{"id":226701,"date":"2022-01-18T13:07:23","date_gmt":"2022-01-18T13:07:23","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=226701"},"modified":"2022-01-18T13:13:01","modified_gmt":"2022-01-18T13:13:01","slug":"a-cruz-escondida-171","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-171\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p><em>A hist\u00f3ria dram\u00e1tica de Rita, uma mulher crist\u00e3 escravizada no Iraque<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/capa_Rel-OicaGritoDelas_3D.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-226704 \" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/capa_Rel-OicaGritoDelas_3D.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/capa_Rel-OicaGritoDelas_3D.jpg 1000w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/capa_Rel-OicaGritoDelas_3D-260x260.jpg 260w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/capa_Rel-OicaGritoDelas_3D-150x150.jpg 150w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/capa_Rel-OicaGritoDelas_3D-768x768.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/capa_Rel-OicaGritoDelas_3D-980x980.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/capa_Rel-OicaGritoDelas_3D-480x480.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a>\u201cFui vendida a um emir\u2026\u201d<\/h4>\n<p>Estava em Qaraqosh no dia em que a cidade iraquiana foi ocupada pelos jihadistas do Daesh. A crist\u00e3 Rita Habib foi escravizada, vendida, agredida, violentada. O seu testemunho faz parte do relat\u00f3rio da Funda\u00e7\u00e3o AIS sobre o rapto, convers\u00e3o for\u00e7ada e viol\u00eancia contra mulheres e raparigas crist\u00e3s no mundo. Um documento que mostra uma face oculta da persegui\u00e7\u00e3o contra as minorias religiosas\u2026<\/p>\n<p>Rita teve azar. Dias antes de o Daesh invadir e ocupar a cidade iraquiana de Qaraqosh, na Plan\u00edcie de N\u00ednive, tinha estado na Turquia a tratar dos pap\u00e9is para um pedido de asilo para si e para o seu pai. Quando regressou a casa, j\u00e1 com o processo encaminhado, quase que teve de furar caminho entre as multid\u00f5es que abandonavam j\u00e1 a regi\u00e3o, perante a chegada iminente dos tem\u00edveis e b\u00e1rbaros jihadistas. Rita n\u00e3o tinha alternativa. O pai, invisual, estava \u00e0 sua espera. Atravessou de novo as portas da cidade a 6 de Agosto de 2014. Na manh\u00e3 seguinte, a primeira coisa que viu, quando espreitou pela janela, foi a cidade em alvoro\u00e7o, cheia de homens armados, e imensas bandeiras negras do Daesh nas ruas.\u00a0 Os terroristas do Estado Isl\u00e2mico tinham chegado. Todos os habitantes foram feitos prisioneiros e divididos em grupos. Homens para um lado, mulheres e crian\u00e7as para outro. Rita perdeu o contacto com o pai e foi levada para Mossul. Disseram-lhe que ia ser trocada por outros prisioneiros. \u201cVoc\u00eas s\u00e3o os despojos da guerra\u201d, disseram a Rita, colocando as mulheres e jovens crist\u00e3s e yazidis \u2013 outra minoria religiosa existente no Iraque \u2013 no mesmo grupo de pessoas sem direitos, objectos que se podem transacionar. Foi o que lhe aconteceu. Em pleno s\u00e9c. XXI, perante a indiferen\u00e7a do mundo, Rita e tantas outras mulheres foram vendidas como escravas. A sua hist\u00f3ria, escrita com l\u00e1grimas, \u00e9 um dos elementos de prova do relat\u00f3rio da Funda\u00e7\u00e3o AIS \u2013 \u201cOi\u00e7am os gritos delas\u201d \u2013 sobre o rapto, a convers\u00e3o for\u00e7ada e a viol\u00eancia contra mulheres e raparigas crist\u00e3s. Rita foi comprada pela primeira vez por um iraquiano de Mossul e permaneceu com ele durante um ano e meio. \u201cFui vendida ao [Emir] Abu Mus&#8217;ab al-Iraqi. Na sua casa, havia tamb\u00e9m uma rapariga yazidi de Sinjar, chamada Shata&#8230; tinha apenas 14 anos. O emir violou-nos \u00e0s duas vezes sem conta. Fomos violadas e torturadas.\u201d<\/p>\n<h4>Longo cativeiro<\/h4>\n<p>A hist\u00f3ria do cativeiro de Rita prolongou-se por longos meses. De Mossul foi para Racca, onde passou a ser propriedade do saudita Abu Khalid al-Saudi, um homem casado com uma marroquina, que infernizou ainda mais a sua vida. \u00a0\u201cFui espancada e torturada por ela todos os dias. Obrigaram-me a ler o Alcor\u00e3o e amea\u00e7aram matar-me se eu n\u00e3o me convertesse ao Islamismo.\u201d Era a escrava da casa. Deixou de ter nome. Passou a ser a \u201cabed\u201d, a escrava, ou \u201ckafir\u201d, a infiel. Depois mudou ainda de dono. Foi comprada ainda por um s\u00edrio. Estava a viver na aldeia de Deir ez-Zur quando elementos da Funda\u00e7\u00e3o Shlama, um grupo financiado pela di\u00e1spora ass\u00edria e caldeia, se fizeram passar por jihadistas para conseguirem comprar a sua liberdade. A hist\u00f3ria de Rita \u00e9 apenas um exemplo do extenso \u2018dossier\u2019 produzido pela Funda\u00e7\u00e3o AIS onde se procura denunciar a situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica em que se encontram raparigas e mulheres crist\u00e3s em v\u00e1rias regi\u00f5es do globo, v\u00edtimas de persegui\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia sexual, rapto e convers\u00f5es for\u00e7adas. O relat\u00f3rio, \u201cOi\u00e7am os gritos delas\u201d, indica que esta \u00e9 uma realidade n\u00e3o s\u00f3 no Iraque, mas tamb\u00e9m no Paquist\u00e3o, Nig\u00e9ria, Egipto, S\u00edria e Mo\u00e7ambique\u2026 Em comum a todos os casos analisados, est\u00e1 o facto de os violadores, os raptores, pertencerem \u00e0 comunidade mu\u00e7ulmana e olharem para as mulheres e raparigas crist\u00e3s com absoluto desprezo. A investiga\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o AIS aponta para uma realidade de tal forma dram\u00e1tica que se pode falar em \u201ccat\u00e1strofe\u201d ao n\u00edvel dos direitos humanos. O trabalho da Funda\u00e7\u00e3o AIS refere ainda que os casos de convers\u00e3o for\u00e7ada de raparigas e mulheres crist\u00e3s \u201cpode ser classificado como genoc\u00eddio\u201d, pois decorre da amea\u00e7a de destrui\u00e7\u00e3o da comunidade por grupos jihadistas. Rita Habib foi escravizada, vendida, agredida, violada. O seu testemunho \u00e9 um grito de denuncia e de revolta que mostra ao mundo uma face oculta da persegui\u00e7\u00e3o contra as minorias religiosas. N\u00e3o podemos ficar indiferentes a estas hist\u00f3rias.<\/p>\n<p><em>Paulo Aido | www.fundacao-ais.pt<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria dram\u00e1tica de Rita, uma mulher crist\u00e3 escravizada no Iraque<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":187728,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-226701","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/226701","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=226701"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/226701\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/187728"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=226701"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=226701"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=226701"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}