{"id":22569,"date":"2007-01-30T10:43:16","date_gmt":"2007-01-30T10:43:16","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/01\/30\/as-verdadeiras-solucoes\/"},"modified":"2007-01-30T10:43:16","modified_gmt":"2007-01-30T10:43:16","slug":"as-verdadeiras-solucoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/as-verdadeiras-solucoes\/","title":{"rendered":"As verdadeiras solu\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>Referendo: Sim ou N\u00e3o?  <!--more--> 1. Ao afirmarmos que a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto n\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o, nem leg\u00edtima, nem eficaz, para enfrentar o drama do aborto clandestino, nem a resposta a dar \u00e0s mulheres gr\u00e1vidas, que enfrentam com dificuldade a maternidade, aceitamos que nos perguntem: quais s\u00e3o, ent\u00e3o, as verdadeiras solu\u00e7\u00f5es? Devemos procur\u00e1-las nos grandes valores da civiliza\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e de uma sociedade justa e humanista, que ponha os valores acima dos interesses.    2. O primeiro desses valores \u00e9 o amor fraterno, que exige o dom\u00ednio dos ego\u00edsmos individualistas e a generosidade para ajudar os outros, sobretudo os que enfrentam problemas e necessidades graves. A solidariedade, que no ideal crist\u00e3o ganha a densidade da caridade, \u00e9 o dinamismo fundamental da constru\u00e7\u00e3o da comunidade e de uma sociedade solid\u00e1ria.  Num estudo recente, feito pela Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa, \u00e0 pergunta dirigida \u00e0s mulheres, se, num caso de maternidade dif\u00edcil, optariam pelo aborto ou por aceitar a ajuda para poder levar a termo a sua maternidade, 76% das inquiridas responderam que, se fossem ajudadas, n\u00e3o recorreriam ao aborto. Este \u00e9 um desafio feito ao Estado, \u00e0 sociedade e tamb\u00e9m \u00e0 Igreja. Temos de encontrar solu\u00e7\u00f5es positivas, na linha da solidariedade e da ajuda fraterna. \u00c9 preciso organizar uma rede de apoio, discreta mas eficaz, de modo que toda a mulher a quem se coloque a tenta\u00e7\u00e3o de recorrer ao aborto, saiba onde e a quem poder\u00e1 recorrer, onde seja salvaguardada a sua intimidade e lhe seja garantida a ajuda de que precisa: espiritual, psicol\u00f3gica e material. Para n\u00f3s crist\u00e3os, n\u00e3o passar\u00e1 tamb\u00e9m por aqui a tal \u201cfantasia da caridade\u201d?    3. Uma outra ordem de valores sobre a qual se pode construir uma solu\u00e7\u00e3o, situa-se no \u00e2mbito da educa\u00e7\u00e3o. A educa\u00e7\u00e3o deve propor um quadro de compreens\u00e3o da vida humana, dos instintos \u00e0 liberdade, que abra para a generosidade e para a responsabilidade. Conceber o exerc\u00edcio da liberdade numa perspectiva individualista, em que cada um pode fazer tudo o que quer e lhe apetece, n\u00e3o leva nem ao crescimento da pessoa, nem \u00e0 edifica\u00e7\u00e3o de uma sociedade justa e solid\u00e1ria. A sociedade fica confrontada com a necessidade de resolver, de forma pragm\u00e1tica e eficaz, os percal\u00e7os e os problemas criados por uma liberdade individual sem responsabilidade. \u00c9 assim nos acidentes de via\u00e7\u00e3o, nas agress\u00f5es contra o ambiente, no abandono e abuso de crian\u00e7as, no aborto.   O exerc\u00edcio individualista da liberdade origina uma sociedade permissiva. O Estado gasta uma parte significativa das suas capacidades e energias a corrigir abusos da liberdade, e as leis que enquadram essa busca de solu\u00e7\u00f5es tendem a ser pragm\u00e1ticas, n\u00e3o se enquadrando nos valores fundamentais de uma cultura que situe e motive a liberdade individual. Isso \u00e9 tarefa da educa\u00e7\u00e3o.  O caso concreto do aborto toca num aspecto fundamental: a educa\u00e7\u00e3o para a sexualidade, generosa e respons\u00e1vel, que encontra no amor o contexto positivo do seu sentido. Enquanto o ambiente for o de cada um fazer o que lhe apetece, o uso da sexualidade levar\u00e1, cada vez mais, ao desrespeito da pessoa humana de que resulta: a viol\u00eancia familiar, o abuso de crian\u00e7as, a sida, a utiliza\u00e7\u00e3o da mulher como objecto, os percal\u00e7os indesej\u00e1veis na adolesc\u00eancia, o aborto. Acordemos todo para uma educa\u00e7\u00e3o que promova a dignidade da pessoa humana, e esteja \u00e0 altura da civiliza\u00e7\u00e3o que herd\u00e1mos.  Est\u00e1 na ordem do dia a equa\u00e7\u00e3o do que dever\u00e1 ser a educa\u00e7\u00e3o sexual nas escolas. \u00c9 bem-vinda e necess\u00e1ria. Mas se n\u00e3o se enquadrar nesta vis\u00e3o generosa da pessoa humana, ela poder\u00e1 gerar mais permissivismo, mais viol\u00eancia, mais problemas. Um aspecto delicado \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o para uma sadia regula\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria fecundidade. A doutrina da Igreja, a este respeito, baseia-se no princ\u00edpio da fecundidade respons\u00e1vel e generosa, no quadro do ideal crist\u00e3o da castidade, que desafia os crist\u00e3os a viverem a sua sexualidade como experi\u00eancia de amor generoso, no quadro da fam\u00edlia, potenciada com a gra\u00e7a pr\u00f3pria do sacramento do matrim\u00f3nio. O n\u00e3o sancionamento \u00e9tico, por parte da Igreja, de todos os m\u00e9todos de regula\u00e7\u00e3o da fecundidade, n\u00e3o pode ser usado como argumento a favor do aborto. Eles dizem respeito \u00e0 exig\u00eancia do amor casto, caminho de santidade, situando-se no \u00e2mbito da consci\u00eancia da pessoa, homem e mulher, n\u00e3o comprometendo a vida de outro ser humano, como no caso do aborto. S\u00e3o mandamentos diferentes na Lei de Deus: guardar\u00e1s castidade \u00e9 um mandamento, que \u00e9 desafio para a viv\u00eancia da pr\u00f3pria sexualidade; e \u201cn\u00e3o matar\u00e1s\u201d, que \u00e9 exig\u00eancia radical de respeito pela vida dos outros. Em termos religiosos ou simplesmente culturais, n\u00e3o haver\u00e1 verdadeira educa\u00e7\u00e3o sexual se n\u00e3o abrir para a perspectiva da castidade, concebida como viv\u00eancia generosa e respons\u00e1vel da pr\u00f3pria sexualidade.   Este \u00e9 o quadro cultural em que se construir\u00e3o solu\u00e7\u00f5es, n\u00e3o apenas para o problema do aborto, mas para a estabilidade do casamento, para os desregramentos que impedem uma vida sadia e para a erradica\u00e7\u00e3o de todas as formas de viol\u00eancia que t\u00eam a sua origem numa sexualidade desregrada e ego\u00edsta. Durante toda a vida, a sexualidade tem de ser express\u00e3o de vida e caminho de felicidade.     \u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca   * Quarto de 5 textos (semanais) do Cardeal Patriarca de Lisboa, a respeito do Referendo sobre o Aborto <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Referendo: Sim ou N\u00e3o?<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[93,154,168,193,206,314],"class_list":["post-22569","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-aborto","tag-crianca","tag-diocese-da-guarda","tag-educacao","tag-familia","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22569","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22569"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22569\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22569"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22569"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22569"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}