{"id":224576,"date":"2021-12-23T09:00:45","date_gmt":"2021-12-23T09:00:45","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=224576"},"modified":"2021-12-20T13:03:03","modified_gmt":"2021-12-20T13:03:03","slug":"forcas-armadas-e-seguranca-natal-na-republica-centro-africana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/forcas-armadas-e-seguranca-natal-na-republica-centro-africana\/","title":{"rendered":"For\u00e7as Armadas e Seguran\u00e7a: Natal na Rep\u00fablica Centro Africana"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p>Senhor dai-me for\u00e7a para mudar o que pode ser mudado.<br \/>\nResigna\u00e7\u00e3o para aceitar o que n\u00e3o pode ser mudado.<br \/>\nE sabedoria para distinguir uma da outra.<br \/>\n<em>S\u00e3o Francisco de Assis<\/em><\/p>\n<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-224576 gallery-columns-3 gallery-size-medium'><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a 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Era tamb\u00e9m o oficial portugu\u00eas mais graduado e, por isso, com uma responsabilidade acrescida para com os nossos compatriotas que ali serviam, no \u00e2mbito da ONU e da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>Aqueles que me conhecem, sabem bem o qu\u00e3o reservado sou, sendo muito raras as ocasi\u00f5es em que me expresso sobre as minhas viv\u00eancias, pessoais e profissionais, as suas alegrias e tamb\u00e9m as tristezas, antes optando por falar e escrever no plural daqueles que comigo servem.<\/p>\n<p>Deste modo, o repto que me foi lan\u00e7ado pelo senhor Bispo das For\u00e7as Armadas e de Seguran\u00e7a, para escrever sobre a minha experi\u00eancia pessoal de cumprir uma miss\u00e3o em tempo Natal\u00edcio, constitui para mim um enorme desafio de humildade, ao qual procurarei responder, transmitindo o meu sentir, daqueles que comigo estavam na Rep\u00fablica Centro Africana e, claro, da fam\u00edlia que por Portugal ficou.<br \/>\nEst\u00e1vamos em plena \u00e9poca Natal\u00edcia, em Portugal vivia-se a pandemia COVID 19 com grande intensidade, situa\u00e7\u00e3o que acompanh\u00e1vamos com grande aten\u00e7\u00e3o e preocupa\u00e7\u00e3o, com a esperan\u00e7a que n\u00e3o atingisse nenhum dos nossos familiares, o que infelizmente veio a acontecer. Na Rep\u00fablica Centro Africana a situa\u00e7\u00e3o estava bastante mais complicada, tamb\u00e9m com o COVID 19, a que se juntava o desenvolvimento de uma ofensiva generalizada por parte dos Grupos Armados, que ia criando sucessivas crises humanit\u00e1rias por onde passava, cujo principal objetivo era ocupar a capital Bangui e, assim, impedir a realiza\u00e7\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es, depor o Governo e o Presidente da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>Foi, pois, neste quadro que vivemos a noite de Natal, vigilantes e empenhados, uns guarnecendo os postos no Quartel-General, dormindo numa cama de campanha e ceando uma ra\u00e7\u00e3o de combate, outros, destacados para os locais mais perigosos e exigentes, onde combateram e detiveram a progress\u00e3o dos elementos dos grupos Armados, contribuindo assim para que a normalidade poss\u00edvel fosse assegurada, e que o povo martirizado da RCA pudesse gozar a sua consoada.<\/p>\n<p>Distribu\u00eddos entre Bangui e Bossembele, alguns de n\u00f3s, nem todos, conseguiram falar com as suas fam\u00edlias, deste modo atenuando a dor da sua aus\u00eancia. Partilh\u00e1vamos entre n\u00f3s as alegrias de ouvir a voz da beb\u00e9 de um camarada, da consoada em fam\u00edlia de outro, mas tamb\u00e9m as tristezas daqueles que assistiam impotentes ao sofrimento da sua fam\u00edlia em Portugal, atingida devastadoramente pelo COVID 19. Fomos ainda mais fam\u00edlia nessa noite, solid\u00e1rios, amigos e pr\u00f3ximos.<\/p>\n<p>Agradecemos nessa altura a mensagem do Senhor Bispo das For\u00e7as Armadas e de Seguran\u00e7a, que nos indicou com clareza quais os valores pelos quais nos dev\u00edamos orientar, e nos quais poder\u00edamos igualmente encontrar conforto. Desde logo, \u201co rosto da solidariedade\u201d, o porqu\u00ea de estarmos neste martirizado pa\u00eds, dar o nosso melhor, oferecer o nosso tempo, fazer as pontes de di\u00e1logo e criar as redes de entreajuda, tendo sempre por refer\u00eancia a nossa principal responsabilidade, para proteger as pessoas. O segundo valor que o Senhor D. Rui Val\u00e9rio nos transmite \u00e9 o da \u201calma da confian\u00e7a\u201d. De facto, n\u00e3o obstante tanta adversidade, e atentados \u00e0 dignidade humana, que diariamente observ\u00e1vamos, sempre confi\u00e1mos que seriamos capazes de desenvolver a esperan\u00e7a num futuro melhor. Os militares portugueses faziam a diferen\u00e7a pela sua compet\u00eancia, dedica\u00e7\u00e3o, imparcialidade e proximidade. Onde est\u00e1vamos, v\u00edamos o olhar confiante, observ\u00e1vamos o sorriso das pessoas, naturalmente mais espont\u00e2neo nas crian\u00e7as e, assim, foi na noite de Natal, uns a dirigir, outros a executar, mas todos irmanados dos mesmos prop\u00f3sitos. A nenhum passava a ideia de se ausentar, era preciso continuar a inspirar a confian\u00e7a nos cidad\u00e3os e nos muitos contingentes das mais diversas nacionalidades. Nesta noite, talvez mais do que em qualquer outra, era importante estar presente, fazer ouvir a voz do comandante, para todos saberem que est\u00e1vamos com eles e que em n\u00f3s poderiam continuar a confiar. Foi assim tamb\u00e9m na noite de Natal, em Bossembele, a nordeste de Bangui, onde s\u00f3 a presen\u00e7a da nossa For\u00e7a permitiu que a\u00ed se celebrasse o Natal. O terceiro valor \u201crespeito pela dignidade humana\u201d ganha especial acuidade neste pa\u00eds, em que quase tudo falta, em que as amea\u00e7as aos direitos humanos s\u00e3o perpetradas sobre uma popula\u00e7\u00e3o indefesa, reinando o sentimento de impunidade. Assegurar que todos estavam presentes no terreno, que vigiavam para zelar pelo bem-estar e seguran\u00e7a daqueles que, despojados de quase tudo, apenas pretendiam celebrar o Natal era um grande desafio, tamb\u00e9m porque muitos dos contingentes professavam outras religi\u00f5es. Mas, posso dizer com muita seguran\u00e7a, todos est\u00e1vamos irmanados dos mesmos valores humanistas, nos quais a promo\u00e7\u00e3o e a prote\u00e7\u00e3o da dignidade humana eram cimento e for\u00e7a motriz. O quarto valor, \u201ccora\u00e7\u00e3o da paz\u201d. Como sublinha o Papa Francisco na mensagem para o dia Mundial da Paz de 2021 \u201ca cultura do cuidado \u00e9 percurso de paz\u201d, n\u00f3s, fomos chamados a cuidar do bem-estar do povo centro-africano, procurando a paz e, como dizia D. Rui Val\u00e9rio, na sua mensagem de Natal \u201cseguimos o caminho pela estrada do bem-fazer e do fazer-bem\u201d que nos permite o reconhecimento pelo nosso trabalho em proveito da paz. Esta noite, todos, sem exce\u00e7\u00e3o, procur\u00e1vamos continuar a fazer o bem, com aten\u00e7\u00e3o segu\u00edamos o evoluir da situa\u00e7\u00e3o, alegr\u00e1vamo-nos quando n\u00e3o se confirmavam as inten\u00e7\u00f5es hostis ou quando consegu\u00edamos prevenir algum ataque, muitas vezes s\u00f3 por conseguir estar no local e momento certos. N\u00e3o procur\u00e1vamos reconhecimento, apenas quer\u00edamos que o povo Centro-africano n\u00e3o sofresse ainda mais.<\/p>\n<p>Passada esta atribulada noite de Natal, a que se sucedeu mais um dia de intenso trabalho no Quartel-General da MINUSCA, o sucesso das nossas a\u00e7\u00f5es permitiu que a maioria das popula\u00e7\u00f5es tivesse um dia de Natal calmo, um pouco por todo o pa\u00eds, tive a oportunidade de contatar os militares portugueses que estavam na Miss\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia e o n\u00facleo de apoio log\u00edstico, ambos em Bangui, que felizmente celebravam com alegria o Natal. Com o contingente que estava em Bossembele apenas falava por telefone, naturalmente preocupado com a sua seguran\u00e7a, pois a situa\u00e7\u00e3o continuava muito inst\u00e1vel naquela regi\u00e3o. O Comandante garantia-me que todos estavam bem, que haviam tido o Natal poss\u00edvel. Celebraram na sua fam\u00edlia, que testemunho, era unida e fraterna. Estou certo que, cada um, \u00e0 sua maneira, foi capaz de encontrar alegria na camaradagem que tanto e t\u00e3o bem cultivavam.<\/p>\n<p>E n\u00f3s, que est\u00e1vamos em Bangui, agora um pouco mais libertos, pudemos finalmente celebrar o nosso Natal. De regresso \u00e0 casa onde vivia com a minha equipa mais pr\u00f3xima, uma fam\u00edlia de cinco militares, que vivemos juntos, ininterruptamente, durante mais de um ano. Com eles partilhava alegrias, algumas tristezas e tamb\u00e9m a exig\u00eancia da miss\u00e3o. Forjamos uma amizade forte, grande cumplicidade e um enorme compromisso com a nossa miss\u00e3o. Com eles fui capaz de me superar em muitas ocasi\u00f5es, viver com as adversidades, partilhar confid\u00eancias. Foram a minha fam\u00edlia em \u00c1frica.<\/p>\n<p>A nossa celebra\u00e7\u00e3o Natal\u00edcia, foi uma sucess\u00e3o de surpresas, que revelaram uma cultura de cuidado e preocupa\u00e7\u00e3o. Desde logo, pela decora\u00e7\u00e3o Natal\u00edcia da casa, que apareceu, parece que do nada. O pres\u00e9pio estava l\u00e1, a \u00e1rvore de Natal tamb\u00e9m, complementadas por alguns enfeites africanos, que nos ligavam \u00e0quele pa\u00eds, \u00e0s pessoas e aos costumes locais. Depois, o bacalhau, que estava em cima da mesa, acompanhado de outros produtos portugueses, que nos fez lembrar a mesa familiar, t\u00e3o tradicionalmente portuguesa. Mas a maior surpresa ainda estava para vir. Um de n\u00f3s, em total segredo, conseguiu fazer chegar a cada um, presentes da fam\u00edlia. No nosso desconhecimento, contatou as nossas fam\u00edlias, montou uma complicada log\u00edstica e fez acontecer. Um gesto que nos soube t\u00e3o bem, por inesperado, e porque nos trazia a fam\u00edlia para bem perto. Tamb\u00e9m aqui tivemos Natal, de cuidado, de d\u00e1diva, de alegria.<\/p>\n<p>Os dias que se seguiram continuaram a ser de grande exig\u00eancia. As elei\u00e7\u00f5es realizavam-se no dia 27 de dezembro, e era preciso continuar muito vigilante. Era o tempo de estar no terreno, dia e noite, pr\u00f3ximo dos v\u00e1rios contingentes respons\u00e1veis pela seguran\u00e7a de Bangui, confirmar a prote\u00e7\u00e3o dos v\u00e1rios locais cr\u00edticos e assegurar que todas as assembleias de voto estavam montadas e a funcionar. Felizmente conseguimos garantir as condi\u00e7\u00f5es para a realiza\u00e7\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es, que, n\u00e3o obstante bastantes percal\u00e7os, viriam a ser reconhecidas internacionalmente. Foi t\u00e3o gratificante ver um povo a exercer livre e alegremente o seu direito de voto.<\/p>\n<p>Foi s\u00f3 no dia um de janeiro que pudemos assistir \u00e0 missa, a primeira em l\u00edngua portuguesa desde a nossa chegada havia j\u00e1 um ano, pois t\u00ednhamos connosco um Capel\u00e3o Militar, que em boa hora nos foi enviado para celebra\u00e7\u00e3o e conforto, e foi tamb\u00e9m neste dia que reencontr\u00e1mos o contingente portugu\u00eas na Miss\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia, para um alegre almo\u00e7o de conv\u00edvio.<\/p>\n<p>Faltava ainda visitar os nossos militares que estavam em Bossembele. O meu empenhamento na condu\u00e7\u00e3o das opera\u00e7\u00f5es n\u00e3o me tinha permitido sair de Bangui, cidade por cuja seguran\u00e7a era respons\u00e1vel; uma tarefa que acrescia a muitas outras que me haviam sido confiadas do antecedente. Foi, finalmente, poss\u00edvel viajar para aquela localidade no dia 6 de janeiro. Por motivos de seguran\u00e7a, viajamos de Helic\u00f3ptero, pois ainda havia combates entre os grupos armados e os as for\u00e7as governamentais ao longo da estrada que conduzia \u00e0quela povoa\u00e7\u00e3o, o principal eixo rodovi\u00e1rio do pa\u00eds, que liga Bangui aos Camar\u00f5es. Viajei com a minha equipa de seguran\u00e7a, \u201cacompanhado\u201d dos mimos poss\u00edveis, nos quais se inclu\u00eda o bolo rei, para entregar \u00e0 For\u00e7a. Para quem estava h\u00e1 mais de quinze dias a comer ra\u00e7\u00e3o de combate, imaginem a alegria dos nossos militares. Tamb\u00e9m aqui se cumpriu Natal, de solidariedade, de cuidado, de reconhecimento pelo esfor\u00e7o feito para proteger as pessoas e contribuir para a paz.<\/p>\n<p>Passar esta quadra Natal\u00edcia longe da fam\u00edlia, embora n\u00e3o seja a primeira vez, revestiu-se de alguma singularidade, que adveio de uma situa\u00e7\u00e3o enquadrante muito diferente e mais exigente do que as anteriores. De facto, foi a primeira vivida num ambiente de elevada conflitualidade, geradora de graves amea\u00e7as sobre as popula\u00e7\u00f5es da Rep\u00fablica Centro Africana. Foi tamb\u00e9m aquela em que estava investido da maior responsabilidade de Comando sobre um contingente de cerca de 14.000 soldados da ONU implantados num territ\u00f3rio com uma \u00e1rea superior \u00e0 Fran\u00e7a. Porque tinha o contingente portugu\u00eas empenhado numa opera\u00e7\u00e3o de elevad\u00edssimo risco. Por sentir que com a minha a\u00e7\u00e3o de comando poderia ajudar a fazer a paz e trazer a confian\u00e7a a todo um povo martirizado. Por sentir que n\u00e3o podia defraudar as expetativas que em mim depositavam. Senti, por isso, a nobreza do SERVIR, da d\u00e1diva de mim por uma causa e pela defesa dos mais nobres valores. Senti tamb\u00e9m o qu\u00e3o importante \u00e9 a compreens\u00e3o e o apoio da fam\u00edlia, que vivia tempos muito dif\u00edceis e exigentes para aceitar a nossa aus\u00eancia, para cerrar fileiras em torno dos problemas que v\u00e3o surgindo, procurando libertar-nos para a nobreza da nossa miss\u00e3o. Mas tamb\u00e9m gostaria de relevar a import\u00e2ncia dos pequenos gestos dos amigos e camaradas, os telefonemas, a partilha das boas not\u00edcias, a preocupa\u00e7\u00e3o e compreens\u00e3o manifestadas, que, \u00e0s vezes, nos faziam encontrar for\u00e7as para continuar a prosseguir no caminho do bem.<\/p>\n<p>Nesta passada quadra Natal\u00edcia senti, sobretudo, o qu\u00e3o relevantes e inspiradores podemos ser para os outros quando somos competentes e refer\u00eancia dos valores da solidariedade, da disponibilidade e da entrega.<\/p>\n<p>Valeu a pena!<\/p>\n<p><em>Major General Eduardo Mendes Ferr\u00e3o<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":224581,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[789],"class_list":["post-224576","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional","tag-contos-de-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/224576","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=224576"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/224576\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/224581"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=224576"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=224576"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=224576"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}