{"id":225271,"date":"2021-12-29T11:08:15","date_gmt":"2021-12-29T11:08:15","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=225271"},"modified":"2021-12-29T11:08:15","modified_gmt":"2021-12-29T11:08:15","slug":"saber-aprender-a-reconstruir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saber-aprender-a-reconstruir\/","title":{"rendered":"SABER APRENDER &#8211; A reconstruir"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O ano de 2021 n\u00e3o foi suficiente para sairmos da pandemia, mas muito se avan\u00e7ou em rela\u00e7\u00e3o a 2020. Enquanto 2020 foi o ano da novidade sobre o que significava ficar em casa, confinados, no s\u00e9culo XXI, o ano de 2021 foi o ano do efeito contr\u00e1rio que esse confinamento exerceu sobre n\u00f3s. Por exemplo, no caso dos jovens, a sua sa\u00fade mental foi posta em causa, e o desemprenho nas aulas online foi o oposto, segundo a partilha de alguns dos meus alunos. A maneira de estarmos juntos tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 a mesma, mas todos estamos mais atentos ao quanto nos tocamos, \u00e0 dist\u00e2ncia enquanto falamos, \u00e0 coloca\u00e7\u00e3o da m\u00e1scara em espa\u00e7os fechados para a tirarmos \u00e0 sa\u00edda e coloc\u00e1-la de novo se nos cruzamos com algu\u00e9m. De certo modo \u00e9 necess\u00e1rio reconstruir e saber aprender como, mas a necessidade de reconstru\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 tanto exterior quanto interior.<\/p>\n<figure id=\"attachment_225272\" aria-describedby=\"caption-attachment-225272\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/reconstruir.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-225272\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/reconstruir.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1282\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/reconstruir.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/reconstruir-389x260.jpg 389w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/reconstruir-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/reconstruir-768x513.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/reconstruir-1536x1026.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/reconstruir-1080x721.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/reconstruir-1280x855.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/reconstruir-980x654.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/reconstruir-480x321.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-225272\" class=\"wp-caption-text\">Foto de Ryoji Iwata em Unsplash<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em termos na nossa psique, o pr\u00f3ximo ano ser\u00e1 necess\u00e1rio para reconstruir a esperan\u00e7a. O facto da pandemia ter-se tornado uma constante na nossa vida, ao longo destes dois anos constru\u00edmos os h\u00e1bitos que nos impedem, gradualmente, de sentir o p\u00e2nico de ser infectados. Somos mais resilientes e valorizamos mais a possibilidade de estarmos juntos e nos reencontrarmos. Depois, a incerteza vivida abriu o lugar da viv\u00eancia mais intensa do momento presente, crescendo a necessidade de estarmos mais atentos ao que vivemos em vez de andarmos ao sabor dos planeamentos. Lid\u00e1mos com criatividade todas as emo\u00e7\u00f5es e constru\u00edmos novos h\u00e1bitos que abriram a nossa consci\u00eancia para a fragilidade humana. And\u00e1vamos demasiado apegados \u00e0s coisas grandes (grandes lan\u00e7amentos, grandes eventos, grandes objectivos, grande quantidade de pessoas nos nossos encontros), e agora encontramos um valor maior nas coisas pequenas.<\/p>\n<p>E mais profundo que a psique \u00e9 a dimens\u00e3o espiritual da nossa vida onde tivemos de reconstruir o modo de crescermos na vida profunda e no acompanhamento espiritual daqueles que pertencem \u00e0s nossas comunidades. A maior consci\u00eancia espiritual veio abrir o horizonte do valor da colectividade. O papa Francisco abriu a Igreja a um percurso sinodal onde temos a oportunidade de re-aprender a caminharmos juntos descobrindo o sentido e significado da participa\u00e7\u00e3o, comunh\u00e3o e miss\u00e3o. Mas o facto de termos sido \u201cfor\u00e7ados\u201d a viver alguns momentos de solitude, sem o devido acompanhamento, esses poderiam ter-se tornado fonte de solid\u00e3o e, nalguns casos, talvez isso tenha acontecido. O facto da pandemia ter afectado o nosso corpo abre a mente \u00e0 rela\u00e7\u00e3o com Deus atrav\u00e9s do mesmo. Algo que vai para al\u00e9m de um pensamento em Deus, mas compreender como o relacionamento com Ele influi sobre a nossa biologia, por exemplo, explorado por Andrew Newberg e Mark Waldman em \u201cComo Deus muda o teu c\u00e9rebro\u201d (n\u00e3o traduzido para portugu\u00eas).<\/p>\n<p>Interior tamb\u00e9m \u00e9 a reconstru\u00e7\u00e3o do nosso relacionamento com o mundo natural de onde surgiu em min\u00fasculo v\u00edrus que afectou profundamente a vida humana e os nossos comportamentos. Ao sermos for\u00e7ados a nos retirarmos dos espa\u00e7os naturais, vimos como, por todo o mundo, a natureza reencontrou-se com muitos espa\u00e7os, naturalizando-os e devolvendo-lhes a uma beleza natural \u00edmpar com a sua presen\u00e7a. O minist\u00e9rio do papa Francisco em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ecologia colocou no nosso percurso espiritual o relacionamento com a natureza onde (desde h\u00e1 muito) a palavra-chave parece-me ser a da <em>comunh\u00e3o<\/em>.<\/p>\n<p>S\u00e3o imensos os exemplo de comunh\u00e3o presente na natureza, desde \u00e1rvores que comunicam entre si atrav\u00e9s de uma rede de fungos, partilhando nutrientes, mesmo que sejam de esp\u00e9cie diferentes, como descoberto por Suzanne Simard. Ou ac\u00e1cias que vivem em comunh\u00e3o com col\u00f3nias de formigas para se protegerem do apetite das girafas como pude testemunhar num programa de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. A comunh\u00e3o com o mundo natural ajudou-nos a reconstruir o valor do sil\u00eancio e da presen\u00e7a que aumentam a nossa sensibilidade para a experi\u00eancia misteriosa da presen\u00e7a de Deus quando nos apercebemos como tudo est\u00e1 ligado com tudo.<\/p>\n<p>Apesar da experi\u00eancia da conectividade ter aumentado nos \u00faltimos dois anos, ser\u00e1 que se tornou express\u00e3o de relacionalidade? Estarmos conectados fez-nos descobrir uma faceta virtual da vida cuja dimens\u00e3o aumentou exponencialmente com o alvor das redes sociais. Mas tem-se verificado resultar numa desconex\u00e3o com a vida real, conduzindo muitas pessoas ao isolamento que \u00e9 a ant\u00edtese da relacionalidade. Na relacionalidade nunca nos sentimos s\u00f3s, mas reconstru\u00edmos tudo o que foi quebrado pelas dificuldades e dores com la\u00e7os de presen\u00e7a, apoio m\u00fatuo e compreens\u00e3o profunda do valor de amadurecimento que cada sofrimento pode induzir.<\/p>\n<p>Nem tudo \u00e9 poss\u00edvel reconstruir. Aqueles que n\u00e3o est\u00e3o mais entre n\u00f3s por causa da pandemia e n\u00e3o tivemos oportunidade de estar uma \u00faltima vez para vivermos a gra\u00e7a do perd\u00e3o, s\u00e3o relacionamentos que ficaram por reconstruir. As decis\u00f5es passadas e que ficaram por cumprir e os prazos ultrapassados para fazer o que acab\u00e1mos por n\u00e3o fazer s\u00e3o hist\u00f3rias que ficaram por reconstruir. Mas tudo o que podemos fazer \u00e9 aprender com as nossas falhas e permanecer no caminho da reconstru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Reconstruir \u00e9 commumente aceite como \u201cconstruir-<strong>de<\/strong>-novo\u201d, mas creio que o ano de 2022 pode ser o tempo <em>construir-<strong>o<\/strong>-novo.<\/em> E por <em>novo<\/em> entendo como \u201co que <strong>re<\/strong>nova\u201d por assentar a esperan\u00e7a que nos move na criatividade como via de profundidade para crescer e amadurecer a nossa vida. A imagina\u00e7\u00e3o humana n\u00e3o tem sen\u00e3o os limites que nos impomos a n\u00f3s pr\u00f3prios. Quando nos abrimos \u00e0 criatividade que \u00e9 fruto de uma rela\u00e7\u00e3o profunda com Deus que <em>renova todas as coisas<\/em> (Ap 21, 5), encontramos o sentido a percorrer num mundo que parece ter perdido a b\u00fassola. Por vezes pode implicar sair da nossa zona de conforto e bolha daquilo em que estamos de acordo, sair das correntes de informa\u00e7\u00e3o para abrir espa\u00e7o \u00e0 escuta interior, tomar maior contacto com a realidade f\u00edsica \u00e0 nossa volta ou, ainda, reconstruir os espa\u00e7os de encontro para descobrirmos novas formas de estarmos presentes e viver em comunidade. O futuro n\u00e3o existe como pr\u00e9-definido, mas para ser reconstru\u00eddo. Espero que os tempos dif\u00edceis que vivemos nos tenham dado a sabedoria para dar passos sensatos nessa reconstru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Para acompanhar o que escrevo pode subscrever a Newsletter <em>Escritos<\/em> em <a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao<\/a><\/p>\n<p>;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":166774,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-225271","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/225271","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=225271"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/225271\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=225271"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=225271"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=225271"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}