{"id":224828,"date":"2021-12-26T09:30:33","date_gmt":"2021-12-26T09:30:33","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=224828"},"modified":"2021-12-23T00:39:18","modified_gmt":"2021-12-23T00:39:18","slug":"d-rui-valerio-os-militares-sao-o-que-sao-pelos-portugueses-pelo-seu-pais-e-pela-sua-nacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/d-rui-valerio-os-militares-sao-o-que-sao-pelos-portugueses-pelo-seu-pais-e-pela-sua-nacao\/","title":{"rendered":"\u00abOs militares s\u00e3o o que s\u00e3o pelos portugueses, pelo seu pa\u00eds e pela sua na\u00e7\u00e3o\u00bb &#8211; D. Rui Val\u00e9rio"},"content":{"rendered":"<p><em>Reconhecimento das For\u00e7as Armadas e For\u00e7as de Seguran\u00e7a no combate \u00e0 pandemia e dos militares \u00e0 presen\u00e7a da Igreja s\u00e3o dois dos temas abordados na entrevista Renascen\u00e7a\/Ecclesia<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_224811\" aria-describedby=\"caption-attachment-224811\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/D-Rui-Valerio-3rr.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-224811 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/D-Rui-Valerio-3rr.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/D-Rui-Valerio-3rr.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/D-Rui-Valerio-3rr-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/D-Rui-Valerio-3rr-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/D-Rui-Valerio-3rr-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/D-Rui-Valerio-3rr-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/D-Rui-Valerio-3rr-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/D-Rui-Valerio-3rr-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/D-Rui-Valerio-3rr-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-224811\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR\/Miguel Rato<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e L\u00edgia Silveira (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><em>H\u00e1 um ano, em entrevista \u00e0 Renascen\u00e7a, considerou que os militares \u201cs\u00e3o essenciais para a vida da na\u00e7\u00e3o&#8221; e apelou a um maior reconhecimento das For\u00e7as Armadas e de Seguran\u00e7a na sociedade portuguesa. Houve mudan\u00e7as neste per\u00edodo? A sociedade portuguesa j\u00e1 valoriza mais o papel dos militares, sobretudo depois do trabalho da \u2018Task Force\u2019 de vacina\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Sim, houve mudan\u00e7as e houve uma evolu\u00e7\u00e3o, merc\u00ea do contexto t\u00e3o particular que Portugal tem vivido neste \u00faltimo ano e meio, onde todas as nossas aten\u00e7\u00f5es e for\u00e7as est\u00e3o focalizadas no combate \u00e0 pandemia, no qual as For\u00e7as Armadas t\u00eam emergido em todas as suas fases &#8211; e , se me permite, vou explicar que fases s\u00e3o essas, onde as FA t\u00eam tido um papel relevante, reconhecido por todos os setores da sociedade: em primeiro lugar t\u00eam estado presentes no combate direto &#8211; apoio aos servi\u00e7os m\u00e9dicos, acolhimento aos doentes, no fazer aquelas a\u00e7\u00f5es que tantas vezes a sociedade civil n\u00e3o est\u00e1 preparada para efetuar, como por exemplo o transporte dos mais idosos, dos lares, portanto, tem havido uma presen\u00e7a das For\u00e7as Armadas e das For\u00e7as de Seguran\u00e7a na frente da batalha; depois, as FA t\u00eam tido um papel preponderante tamb\u00e9m na campanha de vacina\u00e7\u00e3o, com a \u2018Task Force\u2019, onde emergiu a efic\u00e1cia da sua a\u00e7\u00e3o, a acutil\u00e2ncia da sua programa\u00e7\u00e3o e a dedica\u00e7\u00e3o dos seus agentes, que no caso s\u00e3o os militares. Mas, o grande m\u00e9rito, se me \u00e9 permitida esta express\u00e3o, que as For\u00e7as Armadas e de Seguran\u00e7a tiveram nesta campanha de vacina\u00e7\u00e3o foi a de &#8211; juntamente com outros setores e outras for\u00e7as, naturalmente, e aqui est\u00e1 inclu\u00eddo de uma forma principal e at\u00e9 bastante saliente a pr\u00f3pria Igreja &#8211; terem um papel relevante no que diz respeito ao caminho de confian\u00e7a que os cidad\u00e3os portugueses vieram a fazer relativamente \u00e0 vacina.<\/p>\n<p><em>O pa\u00eds devia recorrer mais vezes ao contributo dos militares?<\/em><\/p>\n<p>Acho que sim. Acho que da mesma forma que n\u00f3s vimos agora os militares e as For\u00e7as de Seguran\u00e7a atuarem no terreno, mas sobretudo naquela dimens\u00e3o motivacional, ou seja, esta confian\u00e7a e este \u00e0 vontade que os portugueses t\u00eam em se deixarem vacinar, em recorrer \u00e0 vacina\u00e7\u00e3o, esta confian\u00e7a brota de onde? Eu aqui encontro como resposta a exist\u00eancia de pessoas e institui\u00e7\u00f5es da confian\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o \u2013 e refiro a Igreja, as For\u00e7as Armadas e as For\u00e7as de Seguran\u00e7a.<\/p>\n<p><em>Tem sido muito elogiada a n\u00edvel\u00a0mundial a taxa de vacina\u00e7\u00e3o portuguesa. Deve-se ao foco que os militares imprimiram no estabelecer essa confian\u00e7a entre a popula\u00e7\u00e3o portuguesa?<\/em><\/p>\n<p>Eu interpreto assim, que hoje o sucesso ou n\u00e3o da campanha de vacina\u00e7\u00e3o numa determinada na\u00e7\u00e3o depende do grau e da capacidade de confian\u00e7a que a popula\u00e7\u00e3o deposita relativamente a esse evento e a essa proposta, a essa d\u00e1diva.<\/p>\n<p><em>Situa\u00e7\u00f5es como o tr\u00e1fico de diamantes, que envolveu militares portugueses ao servi\u00e7o da ONU na Rep\u00fablica Centro Africana, v\u00eam beliscar essa imagem de confian\u00e7a que os portugueses criaram?<\/em><\/p>\n<p>Antes de mais vou situar este problema, este drama, esta trag\u00e9dia &#8211; vou-lhe chamar assim &#8211;\u00a0 dentro de um contexto mais amplo: quando falamos de For\u00e7as Armadas e For\u00e7as de Seguran\u00e7a estamos a falar de institui\u00e7\u00f5es cujo sentido de miss\u00e3o e de vida \u00e9 o rigor, a disciplina, a entrega, o ser tudo e dar tudo pelo seu pa\u00eds. Falamos de mulheres e homens que simbolicamente andam vestidos com uma farda para dizer que eles pr\u00f3prios j\u00e1 n\u00e3o pertencem a si, mas s\u00e3o todos para a na\u00e7\u00e3o, para o servi\u00e7o aos cidad\u00e3os e a Portugal. Segundo ponto: no caminho de forma\u00e7\u00e3o que \u00e9 dado, seja aos elementos das For\u00e7as Armadas, seja aos elementos das For\u00e7as de Seguran\u00e7a, a \u00e9tica tem uma responsabilidade e um lugar absolutamente central.<\/p>\n<p><em><br \/>\nEnt\u00e3o, o que \u00e9 que aconteceu?<\/em><\/p>\n<p>Quando nos confrontamos com situa\u00e7\u00f5es como aquelas que acabaram de ser enunciadas \u2013 e sabemos muito pouco, para al\u00e9m daquilo que foi ventilado pela comunica\u00e7\u00e3o social -, n\u00e3o haja d\u00favida de que estamos a falar de uma andorinha num contexto de uma primavera. Ou seja, as For\u00e7as Armadas n\u00e3o s\u00e3o, de todo, isso.<\/p>\n<p><em>N\u00e3o confundir a parte com o todo?<\/em><\/p>\n<p>Exatamente. Seria \u00f3timo, seria ideal e maravilhoso que n\u00e3o estiv\u00e9ssemos a referir esse problema que aconteceu, no entanto, quero dizer que \u00e9 a todos os t\u00edtulos uma exce\u00e7\u00e3o, exce\u00e7\u00e3o! Porque aquilo que \u00e9 a regra \u00e9 que militar e elemento da for\u00e7a de seguran\u00e7a se comporte com uma conduta de acordo com os mais rigorosos padr\u00f5es \u00e9ticos, morais, de humanismo e de autenticidade.<\/p>\n<p><em>H\u00e1 dias D. Jo\u00e3o Marcos, bispo de Beja, confrontado com a situa\u00e7\u00e3o de agress\u00e3o (da GNR) a imigrantes em Odemira, disse que estas situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o beliscam a imagem que a sociedade portuguesa tem das For\u00e7as Armadas e de Seguran\u00e7a. Subscreve esta ideia?<\/em><\/p>\n<p>Subscrevo completamente. Sou levado a pensar que o militar e o elemento da for\u00e7a de seguran\u00e7a s\u00e3o, como todos n\u00f3s, seres humanos, com momentos em que aquela presen\u00e7a de esp\u00edrito do que somos, do que \u00e9 a nossa miss\u00e3o, e at\u00e9 do que o nosso ser representa e efetivamente \u00e9 &#8211; ou seja, aquela eleva\u00e7\u00e3o dos padr\u00f5es morais e \u00e9ticos &#8211; por vezes diminui um bocadinho de intensidade&#8230; Eu admito que na vida de um cidad\u00e3o isso possa acontecer, e \u00e9 assim que olho para ambos os problemas referenciados. No entanto quero sublinhar este pormenor a que fez refer\u00eancia: a imagem das For\u00e7as Armadas e de Seguran\u00e7a. Ela est\u00e1 inc\u00f3lume, completamente, porque aquilo que \u00e9 a regra e a normalidade \u00e9 que estamos a falar de mulheres e homens &#8211; volto a repetir &#8211; que n\u00e3o vivem para si, nem em fun\u00e7\u00e3o de si, s\u00e3o o que s\u00e3o pelos portugueses, pelo seu pa\u00eds e pela sua na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>E sentem-se reconhecidos por parte do Estado?<\/em><\/p>\n<p>Hoje o Estado \u00e9 sempre o retrato e o representante daquilo que \u00e9 uma consci\u00eancia mais vasta, coletiva. \u00c9 com agrado que posso testemunhar o reconhecimento &#8211; ainda agora, recentemente, o primeiro ministro o fez com a visita \u00e0s nossas for\u00e7as nacionais destacadas. A visita, s\u00f3 em si, j\u00e1 \u00e9 um ato de reconhecimento, de solidariedade e partilha, sobretudo nestas alturas de grande intensidade, do ponto de vista emocional e afetivo.<\/p>\n<p>H\u00e1 um reconhecimento, uma consci\u00eancia no pa\u00eds, em todos os estratos e em todos os n\u00edveis, daquele que \u00e9 o papel verdadeiramente incontorn\u00e1vel que hoje &#8211; como no passado, e certamente como no futuro &#8211; as For\u00e7as Armadas e de Seguran\u00e7a est\u00e3o a dar ao pa\u00eds e aos portugueses.<\/p>\n<p><em>Este ano, neste Natal, n\u00e3o visitou os militares em miss\u00f5es no estrangeiro, mas na mensagem que lhes dedicou sublinha a afinidade da miss\u00e3o militar com os valores crist\u00e3os e destaca o contributo que as for\u00e7as militares e de seguran\u00e7a t\u00eam tido a favor da paz e contra a indiferen\u00e7a &#8211; diz que s\u00e3o quem leva esperan\u00e7a aos \u201cn\u00e3o-lugares\u201d do mundo atual. O que s\u00e3o estes n\u00e3o-lugares?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 uma particularidade das for\u00e7as militares e de seguran\u00e7a, e foi com alguma surpresa, agrad\u00e1vel, que descobri que muito do l\u00e9xico, da gram\u00e1tica e do vocabul\u00e1rio que usamos para descrever, transmitir e narrar a alegria, a esperan\u00e7a e a paz do Natal, \u00e9 um l\u00e9xico que depois reencontramos na miss\u00e3o das For\u00e7as Armadas.<\/p>\n<p>Gosto muito daquela hist\u00f3ria que sucedeu no 25 de dezembro de 1914, nos campos de batalha da I guerra Mundial, na B\u00e9lica, quando no pr\u00f3prio dia de Natal soldados alem\u00e3es e soldados ingleses, inimigos, sa\u00edram das suas trincheiras para irem ao encontro uns dos outros e celebrarem o Natal, trocando votos de bom Natal.\u00a0 Eis aqui o que \u00e9 o esp\u00edrito mais profundo, seja do Mist\u00e9rio do Natal, seja da miss\u00e3o das For\u00e7as Armadas.<\/p>\n<p>O militar quando opera e quando age, seja numa Unidade ou num campo, como \u00e9 o da frente nacional destacada, ele j\u00e1 saiu das suas trincheiras. Pe\u00e7o perd\u00e3o por este paralelismo, mas da mesma forma que no Natal eu contemplo que o Verbo se fez carne &#8211; porque o Filho de Deus saiu do Pai, Jesus pr\u00f3prio, para descrever o seu movimento de encarna\u00e7\u00e3o e usa esta palavra &#8216;saiu&#8217;; e o mesmo S. Jos\u00e9 e Nossa Senhora, que sa\u00edram de Nazar\u00e9 para irem a Bel\u00e9m no cumprimento da vontade do Alt\u00edssimo; e os Pastores tamb\u00e9m foram homens de sa\u00edda, porque sa\u00edram dos seus campos onde estavam a pastorear os seus rebanhos, para irem ter com Jesus, o Deus feito Menino; e\u00a0 tamb\u00e9m os Magos. Ou seja, h\u00e1 aqui um movimento de sa\u00edda, de ir ao encontro, que \u00e9 por assim dizer a espinha dorsal do Mist\u00e9rio natal\u00edcio, mas que reencontramos hoje nos campos de a\u00e7\u00e3o onde est\u00e3o os militares a trabalhar.<\/p>\n<p>Gostava de sublinhar que o militar \u00e9 por excel\u00eancia a mulher e o homem da paz. Qual \u00e9 o significado da sauda\u00e7\u00e3o, por excel\u00eancia, que um militar troca com os outros, com os seus superiores e os seus subalternos, que \u00e9 a contin\u00eancia? A contin\u00eancia tem as suas origens naquele tempo onde se erguia a m\u00e3o para mostrar que nenhuma arma letal era escondida entre os dedos &#8211; estamos a falar do tempo em que a arma letal era uma pedra lascada, portanto, mostrava-se a m\u00e3o, erguendo-a. Era um sinal de paz. Ora, \u00e9 a paz que percorre, calcorreia e caracteriza a a\u00e7\u00e3o dos militares, por isso estou t\u00e3o \u00e0 vontade em falar desta vida e desta miss\u00e3o neste tempo de Natal.<\/p>\n<p><em>Num um ano que continua a ser dif\u00edcil (por causa da pandemia) \u00e9-nos novamente pedido que fa\u00e7amos op\u00e7\u00f5es sobre com quem vamos partilhar o Natal. Sabemos que muitos portugueses perderam os seus entes queridos\u2026 foi o seu caso, perdeu o seu pai este ano. Como \u00e9 viver este momento sem a presen\u00e7a de quem nos era pr\u00f3ximo?<\/em><\/p>\n<p>A grandeza e o mist\u00e9rio do amor que nos foi revelado, mostrado e colocado na nossa vida e na nossa realidade hist\u00f3rica por Jesus, foi que o amor tem a sua dimens\u00e3o emp\u00edrica, f\u00edsica, presencial, mas o amor \u00e9 uma grandeza que transcende, n\u00e3o s\u00f3 o espa\u00e7o e o tempo, porque n\u00f3s, por mais distante que a pessoa esteja do ponto de vista geogr\u00e1fico, n\u00f3s amamo-la; por mais distante no tempo que a pessoa j\u00e1 tenha partido, continuamos a nutrir por ela um amor vivo. Porqu\u00ea? Porque o amor \u00e9 verdadeiramente uma grandeza que est\u00e1 para al\u00e9m, \u00e9 transcendental. Por essa raz\u00e3o, para n\u00f3s crist\u00e3os, a caridade, ou seja, o amor superlativo, \u00e9 considerado uma virtude teologal, porque \u00e9 superior, transcende estas coordenadas e, por isso, transcende a presen\u00e7a f\u00edsica.<\/p>\n<p>Sinceramente, n\u00e3o me sinto em nada diminu\u00eddo ou reduzido, no afeto e na perce\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a de quem amamos, mesmo que j\u00e1 estejam a participar da eternidade de Deus. N\u00e3o me sinto diminu\u00eddo por essa aus\u00eancia na presen\u00e7a, ou por essa presen\u00e7a na aus\u00eancia.<\/p>\n<p>O que acabo de expor \u00e9 o que \u00e9 o \u00e2mago da grandeza e intensidade do amor tal como o crist\u00e3o o vive. \u00c9 por isso que no mist\u00e9rio por excel\u00eancia por n\u00f3s celebrado, onde o al\u00e9m e o aqu\u00e9m se tornam um \u00fanico acontecimento na Eucaristia, n\u00f3s com os anjos, com os santos, os coros celestes e os nossos entes queridos que j\u00e1 partiram para a eternidade, fazemos uma celebra\u00e7\u00e3o \u00fanica, numa comunidade \u00fanica. A \u00fanica diferen\u00e7a \u00e9 que uma est\u00e1 j\u00e1 a viver da gl\u00f3ria eterna, aquele estado que as pessoas dif\u00edceis dizem o estado escatol\u00f3gico, e os outros vivem dentro da temporalidade e da nossa condi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. Mas o ardor continua vivo.<\/p>\n<p><em>Esta \u00e9 uma conversa que estamos a transmitir no dia 26 de dezembro, mas foi previamente gravada antes do Natal e do seu anivers\u00e1rio, que celebra a 24 de dezembro. Onde vai passar estes dias?<\/em><\/p>\n<p>Tenho continuado a celebrar a efervesc\u00eancia do Natal nas unidades militares. Acabo de chegar da Escola das Armas de Mafra, onde tivemos uma manh\u00e3 bastante intensa, toda focalizada e centrada na festa da esperan\u00e7a e alegria, que \u00e9 o Natal. Amanh\u00e3 irei a Santa Margarida, todo o dia, e na quinta-feira irei estar no Hospital das For\u00e7as Armadas, a visitar os nossos doentes, para lhes levar uma mensagem de paz e de esperan\u00e7a e uma mensagem de amor, ou seja, para receber aquilo que, na condi\u00e7\u00e3o em que se encontram, t\u00eam para oferecer, que \u00e9 tanto. No dia 24 aceitei participar do minist\u00e9rio da reconcilia\u00e7\u00e3o, ajudando um p\u00e1roco e irei estar bastante presente, e espero proativo.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante esta dist\u00e2ncia f\u00edsica dos nossos militares que operam nas For\u00e7as Nacionais Destacadas (FND), a verdade \u00e9 que temos promovido celebra\u00e7\u00f5es via Zoom, nas quais eles participam. Est\u00e1 tamb\u00e9m planeada uma iniciativa de outra natureza s\u00f3 que, como compreende, \u00e9 dif\u00edcil dizer o como e o quando, porque se revestem, por motivos de seguran\u00e7a, de algum segredo.<\/p>\n<p><em>Tem sempre significado, para quem est\u00e1 destacado e fora do pa\u00eds em miss\u00e3o, receber a presen\u00e7a do bispo das For\u00e7as Armadas. Em anos anteriores D. Rui Val\u00e9rio procura ter essa presen\u00e7a. Que significado isso adquire para as for\u00e7as que est\u00e3o no terreno a celebrar a este tempo em miss\u00e3o e longe das suas fam\u00edlias de sangue?<\/em><\/p>\n<p>Vou falar a partir da minha experi\u00eancia: para eles a import\u00e2ncia deriva de ser um elo atrav\u00e9s do qual se sentem ligados \u00e0 sua fam\u00edlia, ao contexto, tradi\u00e7\u00f5es e \u00e0 sua terra.<\/p>\n<p>Normalmente, nas vezes em que fui, imediatamente antes de iniciarmos a celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, faziam quest\u00e3o de nos contar como eram as tradi\u00e7\u00f5es natal\u00edcias nas suas terras. Era um reviver, de continuar e de estar unidos, em comunh\u00e3o, com o seu contexto vital e existencial.<\/p>\n<p>N\u00e3o haja d\u00favida que s\u00f3 quem tem experi\u00eancia do que \u00e9 permanecer seis meses consecutivos em regime de FND percebe que \u00e9 uma vida muito proactiva, muito intensa, muito de tarefas. H\u00e1 sempre tanta coisa para fazer e quando temos aquela hora e meia para celebrar a Eucaristia natal\u00edcia \u00e9 um tempo de paz e serenidade.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma palavra que resume a celebra\u00e7\u00e3o da eucaristia de Natal nas For\u00e7as Nacionais Destacadas: \u00e9 um tempo de reencontro. Reencontro com as suas ra\u00edzes, contexto, mas depois h\u00e1 um reencontro consigo mesmo. \u00c9 ali que pensam, que fazem alguma s\u00edntese das suas vidas. \u00c9 neste contexto de reencontro, que \u00e9 o grande reencontro com Deus, que na celebra\u00e7\u00e3o do Natal renova os mist\u00e9rios do amor e da entrega por todos n\u00f3s.<\/p>\n<p><em>Aproximamo-nos do fim da nossa conversa mas n\u00e3o quer\u00edamos deixar de lhe perguntar como est\u00e1 a decorrer o processo sinodal na diocese castrense?<\/em><\/p>\n<p>Tivemos uma reuni\u00e3o via Zoom na passada semana participada por toda a comiss\u00e3o, que \u00e9 constitu\u00edda por um sacerdote coordenador e depois tem um representante de cada um dos ramos das For\u00e7as Armadas e de Seguran\u00e7a. Surgiram iniciativas e uma delas est\u00e1 a decorrer, aproveit\u00e1mos uma sugest\u00e3o da Pol\u00edcia de Seguran\u00e7a P\u00fablica.<\/p>\n<p>Internamente procederam a qualquer coisa de muito parecido com a sinodalidade, em que enviaram, pelos meios digitais, propostas de reflex\u00e3o, de pensamento e solicitaram perguntas e rea\u00e7\u00f5es. N\u00f3s assumimos este estilo porque tem uma pr\u00e1tica e \u00e9 aquilo que vamos proceder.<\/p>\n<p><em>O que sente que os militares pedem \u00e0 Igreja?<\/em><\/p>\n<p>Os militares pedem em primeiro lugar a presen\u00e7a da Igreja. A presen\u00e7a do capel\u00e3o &#8211; e na pessoa do capel\u00e3o vejo a presen\u00e7a da Igreja &#8211; \u00e9 desejada, querida e ansiada.<\/p>\n<p>O capel\u00e3o \u00e9 uma refer\u00eancia dentro de uma unidade. Por um lado o capel\u00e3o representa a presen\u00e7a do transcendente, a presen\u00e7a de Deus, daquele que zela e vela por todos n\u00f3s e nos guia. Mas o capel\u00e3o tem uma particularidade que s\u00f3 o capel\u00e3o tem: \u00e9 um homem transversal. Muito embora em contexto de For\u00e7as Armadas exista a distin\u00e7\u00e3o entre ser pra\u00e7a, ser sargento, oficial, o capel\u00e3o \u00e9 uma pessoa intercomunicativa, uma ponte que liga tudo isto. Isso \u00e9 maravilhoso at\u00e9 para os pr\u00f3prios militares.<\/p>\n<p>O capel\u00e3o est\u00e1 presente nos momentos fundamentais, seja da vida da pessoa enquanto militar, seja na vida da pessoa de fam\u00edlia, homem ou mulher.<\/p>\n<p>Vou dar este pequenino testemunho: neste tempo da pandemia foi maravilhoso verificar que um dos nossos capel\u00e3es, que tinha a seu cargo um hospital militar e, na impossibilidade de o acompanhamento final poder ter sido dentro da normalidade que todos gostamos e nos d\u00e1 conforto, ele tinha o cuidado de, depois, com a fam\u00edlia, na pr\u00f3pria casa da fam\u00edlia, se reunir, salvaguardando todas as dilig\u00eancias e todas as precau\u00e7\u00f5es. Ali reviviam quase na integridade o momento do adeus. Era salvaguardada a intimidade e o aconchego, e isto fez tanto bem \u00e0quelas pessoas. \u00c9 maravilhoso ouvir hoje o testemunho de quem viveu a experi\u00eancia de partir um ente querido do seu conv\u00edvio, mas que depois ficou com aquele preenchimento de lhe ter dito o adeus adequado.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a do capel\u00e3o e da Igreja no seio das FAS \u00e9 querida, \u00e9 estimada, mas a todos os n\u00edveis, seja a n\u00edvel dos militares, dos elementos das FAS como da tutela, entenda-se os ministros, secret\u00e1rios de Estado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reconhecimento das For\u00e7as Armadas e For\u00e7as de Seguran\u00e7a no combate \u00e0 pandemia e dos militares \u00e0 presen\u00e7a da Igreja s\u00e3o dois dos temas abordados na entrevista Renascen\u00e7a\/Ecclesia<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":224813,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[630,3],"tags":[267,271],"class_list":["post-224828","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas-ecclesia-rr","category-nacional","tag-natal","tag-ordinariato-castrense"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/224828","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=224828"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/224828\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/224813"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=224828"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=224828"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=224828"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}