{"id":22581,"date":"2007-01-30T11:50:50","date_gmt":"2007-01-30T11:50:50","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/01\/30\/um-filho-propriedade-privada\/"},"modified":"2007-01-30T11:50:50","modified_gmt":"2007-01-30T11:50:50","slug":"um-filho-propriedade-privada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/um-filho-propriedade-privada\/","title":{"rendered":"Um filho, propriedade privada?"},"content":{"rendered":"<p>&#8230;todos t\u00eam o dever de aferir a sua consci\u00eancia por valores objectivos para al\u00e9m de emo\u00e7\u00f5es imediatistas  <!--more--> O aborto, como \u00e9 sabido, n\u00e3o \u00e9 primordialmente um problema religioso. \u00c9 humano e \u00e9tico. Mas n\u00e3o deixa de ter implica\u00e7\u00f5es singulares na consci\u00eancia religiosa. Por isso se estranha que alguns olhares convertam o debate em ordem ao pr\u00f3ximo referendo numa enviesada piedade para com as mulheres que abortam, e indiferen\u00e7a para com os seres vivos e humanos que s\u00e3o violentamente agredidos. E mais ainda se estranha a invoca\u00e7\u00e3o da f\u00e9 cat\u00f3lica para se colocar do lado do agressor, como se isso fosse a toler\u00e2ncia, contra o ser indefeso no ventre materno. Como se a piedade e miseric\u00f3rdia apenas assistissem do lado da m\u00e3e com detrimento do futuro do filho. Tamb\u00e9m surpreende a neutralidade de alguns crentes como se se tratasse de tema entregue a profissionais de moral ou a pol\u00edticos encartados. Nessa l\u00f3gica, cada cidad\u00e3o se liberta como pode deste fardo. H\u00e1 quem prefira n\u00e3o se incomodar com o trajecto dum ser humano gerado, na proximidade das dez semanas, com o cora\u00e7\u00e3o a bater em pleno e o todo essencialmente constitu\u00eddo. E deix\u00e1-lo abandonado a uma decis\u00e3o circunstancial. A quest\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 essencialmente na condena\u00e7\u00e3o moral de quem aborta ou para isso directa ou indirectamente contribui. Est\u00e1 na consequente indiferen\u00e7a \u00e0 gravidade deste gesto. De tal modo que pede \u00e0 sociedade que dele se desinteresse, deixando cada caso entregue a op\u00e7\u00e3o instintiva.  Conv\u00e9m voltar ao problema pelo lado da parcialidade que a pergunta lan\u00e7ada no pr\u00f3ximo referendo revela ou omite. Revela uma parte do problema \u2013 a penaliza\u00e7\u00e3o \u2013 e omite o outra, essencial &#8211; a agress\u00e3o a um novo ser humano. Cada pessoa tem direito a decidir em consci\u00eancia. Mas todos t\u00eam o dever de aferir a sua consci\u00eancia por valores objectivos para al\u00e9m de emo\u00e7\u00f5es imediatistas transformadas em propriedade privada. Um novo ser n\u00e3o \u00e9 um objecto que a m\u00e3e pode manipular segundo a sua conveni\u00eancia. \u00c9 um ser humano que ganhou a sua autonomia e personalidade, com direitos \u2013 est\u00e1 consignado na Constitui\u00e7\u00e3o portuguesa o direito de nascer \u2013 e o respeito que merece o seu itiner\u00e1rio de vida. \u00c9 t\u00e3o evidente, que se estranha n\u00e3o seja visto do \u00e2ngulo da \u00e9tica natural e at\u00e9 de alguma moral crist\u00e3. Como \u00e9 poss\u00edvel que o \u00f3bvio nem sempre se veja com a luz meridiana que merece? Ant\u00f3nio Rego <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8230;todos t\u00eam o dever de aferir a sua consci\u00eancia por valores objectivos para al\u00e9m de emo\u00e7\u00f5es imediatistas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[93],"class_list":["post-22581","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial","tag-aborto"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22581","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22581"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22581\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22581"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22581"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22581"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}