{"id":226438,"date":"2022-01-16T09:30:50","date_gmt":"2022-01-16T09:30:50","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=226438"},"modified":"2022-01-14T15:00:26","modified_gmt":"2022-01-14T15:00:26","slug":"nao-somos-um-movimento-politico-mas-questionamos-os-politicos-victor-gil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/nao-somos-um-movimento-politico-mas-questionamos-os-politicos-victor-gil\/","title":{"rendered":"\u00abN\u00e3o somos um movimento pol\u00edtico, mas questionamos os pol\u00edticos\u00bb &#8211; Victor Gil"},"content":{"rendered":"<p><em>M\u00e9dico, um dos fundadores do Movimento A\u00e7\u00e3o \u00c9tica, fala do desafio que lan\u00e7aram aos partidos, para que esclare\u00e7am, antes das elei\u00e7\u00f5es, o que querem fazer em \u201cquest\u00f5es essenciais\u201d, que n\u00e3o se decidem em \u201cjogos de tabuleiro\u201d pol\u00edticos<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_226299\" aria-describedby=\"caption-attachment-226299\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/unnamed-3.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-226299 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/unnamed-3.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/unnamed-3.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/unnamed-3-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/unnamed-3-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/unnamed-3-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/unnamed-3-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/unnamed-3-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/unnamed-3-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/unnamed-3-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/unnamed-3-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-226299\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ricardo Fortunato\/RR<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>\u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Que balan\u00e7o faz deste primeiro ano do Movimento A\u00e7\u00e3o \u00c9tica?<\/em><\/p>\n<p>Esta iniciativa resultou, como tantas outras coisas, de conversas entre pessoas, n\u00e3o havia nenhuma ideia pr\u00e9-concebida. N\u00e3o nos conhec\u00edamos todos em simult\u00e2neo, uns conheciam outros, e nessas conversas percebeu-se que havia preocupa\u00e7\u00f5es comuns, e que havia a vontade de fazer qualquer coisa, nada do tipo partid\u00e1rio, ou desse g\u00e9nero, mas um movimento c\u00edvico, vozes c\u00edvicas que tamb\u00e9m t\u00eam o direito, e se calhar o dever de se expressar. Estas preocupa\u00e7\u00f5es \u00e9ticas eram transversais a todos n\u00f3s, e foi por a\u00ed que come\u00e7\u00e1mos.<\/p>\n<p>Desenh\u00e1mos v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es, primeiro um conjunto de a\u00e7\u00f5es de divulga\u00e7\u00e3o: demos algumas entrevistas, elabor\u00e1mos alguns documentos, tom\u00e1mos posi\u00e7\u00e3o sobre algumas coisas. Foi quente a quest\u00e3o, por exemplo, das vota\u00e7\u00f5es sobre a eutan\u00e1sia. Tivemos oportunidade nessa altura de manifestar a nossa opini\u00e3o do ponto de vista estritamente \u00e9tico, e at\u00e9 sobre alguns aspetos mais jur\u00eddicos, porque temos um ilustre jurista dentro do grupo (Paulo Otero). E plane\u00e1mos outras a\u00e7\u00f5es, das quais destaco a edi\u00e7\u00e3o de um livro, que ocorrer\u00e1 em breve&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 um livro dedicado aos jovens?<\/em><\/p>\n<p>Inicialmente t\u00ednhamos a ideia de fazer uma edi\u00e7\u00e3o mais dedicada aos jovens, focada nas Jornadas Mundiais da Juventude. Acontece que convid\u00e1mos v\u00e1rios autores, algumas pessoas que s\u00e3o grandes especialistas de \u00e9tica, outras que pura e simplesmente vivem as coisas sem ter alguma vez elaborado grandes teorias sobre os temas, e dessa mistura &#8211; que eu acho que foi muito simp\u00e1tica &#8211; resultou um conjunto de textos sobre v\u00e1rios temas. A profundidade de alguns textos ultrapassa esse plano inicial de apenas tocar nessa faixa dos jovens, \u00e9 um conjunto de testemunhos sobre v\u00e1rios temas \u00e9ticos que v\u00e3o interessar a toda a gente. Mas, temos tamb\u00e9m a inten\u00e7\u00e3o de ter algumas a\u00e7\u00f5es mais centradas na juventude e disponibiliz\u00e1mo-nos para colaborar com a organiza\u00e7\u00e3o da JMJ, nesse sentido.<\/p>\n<p>Esse livro tem sido um dos nossos grandes trabalhos, mas agora,\u00a0a prop\u00f3sito destas elei\u00e7\u00f5es, ach\u00e1mos que dev\u00edamos tomar posi\u00e7\u00e3o chamando a aten\u00e7\u00e3o das v\u00e1rias\u00a0for\u00e7as pol\u00edticas de que h\u00e1 temas que s\u00e3o muito importantes, axiom\u00e1ticos, que t\u00eam que ver com a base de tudo, da organiza\u00e7\u00e3o e da pr\u00f3pria vida em sociedade, e que s\u00e3o muitas vezes esquecidos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Que quest\u00f5es fundamentais s\u00e3o essas que t\u00eam de ser esclarecidas para que os eleitores votem em consci\u00eancia?<\/em><\/p>\n<p>Selecion\u00e1mos um conjunto de coisas. Vamos come\u00e7ar pelos temas ditos fraturantes. Houve recentemente uma iniciativa legislativa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 eutan\u00e1sia, foi uma iniciativa em que, toda a gente sabe, houve uma enorme preocupa\u00e7\u00e3o de rapidez, de tomar uma decis\u00e3o. Em nossa opini\u00e3o n\u00e3o houve uma discuss\u00e3o aprofundada, que procurasse alargar-se e perceber bem todas as implica\u00e7\u00f5es que isto tem, e penso que as pessoas foram numa certa moda, de um certo politicamente correto, e \u00e9 muito dif\u00edcil voltar atr\u00e1s nestas decis\u00f5es legislativas. Nesse aspeto estamos um pouco pessimistas&#8230; \u00c9 um exemplo de um tema que foi apressadamente decidido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A lei foi vetada, mas lendo os programas dos v\u00e1rios partidos \u00e0s elei\u00e7\u00f5es do final do m\u00eas, h\u00e1 quem queira retomar o assunto, nomeadamente o Bloco de Esquerda (tem no seu programa eleitoral o compromisso de legalizar a eutan\u00e1sia)\u2026<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s temos uma posi\u00e7\u00e3o muito clara em rela\u00e7\u00e3o a esse tema, e acho que uma voz como a nossa tem tamb\u00e9m de ser ouvida.\u00a0A vida comunit\u00e1ria e a voz da comunidade n\u00e3o se circunscreve aos partidos pol\u00edticos e \u00e0s suas bases, ou \u00e0s pessoas que andam nos partidos e nos sindicatos.\u00a0H\u00e1 outras vozes, outras pessoas que t\u00eam de ser ouvidas, e essas pessoas provavelmente refletem a opini\u00e3o de muita gente. E a opini\u00e3o tamb\u00e9m tem de ser formada.<\/p>\n<p>H\u00e1 muitas pessoas que olham superficialmente para os temas e t\u00eam de ouvir os argumentos. S\u00e3o temas demasiados s\u00e9rios, s\u00e3o temas, em nossa opini\u00e3o, civilizacionais. O \u00a0que est\u00e1 aqui em causa ser\u00e3o para muitas pessoas op\u00e7\u00f5es religiosas, para outras op\u00e7\u00f5es culturais, mas em nossa opini\u00e3o s\u00e3o muito mais profundas do que isto.<\/p>\n<p>Est\u00e3o a ser tomadas agora decis\u00f5es civilizacionais, e nem toda a gente tem consci\u00eancia das implica\u00e7\u00f5es que isto pode ter, daquilo a que n\u00f3s chamamos &#8211; e que \u00e9 desvalorizado por quem nos contradiz &#8211; a &#8216;rampa deslizante&#8217;. Basta olhar para muitos outros pa\u00edses para ver o que \u00e9 que est\u00e1 a acontecer e o que \u00e9 que pode acontecer.\u00a0De facto, h\u00e1 aqui\u00a0perigos grandes e n\u00e3o sei se muita gente tem consci\u00eancia disso.<\/p>\n<p>Muitas\u00a0vezes h\u00e1 uma atitude superficial de deixar passar as coisas. \u00c9 evidente &#8211; ainda hoje vi n\u00fameros &#8211; \u00a0que \u00e9 muito preocupante saber-se que o poder de compra dos reformados vai ficar diminu\u00eddo agora, porque o aumento \u00e9 inferior \u00e0 infla\u00e7\u00e3o. Claro que isso \u00e9 terr\u00edvel, mas h\u00e1 outras coisas que tamb\u00e9m s\u00e3o terr\u00edveis, quer pessoalmente, quer para a comunidade em que vivemos, e sobretudo para o futuro. Que futuro \u00e9 que estamos a preparar?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_226298\" aria-describedby=\"caption-attachment-226298\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/unnamed-4.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-226298\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/unnamed-4-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/unnamed-4-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/unnamed-4-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/unnamed-4-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/unnamed-4-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/unnamed-4-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/unnamed-4-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/unnamed-4-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/unnamed-4-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/unnamed-4.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-226298\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ricardo Fortunato\/RR<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Seria importante que nesta campanha eleitoral todos os partidos, e especialmente os dois maiores partidos, deixassem claro qual \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o que v\u00e3o tomar no parlamento se houver uma nova vota\u00e7\u00e3o da lei (da eutan\u00e1sia)?<\/em><\/p>\n<p>Eu acho que isso \u00e9 imprescind\u00edvel, tem de ser clarificado e de uma forma fundamentada. Estas coisas n\u00e3o s\u00e3o &#8216;sim ou n\u00e3o&#8217;, estas coisas t\u00eam sustento, t\u00eam por tr\u00e1s um pensamento, e esse pensamento liga-se a outras coisas. Ou seja, a partir de uma determinada posi\u00e7\u00e3o sobre um tema destes, n\u00f3s inferimos que muitas outras coisas andam a\u00ed \u00e0 volta e podem estar em causa. Portanto, claro que isso tem de ser clarificado de uma forma muito fundamentada, para que isso ajude tamb\u00e9m a reflex\u00e3o das pessoas.\u00a0N\u00f3s n\u00e3o somos um movimento pol\u00edtico, mas questionamos os pol\u00edticos, porque s\u00e3o eles que depois v\u00e3o colocar as coisas no terreno. E a popula\u00e7\u00e3o, a pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o tem o direito de ser informada e de ser informada fundamentadamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esta quest\u00e3o em particular da eutan\u00e1sia n\u00e3o consta dos programas dos dois maiores partidos, PS e PSD, embora falem na quest\u00e3o dos cuidados paliativos e cuidados continuados. Devia constar? E nos debates televisivos raramente tem sido focada, devia ser, do vosso ponto de vista?<\/em><\/p>\n<p>Evidentemente que\u00a0estes temas importantes, que tocam em coisas muito profundas, t\u00eam de ser assumidos nos programas eleitorais. Claro que a maior parte das pessoas n\u00e3o tem o tempo suficiente para ler os programas dos partidos de A a Z, mas h\u00e1 resumos, os pr\u00f3prios jornalistas o fazem, e s\u00f3 podem fazer um resumo baseado no que est\u00e1 l\u00e1 escrito. Se n\u00e3o estiver l\u00e1 escrito \u00e9 uma d\u00favida, \u00e9 uma nuvem, e essa nuvem serve para o que mais der jeito na altura.\u00a0Um aspeto muito negativo de tudo isto \u00e9 que \u00e0s vezes temas destes s\u00e3o utilizados como parte de jogos pol\u00edticos &#8211; se eu te apoiar nisto, tu vais-me apoiar naquilo. E estas coisas s\u00e3o demasiado s\u00e9rias para serem jogos de tabuleiro. S\u00e3o coisas que tocam nas ra\u00edzes \u00e9ticas do modelo civilizacional que temos, e acho que \u00e9 muito importante toda a gente ter consci\u00eancia disto. E este \u00e9 apenas um exemplo, porque h\u00e1 muitas outras coisas\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Outro tema referido, e que \u00e9 uma quest\u00e3o espec\u00edfica da sua profiss\u00e3o (de m\u00e9dico), mas n\u00e3o s\u00f3, \u00e9 a obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia. Sente, de alguma forma, que esse direito est\u00e1 a ser amea\u00e7ado?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio. Sabemos que na Europa j\u00e1 houve propostas. Isso ainda n\u00e3o chegou c\u00e1 a Portugal, mas se houve na Europa, pode acontecer. Eu acho que o que era aqui h\u00e1 uns anos impens\u00e1vel, hoje \u00e9 poss\u00edvel e \u00e0s vezes \u00e9 prov\u00e1vel. Portanto, n\u00f3s queremos antecipar uma reflex\u00e3o sobre esta tem\u00e1tica, porque a obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia &#8211; como diria um dos membros do grupo, jurista, o professor Paulo Otero, num excelente artigo que escreveu para o livro &#8211; \u00e9 o \u00faltimo reduto da liberdade das pessoas em rela\u00e7\u00e3o ao sistema, que pode n\u00e3o ser necessariamente um sistema libertador, mas impor um determinado pensamento \u00fanico. Portanto, a obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia \u00e9 um \u00faltimo reduto, e n\u00f3s chamamos j\u00e1 a aten\u00e7\u00e3o para isso. \u00c9 outro tema que tem de ser clarificado:\u00a0o que \u00e9 que as for\u00e7as pol\u00edticas pensam sobre a obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia? V\u00e3o alargar o conceito? V\u00e3o restringir o conceito? V\u00e3o, como existe j\u00e1 nalguns pa\u00edses, dizer que se um m\u00e9dico \u00e9 contra o aborto n\u00e3o pode trabalhar no Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade? Eu n\u00e3o digo que algu\u00e9m defenda isso, mas gostava de ouvir dizer que n\u00e3o, que c\u00e1 n\u00e3o \u00e9 assim. \u00c9 mais um assunto que deve ser ser clarificado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Entre os fundadores do MAE, para al\u00e9m do senhor est\u00e3o o economista Bag\u00e3o F\u00e9lix, o jurista Paulo Otero e o psiquiatra Pedro Afonso. H\u00e1 v\u00e1rias sensibilidades e \u00e1reas de forma\u00e7\u00e3o, que fazem com que a vossa reflex\u00e3o seja bastante sobre temas que seria necess\u00e1rio esclarecer, nesta altura, pelos partidos. Nesse comunicado que divulgaram h\u00e1 sensivelmente um m\u00eas abordam outros temas, como a corrup\u00e7\u00e3o, a reforma do sistema eleitoral, a educa\u00e7\u00e3o. Isso est\u00e1 a ser esclarecido?<\/em><\/p>\n<p>A corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 um tema de moda, um bocadinho, e toda a gente toca nisso. Mas, infelizmente e recorrentemente, vamos sempre vendo que h\u00e1 coisas que n\u00e3o foram cumpridas e h\u00e1 um conjunto de medidas que n\u00e3o foram tomadas. Tenho a esperan\u00e7a de que esse seja um tema que, no futuro, venha a melhorar.<\/p>\n<p>Quanto ao sistema educativo, penso que h\u00e1 uma grande confus\u00e3o. Uma coisa \u00e9 a toler\u00e2ncia, a educa\u00e7\u00e3o para a toler\u00e2ncia, para a aceita\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a \u2013 que \u00e9 tamb\u00e9m a toler\u00e2ncia para com os mais fr\u00e1geis, os mais diminu\u00eddos, os mais diferentes, se quiser \u2013 e outra coisa \u00e9 ideologia do g\u00e9nero. Confunde-se muito isso.<\/p>\n<p>Ter toler\u00e2ncia pela diferen\u00e7a n\u00e3o significa impor uma ideologia que, na nossa opini\u00e3o, existe neste momento, no sistema educativo oficial. \u00c9 um aspeto que tem de ser clarificado. Quando se diz que n\u00e3o se concorda com a ideologia do g\u00e9nero, parece que quem pensa dessa maneira \u00e9 contr\u00e1rio \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a. N\u00e3o \u00e9 nada disso: a aceita\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a, a toler\u00e2ncia e o respeito implicam a aceita\u00e7\u00e3o de que esta casa, esta cidade onde vivemos, acolhe tamb\u00e9m os mais fr\u00e1geis, os mais desprotegidos, os mais diminu\u00eddos. E n\u00e3o s\u00f3 nesse aspeto, que tem vindo a ser referido\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas a quest\u00e3o da ideologia de g\u00e9nero n\u00e3o \u00e9 bem explicada\u2026<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 bem explicada, nem \u00e9 assumido que se vai impor. Mas ela est\u00e1 l\u00e1 e \u00e9 essa desmontagem que \u00e9 necess\u00e1ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Quer dar exemplos?<\/em><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o sou especialista em ci\u00eancia educativa, mas h\u00e1 tentativas\u2026 Tenho dois netos, rapazes, que nunca obriguei a brincar com carrinhos, era espont\u00e2neo, da parte deles, encontrava-os l\u00e1 em casa. Impor \u00e0s crian\u00e7as que t\u00eam de brincar com bonecas, porque \u00e9 a sociedade que os vai moldar, \u00e9 p\u00f4r as coisas ao contr\u00e1rio: est\u00e1 a querer-se impor aquilo que espontaneamente n\u00e3o acontece.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Outra quest\u00e3o sobre a educa\u00e7\u00e3o e a sa\u00fade, que tem estado nos debates, \u00e9 o princ\u00edpio da subsidiariedade, um dos grandes princ\u00edpios da Doutrina Social da Igreja, a rela\u00e7\u00e3o entre o p\u00fablico e o privado, que em Portugal \u00e9 um foco de tens\u00e3o. Que reflex\u00e3o faz sobre este tema?<\/em><\/p>\n<p>Em primeiro lugar, essa subsidiariedade tem que ver com a no\u00e7\u00e3o de um Estado centralista, que aglutina tudo, sem aceitar que as pessoas tamb\u00e9m t\u00eam cabe\u00e7a, vontade pr\u00f3pria, e a n\u00edveis mais b\u00e1sicos podem entender-se umas com as outras e resolver problemas. Isso n\u00e3o tem nada que ver com modelos de regionaliza\u00e7\u00e3o, que v\u00e3o criar depois novas ocupa\u00e7\u00f5es para os amigos\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Falamos aqui de o Estado respeitar a iniciativa privada e as suas estruturas\u2026<\/em><\/p>\n<p>Privada, social, cooperativa, associa\u00e7\u00f5es, etc. Em determinadas ocasi\u00f5es, viam-se umas caricaturas, dos capitalistas com os caninos a pingar sangue\u2026 o capitalismo selvagem \u00e9 qualquer coisa que ningu\u00e9m defende, nenhuma de pessoa de bem defende, hoje em dia. As empresas tamb\u00e9m t\u00eam objetivos sociais, um empenhamento social.<\/p>\n<p>Tenho tido a felicidade de trabalhar para alguns grupos privados que n\u00e3o s\u00e3o, propriamente, exploradores os doentes, na sa\u00fade. T\u00eam a preocupa\u00e7\u00e3o de lhes prestar cuidados, o melhor poss\u00edvel, obviamente dentro das regras do mercado, que implicam depois a negocia\u00e7\u00e3o com os seguros, etc.<\/p>\n<p>Se todos estamos aqui para tentar servir a comunidade, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a quest\u00e3o da universalidade dos cuidados, que o Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade, em princ\u00edpio, deveria assegurar. \u00c9 tamb\u00e9m o problema do acesso. Se h\u00e1 problemas que se podem minorar atrav\u00e9s de coopera\u00e7\u00e3o com outras entidades, isso deve ser feito, deve ser fomentado. N\u00e3o parece que a tend\u00eancia seja essa, j\u00e1 foi maior,\u00a0neste momento a tend\u00eancia \u00e9 outra vez de fechar o Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade, mais estatizado, e os outros, por enquanto, h\u00e1 toler\u00e2ncia, permite-se a sua exist\u00eancia, mas n\u00e3o se entende isso como uma coopera\u00e7\u00e3o a favor da popula\u00e7\u00e3o.\u00a0\u201cSe n\u00e3o houver mais nenhuma possibilidade, ent\u00e3o l\u00e1 vamos\u201d\u2026 Mas pensar que isto pode ser uma coisa boa, em favor da popula\u00e7\u00e3o, com regras definidas e que sejam claras. Esse era um caminho que se deveria seguir, aqui como noutras \u00e1reas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ao longo deste primeiro ano de atividade, o MAE teve oportunidade de se reunir com representantes de institui\u00e7\u00f5es e partidos pol\u00edticos?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o. Pensamos que n\u00e3o o dev\u00edamos fazer, ainda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas \u00e9 uma inten\u00e7\u00e3o, para o futuro?<\/em><\/p>\n<p>Este texto que fizemos \u00e9 um texto p\u00fablico, n\u00e3o \u00e9 focado em ningu\u00e9m, particularmente. De qualquer modo, temos contactos pedidos, com entidades, e j\u00e1 fomos recebidos por uma ou outra. H\u00e1 vontade de conversar, de apresentar as nossas ideias, mas n\u00e3o houve uma inten\u00e7\u00e3o deliberada de falar com todos os partidos pol\u00edticos. Se sentirmos que h\u00e1 vontade de conversar connosco, estamos completamente dispon\u00edveis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_226301\" aria-describedby=\"caption-attachment-226301\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/unnamed.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-226301\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/unnamed-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/unnamed-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/unnamed-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/unnamed-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/unnamed-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/unnamed-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/unnamed-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/unnamed-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/unnamed-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/unnamed.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-226301\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ricardo Fortunato\/RR<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Ao longo deste ano, aderiram outros membros ao MAE?<\/em><\/p>\n<p>Muitos mais. N\u00f3s fazemos isto para al\u00e9m de uma atividade profissional, que no meu caso continua a ser muito ativa. Fazemo-lo por gosto, por empenhamento, por sentido de dever c\u00edvico, mas com muito pouco tempo. Portanto, n\u00e3o temos uma estrutura criada, estamos a tentar estabelecer as suas bases, mas\u00a0houve muitas pessoas que, espontaneamente, comunicaram connosco. Neste momento, temos largu\u00edssimas dezenas, para n\u00e3o dizer j\u00e1 mais de uma centena de nomes, alguns deles com muito envolvimento na vida c\u00edvica, que querem ter uma participa\u00e7\u00e3o mais ativa.<\/p>\n<p>A nossa atividade, agora, centrou-se no livro, e resolvida esta quest\u00e3o, vamos fazer outras a\u00e7\u00f5es, alargando muito mais o leque e envolvendo outras pessoas que manifestaram j\u00e1 a sua vontade de colaborar e partilhar a nossa forma de ver estes temas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Quando \u00e9 que o livro vai ser apresentado?<\/em><\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o temos data, j\u00e1 recebemos os \u00faltimos textos e agora h\u00e1 o trabalho editorial. Gostar\u00edamos de fazer um lan\u00e7amento p\u00fablico, presencial, com uma grande iniciativa, que agitasse. A vida tamb\u00e9m s\u00e3o os valores, a \u00e9tica. Vamos ver quando \u00e9 que h\u00e1 oportunidade. O trabalho editorial levar\u00e1 algum tempo, h\u00e1 revis\u00e3o, isso tudo, mas no primeiro semestre deste ano haver\u00e1 novidades, se a pandemia nos permitir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e9dico, um dos fundadores do Movimento A\u00e7\u00e3o \u00c9tica, fala do desafio que lan\u00e7aram aos partidos, para que esclare\u00e7am, antes das elei\u00e7\u00f5es, o que querem fazer em \u201cquest\u00f5es essenciais\u201d, que n\u00e3o se decidem em \u201cjogos de tabuleiro\u201d pol\u00edticos<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":226298,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[229],"class_list":["post-226438","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-igreja-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/226438","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=226438"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/226438\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/226298"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=226438"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=226438"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=226438"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}