{"id":225612,"date":"2022-01-04T09:00:57","date_gmt":"2022-01-04T09:00:57","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=225612"},"modified":"2022-01-03T15:04:40","modified_gmt":"2022-01-03T15:04:40","slug":"vila-real-a-cidade-del-rei","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/vila-real-a-cidade-del-rei\/","title":{"rendered":"Vila Real: A cidade d\u2019el Rei"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/vila-real-cidade-neve.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-225614\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/vila-real-cidade-neve.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/vila-real-cidade-neve.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/vila-real-cidade-neve-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/vila-real-cidade-neve-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/vila-real-cidade-neve-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/vila-real-cidade-neve-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/vila-real-cidade-neve-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/vila-real-cidade-neve-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/vila-real-cidade-neve-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Quando acordou, sentiu-se perdida.<\/p>\n<p>Sentou-se na cama e olhou o rel\u00f3gio: 5 horas da manh\u00e3. Na cidade espregui\u00e7ava-se a manh\u00e3 do dia 24 de dezembro. Maria vivia numa aldeia gelada a escassos quil\u00f3metros de Vila Real, no cimo de um vale donde desciam, cicl\u00f3picos, os pinheiros cobertos de neve. Todos dormiam, enquanto ela abriu as janelas e, narinas adentro, sorveu a mansid\u00e3o da invernia. Sempre celebrou o Menino Jesus, mas nesses dias andava a vaguear num mundo de emo\u00e7\u00f5es confusas: trabalhos, desalentos e a falta de um beb\u00e9, o seu beb\u00e9.<\/p>\n<p>Depois do duche e ao som do alarme da Av\u00f3, apressou-se a preparar-se para o que a\u00ed vinha.<\/p>\n<p>9h da manh\u00e3: a M\u00e3e e a Av\u00f3 come\u00e7avam a confecionar as iguarias natal\u00edcias ado\u00e7adas com a ternura do Menino que estava quase quase a nascer. Maria amassou o calondro para as fritas, que no resto do pa\u00eds se chamam polidamente bolinhos de ab\u00f3bora ou rabanadas. N\u00e3o, aqui n\u00e3o \u2013 o calondro, m\u00e1sculo e churro, funde-se com a brancura da neve de a\u00e7\u00facar e canela e vai embriagar-se do azeite a estalar na sert\u00e3 posicionada entre dois potes de ferro na lareira, ferventes com as achas em lume hirto e desperto!<\/p>\n<p>A seguir ao almo\u00e7o, sentiu falta do frio e foi ao quintal ver os flocos de neve que recome\u00e7avam, silenciosos, a poisar no manto t\u00e3o alvo do ch\u00e3o mesmo defronte do pinhal e do vale, abrigados pela Serra do Alv\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 cidade do famoso foral d\u2019el rei D. Dinis!<\/p>\n<p>Este choro g\u00e9lido da Natureza dava-lhe muitas vezes paz, mas n\u00e3o hoje, hoje voltou a nostalgia do n\u00e3o-ter, uma esp\u00e9cie de m\u00edngua do indiz\u00edvel. Tinha sido hemorro\u00edsa, tornada est\u00e9ril, e agora a vinda do Menino-Deus comovia-a, desejosa de O segurar, maternal, num \u00f3sculo que n\u00e3o teria ocaso\u2026<\/p>\n<p>Voltou a sentir-se perdida.<\/p>\n<p>Regressada ao interior, subiu ao seu quarto e encostou a fronte \u00e0 vidra\u00e7a: viu o lenhador que trazia mais lenha para esses dias e soprou um bafo da sua ang\u00fastia para a janela \u2013 assim devia ser o Esp\u00edrito Santo \u2013 v\u00ea-se no que toca, no que transforma, qual vento invis\u00edvel que faz girar o moinho no cimo da serra.<\/p>\n<p>\u00c0 noite iria \u00e0 Missa do Galo, na S\u00e9, claro, com a fam\u00edlia. E veria a Avenida iluminada com as luzes da C\u00e2mara e dos pres\u00e9pios das v\u00e1rias freguesias, tantos e t\u00e3o diferentes, t\u00edpicos de cada regi\u00e3o! Uns feitos de barro de Bisalh\u00e3es, outros de linho de Agarez, outros de madeira dos pinhais em redor, outros ainda de serapilheira dos sacos de batatas da Campe\u00e3, enfim, tantos e t\u00e3o belos! Sim, tudo bonito e tur\u00edstico, mas exterior, t\u00e3o diferente do que ela imaginava ser essa noite da Natividade\u2026 O Advento chegara ao fim, parecia-lhe n\u00e3o sentir o seu Maranath\u00e1, por isso desistiu e voltou para a cozinha.<\/p>\n<p>A tarde passou, chegou a noite e a ceia em fam\u00edlia. Calma e leda, mansa e aconchegada. A lareira estalava sonzinhos quentes e as brasas estendidas em mil luzeiros pequeninos ajudavam a degustar as fritas, a aletria, as filhoses e tanto mais, tudo acompanhado por um Porto do Douro ali ao p\u00e9, mesmo ao fundinho do Rio Corgo.<\/p>\n<p>Mas era como se visse tudo, menos o seu Senhor, Jesus, fosse qual fosse o sic\u00f3moro a que subisse. Bem se ajoelhou como pastora junto \u00e0s palhinhas, mas nada!<\/p>\n<p>23.30h: sa\u00edram de casa em dire\u00e7\u00e3o a esse ido Convento de S. Domingos, matiz da Diocese que come\u00e7ava agora a celebrar o seu centen\u00e1rio.<\/p>\n<p>A eucaristia. Era agora que se celebrava o nascimento do Menino Jesus, ao som do Coro dos Anjos a entoar \u00abGloria in Excelsis Deo\u00bb! A pandemia tinha-lhe roubado a proximidade da imagem e a oscula\u00e7\u00e3o e hoje parecia que lhe roubava o pr\u00f3prio Jesus!<\/p>\n<p>Acabou a eucaristia, saiu do templo no meio da multid\u00e3o encolhida em seus casacos e sobretudos, a quem nem o gelo tiritante retirava a alegria que subia aos c\u00e9us das bocas mascaradas que jorravam \u00abFeliz Natal\u00bb!<\/p>\n<p>Maria saiu pela porta principal da catedral, olhou a \u00e1rvore ao fundo, iluminada de luzinhas e resignou-se: n\u00e3o sentia nada, nada, a n\u00e3o ser vazio e sil\u00eancio interiores.<\/p>\n<p>De repente:<\/p>\n<p>&#8211; Maria, mana! Consegui vir a casa!<\/p>\n<p>Era a sua irm\u00e3, que vivia longe! Que bom! Olhou-a ao longe, ao som da sua voz e, epifania antes do tempo, dos bra\u00e7os desta M\u00e3e luziam dois bot\u00f5ezinhos pequeninos e luzidios, castanhos e carinhosos que a inundaram de Amor \u2013 eram os olhos da sua sobrinha, nascida no Natal anterior e a quem n\u00e3o via desde ent\u00e3o!<\/p>\n<p>A sua menina \u2013 a multid\u00e3o desaparecia, a sua fam\u00edlia tamb\u00e9m, as iguarias de sua casa, os pres\u00e9pios, tudo &#8211; s\u00f3 Maria e a pequena, que lhe abriu um sorriso ado\u00e7ado pelo olhar. E nesse olhar, inocente e infantil, emoldurados pelos carac\u00f3is mais perfeitos do mundo, Maria sentiu-se inteira, inundada do seu beb\u00e9 \u2013 do Menino Jesus que a incandescia e lhe dizia uma palavra, uma \u00fanica e imensa palavra: Amor!<\/p>\n<p>Sim, Vila Real \u00e9 cidade d\u2019el-rei, mas n\u00e3o um qualquer temporal: \u00e9 cidade do Rei Eterno!<\/p>\n<p>Marina Rocha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":225615,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[789],"class_list":["post-225612","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional","tag-contos-de-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/225612","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=225612"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/225612\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/225615"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=225612"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=225612"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=225612"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}