{"id":22700,"date":"2007-02-06T10:33:38","date_gmt":"2007-02-06T10:33:38","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/02\/06\/o-dever-de-votar\/"},"modified":"2007-02-06T10:33:38","modified_gmt":"2007-02-06T10:33:38","slug":"o-dever-de-votar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-dever-de-votar\/","title":{"rendered":"O dever de votar"},"content":{"rendered":"<p>O exerc\u00edcio do voto \u00e9 uma das caracter\u00edsticas fundamentais do regime democr\u00e1tico. Com efeito, no acto de votar exprime-se a soberania do povo, como pretende a democracia, e concretiza-se a igualdade entre todos os cidad\u00e3os, porquanto todos os votos t\u00eam exactamente o mesmo valor. Nem o voto do letrado vale mais do que o do analfabeto nem o voto do rico vale mais do que o do pobre. Al\u00e9m disso, a vota\u00e7\u00e3o \u00e9 um acto livre, respons\u00e1vel e secreto. Cada um vota individualmente e no recato de uma cabine. E, se o faz obedecendo unicamente ao imperativo da sua consci\u00eancia, pratica um acto nobre, n\u00e3o s\u00f3 isento de qualquer censura legal mas tamb\u00e9m digno de respeito e admira\u00e7\u00e3o. Pois, dessa forma, o votante est\u00e1 a assumir uma quota-parte da responsabilidade que lhe cabe na organiza\u00e7\u00e3o da sociedade e na defini\u00e7\u00e3o dos valores subjacentes \u00e0s decis\u00f5es politicas que devem ser implementadas pelos \u00f3rg\u00e3os de soberania. \u00c9 certo que nem todas as vota\u00e7\u00f5es t\u00eam o mesmo peso e igual responsabilidade. N\u00e3o se podem colocar em p\u00e9 de igualdade a elei\u00e7\u00e3o do presidente de um clube, a elei\u00e7\u00e3o do presidente de uma autarquia ou a elei\u00e7\u00e3o do Presidente da Rep\u00fablica. Tal como n\u00e3o se pode atribuir a mesma import\u00e2ncia \u00e0 liberaliza\u00e7\u00e3o do fumo nos lugares p\u00fablicos e \u00e0 liberaliza\u00e7\u00e3o do aborto. A import\u00e2ncia das decis\u00f5es est\u00e1 associada aos valores que nelas est\u00e3o implicados e \u00e0s consequ\u00eancias sociais boas ou m\u00e1s que delas possam resultar. Por sua vez, a responsabilidade dos cidad\u00e3os que s\u00e3o chamados a votar depende tamb\u00e9m das consequ\u00eancias resultantes das decis\u00f5es tomadas. Assim se compreende que, numa vota\u00e7\u00e3o como a do pr\u00f3ximo dia onze do corrente m\u00eas de Fevereiro, ningu\u00e9m, por leviandade, se deva abster de votar. \u00c9 que est\u00e1 em causa o valor inalien\u00e1vel da vida humana, fundamento e suporte de todos os outros valores. O maior de todos os valores humanos dever\u00e1 ser defendido com id\u00eantico grau de responsabilidade por todos os cidad\u00e3os com direito de voto. Abster-se de votar equivale \u00e0 omiss\u00e3o de um grave dever de solidariedade. E como poder\u00e1 reivindicar direitos quem se abst\u00e9m de cumprir os seus deveres? E, no pr\u00f3ximo referendo, \u00e9 a defesa da vida humana que est\u00e1 em causa. Pois interromper a gravidez corresponde a interromper o processo vital cont\u00ednuo que se desenvolve, ininterruptamente, por fases e entre dois p\u00f3los: o in\u00edcio da vida e o seu termo, a morte. No referendo, o que est\u00e1 em causa n\u00e3o \u00e9 uma qualquer despenaliza\u00e7\u00e3o mas sim a vida ou morte de um ser humano indefeso. Por isso s\u00f3 merece uma resposta: N\u00c3O!  <i>+Jos\u00e9 Alves, Bispo de Portalegre-Castelo Branco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O exerc\u00edcio do voto \u00e9 uma das caracter\u00edsticas fundamentais do regime democr\u00e1tico. Com efeito, no acto de votar exprime-se a soberania do povo, como pretende a democracia, e concretiza-se a igualdade entre todos os cidad\u00e3os, porquanto todos os votos t\u00eam exactamente o mesmo valor. 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