{"id":2270,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/jovens-de-lisboa-evangelizam-no-nordeste-algarvio\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"jovens-de-lisboa-evangelizam-no-nordeste-algarvio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/jovens-de-lisboa-evangelizam-no-nordeste-algarvio\/","title":{"rendered":"Jovens de Lisboa evangelizam no Nordeste algarvio"},"content":{"rendered":"<p>Os &#8220;jovens amigos de Lisboa&#8221;, como s\u00e3o carinhosamente apelidados pelos habitantes do Nordeste algarvio, j\u00e1 quase s\u00e3o considerados pelos residentes dos diversos montes como membros da sua pr\u00f3pria fam\u00edlia. As popula\u00e7\u00f5es rurais das freguesias de Alcoutim, Vaqueiros e Martinlongo, t\u00eam vindo a ser alvo da concretiza\u00e7\u00e3o de um projecto pastoral promovido pelo MSV &#8211; Movimento ao Servi\u00e7o da Vida. Fortemente implantado em Lisboa, o MSV surgiu quando, h\u00e1 12 anos, um grupo de jovens estudantes que trabalhava na margem sul com as irm\u00e3s Escravas do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, ao acompanh\u00e1-las num projecto que desenvolviam num bairro social, sentiu que gostava de converter esse trabalho de fim-de-semana, numa experi\u00eancia mais alargada no tempo, aproveitando se poss\u00edvel as f\u00e9rias. Pretendiam realizar um trabalho que compreendesse n\u00e3o s\u00f3 a dimens\u00e3o social, mas sobretudo uma vertente pastoral. Acabaram por ir para o Brasil. Mais tarde, em 1997, como resposta ao desafio lan\u00e7ado pelo padre Atal\u00edvio Rito, ent\u00e3o p\u00e1roco das comunidades do Nordeste algarvio e amigo de alguns membros do movimento, vieram para o Algarve. Composto na sua maioria por estudantes universit\u00e1rios e alguns trabalhadores, o grupo desloca-se ao Algarve um s\u00e1bado por m\u00eas, e no princ\u00edpio de Agosto regressam de armas e bagagens para trabalhar, durante todo o m\u00eas, no Algarve esquecido das c\u00e2maras de televis\u00e3o e dos marketings tur\u00edsticos. O mesmo que tem sido dramaticamente esquecido pelas pol\u00edticas dos homens e que, intencionalmente, ser\u00e1 cada vez menos alvo dos homens da pol\u00edtica. No fundo, o que fazem durante o m\u00eas de Agosto e que depois se prolonga pelo resto do ano \u00e9 &#8211; como fazem quest\u00e3o de referir &#8211;  &#8220;ir ao encontro de uma popula\u00e7\u00e3o que est\u00e1 isolada e envelhecida para levar uma presen\u00e7a da Igreja&#8221;. &#8220;\u00c9 um testemunho que damos junto dessas pessoas&#8221;, desenvolvendo &#8220;um conjunto de actividades que pretendem congregar as v\u00e1rias comunidades&#8221; &#8211; refere In\u00eas Fernandes, de 21 anos de idade, a porta-voz do grupo para quem as problem\u00e1ticas daquela zona algarvia est\u00e3o bem identificadas. &#8220;Existe uma falta de investimento material e humano e uma pobreza espiritual enorme. Investimento humano no sentido de cria\u00e7\u00e3o de estruturas para que as pessoas fiquem c\u00e1 e as fam\u00edlias se reciclem. O que se v\u00ea \u00e9 um bocadinho aflitivo e \u00e0s vezes incompreens\u00edvel: um desvalor pela vida humana na velhice, um desvalor pela pessoa humana que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 auto-suficiente, no sentido de se poder bastar a si pr\u00f3pria, mas que est\u00e1 l\u00facida, que tem uma hist\u00f3ria de vida riqu\u00edssima e que agora todos os outros lhe dizem que n\u00e3o \u00e9 uma pessoa capaz&#8221; &#8211; afirma In\u00eas Fernandes. Tamb\u00e9m para ajudar a combater esta cruel realidade o grupo do MSV organiza ora\u00e7\u00f5es do Ter\u00e7o, jornadas de reflex\u00e3o e visitas domicili\u00e1rias, que, realizadas em grupos de dois elementos, s\u00e3o normalmente a primeira forma abordagem. &#8220;Primeiro mandam-nos entrar e depois dizem que est\u00e3o cheios de medo&#8221; &#8211; referem, testemunhando, a natural apreens\u00e3o com que s\u00e3o recebidos. &#8220;Hoje em dia ningu\u00e9m fala por falar, nem est\u00e1 s\u00f3 por estar&#8221; &#8211; acrescentam, reconhecendo a normalidade de uma reac\u00e7\u00e3o inicial que rapidamente dizem transformar-se em acolhimento familiar. As caracter\u00edsticas do projecto de Ver\u00e3o dependem em cada ano das necessidades locais espec\u00edficas do momento. Em 2001, por exemplo, o grupo trabalhou no Centro de Dia de Martinlongo. Este ano, visitaram o Lar duas vezes por semana para rezar o Ter\u00e7o e, com as comunidades religiosas cooperantes em f\u00e9rias, foram tamb\u00e9m eles que asseguraram a realiza\u00e7\u00e3o das Celebra\u00e7\u00f5es da Palavra e da anima\u00e7\u00e3o lit\u00fargica. Dadas as caracter\u00edsticas da popula\u00e7\u00e3o, o movimento garante tamb\u00e9m muitas vezes o seu apoio domicili\u00e1rio concretizado na assist\u00eancia \u00e0s mais elementares tarefas dom\u00e9sticas. O actual p\u00e1roco da Unidade Pastoral do Nordeste algarvio, o padre Carlos Aquino, reconhece o esfor\u00e7o do grupo e a colabora\u00e7\u00e3o prestada. &#8220;H\u00e1 montes que s\u00e3o quase familiares e \u00e0s vezes t\u00eam dificuldades de relacionamento entre si. Portanto, esta proposta de os unir e de os congregar para se sentirem Igreja a partir da ora\u00e7\u00e3o \u00e9 muito dif\u00edcil, mas o grupo tem conseguido&#8221; &#8211; reconhece o sacerdote. A dimens\u00e3o da viv\u00eancia em comunidade tamb\u00e9m \u00e9 outro aspecto valorizado pelo grupo. Para al\u00e9m das tarefas dom\u00e9sticas, n\u00e3o descuram igualmente a forma\u00e7\u00e3o de todos. Assim, a cada semana \u00e9 atribu\u00eddo um tema, para ser preparado e apresentado por grupos de dois elementos. Finalizado o m\u00eas de Agosto, \u00e9 altura de regressar \u00e0s origens. Mas a experi\u00eancia que classificam de &#8220;radical&#8221;, realizada em pleno Ver\u00e3o algarvio, f\u00e1-los regressar &#8220;mais sens\u00edveis&#8221;. &#8220;Mais sens\u00edveis para tudo o que podemos fazer no dia-a-dia&#8221; &#8211; esclarece In\u00eas Fernandes. &#8220;\u00c9 isto que no fundo n\u00f3s ganhamos. Aquilo que o movimento faz, a longo prazo, com estes projectos na hist\u00f3ria da humanidade. No bocadinho de humanidade que a cada um de n\u00f3s \u00e9 dado modificar&#8221; &#8211; acrescenta, manifestando a certeza da influ\u00eancia das experi\u00eancias adquiridas no movimento nas op\u00e7\u00f5es vocacionais de cada um. &#8220;Temos j\u00e1 um jovem sacerdote jesu\u00edta e outro que casou com uma rapariga de Vaqueiros, estando l\u00e1 a residir e a trabalhar neste momento&#8221; &#8211; justifica. A opini\u00e3o da porta-voz \u00e9 partilhada pelos restantes elementos do grupo. Diogo Alvim, de 23 anos, garante regressar a casa com as f\u00e9rias aproveitadas da melhor maneira. &#8220;Ganhamos imenso durante este m\u00eas e n\u00e3o perdemos absolutamente nada. Nos montes, as pessoas ensinam-nos imenso com a sua experi\u00eancia de vida e de f\u00e9. Todos estes testemunhos que vamos recebendo enriquecem-nos muito as f\u00e9rias&#8221; &#8211; assegura. E porque procuram manter &#8220;uma presen\u00e7a continuada&#8221; para que as pessoas sintam que n\u00e3o \u00e9 uma trabalho espor\u00e1dico, localizado no tempo e que depois acaba, o regresso ao Algarve d\u00e1-se logo em Outubro para o retorno ao trabalho uma vez por m\u00eas. No in\u00edcio do ano civil, estipulam previamente quais os s\u00e1bados das vindas ao Sul e os trabalhos acabam por ser os mesmos que fazem durante o Ver\u00e3o, mas limitados a menos montes. Cada s\u00e1bado \u00e9 dedicado a dois montes. No m\u00eas de Dezembro promovem um fim-de-semana para a vinda ao Nordeste algarvio de todos os elementos do movimento, especialmente os que trabalham e que n\u00e3o t\u00eam disponibilidade para vir em Agosto ou uma vez por m\u00eas. Garantindo que a ades\u00e3o ao projecto tem &#8220;aumentado&#8221; nos \u00faltimos tempos, os membros do MSV est\u00e3o certos que o que leva os jovens a aderir ao movimento \u00e9 o &#8220;aprofundamento da f\u00e9&#8221;. &#8220;\u00c0 partida a abordagem social destes projectos pode ser muito mais apelativa, mas esgota-se. Por isso a ora\u00e7\u00e3o (tendo tamb\u00e9m presente a dimens\u00e3o mariana) \u00e9 fundamental e cada vez mais se batalha isso dentro do pr\u00f3prio movimento&#8221; &#8211; explica In\u00eas Fernandes, defendendo que &#8220;sem ora\u00e7\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil conseguir uma comunidade verdadeira, honesta, em que as pessoas se d\u00eaem em verdade e onde desempenhar um servi\u00e7o n\u00e3o seja uma formalidade de cumprir hor\u00e1rios&#8221;. Por isso a filosofia do MSV \u00e9 assente em tr\u00eas pilares: ora\u00e7\u00e3o, comunidade e servi\u00e7o. A seriedade e a exig\u00eancia semanal dentro do movimento acabam por impor, naturalmente, a triagem dos membros. &#8220;Uma das coisas que se procura no MSV \u00e9 que os jovens estejam ao servi\u00e7o do que quer que seja. E estar ao servi\u00e7o como fruto da ora\u00e7\u00e3o&#8221; &#8211; refere In\u00eas Fernandes. Este aspecto aliado \u00e0 imprescind\u00edvel assiduidade semanal acaba ent\u00e3o por comprometer muitos e por afastar alguns.  Tamb\u00e9m para se participar nos projectos de Ver\u00e3o exige-se, para al\u00e9m de uma prepara\u00e7\u00e3o que pode levar at\u00e9 dois anos, que, durante o ano anterior, se tenha participado em duas actividades: um retiro e uma peregrina\u00e7\u00e3o a F\u00e1tima. Sobre a afinidade mantida com os poucos jovens daquelas comunidades reconhecem: &#8220;j\u00e1 os interpel\u00e1mos, mas ainda n\u00e3o os conquist\u00e1mos&#8221;. &#8220;Pelo menos parece-me que olham para a Igreja com outros olhos. Como uma proposta mais abrangente, uma institui\u00e7\u00e3o em que cabemos todos e que tamb\u00e9m \u00e9 deles&#8221; &#8211; atesta In\u00eas Fernandes. No fundo, os jovens do MSV pretendem apresentar-se aos seus cong\u00e9neres algarvios tal como s\u00e3o. Como jovens que se divertem tal como os outros, mas que t\u00eam um espa\u00e7o e uma presen\u00e7a importante na Igreja. A aceita\u00e7\u00e3o e o apoio da fam\u00edlia \u00e0 sua op\u00e7\u00e3o resume-se, segundo os membros do MSV, a um sentimento que classificam de &#8220;ambivalente&#8221;. Por um lado, a &#8220;imensa felicidade, o orgulho e at\u00e9 a tranquilidade&#8221;, quando pensam que poderiam optar por outros &#8220;programas&#8221; que os deixariam mais apreensivos, e por outro lado, um sentimento de &#8220;falta&#8221; pela sua aus\u00eancia.  Samuel Mendon\u00e7a, &#8220;Folha do Domingo&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os &#8220;jovens amigos de Lisboa&#8221;, como s\u00e3o carinhosamente apelidados pelos habitantes do Nordeste algarvio, j\u00e1 quase s\u00e3o considerados pelos residentes dos diversos montes como membros da sua pr\u00f3pria fam\u00edlia. As popula\u00e7\u00f5es rurais das freguesias de Alcoutim, Vaqueiros e Martinlongo, t\u00eam vindo a ser alvo da concretiza\u00e7\u00e3o de um projecto pastoral promovido pelo MSV &#8211; Movimento [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[122,185,206,207,211,316],"class_list":["post-2270","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-brasil","tag-diocese-do-algarve","tag-familia","tag-fatima","tag-ferias","tag-terco"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2270","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2270"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2270\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2270"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2270"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2270"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}