{"id":225622,"date":"2022-01-06T09:00:55","date_gmt":"2022-01-06T09:00:55","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=225622"},"modified":"2022-01-03T15:13:29","modified_gmt":"2022-01-03T15:13:29","slug":"beja-os-canticos-do-natal-alentejano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/beja-os-canticos-do-natal-alentejano\/","title":{"rendered":"Beja: Os c\u00e2nticos do Natal Alentejano"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Concerto-alentejo-cartageno-2020.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-225624\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Concerto-alentejo-cartageno-2020.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Concerto-alentejo-cartageno-2020.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Concerto-alentejo-cartageno-2020-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Concerto-alentejo-cartageno-2020-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Concerto-alentejo-cartageno-2020-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Concerto-alentejo-cartageno-2020-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Concerto-alentejo-cartageno-2020-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Concerto-alentejo-cartageno-2020-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Concerto-alentejo-cartageno-2020-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Como \u00e9 sabido, o<em> cante<\/em> tem duas vertentes: a profana e a religiosa. Uma e outra se completam, porque s\u00e3o duas dimens\u00f5es da mesma alma do povo alentejano.<\/p>\n<p>Os alentejanos sempre usaram o seu cante para se relacionarem com Deus, para rezar. Provam-no os numerosos c\u00e2nticos populares religiosos recolhidos por todo o Baixo Alentejo, de que se destacam os c\u00e2nticos do ciclo do Natal e da Quaresma\/Paix\u00e3o, os c\u00e2nticos aos Santos Populares e a Nossa Senhora e tamb\u00e9m as preces para pedir a Deus a gra\u00e7a da chuva.<\/p>\n<p>Hoje vem muito a prop\u00f3sito falar do<strong> ciclo do Natal<\/strong>, com os c\u00e2nticos do Deus Menino, das Janeiras e dos Reis Magos. Este repert\u00f3rio \u00e9 certamente o mais rico de toda a tradi\u00e7\u00e3o da m\u00fasica popular religiosa do Baixo Alentejo. S\u00e3o muitas as localidades onde, nas recolhas feitas por mim pr\u00f3prio e pelo P. Apar\u00edcio entre 1978 e 1982, e n\u00e3o s\u00f3, encontr\u00e1mos este tr\u00edptico completo, verificando tamb\u00e9m que s\u00e3o esses os c\u00e2nticos que mais resistiram \u00e0 eros\u00e3o do tempo. Essa constata\u00e7\u00e3o era j\u00e1 assinalada em finais do s\u00e9c. XIX: &#8220;<em>O que ainda subsiste apesar da sua origem secular &#8211; t\u00e3o secular como a do Pres\u00e9pio &#8211; \u00e9 o costume dos descantes ao Deus Menino, \u00e0s Janeiras e aos Reis<\/em>&#8221; (Dias Nunes, in <em>A Tradi\u00e7\u00e3o <\/em>de Serpa, Jan\u00ba de 1899).<\/p>\n<p>Deste vast\u00edssimo repert\u00f3rio encontr\u00e1mos <strong>cantos ao Deus Menino<\/strong> em S. Matias, Cabe\u00e7a Gorda, Beringel, Trigaches, Trindade, Baleiz\u00e3o, Vidigueira, Selmes, Cuba, Vila Alva, Peroguarda, Pias, Aldeia Nova de S. Bento, Serpa, Brinches, A-do-Pinto, Vila Verde de Ficalho, Safara, Santo Aleixo da Restaura\u00e7\u00e3o, Aljustrel, Messejana, S. Marcos da Ataboeira, etc. E tamb\u00e9m os <strong>cantos dos Reis e das Janeiras <\/strong>em muitas localidades do Baixo Alentejo. Tudo verdadeiros tesouros da cultura alentejana que os filhos desta terra, mesmo longe dela, ainda conservam no cora\u00e7\u00e3o, gra\u00e7as a essa recolha que os salvou do esquecimento. Hoje, quarenta anos depois, felizmente, esses tesouros est\u00e3o recuperados e voltam a ecoar nas celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas das Igrejas do Alentejo, nas noites de \u201cCante ao Menino\u201d promovidas pelos grupos corais alentejanos (at\u00e9 na zona da Grande Lisboa), nos ser\u00f5es familiares e \u00e0 volta da fogueira de Natal.<\/p>\n<p>S\u00e3o, em geral, c\u00e2nticos muito melism\u00e1ticos, isto \u00e9, muito mais ornamentados em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 generalidade dos restantes e, por isso, de dif\u00edcil execu\u00e7\u00e3o, cantados em fam\u00edlia, \u00e0 volta do madeiro, ou na Igreja, com letra diversificada e variada. O texto \u00e9 sempre repassado de emo\u00e7\u00e3o, assombro, ternura, admira\u00e7\u00e3o e f\u00e9. Ainda no domingo passado fiz um concerto de Natal com o Coro do Carmo de Beja na Salvada, aqui bem perto de Beja. Prepar\u00e1mos de prop\u00f3sito um canto dos Reis que outrora se cantou naquela localidade e tamb\u00e9m noutras terras do concelho de Beja. Ao fim perguntei: &#8211; Algu\u00e9m reconheceu este c\u00e2ntico? Algu\u00e9m se lembra dele? Uma jovem senhora respondeu: &#8211; Eu estou toda emocionada e j\u00e1 chorei. Este c\u00e2ntico cantava-o sempre a minha av\u00f3 na noite de Natal! Aprendi-o com ela\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Voltando ao texto, gostaria de p\u00f4r em relevo a linguagem fortemente po\u00e9tica, teol\u00f3gica\u00a0\u00a0 e b\u00edblica de alguns deles. Por exemplo, <strong>o Menino de Pias<\/strong> tem este pequeno Refr\u00e3o:<\/p>\n<p><em>Ponde em n\u00f3s os vossos olhos, \/ miseric\u00f3rdia, amor!<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o conhe\u00e7o nada de semelhante nos cantos natal\u00edcios de outras regi\u00f5es. Pede-se a Jesus para olhar para n\u00f3s, chamando-Lhe \u201cmiseric\u00f3rdia e amor\u201d.\u00a0 Este c\u00e2ntico foi-me transmitido por um pastor, em Pias, na d\u00e9cada de 80 do s\u00e9c. XX. Quem ensinou o povo crente do Alentejo a rezar desta maneira? Nesta linguagem h\u00e1 resson\u00e2ncias do Salmo 145, 8 e Ef 2, 4, que falam de Deus \u201crico de miseric\u00f3rdia\u201d, e de Jo 4, 16, que nos d\u00e1 a mais bela defini\u00e7\u00e3o de Deus: \u201cDeus \u00e9 amor\u201d.<\/p>\n<p>Em <strong>S. Matias<\/strong>, concelho de Beja, com uma m\u00fasica completamente diferente e o texto das estrofes tamb\u00e9m muito diferente, canta-se um Refr\u00e3o semelhante. Assim:<\/p>\n<p><em>Vossos olhos \/ de miseric\u00f3rdia, amor!<\/em><\/p>\n<p>Repare-se que a frase est\u00e1 incompleta, n\u00e3o tem verbo. O crente, como que at\u00f3nito e surpreendido pela grandeza do mist\u00e9rio do Verbo encarnado, quase n\u00e3o tem palavras para se exprimir: contempla extasiado e balbucia apenas o essencial. H\u00e1 aqui algo que quase se pode comparar ao <em>jubilus<\/em> de que fala S. Agostinho, no seu coment\u00e1rio sobre os Salmos: \u201caquela melodia que traduz a incapacidade de exprimir por palavras o que sente o cora\u00e7\u00e3o\u201d. Neste caso do c\u00e2ntico ao Deus Menino, de S. Matias, n\u00e3o \u00e9 bem isso, mas \u00e9 quase: n\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rias muitas palavras para exprimir o que sente o cora\u00e7\u00e3o. S\u00f3 as m\u00ednimas. O povo crente do Alentejo tem destas coisas.<\/p>\n<p><em>P. Ant\u00f3nio Cartageno<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":225624,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[789],"class_list":["post-225622","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional","tag-contos-de-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/225622","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=225622"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/225622\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/225624"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=225622"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=225622"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=225622"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}