{"id":224785,"date":"2021-12-22T09:17:24","date_gmt":"2021-12-22T09:17:24","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=224785"},"modified":"2021-12-22T09:18:23","modified_gmt":"2021-12-22T09:18:23","slug":"saber-aprender-que-existem-sentidos-relacionais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saber-aprender-que-existem-sentidos-relacionais\/","title":{"rendered":"SABER APRENDER &#8211; Que existem sentidos relacionais"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio dos mais adultos (45-65 anos), os jovens desejam estar presentes nos encontros religiosos depois da experi\u00eancia on-line imposta pela pandemia. \u00c9 esta a conclus\u00e3o que me chamou mais a aten\u00e7\u00e3o num <a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/profile\/Clara-Almeida-Santos\/publication\/357033301_WORKING_PAPER_PRATICA_RELIGIOSA_E_EXPERIENCIA_DIGITAL_DURANTE_A_PANDEMIA_INQUERITO_A_POPULACAO_CATOLICA_PORTUGUESA\/links\/61b935904b318a6970e132d3\/WORKING-PAPER-PRATICA-RELIGIOSA-E-EXPERIENCIA-DIGITAL-DURANTE-A-PANDEMIA-INQUERITO-A-POPULACAO-CATOLICA-PORTUGUESA.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">estudo<\/a> de Clara Santos e Margarida Franca sobre a pr\u00e1tica religiosa e experi\u00eancia digital no tempo da pandemia. O desejo dos jovens justifica-se com a fadiga digital de muitas horas passadas \u00e0 frente de ecr\u00e3s, mas n\u00e3o deixa de ser curioso como sem aulas e com a possibilidade de celebra\u00e7\u00f5es e experi\u00eancias religiosas presenciais, os jovens continuam colados ao ecr\u00e3. Talvez n\u00e3o seja a fadiga de ecr\u00e3, mas a atractividade do conte\u00fado consumido.<\/p>\n<figure id=\"attachment_224786\" aria-describedby=\"caption-attachment-224786\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/MissaOnline.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-224786 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/MissaOnline.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1005\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/MissaOnline.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/MissaOnline-388x260.jpg 388w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/MissaOnline-1024x686.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/MissaOnline-768x515.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/MissaOnline-1080x724.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/MissaOnline-1280x858.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/MissaOnline-980x657.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/MissaOnline-480x322.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-224786\" class=\"wp-caption-text\">Foto de Jay-Pee Pe\u00f1a em Unsplash<\/figcaption><\/figure>\n<p>Apurvakumar Pandya e Pragya Lodha (conseguiram pronunciar os nomes?), m\u00e9dicos e envestigadores na \u00cdndia, fizeram uma revis\u00e3o de diversos estudos sobre o efeito dos tempos de ecr\u00e3 durante a pandemia. Conclu\u00edram que o efeito prolongado desse tempo de ecr\u00e3 estava a afectar a sa\u00fade das pessoas, sobretudo a mental. No in\u00edcio de outubro de 2021, um <a href=\"https:\/\/www.unicef.org\/reports\/state-worlds-children-2021\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">relat\u00f3rio<\/a>; da UNICEF alertava para este aspecto relacionando-o com a sa\u00fade mental dos jovens que est\u00e1 muito ligada \u00e0s din\u00e2micas do ambiente que os rodeia. Por isso, n\u00e3o fico admirado pela redu\u00e7\u00e3o substancial da inten\u00e7\u00e3o dos jovens (15-24 anos) em reduzir a participa\u00e7\u00e3o virtual em experi\u00eancias de \u00eddole religiosa. Pois, a experi\u00eancia espiritual feita na presen\u00e7a uns dos outros induz um grau de profundidade que um ecr\u00e3 nunca conseguir\u00e1 proporcionar. Por\u00e9m, se os jovens (e adultos) permanecem colados a ecr\u00e3s deve-se ao conte\u00fado mais consumido ser o do entretenimento.<\/p>\n<p>Ver uma missa online n\u00e3o \u00e9 nem pretende ser um momento de entretenimento. Esse, de acordo com um <a href=\"https:\/\/jamanetwork.com\/journals\/jamapediatrics\/fullarticle\/2785686\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">estudo<\/a>; na <em>JAMA Pedriatics<\/em> feito por investigadores americanos, \u00e9 respons\u00e1vel pelo aumento do tempo de ecr\u00e3 nos adolescentes quase para o dobro durante a pandemia. A necessidade de usarmos as plataformas digitais para o ensino levou ao consumo excessivo de entretenimento que acabou por aumentar os n\u00edveis de ansiedade e depress\u00e3o nos jovens, o que parece um contra-senso. Pois, n\u00e3o est\u00e3o os jovens entretidos? A raz\u00e3o pela qual um adolescente pode estar muito tempo diante de um ecr\u00e3 pode dever-se ao desejo de fugir dos problemas que vive, sobretudo os interiores, e que pensa poder alhear-se dos mesmos atrav\u00e9s do entretenimento. Mas como dizia Neil Postman no t\u00edtulo de um dos seus perspicazes livros \u2014 \u201cEntretermo-nos at\u00e9 morrer\u201d. Pelo contr\u00e1rio, o relacionamento pessoal presencial \u00e9 uma fonte de vida.<\/p>\n<p>Participei em algumas actividades de teor espiritual nos \u00faltimos tempos com todos os cuidados e regras sanit\u00e1rias cumpridas e nada, nada feito virtualmente \u00e9 capaz de substituir essa experi\u00eancia. Mas a emerg\u00eancia de novas ondas pand\u00e9micas com novas variantes e novos constrangimentos levam-nos a pensar se a via digital continua a ser uma solu\u00e7\u00e3o. Aparentemente, tudo leva a crer que n\u00e3o. Por isso, vale a pena insistir no desenvolvimento da capacidade tecnol\u00f3gica de proporcionar experi\u00eancias espirituais?<\/p>\n<p>Uma experi\u00eancia espiritual \u00e9 relacional. Seja do ponto de vista da rela\u00e7\u00e3o com Deus ou com os nossos irm\u00e3os na f\u00e9 ou na aus\u00eancia de f\u00e9 (com todos, na verdade), pois, o sentido da presen\u00e7a estravasa o olhar. A presen\u00e7a envolve todos os nossos sentidos f\u00edsicos e a liga\u00e7\u00e3o entre o material e o que est\u00e1 para al\u00e9m desse ocorre na relacionalidade sensorial, aliada a uma dimens\u00e3o acess\u00edvel pela consci\u00eancia que pode dar a uma experi\u00eancia o seu sabor e significado sagrados.<\/p>\n<p>A vida digital tem virtualizado muito o espa\u00e7o relacional. Por um lado, as pessoas est\u00e3o fartas do online e procuram experi\u00eancias encarnadas (onlife) a partir daquilo que conseguem conhecer. Mas, por outro lado, h\u00e1 algo que se esconde por detr\u00e1s da nuvem do desconhecido e que nos faz sentir haver algo mais que est\u00e1 para al\u00e9m de tudo o que acontece \u00e0 nossa volta. Esse lado conduz a nossa procura pelos caminhos que ligam o interior ao exterior, tortuosos, surpreendentes e nem sempre evidentes. De certo modo, o facto da vida digital trazer para a experi\u00eancia sens\u00edvel uma visualiza\u00e7\u00e3o de coisas imagin\u00e1rias, inexistentes, n\u00e3o sei se sacia alguma sede de infinito, ou se nos afasta do <em>Infinito<\/em>. A vida f\u00edsica \u00e9 essencial, mas insuficiente para saciar esta sede de Infinito, mas a vida digital, apesar de nos conectar, tamb\u00e9m se revela insuficiente. E a vida espiritual n\u00e3o se sente sem a f\u00edsica. Por isso, a vida que congrega a f\u00edsica, a digital(mental) e a espiritual parece-me ser a <em>vida profunda.<\/em><\/p>\n<p>A vida profunda que une as diversas dimens\u00f5es da exist\u00eancia humana manifesta-se em quatro <em>sentidos relacionais<\/em>: comunit\u00e1rio; art\u00edstico; corp\u00f3reo; e contemplativo.<\/p>\n<ul>\n<li>O <em>sentido relacional comunit\u00e1rio<\/em> est\u00e1 patente, por exemplo, na necessidade que os jovens t\u00eam de encontros presenciais para fazerem experi\u00eancias espirituais profundas.<\/li>\n<li>O <em>sentido relacional art\u00edstico<\/em> est\u00e1 no desenvolvimento da capacidade humana de manifestar exteriormente a viv\u00eancia e compreens\u00e3o interior das realidades escondidas neste mundo.<\/li>\n<li>O <em>sentido relacional corp\u00f3reo<\/em> impulsiona-nos a procurar o equil\u00edbrio das v\u00e1rias dimens\u00f5es da sa\u00fade do nosso corpo, indo para al\u00e9m daquilo que cada um dos cinco sentidos f\u00edsicos nos oferece, e revelando um todo corpo-mente-esp\u00edrito que \u00e9 maior do que a soma das partes.<\/li>\n<li>O <em>sentido relacional contemplativo<\/em> leva-nos a olhar para o c\u00e9u, as estrelas, as flores, o mar e a intuir como tudo est\u00e1 ligado e como a nossa hist\u00f3ria pessoal se entrela\u00e7a com a hist\u00f3ria universal.<\/li>\n<\/ul>\n<p>A vis\u00e3o oferecida pela vida profunda \u00e9 grande e plena de significado, mas h\u00e1 quem prefira viver as realidades concretas que tem diante de si no \u201caqui e agora\u201d. Pensa que tudo o que tem \u00e9 o que tem agora e que se n\u00e3o desfrutar daquilo que possui, perde as oportunidades que as gratifica\u00e7\u00f5es instant\u00e2neas obtidas a partir dessas realidades lhe abrem. Mas isso \u00e9 ef\u00e9mero, logo, superficial e oposto \u00e0 vida profunda. A digitaliza\u00e7\u00e3o da nossa vida pode oferecer a gratifica\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea, mas o aprofundamento da nossa vida atrav\u00e9s dos <em>sentidos relacionais<\/em> suscita em n\u00f3s uma gratid\u00e3o et\u00e9rea.<\/p>\n<p>A gratid\u00e3o move-nos para fora de n\u00f3s mesmos na direc\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o que pode gerar novos relacionamentos. Na pr\u00e1tica, a vida profunda \u00e9 fecunda e aquilo que \u00e9 presencial e, por isso, aparentemente uma experi\u00eancia passada, acaba por se revelar o desejo do presente e a garantia do futuro.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Para acompanhar o que escrevo pode subscrever a Newsletter <em>Escritos<\/em> em <a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao<\/a><\/p>\n<p>;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":166774,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-224785","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/224785","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=224785"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/224785\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=224785"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=224785"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=224785"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}