{"id":22580,"date":"2007-01-30T11:48:36","date_gmt":"2007-01-30T11:48:36","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/01\/30\/o-aborto-nao-e-um-direito-da-mulher\/"},"modified":"2007-01-30T11:48:36","modified_gmt":"2007-01-30T11:48:36","slug":"o-aborto-nao-e-um-direito-da-mulher","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-aborto-nao-e-um-direito-da-mulher\/","title":{"rendered":"O aborto n\u00e3o \u00e9 um direito da mulher"},"content":{"rendered":"<p>S\u00e3o de direito aqueles bens que s\u00e3o devidos \u00e0 pessoa, com vista \u00e0 sua realiza\u00e7\u00e3o, dignidade e plenitude&#8230; <!--more--> Quando dizemos que o aborto n\u00e3o \u00e9 um &#8220;direito da mulher&#8221;, afirmamos, em primeiro lugar, que o aborto volunt\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 um direito, em absoluto. S\u00e3o de direito aqueles bens que s\u00e3o devidos \u00e0 pessoa, com vista \u00e0 sua realiza\u00e7\u00e3o, dignidade e plenitude, e cuja provis\u00e3o o Estado, na esfera jur\u00eddica, est\u00e1 obrigado a garantir.  Ao contr\u00e1rio, o aborto (legal ou clandestino) \u00e9 um mal. Porque imp\u00f5e a destrui\u00e7\u00e3o do feto ou embri\u00e3o. E porque tem um efeito devastador na pr\u00f3pria mulher e m\u00e3e, a quem fere no mais \u00edntimo da sua feminilidade e da sua dignidade pessoal. E por isso, por constituir um mal, o aborto n\u00e3o deve ser encorajado, abonado ou subsidiado e, muito menos, garantido. Por outro lado, o aborto n\u00e3o \u00e9 um direito da mulher precisamente porque afecta os direitos de terceiros. Note-se, mais uma vez, que o que est\u00e1 em causa n\u00e3o \u00e9 apenas uma &#8220;quest\u00e3o de consci\u00eancia&#8221;. Trata-se afinal do direito \u00e0 vida, que \u00e9 o primeiro e fundamental dos direitos, pressuposto necess\u00e1rio da exist\u00eancia de todos os outros e sem o qual perde significado e suporte qualquer princ\u00edpio de dignidade da pessoa. Isto \u00e9, afecta os pr\u00f3prios fundamentos da conviv\u00eancia humana e da comunidade pol\u00edtica.  Assim, tocamos aqui o princ\u00edpio da inviolabilidade da vida humana (uterina e, ou p\u00f3s-uterina). A atribui\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher de um poder arbitr\u00e1rio sobre a vida do seu filho nascituro, configura um direito absoluto de disposi\u00e7\u00e3o sobre um ser humano que \u00e9 inaceit\u00e1vel.  Por isso, o chamado direito ao livre desenvolvimento da personalidade da mulher &#8211; por sua &#8220;op\u00e7\u00e3o&#8221; &#8211; independentemente de qualquer considera\u00e7\u00e3o ou motivo e sem necessidade de invoca\u00e7\u00e3o de raz\u00f5es, n\u00e3o pode exigir o sacrif\u00edcio total do bem jur\u00eddico da vida do nascituro. A absoluta preval\u00eancia da liberdade de op\u00e7\u00e3o da mulher gr\u00e1vida corresponderia \u00e0 desprotec\u00e7\u00e3o total da vida do feto, ignorando o valor intr\u00ednseco dessa vida humana, cujo estatuto e dignidade seriam remetidos para o de uma &#8220;coisa&#8221; inteiramente dispon\u00edvel, ao crit\u00e9rio de outros, objecto de um direito de propriedade, pass\u00edvel de frui\u00e7\u00e3o (se tiver a sorte de ser desejado, oportuno e escorreito) ou de destrui\u00e7\u00e3o.  Ora, quanto mais sabemos sobre a vida intra-uterina, mais percebemos que aquele pequeno ser, velado e protegido pelo seio materno, n\u00e3o \u00e9 apenas &#8220;algo&#8221; mas &#8220;algu\u00e9m, tem valor aut\u00f3nomo. Ali\u00e1s, todas as mulheres que alguma vez conceberam &#8220;conhecem&#8221; profundamente &#8211; com o seu corpo, com a sua intelig\u00eancia e com o seu cora\u00e7\u00e3o &#8211; essa realidade. E, sejamos justos, a esmagadora maioria das mulheres respeita e guarda abnegadamente os seus filhos n\u00e3o nascidos, a quem se entrega com um enorme hero\u00edsmo e generosidade.  Isso n\u00e3o dispensa, obviamente, o amparo da lei, que deve sempre proteger o bem jur\u00eddico da vida contra quaisquer amea\u00e7as, prevenindo a fragilidade humana e o efeito dissolvente de uma cultura de morte e de irresponsabilidade. Todavia, admito perfeitamente que a maioria das mulheres que pratica o aborto o faz em condi\u00e7\u00f5es dram\u00e1ticas e sob grande press\u00e3o (press\u00e3o que, ali\u00e1s, se tornaria insuport\u00e1vel se o aborto fosse legalizado). Por isso, sou tamb\u00e9m de opini\u00e3o que devemos aproveitar os recursos j\u00e1 existentes na nossa lei penal para, sem prejudicar os seus efeitos de preven\u00e7\u00e3o &#8211; quer negativa, (o seu valor dissuasor), quer positiva (o seu valor pedag\u00f3gico) &#8211; nem enfraquecer a protec\u00e7\u00e3o legal da vida do nascido, evitar condenar ou mesmo julgar as mulheres nessas circunst\u00e2ncias (em que \u00e9 razo\u00e1vel uma presun\u00e7\u00e3o de culpa diminuta). Trata-se talvez do caminho mais indicado para a reabilita\u00e7\u00e3o e reinser\u00e7\u00e3o social dessas pessoas e para evitar a reincid\u00eancia.  Alexandra T\u00e9t\u00e9 Associa\u00e7\u00e3o Mulheres em Ac\u00e7\u00e3o <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o de direito aqueles bens que s\u00e3o devidos \u00e0 pessoa, com vista \u00e0 sua realiza\u00e7\u00e3o, dignidade e plenitude&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[93,168],"class_list":["post-22580","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-aborto","tag-diocese-da-guarda"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22580","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22580"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22580\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22580"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22580"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22580"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}