{"id":22590,"date":"2007-01-30T18:02:49","date_gmt":"2007-01-30T18:02:49","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/01\/30\/sobre-o-referendo-de-11-de-fevereiro\/"},"modified":"2007-01-30T18:02:49","modified_gmt":"2007-01-30T18:02:49","slug":"sobre-o-referendo-de-11-de-fevereiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/sobre-o-referendo-de-11-de-fevereiro\/","title":{"rendered":"Sobre o referendo de 11 de Fevereiro"},"content":{"rendered":"<p>Reflex\u00e3o de D. Manuel Fel\u00edcio, Bispo da Guarda <!--more--> No dia 11 de Fevereiro vamos ser chamados \u00e0s urnas para referen\u00addar a vida.  Vai-nos ser perguntado se aceitamos ou n\u00e3o que uma vida humana seja destru\u00edda nas primeiras 10 semanas do seu ciclo vital, \u00fanica  e exclusivamente a pedido da m\u00e3e. Todos temos consci\u00eancia de que o aborto \u00e9 uma chaga social, que aflige muitas pessoas e gera, de facto, dramas humanos incalcu\u00adl\u00e1\u00adveis. Mas ser\u00e1 que se pode combater qualquer mal, pessoal ou so\u00adci\u00adal, legalizando-o?  A resposta tem de ser claramente que n\u00e3o.  Imaginemos o que aconteceria com outros males sociais, se pura e simplesmente os legaliz\u00e1ssemos ou nada fiz\u00e9ssemos para os com\u00adbater. \u00c9 dispens\u00e1vel recorrer a exemplos. Portanto, a \u00fanica atitude digna e humanamente aceit\u00e1vel, no caso do aborto, \u00e9 congregar esfor\u00e7os para desfazer as verdadeiras causas desta chaga social. Fazer de outra maneira \u00e9 seguir uma pol\u00edtica de aves\u00adtruz.  Tamb\u00e9m temos consci\u00eancia de que na  decis\u00e3o de fazer ou n\u00e3o fa\u00adzer um aborto est\u00e3o em jogo duas realidades e n\u00e3o s\u00f3 uma: a liber\u00addade da m\u00e3e, por um lado e os direitos do seu filho, pelo outro.  A liberdade da m\u00e3e est\u00e1 necessariamente condicionada pela deci\u00ads\u00e3o anteriormente j\u00e1 tomada de conceber o filho. Por sua vez, o filho, livremente concebido, mesmo ainda no ventre de sua m\u00e3e,  \u00e9 algu\u00e9m distinto dela, com projecto de vida pr\u00f3prio, que s\u00f3 n\u00e3o se cumprir\u00e1 at\u00e9 ao fim se houver qualquer interven\u00e7\u00e3o abu\u00adsi\u00adva no processo. Qual destas duas realidades vamos escolher em 11 de Fevereiro \u2013 a liberdade da m\u00e3e para se desfazer do seu filho, por raz\u00f5es que s\u00f3 ela ficar\u00e1 a conhecer, pois segundo o que se pergunta n\u00e3o \u00e9 neces\u00ads\u00e1rio revel\u00e1-las a ningu\u00e9m, nem sequer ao pai ou a vida do filho, que, mesmo indefe\u00adso, \u00e9 sujeito de direitos, o primeiro dos quais \u00e9 o direito \u00e0 vida e a ser protegido de quem lha queira tirar? No processo da escolha, \u00e9 necess\u00e1rio dar aten\u00e7\u00e3o, entre outros, aos seguintes dados que o debate p\u00fablico em curso sobre o aborto est\u00e1 a mostrar. 1\u00ba) Quem se disp\u00f5e a escolher a liberdade da m\u00e3e pura e simples\u00admente, deixa o filho at\u00e9 \u00e0s dez semanas sem qualquer protec\u00e7\u00e3o da lei e sabe que ele vai ser eliminado, portanto condenado a morrer. 2\u00ba) Quem defende, neste referendo os direitos do filho tem do seu lado muitas provas j\u00e1 dadas de que a situa\u00e7\u00e3o das m\u00e3es em dificul\u00adda\u00adde n\u00e3o est\u00e1 a ser ignorada, porque s\u00e3o muitas as iniciativas colo\u00adcadas no terreno para ajud\u00e1-las a criar todas as condi\u00e7\u00f5es neces\u00ads\u00e1ri\u00adas para que a sua escolha nunca seja contra o filho.  E, gra\u00e7as  a Deus, h\u00e1 hoje muit\u00edssimas mais dessas provas dadas do que havia em 1998. S\u00e3o, de facto, incont\u00e1veis e em volume cres\u00adcen\u00adte incalcul\u00e1vel as pessoas e as institui\u00e7\u00f5es que, no terreno, lu\u00adtam por criar redes de solidariedade para apoiar as m\u00e3es colo\u00adcadas diante da tenta\u00e7\u00e3o do aborto.  Ficava, por isso, muito bem ao nosso Governo e \u00e0s estruturas partid\u00e1rias que o apoiam entrar nesta assi\u00adna\u00adl\u00e1vel rede de solidari\u00adedade, em vez de optar irresponsavelmente pela solu\u00e7\u00e3o mais f\u00e1cil.  Tamb\u00e9m n\u00e3o podemos admitir que ainda haja hoje quem, em nome de valores socialmente sagrados como a democracia e a toler\u00e2ncia, queira tapar a boca aos que trabalham para que a decis\u00e3o de 11 de Fevereiro seja tomada com base na verdade conhecida como tal e n\u00e3o embrulhada em processos emotivos que encobrem a verdade e podem falsear os resultados. Porque ao defendermos e promovermos a democracia, entendemo-la como instrumento de bem estar para todos os cidad\u00e3os; e se al\u00adguns houver que devam ser privilegiados, que sejam os sem voz, os que n\u00e3o t\u00eam meios para se defender. \u00c9 assim que entendemos o princ\u00edpio da discrimina\u00e7\u00e3o positiva, que a democracia consagra. Tamb\u00e9m n\u00e3o basta falar em toler\u00e2ncia sem mais. \u00c9 necess\u00e1rio dizer a quem desejamos aplicar a toler\u00e2ncia. No caso do aborto, \u00e9 preciso dizer claramente se a toler\u00e2ncia \u00e9 s\u00f3 para a m\u00e3e que quer desfazer-se da crian\u00e7a que j\u00e1 anteriormente decidiu gerar ou se tamb\u00e9m se deve aplicar ao filho.  N\u00f3s pensamos que se pode e deve aplicar a toler\u00e2ncia \u00e0s duas partes.  Assim, exercer a toler\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s m\u00e3es que passam pela tenta\u00e7\u00e3o de recorrer ao aborto ou chegam mesmo a pratic\u00e1-lo si\u00adgnifica, primeiro, ajud\u00e1-las a reconhecer que o aborto nunca pode ser solu\u00e7\u00e3o; significa, depois, ajud\u00e1-las materialmente a resol\u00adve\u00adrem os seus problemas econ\u00f3micos, sociais, humanos, psico\u00adl\u00f3gicos para que exer\u00e7am a sua responsabilidade maternal com dignidade; e, se porventura for de todo invi\u00e1vel que a m\u00e3e cuide do seu filho, proporcionar que esse cuidado seja prestado por outras pessoass ou institui\u00e7\u00f5es.  Por sua vez exercer a toler\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o ao filho \u00e9 dar-lhe a opor\u00adtunidade de viver e saborear a vida, como j\u00e1 o est\u00e1 a fazer a sua m\u00e3e. Por isso quem argumenta com a democracia e a toler\u00e2ncia para pretender impor sil\u00eancio aos que trabalham para dar a conhecer a verdade dos factos conhecida como tal de duas uma: ou est\u00e1 de m\u00e1 f\u00e9 ou est\u00e1 prisioneiro de preconceitos e ideologias que nada de bom auguram ao futuro da Humanidade. A democracia e a toler\u00e2ncia pedem-nos, isso sim, que no dia 11 de Fevereiro, demos o nosso contributo para defender os direitos de todos, a come\u00e7ar pelos mais fracos, que n\u00e3o t\u00eam meios para se defender. Este \u00e9 um dos casos em que se deve aplicar o princ\u00edpio democr\u00e1\u00adtico da discrimina\u00e7\u00e3o positiva e, em consequ\u00eancia, votar \u201cn\u00e3o\u201d.  Guarda, 26 de Janeiro de 2007  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reflex\u00e3o de D. 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