{"id":22604,"date":"2007-01-31T15:52:20","date_gmt":"2007-01-31T15:52:20","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/01\/31\/a-inoportunidade-de-um-referendo\/"},"modified":"2007-01-31T15:52:20","modified_gmt":"2007-01-31T15:52:20","slug":"a-inoportunidade-de-um-referendo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-inoportunidade-de-um-referendo\/","title":{"rendered":"A (in)Oportunidade de um referendo"},"content":{"rendered":"<p>1.\tNo dia 11 de Fevereiro, em referendo, o povo portugu\u00eas \u00e9 chamado a pronunciar-se se concorda ou n\u00e3o \u201ccom a despenaliza\u00e7\u00e3o da interrup\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria da gravidez, se realizada, por op\u00e7\u00e3o da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de sa\u00fade legalmente autorizado\u201d.  Se, na \u00faltima d\u00e9cada, alguma vez deixou de ser tema de debate, a quest\u00e3o do aborto \u00e9 recolocada na ordem do dia.  2.\tReaparecem e proliferam \u201cteses consistentes\u201d e \u201csenten\u00e7as doutas\u201d. Para todos os gostos e feitios, evidentemente\u2026  Uns voltam a insistir que \u00e9 um referendo in\u00fatil, uma perda de tempo que favorece a crispa\u00e7\u00e3o que seria evitada se a actual lei fosse aplicada ou a decis\u00e3o fosse restringida ao \u00e2mbito da Assembleia da Rep\u00fablica, enquanto outros recordam que aquilo que em referendo \u00e9 recusado s\u00f3 em referendo poder\u00e1 ser permitido.  Uns recordam que o \u201csim\u201d, finalmente, nos p\u00f5e a bater ao ritmo da Europa, enquanto outros reafirmam que n\u00e3o est\u00e1 no abandono dos valores que professam que o velho Continente sobreviver\u00e1.  Uns voltam a dizer que o \u201csim\u201d no referendo \u00e9 um sim \u00e0 liberaliza\u00e7\u00e3o do aborto, enquanto outros advogam que apenas em causa estar\u00e1 a despenaliza\u00e7\u00e3o da mulher que aborta.  Uns insistem em que o \u201csim\u201d \u00e9 um grave atentado \u00e0 vida, enquanto outros reduzem a quest\u00e3o ao direito da mulher decidir sobre a sua vida \u00edntima.  Uns advertem com redobrada for\u00e7a que o \u201csim\u201d vai permitir o neg\u00f3cio lucrativo para sentenciar e executar a morte em mans\u00f5es de luxo, enquanto, uma vez mais, outros desfraldam a bandeira do fim do aborto no \u201cv\u00e3o de escada\u201d. Provavelmente, falam mais eles, os homens, do que elas, as mulheres. E eles talvez descansem no dia do referendo para que elas votem, porque, pensam eles, j\u00e1 cumpriram o seu papel e afinal essa \u00e9 uma quest\u00e3o delas\u2026 Parece claro: se em causa est\u00e1 a liberaliza\u00e7\u00e3o do aborto o sim \u00e9 uma estultice, porque a vida n\u00e3o se discute, antes deve ser favorecida com todo o engenho, dedica\u00e7\u00e3o, meios, condi\u00e7\u00f5es e arte para o seu pleno desenvolvimento e para a sua plena express\u00e3o.  Se o sim apenas legalizar\u00e1 a descriminaliza\u00e7\u00e3o do aborto, ser\u00e1 essa, certamente, uma quest\u00e3o com problem\u00e1ticos contornos porque nem tudo o que \u00e9 legal ser\u00e1 moral e\u2026 que seria ent\u00e3o crime se crime n\u00e3o fosse impedir que uma vida, uma vez iniciada, irremedi\u00e1vel e definitivamente se pudesse exprimir e desenvolver?  Se em causa est\u00e1 que o sim apenas significar\u00e1 o n\u00e3o julgamento e a n\u00e3o penaliza\u00e7\u00e3o p\u00fablica da mulher que abortou, muitos e muitas, prov\u00e1vel e legitimamente, ceder\u00e3o, porque ningu\u00e9m advogar\u00e1 o enclausuramento ou o apedrejamento da mulher que abortou, como tamb\u00e9m ningu\u00e9m esperar\u00e1 que alguma mulher use como sua coroa de p\u00fablica gl\u00f3ria um aborto que privadamente realizou ou reivindicou\u2026 E todas e todos sabem como \u00e9 importante para a mulher conceber, gerar e dar \u00e0 luz: ela encontra-se na sua grandeza quando descobre que concebeu, perspectiva-se na sua plenitude quando acaricia no ventre aquele que sonha erguer e diviniza-se quando amamenta aquele que \u00e9 o seu enlevo.  E todos e todas, ou quase, sabem que a mulher que por circunst\u00e2ncias penalizantes abortou transporta no seu seio a cruz de uma gl\u00f3ria sonhada e irremediavelmente desfeita. E todas, mas nem todos, sabem que esta quest\u00e3o, provavelmente mais do que todas as outras, \u00e9 uma quest\u00e3o de mulheres e de homens.    3.\tSendo a actividade das Institui\u00e7\u00f5es de Solidariedade e dos seus dirigentes uma actividade de pessoas, com pessoas e para pessoas e tendo essas institui\u00e7\u00f5es e esses dirigentes por \u00fanico lucro da sua actividade o sorriso de esperan\u00e7a das pessoas, nem podem nem devem estar \u00e0 margem de um debate que, muito mais do que qualquer outro, interessa a todas as pessoas, homens e mulheres, crentes e n\u00e3o-crentes&#8230;  O referendo \u00e9 uma realidade. Por\u00e9m, como nem sempre as palmas premiar\u00e3o os melhores ou as vaias abafar\u00e3o somente os vencidos, n\u00e3o \u00e9 o resultado do referendo a dar ou a tirar bondade \u00e0 iniquidade ou \u00e0quilo que todos devem reconhecer como, efectivamente, mau\u2026  Mas vote-se e vote-se em consci\u00eancia. Sem slogans est\u00e9reis mas com consci\u00eancia formada. Votem todas as mulheres e votem todos os homens.  E, serenamente, sejam lidos os resultados. Sem hossanas e sem cinzas. E que, decididamente, sem mais referendos do g\u00e9nero mas com mais determina\u00e7\u00e3o e justi\u00e7a se caminhe para um amanh\u00e3 mais feliz para todas e para todos.  E, convictamente, se assumam os ideais, as causas e as realiza\u00e7\u00f5es humanas como humanas que o s\u00e3o, de mulheres e de homens. E, doravante, condenem-se as situa\u00e7\u00f5es de mulheres que s\u00e3o vitimadas ou condenadas a, sozinhas, transportar um filho que o \u00e9 tamb\u00e9m de um pai.  E, ousadamente, saibamos criar condi\u00e7\u00f5es para que o aborto, legal ou imoral, jamais seja encarado como m\u00e9todo de normal contracep\u00e7\u00e3o. E que n\u00e3o haja nem sequer mais uma mulher que seja coagida a encarar um aborto para assegurar um emprego ou uma vit\u00f3ria.  E que as pol\u00edticas tenham sempre um tom mais familiar que economicista.  E que a educa\u00e7\u00e3o seja mais da pessoa do que para a tecnologia, mais integral do que experimentalista.  E que a vida seja sempre o fervor dos que vivem\u2026 com engenho, arte e sentido de mist\u00e9rio. Porque a vida \u00e9 t\u00e3o misteriosa que merece uma permanente postura de encantadora sedu\u00e7\u00e3o\u2026  Entretanto, as Institui\u00e7\u00f5es de Solidariedade, com redobrada determina\u00e7\u00e3o, continuar\u00e3o a defender a vida e a criar condi\u00e7\u00f5es de plena vida e de plena express\u00e3o da vida. Para todos os entes gerados e para todas as pessoas geradoras. Independentemente das suas op\u00e7\u00f5es e dos seus actos. Mas considerando que no abra\u00e7o dos homens e das Institui\u00e7\u00f5es h\u00e1 sempre desafio para se assumir a vida e nem sempre aplauso por actos de um caminho nem sempre recto\u2026   Lino Maia Presidente da CNIS <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. No dia 11 de Fevereiro, em referendo, o povo portugu\u00eas \u00e9 chamado a pronunciar-se se concorda ou n\u00e3o \u201ccom a despenaliza\u00e7\u00e3o da interrup\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria da gravidez, se realizada, por op\u00e7\u00e3o da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de sa\u00fade legalmente autorizado\u201d. Se, na \u00faltima d\u00e9cada, alguma vez deixou de ser tema de debate, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[93,133,193,203,314],"class_list":["post-22604","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-aborto","tag-cnis","tag-educacao","tag-europa","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22604","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22604"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22604\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22604"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22604"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22604"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}