{"id":225770,"date":"2022-01-05T14:17:53","date_gmt":"2022-01-05T14:17:53","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=225770"},"modified":"2022-01-05T14:18:22","modified_gmt":"2022-01-05T14:18:22","slug":"saber-aprender-a-caminhar-juntos-para-onde-e-com-quem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saber-aprender-a-caminhar-juntos-para-onde-e-com-quem\/","title":{"rendered":"SABER APRENDER &#8211; A caminhar juntos: para onde (?) e com quem?"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O caminho da sinodalidade \u00e9 o que Deus espera da Igreja neste tempo. E a palavra <em>s\u00ednodo<\/em> significa \u201ccaminhar juntos\u201d. Mas em diversos artigos de opini\u00e3o continua a dificuldade em perceber o que significa esse caminhar no concreto da vida. Pois, \u201ccaminhar juntos\u201d \u00e9 uma express\u00e3o bonita, mas pode n\u00e3o passar disso se n\u00e3o se tornar vida. Por outro lado: 1) \u201ccaminhar\u201d em que direc\u00e7\u00e3o?; 2) quem inclui este \u201cjuntos\u201d? 3) e, por fim, que raz\u00f5es suportam esta inspira\u00e7\u00e3o para o caminho da Igreja no terceiro mil\u00e9nio?<\/p>\n<figure id=\"attachment_225771\" aria-describedby=\"caption-attachment-225771\" style=\"width: 1296px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/tyler-nix-V3dHmb1MOXM-unsplash.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-225771\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/tyler-nix-V3dHmb1MOXM-unsplash.jpg\" alt=\"\" width=\"1296\" height=\"864\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/tyler-nix-V3dHmb1MOXM-unsplash.jpg 1296w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/tyler-nix-V3dHmb1MOXM-unsplash-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/tyler-nix-V3dHmb1MOXM-unsplash-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/tyler-nix-V3dHmb1MOXM-unsplash-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/tyler-nix-V3dHmb1MOXM-unsplash-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/tyler-nix-V3dHmb1MOXM-unsplash-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/tyler-nix-V3dHmb1MOXM-unsplash-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/tyler-nix-V3dHmb1MOXM-unsplash-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1296px) 100vw, 1296px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-225771\" class=\"wp-caption-text\">Foto de Tyler Nix em Unsplash<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>\u00abO mundo est\u00e1 a mudar.\u00bb<\/em> \u2014 come\u00e7a assim o filme do \u201cSenhor dos An\u00e9is\u201d. Uma frase que repito v\u00e1rias vezes em diversas situa\u00e7\u00f5es. Poderia acrescentar que o mundo est\u00e1 <em>\u201dsempre\u201d<\/em> a mudar, mas a for\u00e7a daquela frase est\u00e1 na consci\u00eancia de que essa mudan\u00e7a ocorre no nosso tempo de vida. Isso significa ser importante estarmos atentos ao que est\u00e1 a mudar no mundo e que impacte podem produzir essas mudan\u00e7as no caminho espiritual que \u00e9 pessoal e comunit\u00e1rio. Pois, talvez a leitura aberta e franca daquilo que vivemos nos ajude a pensar na direc\u00e7\u00e3o do caminho que podemos fazer juntos no \u00e2mbito da Igreja sinodal.<\/p>\n<p>Todo o caminho humano orienta-se por valores. E todo o caminho espiritual inclui o humano, mas n\u00e3o se reduz \u00e0 vers\u00e3o actual da nossa esp\u00e9cie. Os caminhos espirituais v\u00e3o para al\u00e9m da nossa humanidade, orientando-a para uma cont\u00ednua experi\u00eancia de Deus. Da\u00ed a raz\u00e3o de rezarmos juntos para percebermos o caminho a fazer entre n\u00f3s. N\u00e3o para decidirmos juntos o que fazer, mas para acolhermos juntos aquilo que Deus inspira a cada um e, assim, discernir o caminho que Ele quer que fa\u00e7amos. Pensar na \u201cIgreja da Escuta\u201d sem incluir a experi\u00eancia de Deus enquanto escutamos pode levar-nos a cair na tenta\u00e7\u00e3o de se converter num <em>brainstorming<\/em> empresarial na procura de novas solu\u00e7\u00f5es, por exemplo, para Evangelizar. Creio que isso pode levar a uma separa\u00e7\u00e3o, em vez de distin\u00e7\u00e3o, entre os caminhos humano e espiritual.<\/p>\n<p>Se separarmos o caminho humano do espiritual corremos o risco de separar a vida crist\u00e3 da realidade humana vivida pelas pessoas dia-a-dia. Mas se a vida crist\u00e3 se unir \u00e0 realidade quotidiana, o caminho espiritual oferece um testemunho ao mundo de uma humanidade que vai para al\u00e9m de si mesma. Por exemplo, a viol\u00eancia faz parte do ser humano, mas se dermos testemunho de fraternidade, independentemente das diferen\u00e7as que existem entre as nossas convic\u00e7\u00f5es, ou seja, fundando o nosso testemunho numa <em>mente respeitadora<\/em>, vamos para al\u00e9m do que \u00e9 humano e transformamo-nos um pouco mais em Deus.<\/p>\n<p>Caminharmos juntos, inclu\u00edndo os que pensam de maneira diferente de n\u00f3s, ajuda-nos a sair da nossa bolha de convic\u00e7\u00f5es para as aprofundar com a convic\u00e7\u00e3o dos outros (sobretudo quando \u00e9 diferente da nossa). E o caminho feito juntos, neste caso, significa <em>di\u00e1logo, acolhimento, escuta atenta e sincera, partilha de experi\u00eancias e de pensamentos com clareza<\/em>. O desafio est\u00e1 em definir os temas a abordar nesse caminho, n\u00e3o por desconhecermos os que orientam o nosso caminhar e precisam de alguma actualiza\u00e7\u00e3o, mas por serem muitos, o que dificulta a escolha por onde come\u00e7ar.<\/p>\n<p>Por outro lado, ao dialogarmos sobre qualquer t\u00f3pico com pessoas que est\u00e3o na Igreja e fora dela, \u00e9 natural que surja o paradoxo entre a experi\u00eancia do outro quando \u00e9 oposta \u00e0 nossa. Diante do paradoxo proveniente da partilha de experi\u00eancias onde um diz \u201cA\u201d e o outro diz \u201cn\u00e3o-A\u201d, o que fazer? A abordagem <em>transdisciplinar<\/em> dos contradit\u00f3rios responde, precisamente, a essa quest\u00e3o. Quando num determinado n\u00edvel de interpreta\u00e7\u00e3o e percep\u00e7\u00e3o da realidade coexistem experi\u00eancias contradit\u00f3rias, \u00e9 preciso a coragem e o desapego necess\u00e1rios para se encontrar o \u201cterceiro inclu\u00eddo\u201d, isto \u00e9, aquela ideia\/experi\u00eancia-chave que est\u00e1 a um n\u00edvel de interpreta\u00e7\u00e3o e percep\u00e7\u00e3o da realidade diferente que resolva, ilumine e una os contradit\u00f3rios, ajudando-nos a caminhar para uma unidade do conhecimento daquilo que acontece no nosso caminho.<\/p>\n<p>Concretizando, um dos assuntos que se sobressai mais no percurso da sinodalidade \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre clero e laicado. Essa rela\u00e7\u00e3o faz-me pensar no bin\u00f3mio que experimento entre alunos e professores. \u00c9 comum pensar-se que o professor sabe e o aluno deve aprender. \u00c9 verdade, mas nem sempre o professor sabe e o aluno deve, tamb\u00e9m, ensinar se quiser aprender. Depois, a vis\u00e3o mais comum entre professores e alunos \u00e9 a da verticalidade onde os primeiros est\u00e3o em cima e podem fazer o que querem (infelizmente existem casos destes) e os alunos est\u00e3o por baixo e devem aceitar tudo o que lhes impingem. \u00c9 uma verticalidade que distorce a realidade e destr\u00f3i a evolu\u00e7\u00e3o pessoal. Uma vis\u00e3o mais pr\u00f3xima seria a do professor que tem mais experi\u00eancia e, por isso, os alunos podem beneficiar da sabedoria que dela prov\u00e9m. E os alunos, que est\u00e3o menos cristalizados no conhecimento que possuem, podem desafiar o que sabem os professores com a sua imagina\u00e7\u00e3o, despertando a curiosidade em rela\u00e7\u00e3o a cada mat\u00e9ria.<\/p>\n<p>A vis\u00e3o menos comum, mas igualmente importante, \u00e9 a da horizontalidade, onde professores e alunos fazem parte da mesma cultura universit\u00e1ria. Uma cultura de proximidade onde reconhecemos que por detr\u00e1s de cada papel (professor ou aluno) est\u00e1 uma pessoa com dons e limites. \u00c9 um equil\u00edbrio din\u00e2mico entre a verticalidade e a horizontalidade que perfaz a cruz do caminho que podemos percorrer juntos. Seja no \u00e2mbito da educa\u00e7\u00e3o, como no \u00e2mbito do povo de Deus feito de clero e laicado.<\/p>\n<p>A lentid\u00e3o que muitos sentem em rela\u00e7\u00e3o a todo este processo pode advir de como a viv\u00eancia da sinodalidade n\u00e3o est\u00e1 sujeita a prazos, se se pretende que seja profunda e transformativa, nem se deve sujeitar a vontades (seja do clero como do laicado). Se queremos caminhar juntos temos de reconhecer que as pessoas podem ter ritmos de compreens\u00e3o e viv\u00eancia diferentes. Acertar o passo \u00e9 uma necessidade de qualquer caminho que fazemos juntos. O facto de haver um prazo (2023), a acelera\u00e7\u00e3o num momento de viragem esperado para a Igreja pode derrapar se os \u201cpneus\u201d n\u00e3o estiverem bons. Isto \u00e9, se n\u00e3o assegurarmos a boa ader\u00eancia entre o \u201cpneu\u201d da vida crist\u00e3 e o \u201cpiso\u201d da realidade humana.<\/p>\n<p>Se existem muitos assuntos que fazem parte do caminho sinodal penso que o passo mais concreto seria identific\u00e1-los. Depois, assim como no ensino, o sucesso do caminho da aprendizagem est\u00e1 na liga\u00e7\u00e3o interior que fazemos entre o conceito e a vida. Por vezes sinto que somos excelentes a esclarecer conceitos, mas menos bons a tra\u00e7ar os caminhos de aproxima\u00e7\u00e3o dos conceitos \u00e0 vida. Por exemplo, se Jesus \u00e9 a verdade, ser\u00e1 que as pessoas se d\u00e3o conta da amea\u00e7a que a desinforma\u00e7\u00e3o representa para o pr\u00f3prio conceito de verdade? Seremos ainda capazes de reconhecer a verdade em Jesus ou estaremos demasiado influenciados pela imagem (boa ou m\u00e1, mas irreal) que a desinforma\u00e7\u00e3o nos oferece d\u2019Ele?<\/p>\n<hr \/>\n<p>Para acompanhar o que escrevo pode subscrever a Newsletter <em>Escritos<\/em> em <a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":166774,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-225770","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/225770","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=225770"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/225770\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=225770"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=225770"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=225770"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}