{"id":22676,"date":"2007-02-05T12:20:47","date_gmt":"2007-02-05T12:20:47","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/02\/05\/nao-estamos-contra-ninguem-somos-pela-vida\/"},"modified":"2007-02-05T12:20:47","modified_gmt":"2007-02-05T12:20:47","slug":"nao-estamos-contra-ninguem-somos-pela-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/nao-estamos-contra-ninguem-somos-pela-vida\/","title":{"rendered":"N\u00e3o estamos contra ningu\u00e9m, somos pela vida"},"content":{"rendered":"<p>D. Ant\u00f3nio Carrilho, Presidente da Comiss\u00e3o Episcopal do Laicado e Fam\u00edlia, critica ambiguidades do referendo <!--more--> A prop\u00f3sito da quest\u00e3o do aborto e do referendo a realizar no pr\u00f3ximo dia 11 de Fevereiro, D. Ant\u00f3nio Carrilho, Presidente da Comiss\u00e3o Episcopal do Laicado e Fam\u00edlia, respondeu a algumas perguntas que lhe foram dirigidas e que o Secretariado Nacional do Apostolado dos Leigos e da Fam\u00edlia entende divulgar.   <b>1. Como est\u00e1 a ser preparada a participa\u00e7\u00e3o dos cat\u00f3licos no referendo? O que est\u00e1 em causa?<\/b>  D. Ant\u00f3nio Carrilho (A.C.): Como cidad\u00e3os que s\u00e3o, os cat\u00f3licos preparam-se para a participa\u00e7\u00e3o no referendo como todas as outras pessoas. N\u00f3s apelamos \u00e0 consci\u00eancia c\u00edvica, ao sentido da corresponsabilidade social, ao dever da n\u00e3o absten\u00e7\u00e3o.  Como cat\u00f3licos, mais especificamente, procuramos proporcionar-lhes a informa\u00e7\u00e3o e o esclarecimento da consci\u00eancia moral sobre tudo aquilo que est\u00e1 implicado ou visado nos objectivos do referendo.  \u00c9 importante, sem d\u00favida, que os cat\u00f3licos:  &#8211; conhe\u00e7am e saibam afirmar os princ\u00edpios relativos aos direitos fundamentais da pessoa humana, o primeiro dos quais \u00e9 o direito \u00e0 vida;  &#8211; possam reconhecer que aquilo que \u00e9 exig\u00eancia da pr\u00f3pria natureza humana, da \u00e9tica ou moral natural, est\u00e1 inteiramente de acordo com o imperativo da f\u00e9 e da moral crist\u00e3;  &#8211; esclare\u00e7am as suas consci\u00eancias e sejam capazes de agir em conformidade e coer\u00eancia.  Portanto, o que est\u00e1 em causa, nesta prepara\u00e7\u00e3o, \u00e9 motivar e mobilizar o \u201cn\u00e3o\u201d \u00e0 absten\u00e7\u00e3o e para uma participa\u00e7\u00e3o em consci\u00eancia e coer\u00eancia.  <b>2. \u00c9 aconselh\u00e1vel o envolvimento dos fi\u00e9is numa causa que divide a sociedade portuguesa?<\/b>  A.C.: Mais do que aconselh\u00e1vel \u00e9 indispens\u00e1vel! Numa sociedade pluralista, como pretende ser a nossa, todos t\u00eam o direito de afirmar as suas perspectivas e pontos de vista, sem que tal signifique, necessariamente, criar divis\u00f5es, barreiras e confronto entre as pessoas. Se assim fosse, onde estaria a capacidade de di\u00e1logo e debate das quest\u00f5es fundamentais da vida das pessoas; onde estaria a maturidade como capacidade para reconhecer as diferen\u00e7as, respeitar o pensamento dos outros, afirmar as pr\u00f3prias convic\u00e7\u00f5es e valores?  Seria trai\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00f3pria consci\u00eancia calar a Boa Nova da Vida perante manifesta\u00e7\u00f5es v\u00e1rias de uma cultura da morte, que nem \u00e9 preciso enumerar. N\u00e3o estamos contra ningu\u00e9m, somos pela vida! E ser pela \u201ccultura da vida\u201d obriga a defend\u00ea-la e a promov\u00ea-la, a procurar solu\u00e7\u00f5es e respostas positivas, com justi\u00e7a e sentido de fraternidade, com serenidade, com grande amor \u00e0 vida!    <b>3. H\u00e1 quem diga que a quest\u00e3o do aborto, tal como est\u00e1 a ser colocada entre n\u00f3s pelo referendo, \u00e9 uma quest\u00e3o ultrapassada, uma quest\u00e3o de h\u00e1 30 anos atr\u00e1s. Hoje, deveria pressupor-se uma educa\u00e7\u00e3o sexual e uma informa\u00e7\u00e3o sobre os m\u00e9todos de planeamento familiar, que n\u00e3o fizessem do recurso ao aborto um desses m\u00e9todos. Acha que os jovens de hoje est\u00e3o bem informados em rela\u00e7\u00e3o aos m\u00e9todos contraceptivos?<\/b>  A.C.: \u00c9 imposs\u00edvel generalizar uma resposta, dizendo sim ou n\u00e3o. Penso, no entanto, que no dom\u00ednio da sexualidade h\u00e1 mais \u201cinforma\u00e7\u00e3o\u201d do que \u201ceduca\u00e7\u00e3o\u201d. Mais: quando muita gente fala de \u201ceduca\u00e7\u00e3o sexual\u201d quase s\u00f3 pensa na \u201cinforma\u00e7\u00e3o\u201d sobre os m\u00e9todos contraceptivos. \u00c9 o que se v\u00ea pelas repetidas campanhas a favor do preservativo.  Ora a quest\u00e3o \u00e9 mais profunda, pois toca o pr\u00f3prio sentido da sexualidade. E a sexualidade n\u00e3o pode ser vista apenas na sua dimens\u00e3o f\u00edsica, mas tem de situar-se na comunh\u00e3o total, de cora\u00e7\u00f5es e de vida, entre um homem e uma mulher. A intimidade dos corpos n\u00e3o se pode desligar da intimidade espiritual. O verdadeiro amor humano exprime-se nesta dupla dimens\u00e3o \u2013 espiritual e corp\u00f3rea.  O que acontece \u00e9 que muitas vezes a informa\u00e7\u00e3o sobre os contraceptivos aponta mais no sentido duma sexualidade f\u00e1cil e sem responsabilidade do que no sentido duma sexualidade assumida no contexto da vida afectiva e da intimidade espiritual entre o homem e a mulher.    <b>4. Em s\u00edntese, como exprime o pensamento da Igreja sobre o aborto?<\/b>  A.C.: A posi\u00e7\u00e3o da Igreja est\u00e1 bem clara na Nota Pastoral do Conselho Permanente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, publicada no dia 19 de Outubro passado, onde se apresentam 5 raz\u00f5es para votar \u201cn\u00e3o\u201d e \u201cescolher a vida\u201d.  Em s\u00edntese: a Igreja \u00e9 a favor da vida! Defende que se respeite o direito \u00e0 vida, desde o primeiro instante da concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 ao seu termo natural. Para a Igreja \u00e9 claro que destruir o princ\u00edpio de uma pessoa, o embri\u00e3o, \u00e9 destruir uma vida humana, uma pessoa no seu princ\u00edpio e, por isso, n\u00e3o pode aceitar o aborto provocado.   Tal, por\u00e9m, n\u00e3o significa que a Igreja desconhe\u00e7a ou menospreze os problemas reais das pessoas e as situa\u00e7\u00f5es profundamente dolorosas, que est\u00e3o ligadas ou subjacentes \u00e1 quest\u00e3o do aborto dos pontos de vista humano e social. A Igreja conhece os problemas, mas entende que a solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 em facilitar a pr\u00e1tica do aborto: h\u00e1 que encontrar solu\u00e7\u00f5es, no \u00e2mbito da educa\u00e7\u00e3o, da solidariedade e da justi\u00e7a social; h\u00e1 que educar para uma paternidade respons\u00e1vel, apoiar as m\u00e3es e as fam\u00edlias em dificuldades, encontrar formas de acolher as crian\u00e7as indesejadas.  \u00c9 que, quando est\u00e3o em causa direitos fundamentais da pessoa humana \u2013 o direito \u00e0 vida \u00e9 o primeiro! \u2013 as raz\u00f5es da intelig\u00eancia e da consci\u00eancia moral t\u00eam de prevalecer sobre as raz\u00f5es da ordem do sentimento.  <b>5. Como mobilizar os cat\u00f3licos para esta causa, para a causa do \u201cN\u00e3o\u201d?<\/b>  A.C.: O maior agente dessa mobiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 a pr\u00f3pria consci\u00eancia, quando esclarecida com os dados da ci\u00eancia e da \u00e9tica natural e com a perspectiva da f\u00e9 e da moral crist\u00e3.  \u00c9 sabido que a Igreja sempre condenou o aborto, porque considera que desde o primeiro momento da concep\u00e7\u00e3o existe um ser humano, com toda a sua dignidade, com direito a existir e a ser protegido. A Ci\u00eancia n\u00e3o o desmente, mas confirma-o. Trata-se, assim, de um valor universal, de \u00e9tica natural e n\u00e3o apenas de um preceito da moral religiosa; e \u00e9 por isso que h\u00e1 muitos homens e mulheres que, n\u00e3o sendo crentes, s\u00e3o contra o aborto e a sua legaliza\u00e7\u00e3o.  <b>6. O que acha da pergunta do referendo? Ser\u00e1 percept\u00edvel para a generalidade da popula\u00e7\u00e3o?<\/b>   A.C.: Em meu entender, a pergunta n\u00e3o est\u00e1 correctamente formulada e at\u00e9 induz em erro, favorece uma interpreta\u00e7\u00e3o errada:  &#8211; fala-se de \u201cdespenaliza\u00e7\u00e3o\u201d, mas o que se prop\u00f5e \u00e9 a \u201clegaliza\u00e7\u00e3o\u201d: despenalizar, legalizando;  &#8211; fala-se da \u201cinterrup\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria da gravidez\u201d, mas o que se pretende \u00e9 por termo \u00e0 gravidez, destruindo o embri\u00e3o ou o feto;  &#8211; admite-se que tal aconte\u00e7a por simples vontade da mulher-m\u00e3e e perguntamo-nos se o pai nada tem a ver com a vida que foi gerada;  &#8211; legaliza-se at\u00e9 \u00e0s 10 semanas e fica-se sem saber porqu\u00ea 10 e n\u00e3o 2,  8 ou 12, se o embri\u00e3o j\u00e1 cont\u00e9m em si todo o dinamismo de desenvolvimento do ser humano;  &#8211; e legaliza-se o aborto, desde que se fa\u00e7a em estabelecimento de sa\u00fade autorizado, ficando a pergunta: no caso dos abortos clandestinos, que n\u00e3o deixar\u00e3o de existir, h\u00e1 penaliza\u00e7\u00e3o e nega-se a assist\u00eancia hospitalar gratuita a quem, eventualmente, venha a necessitar dela?    \u00c9 bom que as pessoas tenham consci\u00eancia destas ambiguidades da pergunta a que v\u00e3o responder no dia 11 de Fevereiro, apesar de ter sido considerada aceit\u00e1vel pelo Tribunal Constitucional, ainda que com a mera diferen\u00e7a de 1 voto.  <b>7. Acredita que n\u00e3o ser\u00e1 uma batalha perdida?<\/b>  Pelo contr\u00e1rio\u2026 Penso que a batalha est\u00e1 ganha, seja qual for o resultado do referendo e da legisla\u00e7\u00e3o que venha a ser publicada!  Estou certo de que a mobiliza\u00e7\u00e3o dos Grupos pela Vida, praticamente em todo o Pa\u00eds, constituir\u00e1 um bom contributo para o esclarecimento dos cat\u00f3licos e de muitas outras pessoas\u2026  Na medida em que o debate e o di\u00e1logo se estabelecer, salientando as raz\u00f5es e as diferen\u00e7as de pontos de vista entre os diversos grupos c\u00edvicos e partid\u00e1rios, muitos ter\u00e3o ganho, certamente, uma consci\u00eancia maior dos direitos fundamentais da pessoa humana e do respeito que nos merecem; muitos ter\u00e3o sabido reconhecer o valor dos princ\u00edpios cient\u00edficos, \u00e9ticos e religiosos, independentemente das pessoas ou figuras p\u00fablicas que apare\u00e7am a afirm\u00e1-los; muitos pautar\u00e3o a sua vida pela ordem moral, ainda que a legisla\u00e7\u00e3o n\u00e3o esteja em conson\u00e2ncia ou de acordo com ela.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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