{"id":22507,"date":"2007-01-25T11:26:24","date_gmt":"2007-01-25T11:26:24","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2007\/01\/25\/maternidade-grandeza-e-responsabilidade-da-mulher\/"},"modified":"2007-01-25T11:26:24","modified_gmt":"2007-01-25T11:26:24","slug":"maternidade-grandeza-e-responsabilidade-da-mulher","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/maternidade-grandeza-e-responsabilidade-da-mulher\/","title":{"rendered":"Maternidade, grandeza e responsabilidade da mulher"},"content":{"rendered":"<p>Terceiro texto do Cardeal-Patriarca de Lisboa, a respeito do Referendo sobre o Aborto <!--more--> 1. Este per\u00edodo de esclarecimento das consci\u00eancias em ordem \u00e0 resposta a dar \u00e0 pergunta que vai ser sujeita a referendo, sobre o alargamento legal do aborto volunt\u00e1rio, coincidiu com a Festa do Natal, nascimento de Jesus, Filho de Deus e da Virgem Maria. Maria, M\u00e3e de Jesus, a \u201cbendita entre todas as mulheres, porque \u00e9 bendito o fruto do seu ventre\u201d, convida-nos a meditar na grandeza da maternidade. O car\u00e1cter misterioso do nascimento de Jesus, n\u00e3o retira a Maria a sua qualidade de Mulher-M\u00e3e, em cujo ventre foi gerado e se desenvolveu o Homem Jesus de Nazar\u00e9. A mais sublime ac\u00e7\u00e3o de Deus nas criaturas aconteceu no seio de Maria. Mas essa marca da ac\u00e7\u00e3o de Deus nas criaturas, continua a acontecer sempre que uma mulher concebe e fica gr\u00e1vida, acolhendo no seu seio a mais maravilhosa obra da cria\u00e7\u00e3o: o homem, outro homem, que prolonga o mist\u00e9rio da primeira cria\u00e7\u00e3o. Cada mulher que concebe acolhe no seu seio o maravilhoso fruto do poder criador de Deus. O facto da procria\u00e7\u00e3o humana se processar segundo dinamismos e leis precisos da natureza, hoje bastante conhecidos pela ci\u00eancia, nada retira ao mist\u00e9rio da interven\u00e7\u00e3o criadora de Deus, essa capacidade maravilhosa de comunicar a vida. Na maternidade, toda a mulher se auto-transcende, e toca a grandeza e a dignidade do mist\u00e9rio que est\u00e1 nela. Como em Maria, em toda a mulher a maternidade \u00e9 uma miss\u00e3o, que n\u00e3o se exprime apenas na sua vontade, mas est\u00e1 profundamente impressa na sua natureza e no seu ser.  2. Tudo isto \u00e9 simples e belo quando a maternidade \u00e9 aceite e desejada, no seio da fam\u00edlia radicada no amor. A maternidade \u00e9, ent\u00e3o, um projecto de ambos os c\u00f4njuges, que se tornam pais, e pode elev\u00e1-los ao n\u00edvel da contempla\u00e7\u00e3o e da beleza. Ali\u00e1s, o sentido da paternidade s\u00f3 se encontra na maternidade, pois \u00e9 no seio da mulher que a fecundidade do casal se exprime e desabrocha num horizonte mais vasto da fecundidade do seu amor. O marido-pai \u00e9 o primeiro a contemplar, com enlevo, o mist\u00e9rio da vida. A mulher-m\u00e3e \u00e9 a fonte do sentido da pr\u00f3pria paternidade. E ambos se encontrar\u00e3o, num \u00fanico amor, ao acolher e ajudar a crescer, o filho que geraram, participando, assim, no poder criador de Deus. Mas na realidade da vida, a maternidade \u00e9 tamb\u00e9m fonte de exig\u00eancia e de sofrimento, ocasi\u00e3o de queda e de fraqueza, desafio de coragem e generosidade. \u00c9 desafio cont\u00ednuo ao sacrif\u00edcio e ao dom, e por isso ela \u00e9, para a mulher, caminho de amor. A miss\u00e3o de ser m\u00e3e \u00e9 cen\u00e1rio de grandeza e de hero\u00edsmo, mas tamb\u00e9m de fraqueza e de pecado. E em todas as circunst\u00e2ncias a fraqueza da m\u00e3e assume uma dramaticidade especial, porque est\u00e1 em causa a vida de uma crian\u00e7a. Em todo o percurso dessa miss\u00e3o, a m\u00e3e precisa de ser ajudada, pela fam\u00edlia, pelos amigos, pela Igreja, pela sociedade. E ajudar a m\u00e3e significa sempre salvar a crian\u00e7a. Quando a m\u00e3e se torna incapaz ou se recusa a faz\u00ea-lo, a sociedade deve substitu\u00ed-la nessa obriga\u00e7\u00e3o de salvar as crian\u00e7as. Sempre assim foi, de diversas formas; \u00e9 importante que assim continue a ser.  3. A dificuldade de uma maternidade n\u00e3o desejada pode ser a primeira dificuldade a ser ultrapassada pela mulher-m\u00e3e. As motiva\u00e7\u00f5es do aborto n\u00e3o est\u00e3o cientificamente estudadas. Elas v\u00e3o desde a atitude ego\u00edsta de quem n\u00e3o est\u00e1 disposto a abra\u00e7ar as dificuldades de criar um filho, ao medo dessas dificuldades, \u00e0 press\u00e3o exercida, tantas vezes pelo pai da crian\u00e7a e pelo ambiente que rodeia a mulher. Para as mulheres que sentem essas dificuldades, o in\u00edcio da maternidade \u00e9 momento de op\u00e7\u00e3o s\u00e9ria, de coragem e confian\u00e7a, ou de desist\u00eancia e de derrota, que tantas vezes atinge toda a sua vida futura. Nesse momento, a mulher precisa de ser ajudada, objectivamente ajudada, para que fa\u00e7a a op\u00e7\u00e3o da coragem e do respeito pela vida que se gerou no seu ventre. Esta coragem do in\u00edcio \u00e9, tantas vezes, largamente compensada, em amor e alegria. Pensar que se ajuda a mulher, nessas circunst\u00e2ncias, facilitando-lhe o aborto, \u00e9 grave erro de perspectiva, pois facilita-se-lhe a derrota, n\u00e3o a ajudando \u00e0 vit\u00f3ria sobre a fraqueza sentida. Uma lei facilitante torna-se numa tenta\u00e7\u00e3o acrescida para uma mulher a sentir dificuldades em assumir a sua maternidade. Uma senhora escrevia-me h\u00e1 dias: \u201ceu sei que matei um filho; mas nessa altura ningu\u00e9m me ajudou\u201d. Se queremos ajudar, n\u00e3o facilitemos a derrota, a mais triste na vida de uma mulher.  4. A exig\u00eancia da maternidade faz parte da constru\u00e7\u00e3o cultural do respeito pela mulher, pela sua dignidade e grandeza da sua generosidade. E \u00e9 preciso reconhecer que a mulher se sentiu muitas vezes sozinha nesta luta pela sua dignidade. Neste aspecto houve grandes mudan\u00e7as antropol\u00f3gicas e culturais nos \u00faltimos dois s\u00e9culos. Recordo um estudo sobre a mulher francesa no s\u00e9c. XVIII: casava cedo (15-16 anos), a esperan\u00e7a de vida era de 34 anos. Durante os cerca de 20 anos que durava o seu casamento, tinha, em m\u00e9dia, 16 gravidezes, de que sobreviviam 4 filhos. A maternidade sofrida definia a vida da mulher. Tanta coisa mudou: a mulher conquistou uma outra inser\u00e7\u00e3o na sociedade, tem o mesmo direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e ao trabalho, o planeamento familiar permite-lhe maior decis\u00e3o sobre a sua maternidade. Esta deixou de ser a \u00fanica dimens\u00e3o a definir o ser mulher. Mas com isto tamb\u00e9m se acentuou a dimens\u00e3o de projecto individual, onde o filho, se n\u00e3o foi desejado e decidido, pode aparecer como obst\u00e1culo. Este \u00e9 o novo quadro cultural em que \u00e9 preciso situar a ajuda \u00e0 mulher. Com toda a evolu\u00e7\u00e3o do seu estatuto cultural e social, ajud\u00e1-la a n\u00e3o perder de vista que a sua voca\u00e7\u00e3o maternal \u00e9 o centro da constru\u00e7\u00e3o da sua dignidade. E isto \u00e9, tamb\u00e9m, um projecto de sociedade, porque o \u00e9 de educa\u00e7\u00e3o colectiva, que inclui a viv\u00eancia respons\u00e1vel da sexualidade, a protec\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia, o esclarecimento para o exerc\u00edcio de um planeamento da fecundidade ao n\u00edvel da dignidade do amor e da pessoa humana. Que ningu\u00e9m se iluda: facilitar o aborto n\u00e3o \u00e9 o caminho para construir uma cultura de respeito pela dignidade da mulher. Dizer \u201cn\u00e3o\u201d ao aborto \u00e9 dizer \u201csim\u201d \u00e0 dignidade da mulher, pois \u00e9 ela, mais uma vez, que carrega a tristeza de ser \u201cculpada\u201d e \u201cv\u00edtima\u201d.  Lisboa, 21 de Janeiro de 2007  <i>\u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Terceiro texto do Cardeal-Patriarca de Lisboa, a respeito do Referendo sobre o Aborto<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[93,154,193,206,267],"class_list":["post-22507","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-aborto","tag-crianca","tag-educacao","tag-familia","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22507","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22507"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22507\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22507"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22507"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22507"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}