{"id":224593,"date":"2021-12-26T09:00:15","date_gmt":"2021-12-26T09:00:15","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=224593"},"modified":"2021-12-20T13:49:58","modified_gmt":"2021-12-20T13:49:58","slug":"guarda-o-caroco-da-maca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/guarda-o-caroco-da-maca\/","title":{"rendered":"Guarda: O Caro\u00e7o da Ma\u00e7\u00e3"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-224593 gallery-columns-3 gallery-size-medium'><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/guarda-o-caroco-da-maca\/conto-natal-guarda\/'><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"390\" height=\"260\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/conto-natal-guarda-390x260.jpg\" class=\"attachment-medium size-medium\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/conto-natal-guarda-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/conto-natal-guarda-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/conto-natal-guarda-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/conto-natal-guarda-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/conto-natal-guarda-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/conto-natal-guarda-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/conto-natal-guarda-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/conto-natal-guarda.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div><\/figure><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/guarda-o-caroco-da-maca\/conto-natal-guarda1\/'><img decoding=\"async\" width=\"390\" height=\"260\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/conto-natal-guarda1-390x260.jpg\" class=\"attachment-medium size-medium\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/conto-natal-guarda1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/conto-natal-guarda1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/conto-natal-guarda1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/conto-natal-guarda1-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/conto-natal-guarda1-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/conto-natal-guarda1-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/conto-natal-guarda1-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/conto-natal-guarda1.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div><\/figure><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/guarda-o-caroco-da-maca\/conto-natal-guarda2\/'><img decoding=\"async\" width=\"390\" height=\"260\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/conto-natal-guarda2-390x260.jpg\" class=\"attachment-medium size-medium\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/conto-natal-guarda2-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/conto-natal-guarda2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/conto-natal-guarda2-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/conto-natal-guarda2-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/conto-natal-guarda2-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/conto-natal-guarda2-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/conto-natal-guarda2-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/conto-natal-guarda2.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div><\/figure>\n\t\t<\/div>\n\n<p>Tudo era paz e felicidade naquele jardim primordial. At\u00e9 entre os animais reinava o melhor conv\u00edvio. Era um conv\u00edvio fraterno, sempre abrilhantado com uma sinfonia de tons e sons musicais que se combinavam, bem afinados, numa harmonia perfeita de vozes de inoc\u00eancia.<\/p>\n<p>Todos eles conheciam bem aquele par de gente, homem e mulher, que diariamente visitava, de m\u00e3os dadas, todos os cantos do jardim. Fora gra\u00e7as \u00e0 sua linguagem que eles ouviram pela primeira vez ressoar, em tons celestiais, o pr\u00f3prio nome.<\/p>\n<p>Foi numa manh\u00e3 de Primavera j\u00e1 adiantada, quando a sinfonia das vozes animais ainda mal se fazia ouvir. O jardim estava mais jardim do que todos os dias. As plantas haviam desabrochado com as p\u00e9talas mais vi\u00e7osas e coloridas e outras ostentavam j\u00e1 frutos maduros. Uma pomba branca, branca de luz, apareceu a voar muito baixinho com uma a\u00e7ucena no bico a bater \u00e0 porta do habit\u00e1culo da bicharada do jardim. Toca, cova, poleiro ou ninho, nada escapou a este inusitado voo rasteiro de alvorada. Era o sinal de chamamento. Todos os animais deveriam comparecer num solene cortejo a desfilar junto \u00e0 macieira que j\u00e1 se encontrava repleta de ma\u00e7\u00e3s bem atractivas. A\u00ed, o par de gente, homem e mulher, havia de dar o nome a cada animal.<\/p>\n<p>E assim se fez. Um a um, todos os animais passaram em frente daquele par de gente, homem e mulher. Grandes, pequenos e mais pequenos ainda, todos iam passando em inigual\u00e1vel cortejo. Olhavam, fascinados, a macieira reluzente, inclinavam depois a cabe\u00e7a com venera\u00e7\u00e3o, ouviam o nome pronunciado com voz solene, contemplavam de novo as ma\u00e7\u00e3s e regressavam cada um a sua casa sem qualquer discuss\u00e3o sobre o nome que lhe havia sido dado. E, se algum mostrava uma cara de menor contentamento, logo a pomba branca, numa revoada de luz, lhe vinha lembrar a alegria do amor e da paz reinante no jardim.<\/p>\n<p>E o par de gente, homem e mulher, radiante com o trabalho, viu que tudo era muito bom. Por momentos contemplou com satisfa\u00e7\u00e3o a \u00e1rvore que lhe servira de abrigo para t\u00e3o solene acto. Depois, aquele par de gente, homem e mulher, sentou-se \u00e0 sua sombra e adormeceu profundamente embalado pela brisa perfumada daquele jardim paradis\u00edaco.<\/p>\n<p>Vinda suave e mansamente do abismo profundo da terra, uma serpente foi-se elevando, enroscada ao tronco daquela \u00e1rvore onde os frutos brilhavam como s\u00f3is e lan\u00e7ou um silvo, candidamente musical, aos ouvidos da mulher. Ainda mal tinha acordado j\u00e1 a serpente lhe entregava a ma\u00e7\u00e3 mais atraente que pendia da \u00e1rvore, enquanto lhe cantava a promessa da sabedoria e do poder que os assemelharia a Deus. Enfeiti\u00e7ada, acorda o homem que ainda dormia um sono de paz. Meio estremunhado pela sonol\u00eancia, aceita a ma\u00e7\u00e3 que a mulher lhe estende com a m\u00e3o direita no mesmo instante em que, com a esquerda, recebe outro fruto que a serpente lhe oferece com vis\u00edvel graciosidade e contentamento.<\/p>\n<p>A pomba branca, branca de luz, bateu asas mal a serpente silvou e, com a a\u00e7ucena no bico, rodopiou em c\u00edrculos por sobre a cabe\u00e7a daquele par de gente, homem e mulher, e, como recurso de urg\u00eancia tr\u00e1gica, deixou cair algumas penas. De olhos bem abertos e vivos, a serpente espiava. Uma pena branca da pomba branca de luz ainda foi tocar a ma\u00e7\u00e3 que o homem se preparava para levar \u00e0 boca com a m\u00e3o direita.<\/p>\n<p>Mas ele olhou para a mulher com sedu\u00e7\u00e3o e sacudiu aquela pena impertinente. Ele, o homem, ainda se chegou a engasgar com o primeiro peda\u00e7o. Preso na garganta, parecia dar-lhe um derradeiro alerta. Mas, depois, de dentada em dentada, cada um comeu a ma\u00e7\u00e3 atirando os caro\u00e7os para o ch\u00e3o.<\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o que a serpente, lan\u00e7ando um silvo medonho feito de gargalhada infernal, desapareceu por entre a folhagem. E logo aquele par de gente, homem e mulher, fugiu cheio de medo a esconder-se sob os ramos de uma figueira, deixando atr\u00e1s de si aquela macieira da sua vergonha que, de imediato, come\u00e7ou a definhar at\u00e9 de todo secar.<\/p>\n<p>A pomba branca, branca de luz, alvoro\u00e7ada e de tanto bater as asas, n\u00e3o conseguiu segurar mais a a\u00e7ucena no bico. Empurrada pelo vento, foi a esta flor murchando lentamente at\u00e9 ficar presa num ramo da figueira onde veio morrer \u00e0 vista daquele par de gente, homem e mulher. Tamb\u00e9m eles estavam definhando enquanto iam tecendo um vestido de folhas para cobrirem a nudez.<\/p>\n<p>Sa\u00edda de uma nuvem, que lentamente foi cobrindo o jardim, ouviu-se uma voz que silenciou todo o espa\u00e7o:<\/p>\n<p>&#8211; Porei inimizades entre ti e a mulher, entre a tua descend\u00eancia e a descend\u00eancia dela.<\/p>\n<p>Num instante, logo a pomba branca, branca de luz, baixa \u00e0 terra e recolhe os caro\u00e7os cheios de sementes, que de imediato come\u00e7a a espalhar pelos cantos da terra.<\/p>\n<p>Uma sementinha veio cair no centro do povoado. Uma estrela acompanhou a pomba at\u00e9 ali. Estrela vinda do Oriente, l\u00e1 das bandas do mundo onde primeiro se faz luz.<\/p>\n<p>Era ali que havia um jardim. Foi h\u00e1 muito e ningu\u00e9m sabe quando. Mas sabe-se que foi uma pomba branca, branca de luz, que ali a semeou. Ela germinou e uma macieira nasceu. \u00c9 a macieira da Esperan\u00e7a. Ela ali se encontra, velhinha, mas sempre renovada a lembrar aos que por ali passam o mandato daquela voz prodigiosa do jardim primordial.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que as gentes do povoado v\u00eaem na macieira do seu jardim o tecto da cabana onde se instala uma Fam\u00edlia, um Homem e uma Mulher, com um Menino acabado de nascer, mas sempre de m\u00e3os estendidas, a apontar para o c\u00e9u azul. \u00c9 a\u00ed que os Anjos cantam e dan\u00e7am a alegria do Seu nascimento, enquanto os pastores descem da fria e branca Estrela e sobem ao povoado para adorarem o Menino.<br \/>\nComo h\u00e1 dois mil anos.<\/p>\n<p>Guarda, 8 de Dezembro de 2021 &#8211; Festividade da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o<br \/>\n<em>Ant\u00f3nio Salvado Morgado<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":224596,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center 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