{"id":224632,"date":"2021-12-30T09:00:26","date_gmt":"2021-12-30T09:00:26","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=224632"},"modified":"2021-12-20T15:59:16","modified_gmt":"2021-12-20T15:59:16","slug":"setubal-um-conto-de-natal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/setubal-um-conto-de-natal\/","title":{"rendered":"Set\u00fabal: Um Conto de Natal"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/conto-natal-setubal.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-224636 size-medium alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/conto-natal-setubal-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/conto-natal-setubal-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/conto-natal-setubal-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/conto-natal-setubal-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/conto-natal-setubal.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>As tradi\u00e7\u00f5es passam de uns para os outros e s\u00e3o elas que alimentam o Natal e os seus sonhos. \u00c9 este renascer que nos d\u00e1 o sentido da caminhada em fam\u00edlia. E nesta terra de mar, onde chegaram as fam\u00edlias de Estremoz, de Lamego e dos A\u00e7ores, deu-se uma fus\u00e3o de tradi\u00e7\u00f5es que se perpetuam at\u00e9 hoje. No dia oito de Dezembro em que celebramos o dia da M\u00e3e, come\u00e7a-se a pensar nos preparativos para o nascimento do Menino. O pres\u00e9pio dos bonecos de barro de Estremoz assume o seu pedestal no cimo da lareira, elemento central da reuni\u00e3o da fam\u00edlia na noite de Natal.<\/p>\n<p>Faz-me sempre lembrar a soma das alegrias antecipadas num dia de viagem, aninhados em cobertores no banco traseiro de um carro pequeno, mas enorme a transportar tanta magia. Os encontros, a noite, as hist\u00f3rias, a mesa, os doces, e depois os doces sonhos\u2026. Maravilh\u00e1vamo-nos em frente ao madeiro gigante, o maior que o av\u00f4 Tom\u00e9 encontrasse durante todo o ano, igual a um grande tesouro, quanto era poss\u00edvel aquecer o Menino. De seguida, corr\u00edamos \u00e0 casa do forno, perfumada com o cheiro a filhoses da av\u00f3 Felicidade e adornada de mel\u00f5es e uvas passas dependuradas, de ramalhetes de tangerinas, de cestos de p\u00e3o quente, de panelas de ferro ao lume. Logo \u00edamos apanhar o musgo para fazer um pres\u00e9pio t\u00e3o simples quanto era o Menino Jesus, S. Jos\u00e9 e Nossa Senhora. Os pastores e as ovelhas andavam na pastagem uns metros \u00e0 frente da casa, as lavadeiras estavam no tanque comum da aldeia, os patos nas po\u00e7as geladas do campo, os reis \u00e9ramos os que \u00edamos chegando de longe, oferecendo e recebendo afectos e os anjinhos chegavam de todo o lado, batendo \u00e0s portas e espreitando \u00e0s janelas.<\/p>\n<p>Era no meio dessas mem\u00f3rias e hist\u00f3rias que ia com os meus meninos buscar musgo ao campo para fazer o nosso pres\u00e9pio de figuras toscas de barro, recriando os reais ambientes buc\u00f3licos. Sonhavam com o Menino Jesus que iria nascer, mas passou tamb\u00e9m a existir a \u00e1rvore de Natal, enfeitada com a estrela e luzes, simbolizando Cristo, como a luz do Mundo.<\/p>\n<p>Come\u00e7am os preparativos para a grande Noite, a grande reuni\u00e3o de fam\u00edlia, que antes sempre em casa dos av\u00f3s, agora rotativo em casa de cada um dos irm\u00e3os. A mesa de Natal acrescentada, bem decorada e de cores vivas, transparecendo a alegria que vai na alma de cada um. Come\u00e7am todos a chegar em corrupio, com os cheiros da cozinha a fazer adivinhar o aconchego do est\u00f4mago. Depois de entradas v\u00e1rias, chega o c\u00e9lebre bacalhau cozido com gr\u00e3o, batata e couve troncha, como em Lamego, tudo regado de bom azeite e bom vinho. \u00c0 espera, fica o peru assado para o dia de Natal. Entretanto, seguem-se as tangerinas, diospiros, mel\u00e3o e uvas, entrecortando os sabores, as conversas e risadas intermin\u00e1veis. J\u00e1 mais tarde se passa ao arroz doce, \u00e0s filhoses, azevias e sonhos, terminando com o licor de maracuj\u00e1 dos A\u00e7ores e o bolo de chocolate em forma de Natal. Seguidamente faz-se um pequeno teatro ensaiado ou improvisado, dizem-se uns poemas, cantam-se m\u00fasicas de Natal ou simplesmente recriam-se e revivem-se as hist\u00f3rias j\u00e1 vividas. Chega a esperada hora da entrega de presentes aos mais novos e a troca entre adultos. Mas n\u00f3s, os quatro, mantemos a secreta magia de saber que os nossos presentes ir\u00e3o para os sapatinhos, p\u00e9 ante p\u00e9 deixados \u00e0 chamin\u00e9, j\u00e1 que a lareira fica toda a noite a aquecer o Menino.<\/p>\n<p>Com muitos abra\u00e7os de alguns que se despedem, vamos para a Missa do Galo assistir ao momento alto que est\u00e1 para acontecer, o Nascimento de Cristo. Os sinos j\u00e1 chamam e a entrada na igreja iluminada, com os acordes de Noite Feliz, tudo converge para o pres\u00e9pio talhado por m\u00e3os de amor. Sa\u00edmos da igreja com o nascimento dentro de n\u00f3s e a brisa que vem do mar refresca as almas.<\/p>\n<p>Ouve-se o apito do navio muito perto e as gaivotas alegres anunciam o dia de Natal. Trazemos connosco os c\u00e2nticos ao Menino Jesus, que nos pretendem aquecer agora e ressoar o Natal pelo ano fora.<\/p>\n<p><em>Isabel Melo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":224636,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[789],"class_list":["post-224632","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional","tag-contos-de-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/224632","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=224632"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/224632\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/224636"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=224632"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=224632"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=224632"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}