{"id":2259,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/apelo-de-paz-dos-participantes-no-encontro-guerra-e-paz-religioes-e-culturas-encontram-se\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"apelo-de-paz-dos-participantes-no-encontro-guerra-e-paz-religioes-e-culturas-encontram-se","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/apelo-de-paz-dos-participantes-no-encontro-guerra-e-paz-religioes-e-culturas-encontram-se\/","title":{"rendered":"Apelo de Paz dos participantes no Encontro &#8220;Guerra e Paz, religi\u00f5es e culturas encontram-se&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Documento final do evento promovido pela Comunidade de Santo Eg\u00eddio na Alemanha, que juntou mais de 500 l\u00edderes religiosos <!--more--> No in\u00edcio deste mil\u00e9nio, marcado pela esperan\u00e7a e pelo medo, n\u00f3s, homens e mulheres de diferentes religi\u00f5es vindos de tantas partes do mundo, junt\u00e1mo-nos em Aachen para invocar o grande dom  da paz de Deus: a paz que a humanidade, tantas vezes, n\u00e3o consegue oferecer a si pr\u00f3pria.  No cora\u00e7\u00e3o da Europa olh\u00e1mos para as esperan\u00e7as de paz e justi\u00e7a do mundo, question\u00e1mo-nos sobre as nossas responsabilidades. Fomos confrontados com o sofrimento do Sul do mundo e das guerras esquecidas, das v\u00edtimas do terror e do medo que causa viol\u00eancia, de um planeta empobrecido e violado por uma explora\u00e7\u00e3o que consome tudo, mesmo o nosso futuro comum. Os apelos dos prisioneiros e daqueles que conheceram apenas a viol\u00eancia e as guerras sem fim desde a sua inf\u00e2ncia chegaram at\u00e9 n\u00f3s. Experiment\u00e1mos o profundo pessimismo que surge das ra\u00edzes deste novo s\u00e9culo. As vozes e choros tantas vezes silenciados de milh\u00f5es de pessoas pobres que n\u00e3o t\u00eam medicamentos, seguran\u00e7a, liberdade, terra, \u00e1gua, direitos humanos fundamentais, essas vozes e choros vieram at\u00e9 n\u00f3s.  Concentr\u00e1mo-nos deliberadamente nas nossas tradi\u00e7\u00f5es religiosas, nos nossos livros sagrados, escutando Deus. Ele fala de paz. N\u00f3s medit\u00e1mos e rez\u00e1mos, sentimos a necessidade de sermos melhores, encontrando a paz connosco mesmo.  Para os crentes a paz n\u00e3o \u00e9 apenas um compromisso com o mundo, mas tamb\u00e9m um dom que se procura nos nossos cora\u00e7\u00f5es. A paz est\u00e1 no interior das nossas tradi\u00e7\u00f5es religiosas, a paz \u00e9 o nome de Deus. Procur\u00e1mos ouvir n\u00e3o s\u00f3 a nossa dor, mas tamb\u00e9m a dor do outro. \u00c9 por isso que hoje, sem desanimar, escolhemos resolutamente renovar o dif\u00edcil caminho do di\u00e1logo num mundo que parece preferir o conflito.  O di\u00e1logo leva \u00e0 paz. O di\u00e1logo \u00e9 uma arte que n\u00f3s afasta do pessimismo com vistas curtas dos que dizem ser imposs\u00edvel viver juntos, declarando que os males que sofremos nos condenam a um \u00f3dio sem fim. O di\u00e1logo \u00e9 caminho que pode salvar o mundo da guerra. Redescobrimos o orgulho do di\u00e1logo. E o di\u00e1logo \u00e9 uma arte que devem cultivar as religi\u00f5es, as culturas, quem tem mais for\u00e7a e poder no mundo.  O di\u00e1logo n\u00e3o \u00e9 a op\u00e7\u00e3o dos que t\u00eam medo, dos que t\u00eam medo de combater. N\u00e3o debilita a identidade de ningu\u00e9m. Leva cada homem e mulher a ver o melhor e a dar o melhor de si.  O di\u00e1logo \u00e9 um rem\u00e9dio que cura as feridas e que abre ao \u00fanico destino poss\u00edvel, para os povos e para as religi\u00f5es. Viver juntos neste planeta que devemos defender e fazer mais digno que hoje para as gera\u00e7\u00f5es futuras.   A quem cr\u00ea que o choque de civiliza\u00e7\u00f5es \u00e9 inevit\u00e1vel dizemos: libertai-vos deste pessimismo opressor, que cria um mundo de muros e de inimigos, onde se faz imposs\u00edvel viver seguros e em paz. A arte do di\u00e1logo esvazia, com o passar do tempo, inclusive as raz\u00f5es do terror e ganha terreno diante da injusti\u00e7a, que cria ressentimentos e viol\u00eancia.  A quem cr\u00ea que o nome de Deus pode ser usado para odiar e fazer a guerra, dizemo-lhe que o nome de Deus \u00e9 paz. As religi\u00f5es n\u00e3o justificam nunca o \u00f3dio e a viol\u00eancia. O fundamentalismo \u00e9 a enfermidade de todas as religi\u00f5es e culturas, porque nos converte em prisioneiros de uma cultura do inimigo, separa dos demais e valoriza mais a viol\u00eancia que a paz.  A quem continua matando e semeia o terrorismo ou faz a guerra em nome de Deus, repetimos: \u00abDetenha-se! A viol\u00eancia \u00e9 um fracasso para todos! Discutamos e Deus nos iluminar\u00e1!\u00bb.   Em Aachen, sentimos a necessidade de uma Europa capaz de ser mais aberta ao Esp\u00edrito. Sentimos a necessidade de uma Europa capaz de viver com o sul do mundo, de ser express\u00e3o de uma democracia atenta aos direitos humanos, para oferecer a sua contribui\u00e7\u00e3o decisiva no Terceiro Mil\u00e9nio.   Desde Aachen dirigimos a Deus uma ora\u00e7\u00e3o profunda e pela paz. Que Deus conceda a todos os homens e a todas as mulheres, a todos os governantes, a paci\u00eancia do di\u00e1logo, de amplas vis\u00f5es e ao mesmo tempo realista: que liberte cada um da ilus\u00e3o da guerra purificadora. Deus \u00e9 mais forte do que aquele que quer a guerra, mais forte do que aquele que cultiva o \u00f3dio, mais forte do que aquele que vive de viol\u00eancia.   Que Deus conceda finalmente ao nosso s\u00e9culo o dom da paz.   Aachen, 9 de setembro de 2003<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Documento final do evento promovido pela Comunidade de Santo Eg\u00eddio na Alemanha, que juntou mais de 500 l\u00edderes religiosos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[189,203],"class_list":["post-2259","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-direitos-humanos","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2259","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2259"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2259\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2259"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2259"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2259"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}