\u00e3o do investimento, h\u00e1 pouco sugeriu que fossem feitos programas por regi\u00f5es, porque elas n\u00e3o s\u00e3o todas iguais. Sempre que h\u00e1 elei\u00e7\u00f5es fala-se na regionaliza\u00e7\u00e3o, quase como uma &#8216;varinha m\u00e1gica&#8217; para resolver os problemas. A cria\u00e7\u00e3o de regi\u00f5es est\u00e1 prevista na Constitui\u00e7\u00e3o (desde 1976). Pode ser uma solu\u00e7\u00e3o para as quest\u00f5es que est\u00e1 a identificar?<\/strong><\/p>\n<p>Talvez, mas n\u00e3o tenho ideias definitivas. Porque\u00a0se fizermos uma regionaliza\u00e7\u00e3o horizontal, que corresponda \u00e0s coordena\u00e7\u00f5es de desenvolvimento regional, estamos pura e simplesmente a aumentar a liquida\u00e7\u00e3o do interior.<\/p>\n<p>No \u00faltimo referendo \u00e0 regionaliza\u00e7\u00e3o eu fui um ativista da regi\u00e3o de Tr\u00e1s-os-Montes e Alto Douro e andei pelo terreno a ouvir as pessoas, e as pessoas n\u00e3o discordavam da\u00a0 regionaliza\u00e7\u00e3o, mas perguntavam-me &#8216;olhe l\u00e1, com uma regi\u00e3o horizontal como a Norte, o que \u00e9 que n\u00f3s ganhamos e o que \u00e9 que n\u00f3s perdemos?&#8217;. E quando me perguntavam &#8216;o que \u00e9 que n\u00f3s perdemos?&#8217; , eu n\u00e3o sabia responder.<\/p>\n<p>Nessa altura, durante a campanha, fui a Espanha e falei na regionaliza\u00e7\u00e3o, e na perspetiva deles n\u00f3s dev\u00edamos ter cuidado, porque com a regionaliza\u00e7\u00e3o \u00edamos pagar mais impostos: ao munic\u00edpio, \u00e0 regi\u00e3o e ao Estado, e o retorno podia n\u00e3o ser suficiente.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o quero com isto p\u00f4r em causa a regionaliza\u00e7\u00e3o, agora\u00a0tem de haver estudos s\u00e9rios e comparados a n\u00edvel europeu, em rela\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses que foram regionalizados, nomeadamente os que eram centralizados, como \u00e9 o caso da Espanha &#8211; mas que n\u00e3o criou propriamente regi\u00f5es porque aquilo s\u00e3o na\u00e7\u00f5es desde h\u00e1 muitos s\u00e9culos, com uma cultura pr\u00f3pria. Mas pode ser comparado, por exemplo, com It\u00e1lia ou com Fran\u00e7a, porque a Fran\u00e7a era um pa\u00eds centralizado e tamb\u00e9m operou regi\u00f5es por via administrativa.<\/p>\n<p>Eu achava interessante &#8211; ou melhor, s\u00f3 achei interessante passados 15 anos, depois de ter estudado mais &#8211; aqueles que eram os chav\u00f5es de 1983\/84, quando o assunto foi debatido: o PS tinha a bandeira &#8220;regionalizar para desenvolver&#8217;, e o PSD a bandeira &#8216;desenvolver para regionalizar&#8217;. Isto \u00e9 interessante e h\u00e1 que recuperar estes &#8216;slogans&#8217;, porque eles dizem tudo\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Mas n\u00e3o bastam slogans. Nesta altura a generalidade dos partidos com assento parlamentar j\u00e1 disse que est\u00e1 dispon\u00edvel para discutir a regionaliza\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos\u00a0anos. Devia ser uma prioridade mas, pelo que diz, bem pensada?<\/strong><\/p>\n<p>Muito bem pensada.\u00a0Eu n\u00e3o acredito numa regionaliza\u00e7\u00e3o que n\u00e3o seja sim\u00e9trica. O que \u00e9 que eu quero dizer com simetria? Se compararmos o PIB da zona do Porto e Braga, os concelhos mais desenvolvidos \u2013 Famalic\u00e3o, Barcelos, Trofa, Santo Tirso, Guimar\u00e3es e Braga &#8211; h\u00e1 uma dimens\u00e3o de desenvolvimento muito maior do que, por exemplo, Paredes de Coura, ou Amares, o interior. Agora, podemos comparar Amares ou Mondim de Basto com o interior profundo, falando do distrito de Bragan\u00e7a, com Freixo de Espada \u00e0 Cinta, Mogadouro ou Alf\u00e2ndega da F\u00e9. Ou seja,\u00a0se pusermos o Norte interior dependente do Porto, ficamos pior do que dependentes de Lisboa, por uma raz\u00e3o muito simples: os do Porto v\u00e3o sugar-nos completamente os recursos,\u00a0at\u00e9 porque foi neste paradigma que foram criadas as NUTS das regi\u00f5es (Nomenclatura das Unidades Territoriais para Fins Estat\u00edsticos).<\/p>\n<p>Criar regi\u00f5es horizontais, porqu\u00ea? Para baixar a r\u00e1cio do n\u00edvel m\u00e9dio de desenvolvimento face \u00e0 Uni\u00e3o Europeia e poder receber mais fundos. O<strong>\u00a0Porto precisa de Bragan\u00e7a, Vila Real e de Viana do Castelo para baixar o seu n\u00edvel de desenvolvimento e ter acesso aos fundos<\/strong>. Mas, provavelmente, n\u00e3o vai precisar desses distritos para promover o desenvolvimento que deveria promover.<\/p>\n<p>Quando falo de regionaliza\u00e7\u00e3o sim\u00e9trica, em Portugal s\u00f3 h\u00e1 uma poss\u00edvel: pegar nas antigas prov\u00edncias \u2013 ou, se se entender que oito s\u00e3o demais, pegar no Interior norte\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Estamos a falar do Minho, Tr\u00e1s-os-Montes, Beira Alta?<\/strong><\/p>\n<p>Exato, as antigas prov\u00edncias, que n\u00e3o estavam assim t\u00e3o mal pensadas como isso e que foram substitu\u00eddas por distritos, porque quando h\u00e1 muitas entidades, reinamos melhor. O doutor Salazar percebeu que vinha dali uma idiossincrasia regional que punha em causa a unidade do pa\u00eds e o poder central, e recuperou os distritos, em 1937.<\/p>\n<p>Portanto, como dizia,\u00a0ou n\u00f3s fazemos uma regionaliza\u00e7\u00e3o sim\u00e9trica, de norte a sul, interior, ou ent\u00e3o vamos p\u00f4r as regi\u00f5es em desequil\u00edbrio, as do Interior v\u00e3o ser sugadas pelas do Litoral &#8211; at\u00e9 neste aspeto seria preciso ter diferentes modelos de regionaliza\u00e7\u00e3o \u2013,\u00a0e as \u00fanicas que n\u00e3o ser\u00e3o sugadas ser\u00e3o as que n\u00e3o t\u00eam grandes metr\u00f3poles no litoral, que \u00e9 o caso da regi\u00e3o Centro e da regi\u00e3o do Alentejo, porque as outras ser\u00e3o completamente sugadas por Lisboa e pelo Porto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Henrique_Ferreira_braganca.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-227039\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Henrique_Ferreira_braganca-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Henrique_Ferreira_braganca-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Henrique_Ferreira_braganca-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Henrique_Ferreira_braganca-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Henrique_Ferreira_braganca-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Henrique_Ferreira_braganca.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Qual tem sido o papel da Comiss\u00e3o Justi\u00e7a e Paz de Bragan\u00e7a-Miranda na identifica\u00e7\u00e3o e resposta aos problemas da regi\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00f3s, neste mandato,\u00a0temo-nos focado essencialmente nos problemas de apoio \u00e0 pobreza\u00a0e tamb\u00e9m, aquando da pandemia, que ocupou praticamente os dois primeiros anos do mandato, e continua a ocupar, estamos tamb\u00e9m a chamar a aten\u00e7\u00e3o para esses problemas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 que est\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o em Bragan\u00e7a? A pobreza tamb\u00e9m tem crescido?<\/strong><\/p>\n<p>Tem sido uma preocupa\u00e7\u00e3o para a Comiss\u00e3o. Tanto a C\u00e1ritas Diocesana como a Cruz Vermelha t\u00eam vindo a intervir, a s\u00e9rio, neste problema, e distribu\u00eddo imensa ajuda.\u00a0Nalguns casos, pode at\u00e9 haver um excesso de apoio, porque h\u00e1 pessoas que recebem apoios da Cruz Vermelha e v\u00e3o pedi-los tamb\u00e9m \u00e0 C\u00e1ritas, para selecionarem o melhor. Tem-se visto aqui alguma distor\u00e7\u00e3o, nesse aspeto\u2026<\/p>\n<p>Mesmo em rela\u00e7\u00e3o a estudantes estrangeiros h\u00e1 um programa muito interessante, no Instituto Polit\u00e9cnico, atrav\u00e9s dos estudantes cabo-verdianos, os \u2018Jovens sem sof\u00e1\u2019, que tem promovido ajuda a muitos estudantes, sobretudo os mais pobres, que v\u00eam dos PALOP e est\u00e3o mais desintegrados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O setor social e solid\u00e1rio, sobretudo ligado \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica, tem estado na linha da frente, para dar resposta \u00e0s necessidades?<\/strong><\/p>\n<p>Sempre, atrav\u00e9s dos Centros Sociais e Paroquiais, sobretudo na inf\u00e2ncia e na terceira idade. Temos c\u00e1 tamb\u00e9m uma associa\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o \u00e9 da Igreja, a Associa\u00e7\u00e3o de Socorros M\u00fatuos dos Artistas de Bragan\u00e7a (ASMAB) &#8211; que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 dos artistas; era, quando foi criada h\u00e1 152 anos, a partir de 1875 passou a ser de toda a gente \u2013, que tamb\u00e9m fornece refei\u00e7\u00f5es, apoios em roupa, log\u00edstica, etc.<\/p>\n<p>Bragan\u00e7a tem institui\u00e7\u00f5es que est\u00e3o a trabalhar bem, nesse aspeto, o que falta agora \u00e9 a otimiza\u00e7\u00e3o dos programas de emprego.\u00a0Os gestores dizem que, quando uma pessoa cai na rede da pobreza, se n\u00e3o tiver um programa de a\u00e7\u00e3o \u2013 n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um apoio -, um programa de a\u00e7\u00e3o e de inser\u00e7\u00e3o, a pessoa anula-se, despersonaliza-se e acaba por ficar cada vez mais dependente dos programas de apoio. Esta dimens\u00e3o tem faltado, aqui e por todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Portugal, proporcionalmente, tem prestado mais apoio aos seus pobres do que a m\u00e9dia dos pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia \u2013 isto se compararmos a riqueza de cada pa\u00eds -, mas depois temos uma rede enorme de pobres que caem nesta situa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o recuperam. Isso passar\u00e1 pela reintegra\u00e7\u00e3o e o trabalho, porque s\u00f3 o trabalho \u00e9 que permite uma rela\u00e7\u00e3o social \u00fatil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quer deixar algum repto ou desafio \u00e0 classe pol\u00edtica, nesta contagem decrescente para as elei\u00e7\u00f5es de dia 30?<\/strong><\/p>\n<p>Devem pensar que tipos de apoios v\u00e3o dar ao Interior, nomeadamente em perd\u00e3o de impostos \u00e0s empresas que aqui se localizarem.\u00a0Essa \u00e9 uma dimens\u00e3o muito reclamada pelos empres\u00e1rios, e na campanha deve discutir-se este aspeto.<\/p>\n<p>Por outro lado, h\u00e1 a dimens\u00e3o da intera\u00e7\u00e3o regional, a todos os n\u00edveis, mas sobretudo dos transportes.\u00a0De Bragan\u00e7a \u00e0 Guarda n\u00e3o h\u00e1 caminho de ferro e praticamente n\u00e3o existem autocarros. Dou este exemplo: tenho uma sobrinha a estuda na Covilh\u00e3 e a uma filha a trabalhar em Castelo Branco.\u00a0Sabe quanto \u00e9 que a minha filha demora, de Castelo Branco a Bragan\u00e7a, para fazer 275 quil\u00f3metros, se vier de autocarro? 10 horas. N\u00e3o h\u00e1 um autocarro nem direto, nem semidirecto. \u00c9 preciso vir at\u00e9 \u00e0 Guarda, da\u00ed para Viseu e seguir por Vila Real e Mirandela at\u00e9 Bragan\u00e7a. E se fizer este exerc\u00edcio relativamente a todos os munic\u00edpios que se localizam nesta corda, o problema \u00e9 id\u00eantico.<\/p>\n<p>Se querem discrimina\u00e7\u00e3o positiva para o Interior, \u00e9 preciso pensar nesta dimens\u00e3o, h\u00e1 que apoiar programas de transporte p\u00fablico, comparticipado pelo Estado.\u00a0Eu compreendo que as empresas n\u00e3o v\u00e3o fazer essa liga\u00e7\u00e3o direta, mas os munic\u00edpios, os pol\u00edticos, o Governo, t\u00eam de se chegar \u00e0 frente: \u201cvamos l\u00e1 organizar aqui um processo de discrimina\u00e7\u00e3o positiva no transporte p\u00fablico\u201d. Isto seria extremamente interessante.<\/p>\n<p>Este fen\u00f3meno tamb\u00e9m ocorre com Zamora (Espanha): estamos aqui a 100 quil\u00f3metros e s\u00f3 l\u00e1 podemos ir \u00e0s segundas, quartas e sextas, regressando \u00e0s ter\u00e7as, quintas e s\u00e1bados. O transporte que h\u00e1 \u00e9 o de Bragan\u00e7a-Paris, Bragan\u00e7a-Berlim, esse existe porque h\u00e1 muitos emigrantes. Mas, Bragan\u00e7a-Zamora n\u00e3o h\u00e1 nenhum. Os problemas do Interior, na Espanha, s\u00e3o parecidos, s\u00f3 que eles j\u00e1 abordaram esta quest\u00e3o h\u00e1 mais tempo do que n\u00f3s.<\/p>\n<p>A interatividade regional \u00e9 t\u00e3o importante nos transportes como nas vias de comunica\u00e7\u00e3o.<strong>\u00a0<\/strong>O interior do Interior tem as IP a ligar \u00e0s capitais das regi\u00f5es horizontais, mas depois entre Bragan\u00e7a e Mogadouro\u2026 Vejam\u00a0o caso de Coimbra \u00e0 Covilh\u00e3, \u00e9 completamente obtuso: por Viseu e pela Guarda s\u00e3o 200 quil\u00f3metros, mas numa estrada direta seriam 110, 120. Eu isto n\u00e3o entendo, n\u00e3o percebo como \u00e9 que esse problema nunca entrou nos debates pol\u00edticos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Presidente da Comiss\u00e3o Justi\u00e7a e Paz de Bragan\u00e7a diz que a prova do desinteresse pol\u00edtico pelos problemas do Interior se v\u00ea na rede de transportes, que n\u00e3o serve quem ali vive ou trabalha<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":227039,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[173,229],"class_list":["post-227037","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-diocese-de-braganca-miranda","tag-igreja-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/227037","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=227037"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/227037\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/227039"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=227037"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=227037"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=227037"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}