{"id":22579,"date":"2007-01-30T11:41:42","date_gmt":"2007-01-30T11:41:42","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/01\/30\/a-vida-humana-antes-do-nascimento\/"},"modified":"2007-01-30T11:41:42","modified_gmt":"2007-01-30T11:41:42","slug":"a-vida-humana-antes-do-nascimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-vida-humana-antes-do-nascimento\/","title":{"rendered":"A vida humana antes do nascimento"},"content":{"rendered":"<p>&#8230;\u00e9 mais f\u00e1cil fazer cessar a vida do que criar condi\u00e7\u00f5es nas pessoas e na sociedade para que persista e se desenvolva. <!--more--> 1. Como se sabe, n\u00e3o existem estat\u00edsticas confi\u00e1veis sobre a pr\u00e1tica do aborto no nosso pa\u00eds. No entanto, os n\u00fameros invocados sugerem que a pr\u00e1tica do aborto provocado, ainda que ilegal e clandestina, \u00e9 admitida, tolerada e aceite na nossa sociedade. Significa, sobretudo, que embora se admita que constitui um drama pessoal dilacerante e um sofrimento irrepar\u00e1vel, o aborto \u00e9 encarado por muitas pessoas como a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o para situa\u00e7\u00f5es que entendem n\u00e3o se poder resolver de outro modo.  Esta atitude t\u00e3o generalizada \u00e9 suportada pela banaliza\u00e7\u00e3o e desvirtualiza\u00e7\u00e3o da sexualidade e, sobretudo, pelas circunst\u00e2ncias muito dif\u00edceis da vida das pessoas e dos casais. A sociedade n\u00e3o se organiza para as mulheres e os homens viverem adequadamente os v\u00e1rios dom\u00ednios do seu desenvolvimento pessoal. A vida n\u00e3o tem descontinuidades. A forma\u00e7\u00e3o de um novo ser humano resulta da fus\u00e3o de dois fragmentos do corpo materno e do corpo paterno que s\u00e3o duas c\u00e9lulas altamente especializadas com metade dos cromossomas de cada indiv\u00edduo adulto. Esta fus\u00e3o inicia uma nova cadeia de actividades sucessivas com os materiais provenientes dos dois progenitores, actuando como se fossem dois sistemas complementares. A vida humana tem evolu\u00eddo ao longo de milh\u00f5es de anos atrav\u00e9s deste complexo mecanismo. Nos cromossomas est\u00e1 inscrito um programa que distingue cada corpo humano de todos os outros (incluindo os dos seus progenitores). Neles est\u00e1 a informa\u00e7\u00e3o constitutiva de um ser com uma identidade \u00fanica que ir\u00e1 desenvolver-se se as condi\u00e7\u00f5es ambientais forem adequadas &#8211; isto \u00e9, se se satisfizerem os pressupostos da respira\u00e7\u00e3o e da nutri\u00e7\u00e3o, bem como de outras condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas que cada ser vivo em absoluto necessita para que a vida seja poss\u00edvel e n\u00e3o termine. Ap\u00f3s as primeiras fases de multiplica\u00e7\u00f5es celulares come\u00e7ar\u00e3o a diferencia\u00e7\u00e3o e a organiza\u00e7\u00e3o das estruturas primordiais dos \u00f3rg\u00e3os e dos sistemas constitutivos de um corpo humano. O novo ser prosseguir\u00e1 o seu destino e ir\u00e1 constituir-se num corpo com as caracter\u00edsticas som\u00e1ticas de uma determinada figura humana no qual todas as c\u00e9lulas ter\u00e3o um padr\u00e3o igual ao da c\u00e9lula original. Ir\u00e1 ter caracter\u00edsticas que j\u00e1 est\u00e3o presentes e s\u00e3o avali\u00e1veis nas primeiras semanas de vida. O processo de desenvolvimento ir\u00e1 fazer-se segundo um programa coordenado pelos pr\u00f3prios genes. O crescimento ser\u00e1 cont\u00ednuo, gradual e progressivo, mantendo-se uma individualidade pr\u00f3pria e \u00fanica em todas as etapas da vida.   2. Vastos sectores da cultura contempor\u00e2nea encaram a vida humana antes do nascimento como se ela se tratasse de uma realidade n\u00e3o significante. E diz-se: n\u00e3o \u00e9 uma vida aut\u00f3noma; n\u00e3o se conhece; n\u00e3o tem sistema nervoso central; n\u00e3o tem consci\u00eancia; n\u00e3o tem sensibilidade; n\u00e3o se trata de um ser humano; n\u00e3o se trata de pessoas. Assim, pode ser legitimamente descartada se n\u00e3o for desejada. De facto, \u00e9 mais f\u00e1cil fazer cessar a vida do que criar e desenvolver nas pessoas e na sociedade as condi\u00e7\u00f5es para que aquela persista e se desenvolva.  Conhecem-se actualmente todos os pormenores da vida humana antes do nascimento. Os m\u00e9todos actuais de imagem tornam o corpo materno transparente permitindo fazer-se observa\u00e7\u00f5es desde as primeiras fases da vida. Podem documentar-se as incipientes fun\u00e7\u00f5es dos \u00f3rg\u00e3os e avaliar-se os seus comportamentos. O corpo embrion\u00e1rio comunica com o corpo da m\u00e3e desde fases muito precoces da sua exist\u00eancia. \u00c9 sens\u00edvel ao ambiente que o rodeia, agitando-se quando no exterior h\u00e1 ru\u00eddo e turbul\u00eancia e serenando quando cessa a instabilidade. Tem per\u00edodos de vig\u00edlia e de sono. Tem gestos e comportamentos humanos que podem facilmente identificar-se. \u00c9 ontol\u00f3gica e fenomenologicamente uma pessoa. E \u00e9 por isso mesmo, por se tratar j\u00e1 de uma pessoa, por ter um destino que ir\u00e1 ocupar um espa\u00e7o pessoal na vida de algu\u00e9m, nomeadamente no de sua m\u00e3e, no de seu pai e no dos que o ir\u00e3o envolver, na sua fam\u00edlia natural, que a sociedade invoca o direito de o destruir, apenas pela \u00fanica condi\u00e7\u00e3o da sua exist\u00eancia.   3. O corpo humano tem um desenvolvimento aut\u00f3nomo, cont\u00ednuo, sequencial e progressivo a partir das suas fases mais primordiais seguindo um programa que est\u00e1 inscrito nos seus genes. A realiza\u00e7\u00e3o desse programa est\u00e1 sujeita \u00e0s condi\u00e7\u00f5es que s\u00e3o caracter\u00edsticas de cada ser vivo &#8211; depend\u00eancia estrita do ambiente em que vive, exposi\u00e7\u00e3o aos factores de doen\u00e7a e vulnerabilidade \u00e0s agress\u00f5es. E, portanto, est\u00e1 sujeito \u00e0 morte, muito comum nas fases iniciais de todos os seres vivos. O embri\u00e3o humano, logo desde a sua origem, n\u00e3o \u00e9 um ser humano potencial. \u00c9 um ser humano real que iniciou a sua pr\u00f3pria exist\u00eancia e est\u00e1 sujeito \u00e0s suas conting\u00eancias. Precisa de uma fam\u00edlia humana que o acolha, o aque\u00e7a, o alimente, o ensine e o ame. Alexandre Laureano Santos M\u00e9dico <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8230;\u00e9 mais f\u00e1cil fazer cessar a vida do que criar condi\u00e7\u00f5es nas pessoas e na sociedade para que persista e se desenvolva.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[93,206],"class_list":["post-22579","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-aborto","tag-familia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22579","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22579"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22579\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22579"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22579"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22579"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}