{"id":22667,"date":"2007-02-05T10:47:24","date_gmt":"2007-02-05T10:47:24","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/02\/05\/universidade-catolica-40-anos-ao-servico-da-igreja-e-do-pais\/"},"modified":"2007-02-05T10:47:24","modified_gmt":"2007-02-05T10:47:24","slug":"universidade-catolica-40-anos-ao-servico-da-igreja-e-do-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/universidade-catolica-40-anos-ao-servico-da-igreja-e-do-pais\/","title":{"rendered":"Universidade Cat\u00f3lica, 40 anos ao servi\u00e7o da Igreja e do Pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de D. Jorge Ortiga no anivers\u00e1rio da UCP <!--more--> Nesta Celebra\u00e7\u00e3o de ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as pelos 40 anos da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa, ao servi\u00e7o da Igreja e do Pa\u00eds, mesmo para al\u00e9m de fronteiras eclesi\u00e1sticas, territoriais, gostaria de iniciar esta homilia, partilhando convosco uma medita\u00e7\u00e3o da Palavra proclamada.  1 &#8211; Faz-te ao largo e lan\u00e7ai as redes para a pesca (Evangelho de Lucas): um convite paradoxal quando se passou toda a noite numa faina sem qualquer resultado. Mas, por outro lado, \u00e9 um apelo \u00e0 confian\u00e7a n\u2019Aquele que fala, que comunica a Palavra de Deus: j\u00e1 que o dizes, lan\u00e7amos as redes. Os grandes projectos amadurecem no sil\u00eancio da noite do insucesso vivido na entrega do amor e da confian\u00e7a ao Deus da vida, que transforma o nosso pobre quotidiano de pescadores simples e ignorantes na aventura ousada de pescadores de homens. Basta estar dispostos a segui-Lo, a deixar tudo e a n\u00e3o temer arriscar nas grandes causas mesmo que tudo convide a resignar-se ao fracasso da noite.  2 &#8211; O que recebi isso vos transmiti (II Leitura da 1\u00aa Carta aos Cor\u00edntios): este \u00e9 o lema paradigm\u00e1tico de Paulo, o ap\u00f3stolo das na\u00e7\u00f5es e o homem que soube proclamar Jesus Cristo Crucificado e Ressuscitado no aer\u00f3pago de Atenas, a cosmopolita urbe onde n\u00e3o faltava o pante\u00e3o, onde todos os deuses gozavam de cidadania, mas o Deus desconhecido era mesmo o que se precisava conhecer para que a sabedoria, a verdadeira filosofia pudesse encontrar-se com a teosofia, sabedoria de Deus (cfr. Actos 17, 16 ss).  Saulo de Tarso, que n\u00e3o conheceu o Jesus hist\u00f3rico, o Jesus de Nazar\u00e9 na sua vida terrena, tornou-se, por elei\u00e7\u00e3o divina, por gra\u00e7a, no Evangelizador que comunicando uma tradi\u00e7\u00e3o recebida \u00e9 capaz de a inculturar no espa\u00e7o hel\u00e9nico, no mundo bem constru\u00eddo dos gregos. Orgulhoso das suas origens judaicas vive a dupla fidelidade, nem sempre f\u00e1cil: na tradi\u00e7\u00e3o descobre a energia da inova\u00e7\u00e3o. Ele \u00e9 o homem das grandes encruzilhadas teol\u00f3gicas e hist\u00f3ricas, ficando na mem\u00f3ria do cristianismo como o grande te\u00f3logo que transmite de forma in\u00e9dita e cheia de vigor, a heran\u00e7a recebida.  3 &#8211; Eis-me aqui: podeis enviar-me (I Leitura do Livro de Isa\u00edas): esta \u00e9 a atitude do profeta chamado a uma miss\u00e3o quase imposs\u00edvel, ou seja, comunicar ao seu povo as palavras de Deus. Est\u00e1 consciente de ser um homem de l\u00e1bios impuros no meio de um povo de l\u00e1bios impuros. E o Deus que o chama \u00e9 o tr\u00eas vezes santo que se lhe revela no trono de gl\u00f3ria da sua majestade, rodeado de serafins e querubins.  Mas esse Deus santo \u00e9 o Emanuel, o Filho de uma virgem. A gl\u00f3ria de Deus \u00e9 o homem vivo e vivente, e aqui a transcend\u00eancia divina \u00e9 a sua iman\u00eancia, o seu habitar no meio de n\u00f3s, o Verbo feito carne. N\u00f3s vimos a Sua gl\u00f3ria na fragilidade de um menino nascido em Bel\u00e9m, que \u00e9 o \u00fanico int\u00e9rprete do rosto do Pai, que \u00e9 o Caminho, a Verdade e a Vida. O profeta, que \u00e9 a voca\u00e7\u00e3o de todos n\u00f3s, viver\u00e1 sempre entre a contempla\u00e7\u00e3o da Verdade que se desvela e a incarna\u00e7\u00e3o no tempo e na cultura de todos os tempos dessa Verdade que o supera.  \u00c9 \u00e0 luz desta medita\u00e7\u00e3o sobre a Palavra deste Domingo, que agora partilho convosco alguns desejos e desafios: 1 &#8211; O caminho percorrido em 40 anos pela Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa, bem descrito na Mensagem do Magn\u00edfico Reitor para este dia, \u00e9 garantia de que \u201co muito que tem a fazer no futuro\u201d dever\u00e1 ser uma pesca abundante e, para isso, apelamos \u00e0 partilha de esfor\u00e7os para que a faina n\u00e3o se perca. A inspira\u00e7\u00e3o inicial, dos fundadores, constitui para todos uma fonte de renovada energia, uma tradi\u00e7\u00e3o fecunda que nos desafia \u00e0 inova\u00e7\u00e3o, a fazermo-nos ao largo. Enraizados na f\u00e9, procuremos todos dar vida a esta tradi\u00e7\u00e3o, torn\u00e1-la actuante, potenci\u00e1-la no nosso trabalho quotidiano em benef\u00edcio de todos.  2 &#8211; Hoje, as fronteiras alargam-se, os desafios intensificam-se e \u00e9 precisamente na fidelidade criativa \u00e0s origens, ao Evangelho recebido e anunciado por tantos obreiros que j\u00e1 partiram, que encontraremos a sabedoria para afrontar as novas tarefas num espa\u00e7o multicultural, no espa\u00e7o do regresso dos deuses e duma certa confus\u00e3o bab\u00e9lica de linguagens, \u00e9 neste espa\u00e7o que o Esp\u00edrito Santo \u00e9 capaz de recompor, num Pentecostes de amor, as diferen\u00e7as. Hoje o desafio unificante parece-me situar-se no an\u00fancio do Evangelho da Vida que exige de todos um servi\u00e7o, um cuidar da vida toda e de todos. Ele \u00e9 a Vida que pode gerar os espa\u00e7os culturais onde a verdadeira humanidade do homem se reencontra. Os Humanismos t\u00eam as suas ra\u00edzes no Homem, no menino feito carne que \u00e9 a palavra, a sabedoria que desce do alto para habitar com o homem peregrino, que busca a Verdade e o seu esplendor pelos caminhos dif\u00edceis do estudo, da investiga\u00e7\u00e3o, da partilha dos saberes, da comunica\u00e7\u00e3o dos frutos das fainas nocturnas, \u00e0s vezes com o sabor amargo do fracasso, da ambiguidade e da tenta\u00e7\u00e3o do des\u00e2nimo. Mas, coragem, n\u00e3o temais, lan\u00e7ai sempre de novo as redes. Cristo e a Sua doutrina ser\u00e3o sempre o caminho para a vida, com o sentido e a raz\u00e3o de ser que s\u00f3 Ele lhe pode dar desde a concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 a morte.  3 &#8211; Fazer-se ao largo, olhar ao longe desde \u201co Minho a Macau\u201d, como a hist\u00f3ria de 40 anos o torna evidente, desde o Ocidente ao Oriente, num tenaz esfor\u00e7o de di\u00e1logo de culturas e tradi\u00e7\u00f5es, na comunh\u00e3o de igrejas irm\u00e3s. Foi este o percurso de mission\u00e1rios que serviram a cultura e as culturas locais. Hoje, este di\u00e1logo de comunh\u00e3o na f\u00e9 e na cultura \u00e9 uma exig\u00eancia mais sentida, nesta \u00e9poca da globaliza\u00e7\u00e3o. Esperamos firmemente que a aldeia global n\u00e3o seja o resultado de imperialismos homogeneizantes, mas o fruto de um acolhimento das diferen\u00e7as, n\u00e3o apenas toleradas mas amadas e promovidas.  A Universidade Cat\u00f3lica tem um projecto necess\u00e1rio para a Sociedade Portuguesa. Ela reconhece o espec\u00edfico dos seus conte\u00fados. Sente de o oferecer, sendo, nos diversos Centros e Faculdades, fiel ao esp\u00edrito que lhe deu vida. Assim a Sociedade Portuguesa e o poder legitimamente institu\u00eddo lhe proporcione uma igualdade de oportunidades. Ser\u00e1 Portugal a beneficiar. Esta eucaristia \u00e9 um canto de ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as por todos v\u00f3s que tornais poss\u00edvel este projecto, que \u00e9 sempre novo e t\u00e3o antigo como o apelo do Evangelho. Quero nesta Eucaristia lembrar os que est\u00e3o junto de Deus e que fizeram a Universidade: o Senhor Cardeal Cerejeira que a fundou, o Senhor Cardeal D. Ant\u00f3nio Ribeiro que a ajudou a atravessar momentos duros, o Senhor Padre Bacelar de Oliveira que por ela deu a vida e o talento, e o Senhor Padre Isidro Alves que tanto entusiasmo manifestou e que Deus chamou a S\u00ed cedo. A Universidade Cat\u00f3lica, fiel \u00e0s suas origens, saber\u00e1 responder hoje aos novos desafios e afirmar-se, com o seu contributo original, nas m\u00faltiplas ofertas dos nossos are\u00f3pagos culturais, que podem correr o risco de transformar o pluralismo cultural num polite\u00edsmo camuflado.  Seja a UCP fiel ao Evangelho, \u00e0 Sua Sabedoria, como caminho para a verdade, como o diz no seu lema. Que esta seja a sua preocupa\u00e7\u00e3o, sem medos nem complexos. Que Maria, sede da sabedoria, nos ensine a amar o Deus de Abra\u00e3o, Isaac, Jacob, o Deus de Jesus, carne da sua carne e Filho eterno do Pai, exemplar \u00fanico e insuper\u00e1vel da incarna\u00e7\u00e3o do Evangelho na cultura e nas culturas. Braga, 4 de Fevereiro de 2007.  <i>+ Jorge Ferreira da Costa Ortiga, Arcebispo Primaz e  Presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de D. 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