{"id":226039,"date":"2022-01-09T09:30:17","date_gmt":"2022-01-09T09:30:17","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=226039"},"modified":"2022-01-08T20:02:56","modified_gmt":"2022-01-08T20:02:56","slug":"ha-uma-sub-representacao-cronica-das-novas-geracoes-na-politica-rita-saias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ha-uma-sub-representacao-cronica-das-novas-geracoes-na-politica-rita-saias\/","title":{"rendered":"\u00abH\u00e1 uma sub-representa\u00e7\u00e3o cr\u00f3nica das novas gera\u00e7\u00f5es na pol\u00edtica\u00bb &#8211; Rita Saias"},"content":{"rendered":"<p><em>Portugal tem elei\u00e7\u00f5es no final do m\u00eas e os debates j\u00e1 come\u00e7aram, mas o discurso pol\u00edtico continua distante dos jovens e \u00e9 isso que os afasta, diz a antiga presidente do Conselho Nacional da Juventude<\/em><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Rita-Saias_ftg-2.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-226043 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Rita-Saias_ftg-2.jpeg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Rita-Saias_ftg-2.jpeg 750w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Rita-Saias_ftg-2-260x260.jpeg 260w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Rita-Saias_ftg-2-150x150.jpeg 150w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Rita-Saias_ftg-2-480x480.jpeg 480w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>2022 foi decretado o Ano Europeu da Juventude. O que \u00e9 que isto pode significar de mudan\u00e7a real e efetiva para os jovens, que muitos consideram a gera\u00e7\u00e3o mais sacrificada pela pandemia, em termos de consequ\u00eancias futuras?<\/strong><\/p>\n<p>O facto de se ter declarado este Ano Europeu da Juventude \u00e9 muito importante. \u00c9 uma decis\u00e3o do Parlamento (Europeu) e do Conselho, a pedido da Comiss\u00e3o, mas que revela que as institui\u00e7\u00f5es europeias entendem a particularidade dos jovens, o qu\u00e3o desprotegidos est\u00e3o nestes momentos de crise econ\u00f3mica. J\u00e1 sab\u00edamos isso das crises anteriores, mas\u00a0a crise da Covid 19 veio refor\u00e7ar esta necessidade de termos um momento em que se pensa, de facto, nos desafios que os jovens enfrentam e continuar\u00e3o a enfrentar.<\/p>\n<p>Por outro lado, \u00e9 uma forma de incitar as organiza\u00e7\u00f5es a ouvir e a integrar os jovens nas pol\u00edticas das institui\u00e7\u00f5es.\u00a0N\u00e3o interessa termos programas s\u00f3 para jovens, como por exemplo os programas de emprego jovem ou de apoio escolar, os jovens t\u00eam de fazer parte e ser integrados nas restantes pol\u00edticas, e \u00e9 isso tamb\u00e9m que este Ano Europeu da Juventude vem promover, que n\u00e3o haja qualquer pol\u00edtica, seja ela ambiental, energ\u00e9tica, educativa ou cultural, que n\u00e3o tenha em conta a perspetiva dos jovens, as suas aspira\u00e7\u00f5es, os seus receios e a sua vis\u00e3o para o futuro. Isso \u00e9 muito importante para a constru\u00e7\u00e3o da Europa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A presidente da Comiss\u00e3o Europeia, Ursula\u00a0von der Leyen, quando apresentou esta iniciativa, lembrou que a pandemia privou os jovens de muitas oportunidades. O Ano Europeu da Juventude vai ajudar a recuperar o tempo perdido? Como \u00e9 que isso pode ser feito?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o sei se vai ajudar a recuperar o tempo perdido. Ainda n\u00e3o sabemos todas as consequ\u00eancias que a pandemia ter\u00e1 nas gera\u00e7\u00f5es mais jovens. Sabemos j\u00e1 algumas, que \u00e9 importante mitigar, mas n\u00e3o ainda todas: desde a quest\u00e3o da sa\u00fade mental, que afeta o desenvolvimento n\u00e3o s\u00f3 das crian\u00e7as, mas tamb\u00e9m dos jovens e de todos; a quest\u00e3o do impacto do confinamento no desenvolvimento emocional e social, at\u00e9 as falhas nas aprendizagens.<\/p>\n<p>Houve uma altura, n\u00e3o sei se se recordam, que se falava da possibilidade de termos uma gera\u00e7\u00e3o dos &#8220;diplomados da Covid&#8221;, referente aos jovens que tinham acabado o seu percurso escolar durante a pandemia, que n\u00e3o estariam t\u00e3o bem preparados e poderiam ter consequ\u00eancias ao n\u00edvel do seu emprego.<\/p>\n<p>Outra consequ\u00eancia foi o retrocesso nas quest\u00f5es da igualdade de g\u00e9nero, especialmente nas fam\u00edlias mais jovens, na quest\u00e3o da dupla jornada de trabalho para a mulher, viu-se que alguns dos esfor\u00e7os feitos nesta \u00e1rea tinham, de alguma forma, decrescido.<\/p>\n<p>Aquilo que salta mais aos olhos de todos n\u00f3s s\u00e3o as quest\u00f5es do desemprego jovem.\u00a0A taxa de desemprego, que era uma das mais baixas em 2019, desde 2013, voltou a aumentar para valores acima da m\u00e9dia europeia. Isto, associado a condi\u00e7\u00f5es muito prec\u00e1rias de emprego, a dificuldades em encontrar empregos de qualidade para os jovens, a uma taxa de sobrequalifica\u00e7\u00e3o &#8211; que tamb\u00e9m \u00e9 das mais elevadas da Europa &#8211; traz uma enorme frustra\u00e7\u00e3o, traz vontade de emigrar, como v\u00e1rios estudos j\u00e1 demonstram, e para alguns traz vontade de permanecer na economia informal.<\/p>\n<p>Obviamente que isto s\u00e3o consequ\u00eancias que vamos sentir a longo prazo e que n\u00e3o ir\u00e3o afetar s\u00f3 o jovem, individualmente, mas tamb\u00e9m o desenvolvimento econ\u00f3mico e social do nosso pa\u00eds. Portanto,\u00a0era importante este Ano Europeu da Juventude para que, de facto, possamos ter um olhar particular para estas quest\u00f5es e poder resolver o m\u00e1ximo de fundo poss\u00edvel.<\/p>\n<p><strong>J\u00e1 elencou uma s\u00e9rie de problemas que preocupam todos, mas em particular os jovens, e falou em &#8220;frustra\u00e7\u00e3o&#8221;. Como \u00e9 que um jovem se sente no Portugal de hoje?<\/strong><\/p>\n<p>Um pouco como por toda a Europa, porque esta pandemia n\u00e3o nos afeta s\u00f3 a n\u00f3s, infelizmente. Mas,\u00a0para n\u00f3s que sempre tivemos como escape a possibilidade de sair, de ir para outro pa\u00eds e desenvolver a nossa atividade profissional l\u00e1, neste momento essas portas est\u00e3o muito mais fechadas, e isso torna tudo mais frustrante, perigoso, \u00a0com dificuldade em olharmos para o futuro de uma forma risonha, que seja feliz e que nos permita sonhar, acima de tudo com um futuro em Portugal, que \u00e0s vezes \u00e9 um bocadinho dif\u00edcil, n\u00e3o s\u00f3 as quest\u00f5es de trabalho, de que j\u00e1 fal\u00e1mos, mas tamb\u00e9m as dificuldades na habita\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria.\u00a0O facto de termos que nos manter durante tanto tempo nas nossas casas de fam\u00edlia, faz com que seja muito dif\u00edcil emanciparmo-nos, pensarmos na constru\u00e7\u00e3o de uma vida em Portugal.<\/p>\n<p><strong>Estamos com elei\u00e7\u00f5es \u00e0 porta, e j\u00e1 come\u00e7aram os debates entre os candidatos. Que temas seria fundamental discutir? O que \u00e9 que seria priorit\u00e1rio?<\/strong><\/p>\n<p>Primeiro acho que era muito importante trabalhar em tudo aquilo que diz respeito \u00e0 participa\u00e7\u00e3o jovem em si, e que isso pudesse ter de facto eco nestas elei\u00e7\u00f5es, e em todos os outros momentos.<\/p>\n<p>Existe uma sub-representa\u00e7\u00e3o cr\u00f3nica das novas gera\u00e7\u00f5es na pol\u00edtica. A m\u00e9dia de idades de deputados na Assembleia cresceu de 40 para 48 atualmente, face a 1976, quando t\u00ednhamos 81 jovens deputados em 230, e hoje temos 35 jovens. De acordo com as listas (de candidatos) vamos ter ainda menos jovens em 2022, segundo os dados do Observat\u00f3rio Permanente da Juventude.<\/p>\n<p><strong>Porque \u00e9 que isso acontece, em sua opini\u00e3o? \u00c9 mais por falta de interesse dos pr\u00f3prios jovens, ou por falta de oportunidade dada pelos partidos?<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com este estudo, o facto de termos tido um n\u00famero muito elevado em 1976 teve a ver com a necessidade de fazer uma renova\u00e7\u00e3o da nossa elite pol\u00edtica naquela altura, e de atualmente as quest\u00f5es dos jovens e a juventude em si n\u00e3o ser um nicho eleitoral.<\/p>\n<p>\u00c9 quase uma &#8216;pescadinha de rabo na boca&#8217;, no sentido em que os jovens n\u00e3o votam, logo n\u00e3o s\u00e3o um nicho eleitoral &#8211; ou seja, n\u00e3o t\u00eam os decisores pol\u00edticos a abordar como prioridades coisas que os jovens precisam, querem ou aspiram. Portanto, os jovens voltam a n\u00e3o se interessar, voltam a n\u00e3o votar e com isso voltam a n\u00e3o ser uma prioridade pol\u00edtica.<\/p>\n<p>H\u00e1 muitos fatores que levam a que haja uma taxa de absten\u00e7\u00e3o entre jovens &#8211; que n\u00e3o conseguimos medir, como \u00e9 sabido, mas que, de acordo com as sondagens que existem, se situa por volta dos 50%, ou seja, 9% da taxa de absten\u00e7\u00e3o global do nosso pa\u00eds. E\u00a0enquanto o discurso pol\u00edtico for distante dos assuntos que s\u00e3o importantes para os jovens, obviamente que os jovens n\u00e3o votar\u00e3o.\u00a0E que assuntos s\u00e3o esses, era a pergunta que me faziam?<\/p>\n<p><strong>Exatamente.<\/strong><\/p>\n<p>Enquanto jovem, acima de tudo gostaria muito de ouvir todos os partidos, a Assembleia da Rep\u00fablica, a explicar como \u00e9 que v\u00e3o garantir que eu, por exemplo, vou conseguir prosseguir os meus estudos, independentemente de a minha fam\u00edlia me poder ajudar\u00a0ou n\u00e3o?\u00a0Como \u00e9 que v\u00e3o garantir que o investimento que fa\u00e7o, hoje, na minha educa\u00e7\u00e3o, vai ter retorno e que esse retorno \u00e9 em Portugal \u2013 a n\u00edvel da qualidade do emprego, do sal\u00e1rio, do v\u00ednculo, etc.<\/p>\n<p>Como \u00e9 que podem garantir que n\u00e3o vou ter um trabalho que n\u00e3o quero ter, de que n\u00e3o gosto, para o qual sou demasiado qualificada, como acontece a tantos de n\u00f3s?;\u00a0Como \u00e9 que v\u00e3o garantir oportunidades de emprego qualificado, digno, bem remunerado para os jovens? Como \u00e9 que uma empresa que me contrata hoje consegue oferecer aquilo que as pessoas como eu, l\u00e1 fora, est\u00e3o a receber? O que \u00e9 que vai ser feito para garantir que, se eu der o meu melhor e for a melhor na minha \u00e1rea, vou conseguir progredir, de facto, a n\u00edvel profissional, em Portugal?<\/p>\n<p>Como \u00e9 que se garante que, se eu quiser come\u00e7ar amanh\u00e3 uma empresa, n\u00e3o tenho de ficar meses \u00e0 espera de respostas de servi\u00e7os n\u00e3o fico enredada numa burocracia excessiva?\u00a0O que vai ser feito para que, com o meu sal\u00e1rio m\u00e9dio, se assim for, eu consiga ter uma casa e constituir a minha pr\u00f3pria fam\u00edlia? Vou ter acesso a uma reforma, esse valor \u00e9 justo, d\u00e1 para me sustentar efetivamente na minha velhice e corresponde ao esfor\u00e7o da minha carreira contributiva?<\/p>\n<p>Como \u00e9 que podem garantir que este contrato entre gera\u00e7\u00f5es existe e \u00e9, de facto, honrado?. Isto para falar de algumas das preocupa\u00e7\u00f5es\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Mas que nem sempre t\u00eam tempo de antena\u2026<\/strong><\/p>\n<p>Para sermos justos, tem sido feita uma boa cobertura, na Comunica\u00e7\u00e3o Social, de alguns destes temas. Por exemplo, as quest\u00f5es da habita\u00e7\u00e3o tiveram um grande foco, h\u00e1 pouco tempo, tamb\u00e9m as quest\u00f5es do emprego. Agora,\u00a0\u00e9 preciso ter respostas mais concretas por parte dos decisores pol\u00edticos, em rela\u00e7\u00e3o a estas quest\u00f5es. Isto para falar apenas de Portugal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O diagn\u00f3stico est\u00e1 feito, falta o tratamento?<\/strong><\/p>\n<p>Talvez.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Os jovens n\u00e3o se veem representados no discurso pol\u00edtico?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 o que os estudos nos dizem. Recentemente, a Funda\u00e7\u00e3o Francisco Manuel dos Santos publicou o estudo \u2018Os Jovens em Portugal, Hoje\u2019, que nos diz que\u00a0os jovens, apesar de se preocuparem,\u00a0e de metade \u2013 como vimos nas quest\u00f5es da absten\u00e7\u00e3o \u2013 votarem, efetivamente, de terem um posicionamento ideol\u00f3gico, depois\u00a0n\u00e3o se reveem nas estruturas formais de poder. Acabam por participar de outras formas, igualmente leg\u00edtimas, mas n\u00e3o formais, como as elei\u00e7\u00f5es.\u00a0Optam por peti\u00e7\u00f5es, por fazer parte de grupos informais, pelo ativismo digital, ou seja, por outros mecanismos de participa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o servem para eleger representantes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Falava h\u00e1 pouco do pacto entre gera\u00e7\u00f5es. Como \u00e9 que olha para a situa\u00e7\u00e3o em Portugal, do ponto de vista do di\u00e1logo intergeracional? A pandemia revelou preocupa\u00e7\u00f5es m\u00fatuas e bons exemplos de entreajuda\u2026<\/strong><\/p>\n<p>Sim, sem d\u00favida. Ao n\u00edvel dos exemplos positivos,\u00a0temos in\u00fameras organiza\u00e7\u00f5es da juventude que, durante a pandemia, fizeram da sua miss\u00e3o garantir que os mais velhos tinham companhia, pessoas para lhes fazer as compras \u2013 quando n\u00e3o podiam sair de casa -, para auxili\u00e1-las em tudo. Isso foi uma demonstra\u00e7\u00e3o de que, muitas vezes, o discurso que procura criar cis\u00f5es entre gera\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9 muito realista, n\u00e3o traduz a realidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A sociedade tem sido injusta na forma como se analisam as consequ\u00eancias da pandemia para as gera\u00e7\u00f5es mais novas? Estamos presos \u00e0 ideia preconcebida de que os jovens querem \u00e9 divertir-se e n\u00e3o se protegem devidamente?<\/strong><\/p>\n<p>Sim,\u00a0houve alturas da pandemia em que existiu esse discurso de culpabiliza\u00e7\u00e3o de uma gera\u00e7\u00e3o contra a outra. Mas penso que, em conjunto, conseguimos ultrapass\u00e1-lo e dar a volta,\u00a0as pr\u00f3prias entidades p\u00fablicas assumiram que estamos todos no mesmo barco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Uma das \u00e1reas em que os jovens t\u00eam sido motores de mudan\u00e7a \u00e9 a luta contra as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Isso mostra que, se forem levados a s\u00e9rio, podem contribuir noutras \u00e1reas?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, n\u00e3o s\u00f3 nas quest\u00f5es das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Hoje estamos muito focados nelas, mas esquecemo-nos do papel da Malala (Yousafzai) nas quest\u00f5es da Educa\u00e7\u00e3o; ou, ainda mais recente do que a pr\u00f3pria Greta (Thunberg) nas quest\u00f5es do ambiente, a a\u00e7\u00e3o da Maira (Gomez) nas quest\u00f5es das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Acho que\u00a0h\u00e1 muitos bons exemplos de jovens que fazem a mudan\u00e7a.\u00a0Quanto mais integrarmos as preocupa\u00e7\u00f5es e as reivindica\u00e7\u00f5es dos jovens, nestas \u00e1reas, mais capazes seremos de resolver os problemas para o futuro.\u00a0Quanto mais voz, mais capacidade para mudar, para um mundo melhor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O Papa tem tido uma s\u00e9rie de iniciativas e interven\u00e7\u00f5es em que os jovens est\u00e3o no centro, como foi o caso da \u2018Economia de Francisco\u2019, onde os jovens foram desafiados a pensar um novo modelo econ\u00f3mico mais amigo do ser humano e do ambiente. Tem sido importante esta aten\u00e7\u00e3o do Papa e esta op\u00e7\u00e3o de ouvir e os jovens e ter em conta o que pensam?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, sem d\u00favida.\u00a0Esta quest\u00e3o da \u2018Economia de Francisco\u2019 \u00e9 inovadora, muito interessante por dois motivos: por um lado, chama os jovens a participar na defini\u00e7\u00e3o de algo que \u00e9 comum, reconhecendo as val\u00eancias e as experi\u00eancias, o conhecimento e aspira\u00e7\u00f5es dos jovens; por outro lado, demonstra que a Igreja est\u00e1 preocupada com aquilo que vai para al\u00e9m dela\u00a0pr\u00f3pria, como as quest\u00f5es econ\u00f3micas, da sustentabilidade, intergeracionais, etc.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A mobiliza\u00e7\u00e3o para a Jornada Mundial da Juventude, que vai decorrer no ver\u00e3o de 2023, em Lisboa, pode ser uma oportunidade para renovar o di\u00e1logo entre as comunidades cat\u00f3licas e as novas gera\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p>Sim.\u00a0A perce\u00e7\u00e3o que tenho\u00a0\u2013 e \u00e9 apenas uma perce\u00e7\u00e3o, entre amigos, conhecidos \u2013 \u00e9 a de que o catolicismo est\u00e1 a diminuir, de alguma forma, entre os jovens. Muitos nem sequer t\u00eam o seu lado espiritual muito presente, ou apesar de serem cat\u00f3licos n\u00e3o s\u00e3o praticantes.\u00a0Ter a Jornada Mundial da Juventude em Portugal ser\u00e1 uma \u00f3tima oportunidade para dar destaque \u00e0 dimens\u00e3o espiritual da nossa vida, ajudar alguns de n\u00f3s a fazer essa aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0 Igreja, porventura. Ser\u00e1 interessante perceber o impacto, a n\u00edvel do di\u00e1logo entre as diferentes gera\u00e7\u00f5es, porque acredito que vai existir e vai ser muito ben\u00e9fico para os jovens.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Portugal tem elei\u00e7\u00f5es no final do m\u00eas e os debates j\u00e1 come\u00e7aram, mas o discurso pol\u00edtico continua distante dos jovens e \u00e9 isso que os afasta, diz a antiga presidente do Conselho Nacional da Juventude<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":226042,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[],"class_list":["post-226039","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/226039","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=226039"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/226039\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/226042"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=226039"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=226039"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=226039"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}