{"id":225555,"date":"2022-01-02T09:30:13","date_gmt":"2022-01-02T09:30:13","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=225555"},"modified":"2022-01-01T16:06:07","modified_gmt":"2022-01-01T16:06:07","slug":"sociedade-so-pela-educacao-e-que-vamos-mudar-o-mundo-barbara-wong","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/sociedade-so-pela-educacao-e-que-vamos-mudar-o-mundo-barbara-wong\/","title":{"rendered":"Sociedade: \u00abS\u00f3 pela educa\u00e7\u00e3o \u00e9 que vamos mudar o mundo\u00bb &#8211; B\u00e1rbara Wong"},"content":{"rendered":"<p><em>Jornalista diz que alertas do Papa na mensagem para o Dia Mundial da Paz s\u00e3o \u201ccerteiros\u201d e realistas<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_225557\" aria-describedby=\"caption-attachment-225557\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/LM-Barbara-Wong-201118-030.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-225557 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/LM-Barbara-Wong-201118-030.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/LM-Barbara-Wong-201118-030.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/LM-Barbara-Wong-201118-030-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/LM-Barbara-Wong-201118-030-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/LM-Barbara-Wong-201118-030-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/LM-Barbara-Wong-201118-030-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/LM-Barbara-Wong-201118-030-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/LM-Barbara-Wong-201118-030-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/LM-Barbara-Wong-201118-030-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/LM-Barbara-Wong-201118-030-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-225557\" class=\"wp-caption-text\">Fotos:\u00a0Miguel Manso\/P\u00daBLICO<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>Acompanhas h\u00e1 v\u00e1rios anos a \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o, o que j\u00e1 te levou a escrever alguns livros sobre esta tem\u00e1tica. O que \u00e9 que mais te surpreendeu nesta mensagem do Papa? Como \u00e9 que v\u00eas esta sua insist\u00eancia na educa\u00e7\u00e3o e na instru\u00e7\u00e3o como &#8220;motores da Paz&#8221;?<\/em><\/p>\n<p>Na verdade n\u00e3o \u00e9 surpreendente o que o Papa nos vem dizer, insistir muito na import\u00e2ncia de, a n\u00edvel mundial, os or\u00e7amentos n\u00e3o estarem t\u00e3o voltados para as despesas militares. O Papa nesta mensagem diz-nos que aumentaram as despesas militares, ultrapassando o n\u00edvel registado no termo da Guerra Fria, e a op\u00e7\u00e3o claramente para o Papa devia ser a instru\u00e7\u00e3o e a educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Acho curioso o Papa fazer esta distin\u00e7\u00e3o entre instru\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o, porque muitas vezes estamos muito focados &#8211; sobretudo os professores &#8211; na instru\u00e7\u00e3o, no ensinar a mat\u00e9ria, quando a escola deve ser muito mais do que isso, deve ser tamb\u00e9m a educa\u00e7\u00e3o e uma educa\u00e7\u00e3o global. O Papa est\u00e1 efetivamente preocupado com isto porque sabemos que s\u00f3 atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o \u00e9 que &#8220;o mundo pula e avan\u00e7a&#8221;, como dizia o poeta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Em Portugal a educa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 vista como uma despesa e n\u00e3o como um investimento, como refere o Papa?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o tenho essa ideia. Os\u00a0professores t\u00eam muito essa cr\u00edtica a fazer em rela\u00e7\u00e3o ao Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, que se prende sobretudo com sal\u00e1rios e carreiras. Mas, o que \u00e9 facto \u00e9 que tem havido um investimento na educa\u00e7\u00e3o, sobretudo em formas diferentes de estar na escola. A escola est\u00e1 cada vez mais aberta \u00e0 comunidade e tem havido uma s\u00e9rie de programas que trazem a comunidade para dentro da escola. Ou seja, a quest\u00e3o do Papa Francisco fazer a distin\u00e7\u00e3o entre instru\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o podemos s\u00f3 estar na escola a dar mat\u00e9ria, porque infelizmente as crian\u00e7as chegam \u00e0 escola com o muitos d\u00e9fices&#8230;<\/p>\n<p><em>As condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f3micas dos alunos s\u00e3o um fator com um peso relevante no insucesso escolar, e desse ponto de vista a escola falha no seu papel de elevador social. A pandemia veio agravar estas desigualdades?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida. Isso foi estudado, e veio de facto agravar, e as crian\u00e7as com menos acesso \u00e0 Internet em casa, n\u00e3o tendo computadores, os port\u00e1teis, todas essas coisas, foi muito mais complicado para essas crian\u00e7as e para esses pais&#8230; at\u00e9 no fazermos os isolamentos da pandemia, \u00e9 completamente diferente uma casa com duas casas de banho ou uma casa s\u00f3 com uma casa de banho! Na educa\u00e7\u00e3o e nas casas dos portugueses aconteceu exatamente isso:\u00a0nas fam\u00edlias com menos possibilidades houve um aumentar das desigualdades e vai continuar durante esta pandemia, porque os mi\u00fados podem ter um Smartphone, mas n\u00e3o sabem como trabalhar com ele, n\u00e3o sabem como p\u00f4r o Smartphone ao servi\u00e7o da educa\u00e7\u00e3o, ao servi\u00e7o daquilo que t\u00eam de aprender.<\/p>\n<p>E nesta quest\u00e3o dos Smartphones n\u00e3o interessa se somos ricos ou somos pobres, porque o uso que \u00e9 feito dos telefones \u00e9 um uso sobretudo recreativo e n\u00e3o pedag\u00f3gico&#8230;<\/p>\n<p><em>O Papa tamb\u00e9m lembra na mensagem que uma das consequ\u00eancias da pandemia foram as aulas \u00e0 dist\u00e2ncia, que em muitos casos causaram &#8220;retrocesso na aprendizagem&#8221;. Isso tamb\u00e9m aconteceu em Portugal?<\/em><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m aconteceu em Portugal, porque ningu\u00e9m estava preparado para isto. \u00c9 preciso ver que ainda h\u00e1 muitos professores que t\u00eam uma enorme dificuldade em usar as novas tecnologias dentro da sala de aula, quanto mais \u00e0 dist\u00e2ncia!<\/p>\n<p>Temos de fazer um elogio muito grande aos professores, porque foram obrigados a atualizar-se muito rapidamente de maneira a poder continuar a dar aulas \u00e0 dist\u00e2ncia. Esse trabalho foi feito pelas escolas e pelos professores. N\u00e3o fizeram todos, como \u00e9 \u00f3bvio, mas a maior parte dos professores fez esse trabalho. Mas,\u00a0as aulas \u00e0 dist\u00e2ncia n\u00e3o vieram melhorar em nada, como nada do que \u00e9 feito \u00e0 dist\u00e2ncia, na verdade. N\u00f3s tamb\u00e9m estivemos a trabalhar \u00e0 dist\u00e2ncia, e o que \u00e9 facto \u00e9 que precisamos do outro, at\u00e9 para termos ideias e para desenvolvermos novas hist\u00f3rias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Trabalhar e estudar \u00e0 dist\u00e2ncia empobrece?<\/em><\/p>\n<p>Empobrece, sem d\u00favida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Interligado com a educa\u00e7\u00e3o est\u00e1 o &#8220;di\u00e1logo entre gera\u00e7\u00f5es&#8221;, que o Papa nesta mensagem considera fundamental no atual contexto pand\u00e9mico. Diz mesmo que &#8220;as crises contempor\u00e2neas\u201d revelam a \u201curg\u00eancia&#8221; de uma alian\u00e7a entre os idosos, que considera &#8220;guardi\u00f5es da mem\u00f3ria&#8221;, e os jovens, que s\u00e3o aqueles que &#8220;fazem avan\u00e7ar a hist\u00f3ria&#8221;. Em\u00a0Portugal como \u00e9 que est\u00e1, em tua opini\u00e3o, este di\u00e1logo entre gera\u00e7\u00f5es? A pandemia fez mudar alguma coisa?<\/em><\/p>\n<p>A pandemia no in\u00edcio veio trazer ao de cima o melhor de n\u00f3s.\u00a0Diz\u00edamos todos &#8220;vai ficar tudo bem&#8221;, era o lema. E, de facto, houve uma s\u00e9rie de boas pr\u00e1ticas e bons exemplos\u00a0de jovens que se juntaram nos seus bairros para ajudar os mais velhos, porque n\u00e3o podiam sair nem ir \u00e0s compras, e isso foi um apoio e foi um exemplo muito bom. Com o passar do tempo isso para uns foi deixando de ser necess\u00e1rio, para outros permaneceu.<\/p>\n<p>Acho que no in\u00edcio estivemos todos muito preocupados uns com os outros, mas depois tamb\u00e9m nos volt\u00e1mos outra vez para dentro.<\/p>\n<p>O que eu senti, e que tenho comentado com outras pessoas, at\u00e9 com entrevistados, \u00e9 que\u00a0parece que fic\u00e1mos menos emp\u00e1ticos quando sa\u00edmos das quarentenas, confinamentos e isolamentos, parece que temos menos paci\u00eancia para o outro. De facto, temos de refletir sobre isso e fazer uma mudan\u00e7a na nossa vida, porque n\u00f3s precisamos do outro para viver, temos de fazer essa mudan\u00e7a.<\/p>\n<p><em>Voltando ao tema da educa\u00e7\u00e3o: em outubro 2020 o Papa lan\u00e7ou o &#8216;Pacto Educativo Global&#8217;, com investigadores e professores de v\u00e1rias \u00e1reas. \u00c9 um trabalho que vem defendendo h\u00e1 muito, de que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 a &#8220;semente da esperan\u00e7a&#8221;. Esse\u00a0Pacto procura uma sensibiliza\u00e7\u00e3o para a justi\u00e7a, solidariedade, para a ecologia integral e para o combate \u00e0 cultura do descarte. Como jornalista que acompanhas esta \u00e1rea, como \u00e9 que v\u00eas esta iniciativa de um Papa lan\u00e7ar um &#8216;Pacto Educativo Global&#8217;?<\/em><\/p>\n<p>Como dizia no in\u00edcio, esta preocupa\u00e7\u00e3o do Papa n\u00e3o \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o nova porque &#8211; como tamb\u00e9m referias h\u00e1 pouco &#8211; a quest\u00e3o do elevador social \u00e9 muito importante. E o\u00a0 pr\u00f3prio Papa nesta mensagem faz essa refer\u00eancia, que s\u00f3 investindo na instru\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o, que esta \u00e9 a chave-mestra para podermos ocupar um lugar no mundo do trabalho, \u00e9 um degrau, uma etapa para depois podermos viver dignamente.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o que tem de ser nossa, tamb\u00e9m da Igreja, at\u00e9 na forma como educamos, nas catequeses que fazemos, na forma\u00e7\u00e3o que damos no interior da Igreja \u00e0s crian\u00e7as e aos jovens.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Este pacto tem uma ideia de fundo que \u00e9 envolver toda a gente: fam\u00edlias, comunidades, escolas e universidades, institui\u00e7\u00f5es, religi\u00f5es e governantes. \u00c9 um objetivo demasiado ut\u00f3pico, ou vale a pena apostar nisto?<\/em><\/p>\n<p>Eu acho que n\u00f3s somos feitos de utopia, tamb\u00e9m. \u00c9 um desafio muito positivo. Tamb\u00e9m achei muito curioso, nesta mensagem, logo no in\u00edcio, esta quest\u00e3o dos caminhos para a paz: \u201cComo nos tempos dos antigos profetas, continua tamb\u00e9m hoje a elevar-se o clamor dos pobres e da terra para implorar justi\u00e7a e paz\u201d. \u00c9 desde os antigos profetas que andamos a clamar por justi\u00e7a e por paz.<\/p>\n<p>Esta iniciativa do Papa, o Pacto Educativo, faz todo o sentido e vem de encontro a este desejo de um mundo melhor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 uma linha de coer\u00eancia nas interven\u00e7\u00f5es, enc\u00edclicas e gestos do Papa Francisco nos alertas e nas propostas que faz. Em Portugal, estas mensagens t\u00eam passado ao lado do poder pol\u00edtico?<\/em><\/p>\n<p>Estes desafios que o Papa faz, sim, de alguma maneira. Ele tem uma grande import\u00e2ncia para n\u00f3s, enquanto cat\u00f3licos, mas \u00e9 visto como mais um chefe de Estado, ainda por cima do Vaticano, um Estado dentro de outro Estado. Portanto, muitas vezes s\u00e3o palavras vistas com agrado, com boas inten\u00e7\u00f5es, mas que acabam depois, em termos pr\u00e1ticos, por n\u00e3o ter a import\u00e2ncia que deveriam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Como jornalista pensas que as interven\u00e7\u00f5es do Papa t\u00eam tido eco suficiente na comunica\u00e7\u00e3o social? Ou s\u00f3 se fala de Igreja quando h\u00e1 pol\u00e9mica?<\/em><\/p>\n<p>Infelizmente, andamos sempre atr\u00e1s do clickbait. Quer dizer que\u00a0nem sempre olhamos para estas mensagens como pertinentes.\u00a0No fundo, \u00e9 aquela velha m\u00e1xima do \u201chomem que mordeu o c\u00e3o\u201d, para a comunica\u00e7\u00e3o social, em termos gerais,\u00a0\u00e9 sempre mais interessante escrever sobre os esc\u00e2ndalos dentro da Igreja do que sobre boas pr\u00e1ticas que se fa\u00e7am, embora se escreva.<\/p>\n<p>Escrevemos sobre a mensagem do Papa no Natal, sobre a mensagem do Ano Novo, mas depois ao longo do ano \u00e9 preciso que o Papa diga qualquer coisa muito fora do comum para nos chamar a aten\u00e7\u00e3o\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ou fa\u00e7a. Ir a Lesbos n\u00e3o \u00e9 para todos.<\/em><\/p>\n<p>Ou fa\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Um compromisso concreto, que j\u00e1 est\u00e1 tamb\u00e9m em Portugal, \u00e9 o projeto das \u2018Scholas Occurrentes\u2019, iniciativa que visa criar uma rede de escolas para a inclus\u00e3o, com recurso ao desporto e \u00e0 arte. Uma edu\u00e7\u00e3o global, preocupa\u00e7\u00e3o que Francisco j\u00e1 traz dos tempos de Buenos Aires. Surpreende este empenho pessoal de um Papa no setor da Educa\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Eu penso que n\u00e3o, tamb\u00e9m porque \u00e9 a minha \u00e1rea. Como o Papa diz, a Educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um fator de liberdade, de responsabilidade e de desenvolvimento. Est\u00e1 escrito na mensagem.\u00a0S\u00f3 pela Educa\u00e7\u00e3o \u00e9 que n\u00f3s vamos mudar o mundo, vamos ter melhores cidad\u00e3os, melhores pessoas.<\/p>\n<p>A Educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 ensinar muita matem\u00e1tica e ter 20 no final do ano, entrar no curso. \u00c9 o ser, \u00e9 muito importante e \u00e9 isso que nos vai mudar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O terceiro caminho que o Papa prop\u00f5e para se construir a paz \u00e9 o trabalho. Francisco lembra que os efeitos da pandemia foram devastadores, com a fal\u00eancia de muitas atividades econ\u00f3micas, aumento do desemprego e agravamento da precariedade, e diz que \u00e9 urgente \u201cpromover condi\u00e7\u00f5es laborais decentes e dignas, orientadas para o bem comum e a salvaguarda da cria\u00e7\u00e3o<\/em><em>\u201d. \u00c9 um alerta certeiro?<\/em><\/p>\n<p>Muito certeiro, porque o que sentimos \u2013 e o que esta pandemia veio trazer \u2013 foi mais fragilidade no mercado de trabalho. \u00c9 uma chamada de aten\u00e7\u00e3o, sobretudo \u00e0s empresas e tamb\u00e9m aos governos, para este compromisso de que n\u00e3o se vise apenas o lucro. O Papa tamb\u00e9m fala disso. O lucro n\u00e3o pode ser o \u00fanico crit\u00e9rio-guia, as empresas devem respeitar tamb\u00e9m os direitos humanos, estar mais cientes do seu papel social.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Estamos a come\u00e7ar um ano que, dentro de pouco tempo, vai ter elei\u00e7\u00f5es legislativas. Esta mensagem do Papa deveria ser lida com aten\u00e7\u00e3o por todos os que t\u00eam poder de decis\u00e3o, a come\u00e7ar pelos pol\u00edticos que se apresentam com ide\u00e1rios cat\u00f3licos, crist\u00e3os?<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 dimens\u00f5es que ficam esquecidas e isso \u00e9 muito curioso.\u00a0O Papa lembra sempre a Doutrina Social da Igreja, que n\u00e3o \u00e9 uma coisa nova, e eu acho sempre curioso que algumas pessoas se esque\u00e7am muito dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Francisco fala tamb\u00e9m dos trabalhadores migrantes, que \u00e9 outra preocupa\u00e7\u00e3o. Recentemente, houve uma entrevista que me deixou um bocadinho angustiada, do presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Hotelaria de Portugal, em que se dizia que a op\u00e7\u00e3o era ir buscar pessoas de pa\u00edses migrantes, mais fr\u00e1geis, porque \u00e9 mais f\u00e1cil do que dar sal\u00e1rios condignos aos nacionais. Enquanto houver empres\u00e1rios que pensam assim, \u00e9 dif\u00edcil olhar para o trabalho e respeitar os direitos humanos, como pede o Papa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 uma \u00e1rea em que os jornalistas devem estar atentos. Reparo na frequ\u00eancia com que, hoje em dia, em vez de trabalhadores se usa a palavra colaborador, o que n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa\u2026<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00f3s n\u00e3o colaboramos, estamos a trabalhar efetivamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esta mensagem do Papa ajuda a sublinhar esses alertas que seria importante fazer, para quem tem poder de decis\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Sim, no fundo \u00e9 o que o Papa diz sobre a necessidade de fazer crescer uma renovada responsabilidade social, para que n\u00e3o estejamos s\u00f3 focados no lucro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jornalista diz que alertas do Papa na mensagem para o Dia Mundial da Paz s\u00e3o \u201ccerteiros\u201d e 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